Os IGNORANTES, que acham saber tudo, privam -se de um dos maiores prazeres da vida: APRENDER.

O ENSINO UNIVERSITÁRIO NÃO PERCEBE MUDANÇAS?

 

Gilberto Teixeira
(Prof. Doutor FEA/USP)
 
 
I – INTRODUÇÃO
O mundo contemporaneo esta marcado pela aceleração das transformações e dos conhecimentos, pela expansão da tecnologia dos meios de comunicação, pela contestação dos valores estabelecidos, pela explosão demográfica. É inevitavelmente, um mundo com novas exigências educativas.
Por compreender a educação inserida num processo histórico cultural e social, iremos, inicialmente, analisar alguns dos fenômenos atuais e sua relação com a tarefa educativa.
Este texto apoia‑se em dois pressupostos:
a) de um modo geral, a sobrevivência da nossa sociedade está ameaçada por um número crescente de problemas quase todos relacionados com o "progresso tecnológico" e a inabilidade do homem de solucioná‑los.
b) Algo pode e deve ser feito para corrigir essa situação e qualquer ação nesse sentido terá de partir de uma mudança no sistema educacional e no papel que atribuimos a ele.
 
II – UM RETRATO DA EDUCAÇÃO NO FINAL DO SÉCULO XX
O primeiro pressuposto não nos parece necessário detalhar já que diariamente, em todo mundo, o Homem é bombardeado e vê‑se atordoado pela diversidade dos problemas:
·        a agressão da natureza e as conseqüências ecológicas,
·        as tensões sociais a econômicas,
·        a crise energética,
·        o questionamento e contestação de todos os sistemas políticos,
·        a insuficiência dos alimentos diante da explosão demográfica,
·        o desemprego,
·        a falta de perspectivas cada vez maior por parte dos jovens.
 
É paradoxal, mas nem por isso verdadeiro, que todos os problemas tenham começado a eclodir exatamente quando o Homem atingiu um estágio nunca visto de progresso tecnológico.
 
O segundo pressuposto merece uma explicação para que não sejamos interpretados como românticos e simplistas por julgar que a Educação seja capaz de solucionar sozinha todos os problemas da humanidade.
 
Não somos assim tao ingênuos e românticos mas acreditamos convictamente na possibilidade da Educação de aperfeiçoar a condição humana e ajudar a solução dos problemas e é com essa convicção que procuraremos argumentar.
 
Porque a Educação? A Escola, é afinal de contas a única institução em nossa sociedade que é imposta a todos e o que acontece nela tem uma grande influência para o bem ou para o mal.
 
Empregamos a palavra "imposição" por que acreditamos que o modo como a educação e os processos de aprendizagem tem sido usados estão longe de ajudar‑nos a lidar com os desafios do mundo atual e como conseqüência, os problemas com que nos defrontamos neste final de século XX estão aumentando progressiva e geometricamente, sem que sejamos capazes de adotar soluções a promover nossas chances de sobrevivência.
Nossa sociedade, no plano da educação e da aprendizagem, e nossas organizações no plano social, chegam a um verdadeiro
“cul-de-sac”; fazer simplesmente o que já vinham fazendo – ainda que de outras formas mais aperfeiçoadas – já não é suficiente.
A primeira tese que o leitor verá presente ao longo de todo este artigo é a mudança constante, acelerada, ubíqua – é a característica mais impressionante do mundo contemporâneo e que nosso Sistema Educacional, nossas políticas educacionais, nossos Educadores e nossos Políticos ainda não reconheceram isso.
Sustentamos, além disso que as aptidões e atitudes exigidas para lidar adequadamente com a mudanqa devem ser da mais alta prioridade e que não está além da nossa capacidade e argúcia (é só honestamente o desejarmos) criar um clima educacional que possa ajudar a juventude a capacitar‑se e dominar os conceitos necessários à sobrevivência num mundo em rapider transformação.
 
·        Estamos por isso convictos que se o Sistema Educacional não está fazendo o que poderia e deveria fazer, por isso deve e pode ser mudado.
 
A institução que nos acostumaram a chamar de Escola, do nível primário ao universitário, e o que é porque tradicionalmente a resistente a mudanças.
 Inúmeros tem sido os estudiosos que tem difundido inovações na Educação criticando‑a:
·        É irrelevante, na opiniao de Marshall Mcluhan;
·        Protege os jovens da realidade, afirma Norbert Wiener;
·        Educa para o obsoleto, assegura John Garddner;
·        Não promove o desenvolvimento da inteligência, garante Jerome Bruner;
·        Evita a promoção de aprendizagem significativas, aponta Carl Rogers;
·        Ignora vivências de todo ser humano, reclamam Kolb e Malcom Knowles;
·        é castrante, opressora a castiga a imaginação criadora e a independência de espirito, assinalam Friedenberg a Simon Papert.
Esses e muitos outros, de um modo ou de outro oferecem novas idéias, claras e inteligentes por que acreditam que algo pode e deve ser urgentemente inovado.
Todos eles tem algo em comum: são pensadores corajosos e imaginativos o que significa estarem acima da posção confortavel dos pressupostos convencionais; todos eles são "românticos" por que acreditam na possibilidade de aperfeiçoamento do homem através da inovação inteligente, mas apesar do seu idealismo já demonstraram cabalmente a viabilidade de suas idéias.
 
