Os IGNORANTES, que acham saber tudo, privam -se de um dos maiores prazeres da vida: APRENDER.

Universidades particulares demoram a aproveitar tecnologia - Estado São Paulo 26/03/2004

 

Apenas 2% das pesquisadas usam recursos em serviços ligados à qualidade do ensino
DAVID MOISÉS
 
As universidades particulares vêm investindo na compra de computadores para as salas de aula, mas as tecnologias que permitem criar bibliotecas digitais, bancos de dados científicos e outros recursos para pesquisa e aprendizado ainda estão longe dos alunos. A primeira sondagem no Brasil sobre uso de tecnologias de informação (TI) nestas instituições mostra um atraso considerável.
A amostragem é de apenas 18 instituições de quatro regiões - as particulares eram 1.705 no País em 2003 -, mas dá um bom retrato: só 41% têm sistemas de TI e, destas, só 2% usam verbas tecnológicas em serviços ligados ao aprendizado.
A maioria (52%) ainda foca os recursos nos sistemas de contabilidade, mensalidades, registros acadêmicos. Pior: grande parte gasta para "costurar a colcha de retalhos" de sistemas diferentes desenvolvidos ao longo dos anos.
"O conhecimento daquele professor brilhante vai ficar só no cérebro ou na casa dele, porque não há na universidade arquivo acessível com suas aulas e apresentações em power-point", diz Luiz Botelho, responsável por desenvolvimento de talentos da E-Consulting Corp, coordenador da sondagem.
No balanço do uso de tecnologias de informação, a educação a distância é prioridade para apenas 5% das particulares e outros 5% privilegiam o gerenciamento eletrônico de dados, área em que são estruturadas bibliotecas digitais e outros bancos de conteúdo - 80% das universidades dos EUA e da Europa aplicam seus recursos de TI em projetos no desempenho de professor e aluno, diz Botelho.
Integração - Na amostragem brasileira, dos 52% que priorizam aplicações administrativas, a parcela mais elevada (16%) é exatamente dos que priorizam a "integração de sistemas e redes". "São aqueles que foram desenvolvendo seus sistemas e descobriram que eles não conversam uns com os outros, o controle de mensalidades não é compatível com os dados dos alunos, etc", diz. "Estão gastando mais para arrumar a casa do que em tecnologia aos alunos."
Somados aos 9% que priorizam a atualização da estrutura administrativa, tem-se 25% com seus recursos tecnológicos ainda não aplicados propriamente na educação. O grupo que prioriza a informatização das salas de aula tem razoáveis 10%, mas hoje já está claro que não basta ter computadores e conexões para fazer a tecnologia beneficiar suficientemente a educação.
O dado positivo apurado é a disposição de 54% das instituições de investir mais de 3% de seu faturamento de 2004 em tecnologias de informação. Este grupo inclui uma fatia de 41% que pretendem investir mais de 5% do faturamento neste ano. Nos últimos cinco anos, estima Botelho, o investimento esteve entre 1% e 3%.