Gilberto Teixeira (Prof. Doutor FEA/USP)
A idéia de que a Universidade pode e deve ser um instrumento eficaz de inovação e reforma social tem sido muitas vezes perigosamente exagerada. Possivelmente o sucesso dos cientistas na conquista do tempo e do espaço tenha levado os cientistas sociais e até mesmo alguns educadores idealistas à falsa conclusão de que podiam, com idêntico resultado, dirigir o desenvolvimento do homem e da sociedade.
É possível mesmo que uma parte do público tenha sido, levado a expectativas de salvação social que não foram e que não podem ser atingidas.
Há duas maneiras pelas quais a universidade pode se envolver em inovação e reforma social.
a) ação direta ou posições específicas assumidas pela universidade como instituição autônoma.
b) o graduado de nível universitário - a mais potente influência para mudança.
A UNIVERSIDADE COMO INSTITUIÇÃO AUTÔNOMA
Vejamos o primeiro nível de intervenção - a universidade como entidade autônoma. Foi neste nível que as expectativas ultrapassaram de muito a realização, por isso mesmo parece-nos de fundamental importância, reduzir o papel da universidade como agente de reformas sociais.
Deve ser reconhecido que a universidade tem sido com mais freqüência um agente de estabilidade e do “status quo” do que de mudança e reforma. As sociedades tradicionais tiveram cuidado em manter a educação confinada em grande parte à classe dominante. Quando muito, ela esteve aberta àqueles que estavam prontos a aceitar as normas e os valores da classe dominante. E, de toda a maneira, o conteúdo clássico do currículo não era feito de modo a fomentar qualquer revolução. Se isso ocorreu antes do início da sociedade industrial, não é errado se afirmarmos que nos tempos modernos, a universidade também tem sido encarada como agente de estabilidade e não de mudança. A responsabilidade pela manutenção e reformulação da herança cultural, pela adição ao existente conjunto de conhecimentos, da preparação para o emprego, e pelo o viver uma vida no “aqui e agora”- tudo isso é essencialmente conservador, não tem nada de inovador.
Na verdade as universidades têm tido um papel mais positivo como agentes de reformas nas sociedades que estão em transição do “status” colonial para o de independência nacional, ou dos estágios agrícolas para os técnico-industriais. Nessas sociedades, a universidade torna-se tanto o símbolo como o fato da coesão nacional e da identidade nacional. Entretanto, uma vez atingida a transformação e emergido um novo consenso, a universidade volta a assumir o papel de agente estabilizador e de controle social. Talvez que o mundo estivesse em melhores condições se não só os poderes coloniais como os novos estados encarassem as universidades como agentes continuadores da reforma social. Mas, há poucos sinais de uma tal concepção mais ampla.
Há uma segunda limitação à atuação da universidade como agente de reforma social. A universidade é tanto objeto de inovação como é um instrumento para a inovação e reforma. Em outras palavras, o instrumento é configurado pelo próprio objeto que ele supostamente deve afetar e ele muda à medida que a sociedade muda. A sua estrutura, a sua direção, os seus currículos são modificados para atender às necessidades da sociedade e às novas prioridades. E, por isso mesmo causa e efeito, nestas circunstâncias, não são determinados facilmente. O reconhecimento do relacionamento recíproco, deverá resultar, pelo menos que seja acrescentado um certo toque de humildade e realismo às reivindicações e expectativas.
Há quem queira negar essa interdependência. Há aqueles que acreditam que a universidade cresce e se desenvolve de sua própria dinâmica interna.
Mas esta é uma argumentação que não pode ser levada a sério. A sociedade criou a universidade, e existe uma contínua interação garantir que os propósitos da sociedade e as missões da universidade sejam sempre mantidos num estado de tensão recíproca. A educação clássica, serviu diretamente a uma sociedade de elite dominada pelo príncipe, bispo e uma aristocracia agrícola. A chamada educação liberal ampliou e modernizou a herança clássica de modo a abranger novos campos do conhecimento que eram do interesse e de utilidade à nova classe média.
Finalmente, a educação superior (técnica ou humanística) surgiu à medida que a procura do conhecimento exigiu medidas mais amplas e sofisticadas e mostrou-se necessária à medida que a aplicação do conhecimento se tornou tão importante quanto a sua procura.