Já faz algum tempo que vem sendo debatida a "crise educacional" presente em todos os níveis de ensino e mais particularmente do ensino universitário.
Parece existir um sentimento de frustração e impotência diante da crise educacional e na maior parte dessas discussões constata-se a preocupação de atacar os efeitos e não as causas; e quase sempre discute‑se em torno da luta pelo poder e por mudanças de organograma esquecendo a necessidade de aperfeiçoar a função primária da Universidade – o ensino e a aprendizagem.
Concordamos em gênero e número com a existência de uma crise educacional gravissima mas discordamos na identificação de suas causas e efeitos.
 
A segunda tese deste artigo é de que a Universidade Brasileira está numa encruzilhada de seu destino causada porque:
a) seus quadros docentes nunca foram efetivamente capacitados e nem lhes é oferecida oportunidade para capacitação na função de ensinar.
O modelo de ensino adotado é simplesmente copiar o comportamento didático dos professores mais antigos.
Não há qualquer exigência ou pré‑requisito de conhecimentos de teorias de aprendizagem e de planejamento didático.
b) A Universidade Brasileira está passando por uma crise de identidade mas continuam voltada para modelos ultrapassados desconhecendo as reformas e experiências inovadoras que já ocorreram em inúmeros países, todas interrelacionadas, como:
§         educação permanente
§         educação para o futuro (ou futurismo na educação)
§         a andragogia ( a teoria da aprendizagem de adultos)
 
Essas duas causas é claro, são interligadas: 
·        se os professores não são envolvidos em nenhum instante de suas carreiras com o estudo do processo ensino‑aprendizagem, essêncial ao seu desempenho quer como planejadores da atividade educacional que como executores, não podem tomar conhecimento das mudanças que ocorrem no ambiente educacional pois seus interesses acadêmicos são induzidos a concentrarem‑se exclusivamente no aperfeiçoamento e atualização do campo de conhecimento de sua especialidade.
 
III – A ACELERAÇÃO DAS TRANSFORMAÇÕES
Que o mundo está em transformação constante não é novidade.
A História aí está para testemunhá‑lo.
A grande e única novidade atualmente é a aceleração do
ritmo dessas transformações.
 
Realmente o mundo nunca parou de evoluir, mas esta evolução se dava de tal maneira que o indivíduo, com algum esforço, muitas vezes, conseguia acompanha‑la.
Hoje as coisas não se dão bem assim:
·        de 10 em 10 anos (ou ate de 5 em 5) o homem vê mudar completamente o universo físico e sócio‑cultural em que se encontra e sente dificuldade em situar-se, daí decorrendo entravés na comunicação entre as gerações, desajustamentos familiares, profissionais, educacionais, de toda ordem.
 
Nada houve até aqui comparável ao que se convencionou chamar de “Revolução Cientifica”, que invadiu o mundo com a transmissão automática de informações a distância e com a invenção do computador.
A comunicação e a cibernetica atingem o homem em toda parte.
Para ilustrar o significado do impacto da revolução, que alguns chamam de "Explosão dos Conhecimentos", imaginemos que fosse possível medir através do mostrador de um relógio o tempo durante o qual os homens tem tido acesso aos sistemas de escrita.
O nosso relógio representaria, pois, nos 60 minutos, algo como 3.000 anos representando cada minuto um período de 50 anos.
Nesta escala, so começaram a ocorrer mudanças significativas nos meios de comunicação há nove minutos, mais ou menos.
Foi por essa altura que a imprensa comçou a ser usada na cultura ocidental.
Ha três minutos, apareceram a locomotiva, o telégrafo e a fotografia.
Ha dois minutos, o telefone, a rotativa, o cinema mudo, o automóvel, o avião e o rádio.
Ha um minuto, o cinema falado.
A televisão apareceu nos últimos dez segundos, o computador, ha apenas cinco segundos e os satelites de comunicação, no último segundo.
O raio laser – talvez o mais potente de todos os meios de comunicação – surgiu ha apenas uma fração de segundo.
Da mesma maneira seria possível colocar qualquer área de conhecimentos no mostrador do nosso relógio e obter, aproximadamente, as mesmas e surpreendentes medidas.
Tomemos por exemplo, a medicina.
Até um minuto atrás não teriamos quase nenhuma mudança significativa.
De fato, até um minuto atrás, quase toda a história da medicina e a história do efeito das mezinhas, acompanhadas de palavras reanimadoras.
Somente no último minuto que apareceram os antibióticos e ha cerca de dez segundos, a cirurgia de coração aberto.
Com efeito nos últimos dez segundos, houve provavelmente mais progressos na medicina do que as representadas por todo o resto do tempo em nosso relógio.
As estimativas mais recentes (Chapanis, 1971; Liclinder, 1966) são de que os conhecimentos do homem duplicam a cada sete ou oito anos.
O impacto dessa explosão de informações sobre os sistemas educacionais é mais assustador: alguém já afirmou que qualquer pessoa que tenha hoje mais de vinte e cinco anos de idade, e uma enciclopédia ambulante de informações obsoletas, pois a matemática que the ensinaram na escola é "velha" e a biologia esta obsoleta.
 
