Mestrados Profissionais em Debate
(ANPAD 2001)
Autoria: Tania Maria Diederichs Fischer
Resumo:
Este painel pretende contribuir para a discussão do mestrado profissional no Brasil a partir de três experiências que serão debatidas por professores com posições críticas sobre a realidade do ensino de pós-graduação. As experiências são distintas entre si e inovadoras relativamente aos desenhos tradicionais de ensino. A discussão é oportuna no momento em que estão sendo mapeadas as tendências da pós-graduação brasileira como subsídio à formulação de políticas de ensino e definição de estratégias institucionais.
Participantes:
- Pedro Lincon – UFPE
- Norberto Hoppen – PPGA/UFRGS e NPGA/UFBA
- Roberto Ruas – PPGA/UFRGS e NPGA/UFBA
- José Henrique de Faria – UFPR
- Carlos Osmar Bertero – EAESP/FGV
1. Contextualização
Fenômeno recente e polêmico na estrutura de ensino brasileiro, o mestrado profissional foi discutido durante oito anos na ANPAD até que, em histórica assembléia aprovou-se uma moção de confiança a experiência de implantação destes cursos. Neste momento, em 1997, a CAPES já tinha publicado a primeira resolução, seguida de outra que abriu à qualquer instituição com quadros docentes qualificados, pesquisa e produção científica e técnica, a possibilidade de oferecer mestrados profissionalizantes. De lá para cá, o cenário tornou-se turbulento e com poucas possibilidades de controle.
A expansão massiva das ofertas e demandas de ensino, presencial e à distância, não está restrita à graduação mas se estende também à pós-graduação. O número de pedidos de reconhecimento de cursos de mestrado é quatro vezes maior do que há cinco anos (dados da Fundação CAPES) e os cursos de especialização (muitos rotulados como MBAs) fazem parte da chamada “terra de ninguém” tal seu número e diversidade.
A diversificação dos programas de pós-graduação (doutorados e mestrados acadêmicos x mestrados profissionalizantes e especialização) bem como a proliferação de formatos (cursos em tempo integral/parcial, de longa duração em escolas ou “in company”, presenciais e a distâncias) criaram uma formidável dinâmica, em que as escolas contracenam com o mercado com grande intensidade, provocando mudanças nas políticas de ensino e pesquisa.
No plano internacional, as críticas ao modelo internacional de MBA fortemente apoiado em áreas, instrumentalizador e acrítico vem de todos os “fronts”; de Henry Mintzberg aos radicais críticos, das escolas tradicionais às inovadoras.
Os cursos mudaram nos últimos anos e, mesmo os que continuam centrados em áreas funcionais reorientam suas ênfases em metodologias.
E no Brasil?
Em meio à confusão pelo uso da sigla do MBA referenciada indistintamente a todo tipo de curso, o mestrado profissional torna-se uma realidade.
Os primeiros cursos, reconhecidos pela CAPES, vieram de instituições que já tinham consolidado programas de pós-graduação como a UFRGS, UFBA e Fundação Getúlio Vargas.
Novos cursos já foram aprovados propostos por instituições como a SUDENE. Uma grande questão será o papel das universidades corporativas na internalização de cursos hoje dados por universidades.
Este painel pretende contribuir para a discussão do mestrado profissional no Brasil a partir de três experiências que serão debatidas por três professores com posições críticas sobre a realidade do ensino de pós-graduação. As três experiências são distintas entre si e inovadoras relativamente aos desenhos tradicionais de ensino e serão brevemente caracterizadas.
2. Caracterização
O confronto de três propostas de mestrado profissional – NPGA/UFBA, PPGA/UFRGS e UFPE – possibilitará mapear trajetórias destes cursos em estágios diferentes de desenvolvimento.
O mestrado do PPGA/UFRGS foi criado em 1998, no mesmo ano do curso do NPGA/UFBA. O curso da UFPE está em implantação.
As propostas são distintas:
- O curso da UFBA orienta-se para formação de um gestor multiqualificado, que pode transitar entre o setor privado, governo e terceiro setor. O curso tem um núcleo de disciplinas e oficinas de gestão comum a todos os alunos seguidas de três áreas de ênfase: gestão empresarial, gestão pública e gestão do terceiro setor. O trabalho final orienta-se a solução de um problema, respondendo a uma questão de natureza aplicada. Visão ampliada e crítica da atividade gerencial e possibilidade de migração inter-áreas caracterizam o curso.
- O curso da UFRGS é um mestrado executivo, orientado à formação gerencial, com disciplinas que integram conteúdos e comportamento. O trabalho final é aplicativo à situações de gestão. A integração entre competência cognitiva, comportamental e instrumental é um destaque do curso.
- O curso da UFPE volta-se à formação do professor de graduação. Tem três características: a) trabalha com instituições de ensino da comunidade; b) confere formação generalista mas possibilita uma área de ênfase; c) adota um esquema de orientação colegiada. É o primeiro mestrado profissional que forma para o magistério de Administração.
3. Sistemática
Síntese sobre Mestrados Profissionais no Brasil – 5 min
Experiência 1 – 15 min
Debate 1 – 10 min
Experiência 2 – 15 min
Debate 2 – 10 min
Experiência 3 – 15 min
Debate 3 – 15 min
Conclusões – 10 min