Não há, portanto, nenhum sentido numa visão unilateral que não aceita que a universidade e a sociedade estão envolvidas num relacionamento íntimo e recíproco. A longo prazo, a sociedade consegue a universidade que precisa. E, ao mesmo tempo, a universidade, informa à sociedade sobre o que ela deveria desejar caso fosse bastante sensata para pedi-lo. Desse ponto e contraponto a universidade obtém menos do que deseja, e a sociedade provavelmente mais do que o merece.
A universidade é, dentre as muitas instituições que inevitavelmente se envolverão em ação de inovação social, talvez a menos poderosa. Essa afirmação contém um ponto máximo e um ponto mínimo. O ponto mínimo é aquele que é óbvio de que qualquer inovação ou reforma social exige a participação de muitas organizações e não pode ser deflagrada somente pela universidade. Conseqüentemente, a universidade não pode nem aceitar culpa, nem reivindicar glória pela responsabilidade primária com respeito a quaisquer determinadas ações ou resultados.
O ponto máximo refere-se à capacidade da universidade como agente capaz de exercer influência.
AUTONOMIA E LIBERDADE ACADÊMICA DENTRO DA UNIVERSIDADE
Esta dependência institucional em relação a sociedade encontra sua contrapartida nas relações interpessoais professor x aluno, professor x professor entre departamentos, institutos e faculdades dentro da universidade. No nível institucional a independência significa autonomia, enquanto no nível profissional e das relações interpessoais significa liberdade acadêmica. Devemos nos lembrar que o professor individual - ensinando à sua turma, escrevendo seu livro, ou examinando seus tubos de ensaio - é o bloco básico construtivo de todo o sistema acadêmico institucional, que foi elaborado tanto para apoiar como para proteger essas atividades. Não é de admirar que o professor ache que a independência é mais importante do que a cooperação, encare o desacordo e os conflitos de opiniões, como uma situação não só tolerável, como até desejável e resista às idéias da padronização e do consenso institucional como noções hostis e perigosas e isto é salutar. Um professor é, como disse Carl Becker, uma pessoa que pensa diferente.
A universidade, como uma instituição, tem em seu âmago uma clientela preparada a resistir vigorosamente à própria idéia de assumir a universidade posição em todos os assuntos. O professorado recairá diante das estratégias idênticas de persuasão e do compromisso tão essenciais à direção de mudanças e mais ainda de reformas. O acadêmico nunca pode ser um entusiástico proponente de uma melhor afirmação ou causa que é apresentada tão somente como a melhor alternativa e nem por uma em que ele acredita só parcialmente. A transigência não faz parte da ética acadêmica e, menos ainda, da disciplina de pesquisa científica. A tradição acadêmica é mais conservadora que inovadora. E isso tem sido uma constante em todos os países.
A intervenção direta da universidade na sociedade não só passa pela independência profissional e pelo estilo acadêmico, mas também pelo dificilmente conquistado acordo social que dá liberdade e autonomia em retribuição à neutralidade institucional. Assim, no nível institucional, a universidade aprendeu, embora algumas vezes o esqueça, que a intervenção na sociedade não é uma via de mão única. Aquilo que é a saída para uma pessoa é entrada para outra.
Devido a todas essas razões, a universidade, em seu aspecto de uma instituição, não será provavelmente um poderoso e eficaz agente direto de inovação e reforma.
A noção de autonomia exclui qualquer acordo automático entre as universidades. A doutrina da responsabilidade individual, protegida pelas idéias de liberdade acadêmica, exclui a construção de um forte consenso para influência e ação eficazes. E a própria natureza do ensino e o avanço do conhecimento é privado e subjetivo e não social e objetivo. Do mesmo modo, pois, quanto à intervenção direta da universidade como instituição autônoma.
A UNIVERSIDADE COMO UMA COMUNIDADE LIVRE E IDEALISTA
A segunda forma de intervenção e influência da universidade provém do seu estilo e natureza de comunidade livre como deverá ser, pelo menos.
É o lugar - talvez o único lugar na sociedade - em que as idéias, por mais inspiradas ou loucas, devem ter liberdade de ser expressas sem restrições e expostas à crítica. Conseqüentemente, é um refúgio para vozes dissidentes, para o impopular e crítico.
Se a reforma surge da semente da insatisfação com o que é acompanhada da visão do que poderia ser - então, por certo poderá ser grande a influência da universidade para a inovação e reforma.
Nesse sentido, a universidade não é simplesmente o “lar das causas perdidas”, mas o lar de todas as causas - não obstante quanto possam ser elas contraditórias.