Como Alfred Whitehead destacou em "The adventure of ideas":
"Nossas teorias sociológicas, nossa filosofia política, nossas principais práticas de negócios, e nossas doutrinas de educação derivam de uma tradção ininterrupta de grandes pensadores e de exemplos práticos, desde a época de Platão até o final do século passado.
Na realidade toda essa tradção está desvirtuada pela suposção errônea de que cada geração viverá, substancialmente nas condições que governaram as vidas de seus pais e por isso transmitirá essas mesmas condições para moldar, com igual foriça a vida de seus filhos.
Na verdade estamos vivendo no primeiro periodo da história humana em que essa suposição a falsa".
Quando se fala em escola ou processo educacional a imagem que todos possuem é de uma sala de aula com alunos sentados em fileiras, livros e cadernos abertos em suas mesas e um professor falando.
Desde a epoca de Sócrates que se conhece a existência de alunos e professores e há trezentos ou quatrocentos anos existem os livros.
Em sintese, os três ingredientes alunos, professores e livros tem constituido, ha séculos os elementos mais importantes de qualquer sistema educacional.
É surpreendente que uma tal imagem do processo educacional se tenha mantido durante tanto tempo; fora do sistema educacional não há nenhum aspecto de vida contemporânea que isso tenha ocorrido, pois o fantástico impacto da tecnologia tem se feito sentir em quase tudo:
·        na agricultura,
·        nos transportes,
·        nas atividades domésticas e nas ocupações básicas da humanidade,
Todos nos últimos duzentos anos,  sendo mais acelerador a dramaticos nos uitimos cinquenta anos.
 
Toda educação, qualquer que seja o sistema social, deriva de uma imagem do futuro.
Se a imagem do futuro de uma determinada sociedade não for correta, seu sistema educacional irá causar mais prejuizos que benefícios e um crescente e assustador distanciamento entre as gerações até que um dado momento não existira mais diálogo entre pais e filhos, entre jovens e adultos, entre alunos e professores.
É este o risco que estamos correndo.
Imaginemos uma tribo indigena que durante séculos dependeu de um rio próximo.
Durante séculos sua economia e cultura dependeram do rio seja pescando e alimentando‑se com seus produtos, seja plantando em solo fertilizado pelo rio ou mesmo costruindo barcos e as ferramentas necessárias para isso.
Enquanto forem lentas as mudanças de tecnologia nessa comunidade e enquanto nenhuma guerra, invenção, epidemia ou mesmo qualquer causa natural provocarem alterações no ritmo de vida foi fácil para a tribo formular uma imagem do seu proprio futuro:
O amanha sera uma mera repetição do ontem.
É desta imagem que flue a educação.
Podem nem existir escolas (no sentido formal) na tribo mas assim mesmo há um currículo que abrange um conjunto de habilidades valores e ritos a serem aprendidos.
As crianças da tribo são ensinadas a escavar um tronco de árvore para modelar uma canoa, do mesmo modo que seus ancestrais vinham fazendo antes delas.
O "professor" nesse sistema tribal é até então eficiente, sabe muito bem o que deve ensinar pois apoia‑se no conhecimento e no pressuposto de que a tradção – o passado – irá funcionar adequadamente no futuro.
O que ocorrera entretanto com essa tribo se enquanto ela estiver usando seus métodos tradicionais, outros grupos humanos estejam construindo, rio acima a centenas de quilometros distante, uma gigantesca barragem que ira desviar o rio de seu leito ?
Subitamente tornar‑se perigosamente enganadora a sua imagem do futuro, o conjunto de hipóteses que vem servindo aos membros da tribo para modelar o seu comportamento atual.
O amanhã  já não será mais uma réplica do hoje ou do ontem.
Transforma‑se em inutilidade e desperdicio, todo o investimento da tribo na preparação de suas crianças para viver em uma cultura fluvial.
O resultado então é que uma falsa imagem do futuro destroi subitamente toda a relevância dos esforços educacionais.
Esta é infelizmente a nossa situação, com uma única e irônica diferença que somos nós mesmos e não estrangeiros distantes que estamos construindo a barragem que está ameaçando anular a cultura do presente, pois em nenhuma época da história do homem, a sua cultura foi submetida a tão imenso e prolongado bombardeio de mudanças tecnológicas, sociais e de informação.
E o resultado de nossa incapacidade de acompanhar essas mudanças já é visivel hoje em todas as partes do mundo:
·        os problemas ambientais,
·        o desemprego,
·        a falta de alimentos,
·        a crise energética,
·        as tensões sociais,
·        a violência urbana.
 
 
Parece não restar nenhuma dúvida de que os sistemas educacionais revelaram‑se insatisfatórios: um sistema construido para a formação
de uma elite de intelectuais, que podiam em certo número de anos “aprender” todo o saber necessário à vida de seu tempo, tornou‑se insuficiente para uma civilização cuja característica marcante
é a mudança.

