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O FILHOTE DA UNICAMP
Claudio Rossi
A Facamp, Faculdades de Campinas, surgiu há apenas quatro anos e em seu primeiro Provão conseguiu figurar entre as melhores escolas de administração de empresas e economia. A novata tem relação estreita com a tradicional Unicamp. Primeiro, fica instalada ao lado dela. Depois, está sob o comando de João Manuel Cardoso de Mello, ex-integrante da equipe econômica do governo Sarney e um dos criadores do Instituto de Economia da Unicamp. Por fim, quase todos os professores que lecionam na Facamp fizeram mestrado ou doutorado naquela universidade. Uma das razões do sucesso da nova faculdade é o regime rigoroso que impõe aos alunos. A carga horária diária de aulas vai das 8 às 17 horas. Entre as disciplinas tradicionais, estão encaixadas no currículo aulas de português nos primeiros três anos. O objetivo é suprir as lacunas básicas herdadas do ensino médio e ensinar os estudantes a escrever um bom texto, a expressar-se em público e a trabalhar em grupo, habilidades cada vez mais exigidas no mercado de trabalho. Está dando certo. Segundo as estatísticas, 80% dos recém-formados já conseguiram emprego, a maioria deles em grandes empresas. "O mercado está tão competitivo que é preciso ser muito rigoroso no ensino para formar profissionais que dêem conta do recado", diz Cardoso de Mello.
LIGAÇÃO DIRETA COM O MERCADO
Germano Luders
O Ibmec era uma instituição que produzia pesquisa na década de 70 e passou a oferecer MBA nos anos 80. Em São Paulo, estreou com os cursos de administração de empresas e economia há apenas cinco anos. Foi submetido duas vezes ao Provão e, em ambas, ficou com "A". No último Provão, brilhou como o campeão em economia e também se destacou em administração. Ex-sócio do Banco Garantia, Claudio Haddad, atual presidente do Ibmec, fundou a faculdade com um objetivo que fere os ouvidos mais tradicionais: "Quero formar jovens que sejam o sonho de consumo de qualquer empresa". Para isso, foi ao mercado de trabalho para detectar tudo aquilo que era visto como lacuna na formação dos estudantes. Criou um modelo de ensino cujo diferencial é a visão prática das matérias. Na sala de aula, os alunos fazem estudos de casos, os mesmos utilizados nos cursos de Harvard, e aprendem macroeconomia com base em histórias concretas da atualidade. Os estudantes acompanham as aulas com laptop ligado na internet e têm na bibliografia apenas publicações de ponta. Como estratégia para manter os professores atualizados, todo ano o Ibmec envia a Harvard alguns deles para receber treinamento. A qualidade custa caro. A mensalidade do Ibmec é de 1 780 reais.
O CAMPEÃO DA ENGENHARIA
Oscar Cabral
O Instituto Militar de Engenharia (IME) é um tradicional centro de excelência. No Provão, confirmou a fama. De todos os cursos avaliados no exame, foi o que mais ocupou o pódio nos rankings: em três especialidades – e ainda levou uma segunda colocação.
Fundado em 1792 como uma escola para militares, o IME passou a aceitar civis em 1964. As mulheres, apenas há sete anos. As regras do instituto são severas. Os alunos estudam em tempo integral, precisam bater continência para o professor e, caso não sejam aprovados em alguma matéria, são instantaneamente expulsos. Em compensação, todos os estudantes têm direito a uma bolsa mensal de 330 reais e contam com assistência médica e alimentação. No fim do curso, quem opta pela carreira militar recebe o título de primeiro-tenente e um salário de 3 000 reais. Vinculado ao Ministério da Defesa, uma pasta de orçamento minguado, o IME consegue aumentar o caixa com a contribuição financeira de trinta empresas públicas e privadas. Elas investem 4 milhões de reais por ano no instituto. Em troca, têm seus projetos de construção de estradas e recuperação de prédios tocados pelo Exército.
OS DENTISTAS DE CARUARU
Barbara Wagner
Há apenas dois anos, a Faculdade de Odontologia de Caruaru, hoje entre as dez melhores da área, tinha no currículo quatro conceitos "D" no Provão. Os colegas das universidades mais renomadas da região faziam piada em relação à precária estrutura do curso. Circulava em Caruaru que os alunos estudavam anatomia em bonecos de barro. A faculdade possuía uma dúzia de microscópios com meio século de uso e poucas cadeiras de dentista, que eram disputadas pelos alunos. Estava ameaçada de fechar. Foi então que a diretoria resolveu dar uma virada. Aumentou o valor das mensalidades para triplicar o salário dos professores e, com isso, conseguiu atrair profissionais de primeira linha das melhores faculdades. De nenhum professor com mestrado, a instituição reforçou seu quadro com 75% de mestres e doutores. Em paralelo, investiu pesado na melhoria de suas instalações, construindo novos laboratórios e comprando equipamentos de última geração. Hoje, nas suas quatro modernas clínicas, 3 000 pessoas fazem fila todo mês para ser atendidas pelos alunos de Caruaru. Com as mudanças, a faculdade fundada em 1959 passou a ser levada a sério. "Estávamos na pré-história", diz o coordenador do curso, Petrônio Martelli. "Os conceitos ruins no Provão nos forçaram a mudar para sobreviver."
A VIRADA DE BARRETOS
Claudio Rossi
Fundada em 1964, a pequena Fundação Educacional de Barretos, no interior de São Paulo, foi a surpresa no último ranking da engenharia civil. Emplacou um terceiro lugar, à frente das tradicionais USP e Unicamp. O que chama atenção no caso de Barretos é que nos exames anteriores a faculdade teve péssimo desempenho, acumulando dois conceitos "E" seguidos. Motivada pelo vexame no Provão, a instituição tomou medidas simples para melhorar o rendimento dos professores, que deixava muito a desejar. Antes de mais nada, mudou o regime de trabalho. Metade dos profissionais deixou de ser remunerada por hora de aula e passou a ser contratada por jornadas semanais de até quarenta horas. O resultado foi excepcional. Com mais tempo para planejar as aulas e desenvolver novos projetos, o nível do ensino aumentou. Outra medida tomada pela faculdade foi oferecer cursos de didática ao corpo docente. O impacto foi sentido pelos alunos na sala. Eles contam que as aulas ganharam em qualidade. "Com as mudanças, criamos um eficiente círculo virtuoso", diz a coordenadora do curso, Paula Cacoza Albuquerque.
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