A universidade deve ser também uma comunidade idealizada. A sua atividade deve encontrar-se livre das pressões que se originam do fato de viver com as conseqüências de afirmações e ações. Assim, existirá uma constante comparação entre o mundo real e o ideal, o que faz com que a comunidade universitária esteja em crônica insatisfação com o mundo que a cerca.
A insatisfação pode explodir em revolta quando o mundo real afasta-se demasiadamente do ideal, sobretudo quando não podem ser ouvidas as vozes de crítica e nem são aceitos as atitudes de rebeldia tão próprias dos jovens. Assim, nas sociedades autoritárias os estudantes foram freqüentemente o partido oposicionista “de fato”. Nessas circunstâncias, a atividade política estudantil, tendo o campus universitário como base, não tem deixado de exercer influência. Algumas vezes o campus é o centro da ação - as demonstrações contra visitantes impopulares são pontos confirmadores. Noutras ocasiões, a administração universitária é o alvo, ou algum professor, ou algum curso.
Mas, falando-se de um modo geral, a confrontação universitária é empregada como um meio de visualizar seja alguma queixa substancial sobre o “status quo” ou algum programa, seja como via de apresentar um projeto destinado a corrigir erros.
Finalmente, chegamos à influência mais difusa da universidade como agente de inovação e reforma social - o desenvolvimento do homem educado. No final de contas, o homem educado é o fermento da massa social.
O homem educado sabe que as injustiças podem ser reduzidas porque, através da leitura da história, sabe que ela foi não só experimentada por outras civilizações, como por elas resolvidas. Injustiça e justiça, assim foi ele levado a acreditar, são ambas obra do homem.
Ele aprendeu na universidade o valor da objetividade, e isto o protege e impede de confundir o engajamento emocional com a verdade.
Ele também aprende que a verdade não é monopólio de nenhuma pessoa, nenhum grupo, nenhum país ou de nenhuma civilização. Por isso mesmo ele se colocará contra aqueles que levantam tais afirmações. Ele é em essência anti-autoritário.
Ele observou, enquanto aluno a maneira cuidadosa pela qual os seus professores separaram o que é daquilo que deveria ser.
Não queremos dizer que o homem educado é necessariamente bom; homens e mulheres educados freqüentemente usaram sua educação para causas más. Nem queremos tampouco dizer que o homem educado é onisciente. Ele pode estar errado. O homem educado pode não ter as respostas, mas ele tem o estilo que é mais capaz de produzir as respostas.
O INVENTÁRIO PARA PREENCHER
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No
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P/Computação
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ITEM AVALIADO
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Sempre
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Quase
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Ocasio-
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Rara-
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Nunca
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Sempre
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nalmente
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mente
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Ele procura compreender os sentimentos (impaciência, raiva, rejeição, etc.) dos outros do grupo.
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Ele demonstra inteligência
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Ele demonstra simpatia com os outros quando eles estão em dificuldades.
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Ele expressa as idéias com clareza e concessão (?)
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Ele expressa seus próprios sentimentos por exemplo quando está zangado, impaciente ou é ignorado.
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Ele é tolerante em aceitar os sentimentos das outras pessoas.
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Ele tem um raciocínio rápido.
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Ele fica zangado ou aborrecido quando as coisas não acontecem como desejava.
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Ele sabe persuadir os outros, é um ótimo “vendedor de idéias”.
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É fácil identificar quando ele gostou ou não gostou do que os outros fazem ou dizem.
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Ele ouve e procura usar as idéias propostas pelos outros do grupo.
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Ele demonstra alta competência técnica ou profissional. Ele é capaz no “seu ramo”.
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Ele é amistoso com aqueles que trabalham consigo.
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Ele é habilidoso em atrair a atenção dos outros.
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Seus sentimentos são transparentes, ele não é do tipo que esconde ou disfarça sentimentos.
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Ele apresenta “boas idéias”.
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Antes de agir ele encoraja os outros a dizer suas idéias.
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Ele procura ajudar os outros quando ficam zangados ou aborrecidos.
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Ele experimenta “novas idéias”.
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Ele é do tipo competitivo: gosta de ganhar e odeia perder.
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Ele apresenta as próprias idéias de modo muito convincente.
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Se outros do grupo ficam zangados ou aborrecidos ele os escuta com compreensão.
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Ele oferece soluções efetivas para problemas.
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Ele tende a ser emocional.
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Quando ele fala os outros ouvem-no.
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TOTAIS BRUTOS (¸)6 (¸)6 (¸)5 (¸)8 MÉDIAS
C-RT DV EE C
C-RT DV EE