 
 Apesar dos esforços para superar esse hiáto, as escolas, do primeiro ciclo à Universidade, ainda continuam a formar indivíduos despreparados para as mudanças constantes.
O resultado é a rejeção freqüente de seus produtos pela sociedade e o agravamento do desemprego e das tensões sociais.
É importante reconhecermos que os currículos atuais são orientados e apoiados numa tradição de dezenas e até (em alguns casos de centenas de anos, refletindo em geral muito mais o que os professores desejam ensinar do que os alunos necessitam aprender.
Como professores temos sido hábeis em desenvolver argumentos engenhosos para defender os programas e conteúdos que ensinamos mas necessitamos deixar de enganar-nos a nós próprios ignorando as  mudanças que estão e irão continuar ocorrendo.
É urgente que nos capacitemos para os novos papeis que nos estão destinados se não desejarmos ser ultrapassados.
Já se disse a este respeito com muita propriedade que "o universo da educação contemporânea se ressente das dores desse parto (1) do qual devera emergir uma nova concepção educativa.
Reforçando essa posição afirma Lengrand (2) que:
"Seja qual for a importância atribuida a cada um dos elementos de nosso destino em formação, todos têm em comum o fato de levarem para a educação e os educadores questões e exigências cuja vastidão e diversidade fazem estremecer o edifício tradicional das idéias e dos métodos pedagógicos".
 As técnicas e as estruturas que as gerações sucessivas tinham aperfeiçoado para transmitir os conhecimentos e as capacidades próprias de cada sociedade, dos mais velhos aos mais novos, dos pais aos filhos, estão em grande parte, deixando de ser eficazes, a tal ponto que o próprio papel a as funções tradicionais da ação educativa são objeto de avaliações e exames críticos, e que a educação se acha, cada vez, obrigada a procurar novas vias".
A rapidez de evolução dos conhecfientos científicos a tecnológfcos tem levado a uma "corrida para atualização", forçada pela necessidade de acompanhar o progresso.
A tendência que já se pode constatar em muitos países e a adoção do que se convencionou chamar educação permanente.
Sob essa nova visão do papel da Educação, defende‑se que o processo educacional deve ser continuado, permanente.
E essa enfase está baseada numa afirmação:
A educação formal, mesmo a melhor não é suficiente para o indivíduo viver o resto de sua vida.

Assim como não se pode encher o estômago de uma pessoa com a quantidade de alimento necessária para todo o seu desenvolvimento físico, não se pode conceber que o cerebro de um indivíduo possa conter a "bagagem intelectual" requerida por um mundo em constante transformação.

 
O processo educacional deve ser capaz de desenvolver indivíduos capazes de continuar sua própria educação, tendo as habilidades básicas para isso.
O currículo deve promover oportunidades para que o indivíduo aprenda principalmente a ler, ouvir, observar, expressar‑se e adquirir técnicas para obter informacões: entrevista, inquerito, análise de situacões, seleção de altemativas, criação de novas idéias, solução de problemas, avaliação de recursos e idéias, generalização e muitas outras referentes também as habilidades relacionadas e interação grupal, e utilização do computador.
Os movimentos de "contestação" já penetraram nos domínios da Educação e tem levado a criticas e reivindicações quanto a conteúdos, métodos de ensino, participação do aluno na gestão dos estabelecimentos, catalização do movimento de reforma social pela institução universitária, etc.
A apatia dos estudantes, e redução na procura de vagas em alguns cursos superiores e a desistência crescente após iniciado o primeiro semestre, conseqüências da defasagem entre as necessidades e realidades do mundo: tudo isso pode ser considerado uma forma de criticar o sistema.
A crise manifesta‑se também no terreno dos costumes e das relações interpessoais.
No passado, o homem sabia o que se esperava dele e o sistema educacional procurava atender a essa expectativa.
Havia modelos a seguir, papeis bem delineados a desempenhar.
As relacões entre as pessoas eram razoavelmente codificadas e a tradição tinha enorme força.
Tudo isso hoje foi modificado profundamente.
As relaigões familiares, por exemplo, sofreram tão grandes transformações que os pais sentem maior dificuldade em dialogar com seus filhos, em educá-los.
Um fato novo também é que estamos assistindo a da coexistência de várias gerações: antes uma substituía a outra, hoje coexistem.
O aumento da media de vida decorrente do avanço da pesquisa em medicina e as conquistas da legislação social (semana de 5 dias, ferias remuneradas etc) têm trazido como conseqüência a redução no tempo dedicado ao trabalho e conseqüêntemente aumento do tempo livre, o que nos centros urbanos dos países pobres tem sido aproveitado para um segundo ou terceiro emprego a fim de fazer face ao custo de vida e aos encargos familiares.
A ocupação valiosa dos tempos de lazer passará a ser uma preocupação crescente entre os educadores.
A tendência a terminar com a dicotomia entre trabalho e lazer, educação e trabalho, transformando "todos os tempos em tempos para educação, todos os lugares para educação. (6)
 
4‑ A EXPLOSÃO DEMOGRÁFICA E SEU IMPACTO NA EDUCAÇÃO
A rápida expansão da população tem sido estudada por sociólogos, economistas, psicólogos, educadores e por todos aqueles que estão seriamente preocupados em como ficará o nosso superpovoado planeta daqui a alguns anos.
Preve‑se que no ano 2000 a população da terra chegue a 6,5 bilhões: 4 vezes mais do que no inicio deste século.
O "Correio da UNESCO", em número especial dedicado ao Ano Mundial da População, alertou para as conseqüências (a principal referente a escassez de alimentos) de o crescimento demográfico continuar ao mesmo ritmo. (8)
Se nos reportarmos nos Brasil, somos hoje mais de 150 milhões de brasileiros, sendo que 57 milhões ainda não chegaram aos 20 anos de idade.
Daqui a dois, quando ingressarmos no 2000, a população do país terá atingido 200 milhões.
Nas previsões do IBGE para o ano 2000, na faixa etária de 10 a 19 anos de idade teriamos cerca de 45 milhões de jovens em idade escolar.
Estarão provavelmente entrando no mercado de trabalho na faixa de 20 a 24 anos, cerca de 19 milhões.Isso no ano 2000 ao escrevermos este artigo
A responsabilidade do sistema educacional é portanto verdadeiramente assustadora.
Ou nos preparamos hoje para esse futuro ou teremos problemas e crises sociais cujas conseqüências são imprevisiveis.
Nos países industrializados essa preocupação já se transformou em medidas concretas na busca de adequar os sistemas e os processos educacionais para o futuro e preparar as crianças de hoje, adultos no próximo século, para o mundo que herdarão de seus pais.
Um novo mundo da educação se estrutura perante nossos olhos.
A exemplo de outros mundos derivados da revolução tecnológica do século 20, não se trata de algo passageiro, episodico, sem importancia.
 
E talvez a sobrevivência da escola como institução a da educação como agente de mudanças dependam da rapidez e da flexibilidade maiores ou menores com que nos ajustaremos a essas inovações e, melhor ainda, passaremos a empregá-la em nosso papel de educadores ao longo do
 seculo  XXI .
 
O aumento populacional, associado ao indice crescente de aspiração dos indivíduos tem trazido como resultado em todo mundo civilizado, o aumento de matrícula em todos os níveis de ensino e maior duração dos estudos, embora a evasão escolar continue a se verificar entre os alunos provenientes das classes menos favorecidas.
O famoso Relatório “Aprender a Ser” preparado pela Comissão Faure (UNESCO, 1971) afirma que, baseado na taxa de crescimento demográfico e na taxa de escolarização verificadas no último decênio em 1980, teriamos atingido em todo o mundo cerca de 230 milhões de crianças (5 a 14 anos ) fora das escolas.
Preve‑se para a mesma epoca, 820 milhões de adultos analfabetos e uma taxa mundial de analfabetismo de 29%.
Mas, apesar dos imensos esforços despendidos pelas nações e do aumento das despesas com a educação, tem-se verificado mesmo nos países desenvolvidos, a impossibilidade de se cumprir totalmente o preceito da escolaridade obrigatória.
 
Diante desse fato a Comissão que elaborou o aludido relatório
sugere como meio de assegurar os benefícios que se deseja toda educação seria necessário incrementar ao lado do desenvolvimento e aperfeiçoamento das instituições de ensino e da capacitação dos professores, o uso de novos instrumentos de tecnologia educativa.
 (O grifo é nosso).
 
A insistência em querer escolarizar todo o mundo mostra a sobrevivência da idéia de que a educação só pode ser dada na escola e numa idade específica, e que contradiz a concepção de educação que se está pretendendo desenvolver:
·        a de uma educação para todas as idades a quem caiba uma função educativa, disseminada na sociedade em que o homem "respire cultura";
·        uma educação que prepare o indivíduo para enfrentar um mundo em constante mudança, capaz de interagir no campo profissional e social, dialogando com as diferentes gerações, entendendo sua linguagem;
·        uma educação que seja auto-educação assumida pelo indivíduo que saberá utilizar os meios postos a sua disposção para um aperfeiçoamento contínuo e aproveitar o lazer para enriquecer-se culturalmente;
·        uma educação que contribua para o desenvolvimento dos povos tornando o homem mais feliz, porque mais realizado.
 
 
5 – O "CHOQUE DO FUTURO" NA EDUCAÇÃO E NA CAPACITAÇÃO DE PROFESSORES
Entre as características mais importantes nesta e na próxima década da área da educação, estão indubitavelmente a aceleração, o alargamento e o aprofundamento sem paralelo das mudanças tanto no domínio das idéias como no da ação educativa.
Em outras épocas, a escola, o ensino, o saber e o fazer sofreram, sem dúvida, transformações.
Jamais, entretanto, com a amplitude e a rapidez que esta ocorrendo.
 
Apesar de envolvidos no fluxo vertiginoso de transformacões a maioria dos educadores não se deu conta das implicações a dos imperativos
que as referidas transformações já estão impondo aos
processos e temas educacionais.

 
Há um grande número deles que se refugiam num conservadorismo e num saudosismo anacrônicos, ansiando pelo retorno aos "velhos tempos", a que constroem seus modelos e estruturas confiantes em suas experiências pessoais como alunos que foram, ha vinte, trinta ou mais anos atrás.
Poucos são os educadores que se aperceberam do "choque do futuro" de que nos fala Alvim Toffler em seu famoso livro.
 
·        Toffler batizou com essa expressão  – choque do futuro  - a tensão e a desorientação que é induzida nas pessoas, quando estas são submetidas a um grau elevado de mudanças durante um período muito breve de tempo, lembrando que este fenômeno se assemelha ao "choque de cultura" que ocorre quando um visitante despreparado se ve envolvido de um momento para outro numa cultura estranha.
As pistas psicológicas familiares, continua Toffler, essas pistas que ajudam o indivíduo a funcionar normalmente, desaparecerem subitamente e são substituidas por novas pistas que são estranhas a incompreensiveis.
O "choque do futuro e a desorientação estonteante produzida pela chegada prematura do futuro.
 
E esta talvez seja a doença mais séria de amanha...
Se não forem adotadas medidas inteligentes para combatê-la, milhões de seres humanos ver-se-ão crescentemente desorientados, progressivamente incompetentes para lidar racionalmente
 com seu ambiente...
O choque do futuro é um fenômeno temporal, um produto de ritmo altamente acelerado de mudança na sociedade.
Ele resulta da sobreposição de uma nova cultura sobre
uma velha cultura.
É um choque de cultura dentro da nossa própria sociedade".(14)
 
É possível que, em maior ou menor grau, todos os educadores estejam experimentando um "choque educacional do futuro".
E em lugar de fazer "o uso imaginativo da mudança a fim de canalizar a mudança", em lugar de explorar as altemativas de futuro que podemos ajudar a promover, muitos se valem dos conhecidos mecanismos de defesa a fuga que, longe de resolver, agravam ainda mais o problema.
Numa obra surpreendentemente lucida e audaciosa,
"Cosmic Humanism", que públicou em 1966, o filosofo Oliver Reiser afirma que devemos aceitar plenamente a validade de dois axiomas básicos:
·        "Nenhum de nós e destituído de poder para contribuir para a modelagem do futuro"; e nenhum de nós está livre da responsabilidade de fazer o futuro" (1966, pp. 8 e 10 ) .
No livro "O ano 2000", que, a despeito de seu caráter controverso e das suas limitações, acabou por se converter num autêntico marco do conhecimento humano, Herman Kahn e Wiener arrolaram uma centena de inovaçõdes tecnológicas esperadas para as últimas décadas do século atual.
A lista é bastante conhecida mas é tão importante que por isso nos parece necessário reproduzi-la iniciando pelos ítens direta ou indiretamente ligados à educação:
·        Novas técnicas e instituições destinadas a educação de pessoas adultas
·        Técnicas novas e mais precisas de ensino e de propaganda para influir no comportamento público e privado das pessoas.
·        Fotografia, ilustrações, cinema e televisão tridimensionais
·        Novas técnicas e instituições para a educação de crianças
·        Métodos químicos para a melhora da memória e da capacidade de aprender
·        Comunicação não dispendiosa e de alta qualidade, em escalas mundial, regional e local, com uso de satélites, leiseres e tubulações de luz, quer para uso doméstico, quer para uso comercial
·        Aparelhos de vídeo-cassete domésticos simples e baratos para a gravação e reprodução de televisão
·        Uso prático, doméstico e comercial, de comunicação televisual do telefone à TV conjugadas, incluindo recuperação de material gravado em fita a partir de bibliotecas ou outras fontes; e rápida transmissão e recepção de fac-símiles, incluindo noticiário, textos de livros, anúncios, correspondências postal instantânea, publicaçõeses diversas etc
·        Educação sem sair de casa. Por meio de TV, aprendizagem programada e computadorizada
·        Novos métodos rápidos de ensino rápido de idiomas
Aqueles que leram com um sorriso de mofa as antecipações feitas por Kahn e Wiener em 1966 tem agora diante de sí dezenas de provas não somente de que os referidos autores estavam certos como também de várias inovações surgiram mais cedo do que aqueles dois cientistas anteciparam.
A industria e o comércio de computadores se expandiu extrãordinariamente, tornando-se cada vez mais rápidos, flexíveis, miniaturizados e econômicos e influênciam hoje em dia, em maior, ou menor escala, práticamente todas as áreas de atividade humana.
 
Conforme assinala Gabor, caminha-se hoje em dia para "componentes mais baratos, maior segurança e fidelidade, tamanho menor e muito menos energia", gracas a LSI, ou integração em larga escala, inovações com os minivideocassetes; os modernos sistemas eletronicos de armazenamento a de recuperação de informação; os computadores para reprodução instantânea de material impresso ou fotografado; as microformas e, entre estas, particularmente a ultramicroficha (UMF) que pode conter ate 3200 páginas numa área de uns poucos milímetros; o videodisco; os sistemas de reuniões e conferências por meio de telefone, videofone ou televisão; o uso de fotografia para a produção de imagens, tridimensionais – estes são apenas alguns dos numerosos exemplos da rapidez com que as antecipações de Kahn e Weiner se concretizaram.
 
O cientista e premio Nobel de Fisica, Dennis Gabor, no seu livro "O desafio do Futuro", aperfeiçoou e atualizou a lista citada acima, acrescentando previsões cronológicas fundamentadas no metodo Delphi e em suas próprias estimativas. Gabor relaciona 137 invenções e inovações, 37 das quais se referem a hardware, 27 a biologia e 37 as ciências psicológicas e sociais.
Em materia de hardware, são previstas para este final do século 20 novos materiais e fontes de energia, desenvolvimentos na tecnologia química, meios de transporte, de comunicação, computadores e processamento de dados, robôs, automação, televisão, projetos espaciais, pesquisas oceânicas e tecnologia para a paz
As inovações e invencões biológicas previstas atá por volta do ano 2000 abrangem a alimentação e bioengenharia.
E as inovações socials incluem inovacões nos domínios da ecologia humana da luta contra o crime e a corrupção, das reformas monetárias econômicas e da busca de uma sociedade pacífica, madura e estável.
·        Que tem as previsões de Kahn a Wiener, e, mais recentemente, de Garbor e outros, a ver com a preparação de professores para o ensino superior brasileiro?
 
Quais seriam suas conseqüências?
A resposta é angustiante.
A primeira é a de que as crianças nascidas na década de 80 estarão atingindo os 20 anos de idade no ano 2000 e as inovações e invenções como essas de que nos falam os autores citados ser-lhes-ão familiares, compreendidas e utilizadas para o bem estar indivídual ou social, ou entao comporão um mundo estranho, confuso, incompreensivel, muito embora talvez o utilizem mais ou menos como um indígena adulto que deixa as selvas e se vê numa cidade civilizada de hoje em dia.
Levando mais adiante esta última comparação, fazer desse indigena um simples consumidor de produtos tecnológicos é algo relativamente fácil; convertê-lo, entretanto, no homem capaz de pensar e de agir de modo científico e tecnológico, capaz de compreender, fazer, modificar, reparar, aperfeiçoar e inventar em matéria de ciência e tecnologia, é algo práticamente impossível.
Orientando os cursos para o que possa vir a acontecer no futuro transformará os alunos de antiquarios em planejadores ou seja de pesquisadores passivos do passado em participantes ativos na construção do seu futuro.
Até aqui nossa imagem sobre o papel da educação foi construída na hipótese de que as causas do presente estão no passado; temos que nos acostumar com a idéia de que as causas do presente podem estar no futuro isto é a imagem do futuro que as pessoas tenham em suas mentes podera causar um dramático efeito no que estão fazendo hoje.
 
Isso pode explicar porque tantos jovens que hoje estão cursando as universidades, não vislumbrando perspectivas no seu futuro profissional, ingressarem as fileiras dos desistentes ou dos alunos desinteressados e desmotivados; se seu futuro é incerto e ameaçador, tudo o que lhes está sendo ensinado pode estar sendo uma perda de tempo não tendo sentido em esforçar- se muito para aprender.
 
Por outro lado por mais que seja o currículo de um curso orientado para o futuro, ele não será nunca capaz de antecipar completamente as futuras necessidades de aprendizagem do aluno e é por isso mesmo que o sistema educacional necessita ser reformulado para motivar e assegurar que as pessoas passem a movimentar-se facilmente e a qualquer momento de suas vidas para entrar e sair do sistema.
Atualmente a educação é vista como uma fase inicial na vida do indivíduo.
Os jovens são levados a acreditar que ao receber seu diploma de graduação se encerra a fase educacional de suas vidas e um grande número recorda-se dela como um período desagradável, e opressivo e de degradação psicológica.
Por isso não estão de nenhuma forma inclinados a reiniciar qualquer aprendizagem em outra fase da vida.
E na sociedade contemporânea continua a haver necessidade de aprendizagem ao longo de toda vida.
·        Como é pouco provável que ocorram desacelerações nas mudanças sociais, o indivíduo que encerrar a aprendizagem num dado instante de sua vida ira tornar-se gradualmente incapaz de compreender o mundo a sua volta e ate mesmo com dificuldades de sobreviver materialmente.
Com a idéia do futurismo na educação não se pretende em absoluto que o educador possa fazer que a sociedade dê a cada aluno a melhor carreira ou a de melhor apelo vocacional; o educador pode sim auxiliá-lo a centenas ou milhares de diferentes atividades, cada um oferecendo desafios e satisfacões para pessoa certa.
Mais importante que preocupar-se na definição de carreiras estanques no presente, o papel do professor é de encorajar os jovens a desenvolver uma imagem positiva de si próprio e do futuro como indivíduo digno de servir a humanidade de váriadas formas, capaz de aprender a qualquer momento as novas habilidades necessárias à sobrevivência num mercado de trabalho cada vez mais mutável e dinâmico.
 
 
6‑ FATORES QUE DEVEM SER CONSIDERADOS
Quais são os fatores que devem ser levados em conta na construção dos novos modelos de futuros altemativo para o ensino ?
De acordo com (a maioria desses futurólogos) as forças econômicas, políticas e sociais que atualmente influênciam a escola continuarão certamente a operar, ainda com maior intensidade, nas próximas décadas.
Em termos de números abrangidos, custos de edificios instalados a quantidade de capital investido, a educação sera uma empresa ainda maior do que a de hoje.
Mais estudantes permanecerão durante mais tempo na escola, a conseqüêntemente os estudantes constituirão uma proporção ainda maior da população...
 
Simultaneamente, o ritmo da mudança social será acelerado; os meios de comunicação de massa tonar-se-ão mais influêntes na educação; novos padrões de autoridade emergirão e o tempo de lazer crescerá a medida que a duração da jornada de trabalho diminuir.
 
A escola, não pode permanecer alheia a esses desenvolvimentos.
Os professores, se desejarem sobreviver terão que redefinir seu papel face a essas pressões extemas e serão eles próprios afetados pelas mudanças sociais.
Os estudantes, que estão amadurecendo mais cedo, desejarão maior participação na tomada de decisões. (o grifo a nosso)
Aqueles mesmos futurólogos ressaltam a importância, para a escola, nos próximos anos, das pressões políticas para uma real igualdade de oportunidade no ensino e para menos especialização; a mudança das demandas em matéria de currículo, decorrentes do processo científico e das alterações que estão ocorrendo nos dominios industrial, comercial e tecnológico; as mudanças nos valores eticos, morais e sociais, nos padrões de autoridade e nas sanções tradicionais.
No passado, o respeito pelas sancões culturais, sociais e morais ajudou como uma ponte, a preencher a distância entre as gerações -mas essas sanções desaparecem e nada as substituiu; ha um fato reconhecido por todos os estudiosos: o desaparecimento do professor como fonte de todo o conhecimento, a maior frequência de problemas de disciplina escolar, a intensificação da preocupação escolar com o lazer, e maior flexibilidade, amplitude e rigor de escolhas tanto inter como extra-escolares em matéria de estudo e entretenimento etc.
No relatório preparado pela comissão Faure (5) também conhecida como Comissão Intemacional para o Desenvolvimento da Educação, criada em 1971 pela UNESCO, acham-se incluídos práticamente todas essas previsões(10).
Os 21 princípios do Relatório Faure,(1) com suas recomendações, comentários e ilustraqões, ocupam todo o 7 capitulo do livro “Aprender a Aprender”.
Insistimos em destacar esse relatório porque ele foi um marco importante e renovador no sentido de atribuir importância e ítens como a educação permanente, a necessidade de uma inovação e reestruturação global do ensino, a contribuição as tecnologia da educação, tanto no sentido de técnicas de reprodução e comunicação como no de novas formas de ensino programado e indivldualizado, a pré-escola., o compartilhamento da formação técnica pelas escolas, empresas e meios de educação extra-escolar, a diversificação do ensino superior, a ênfase nos processos auto-instrutivos, a preparação dos professores e o efetivo ajustamento do ensino ao aluno.
Em vários outros documentos, estudos e relatórios há uma coincidência parcial ou total com as previsões aqui referidas.
E de modo geral acentuam que não se trata de problemas para a educação resolver amanhã, mas de problemas que deveríamos já estar enfrentando desde já.
Em 1971 afirmava Faure que não seria necessário chegar ao ano 2000 para nos apercebermos da rapidez crescente das mudanças em nossa sociedade, da influência crescente da revolução tecnológica sobre todos os aspectos da vida humana; para nos apercebermos do hiáto que separa aqueles que desenvolveram novas técnicas e as massas que não tem a informação necessária para compreender suas consequências, hiáto esse que pode levar a humanidade a autodestrução.
Não era preciso chegar ao ano 2000 para nos preocuparmos com a escassez de professores realmente qualificados, com a crise urbana, com a explosão populacional, com a necessidade de tecnologia da educação para melhorar a qualidade do ensino e, ao mesmo tempo, atingir grande número de alunos.
É práticamente impossível proporcionar mais e melhor educação e desenvolvimento intelectual e cultural recorrendo somente aos meios convencionais.
Os esforços realmente sérios no sentido de modificar o quadro educacional resultante de uma herança trágica de vários séculos de omissões são posteriores a Segunda Guerra Mundial e frequentemente tem sido marcadas mais pela preocupação com as estatisticas do que com a oferta de ensino de boa qualidade e isso só poderde ser obtido com use de recursos tecnológicos adequados e utilizados por professores adequadamente preparados e remunerados.
 
A respeito da Tecnologia Educacional não poderíamos deixar de ressaltar que é muito simplista pensar, como já ocorreu em certa época no Brasil e está novamente ocorrendo, que basta investir na compra de equipamentos para que seja adotada uma nova tecnologia educacional.
Se os professores não foram capacitados a utilizar e operar a nova tecnologia mudando portanto seu comportamento, nada ocorrera de inovação ou melhoria do ensino.
Se compararmos tudo o que tem sido escrito sobre as necessidades futuras no Sistema Educacional, por variadas que sejam as interpretações, em todos os autores é unânime a opinião de que o papel da educação será de preparar para mudanças.
É também consenso geral de que "educar para mudanças" implicará na necessidade de:
(1) aprendizagem eficiente de habilidades com grande valor de transferência (ênfase em orientação para o processo e não para os conteúdos) que dito numa linguagem mais simples significa "aprender a aprender"
(2) habilidades de aprender independentemente do ambiente formal (flexibilidade, solução de problema, etc.).
Parece-nos útil listar, apresentando de forma sintetizada, os fatores de pressão que vem agindo no sentido de provocar modificações e inovações na função da educarão:
1. Estamos cada vez mais tendendo a uma "sociedade global" (como denominou Marshall Mcluam)
2. O mundo civilizado é um mundo de mudanças cada vez mais acelerados.
3. A cultura do mundo civilizado está passando por uma explosão de informações.
4. Os currículos de cursos são "orientados para a informação" em lugar de serem "orientados para o processo de aquisição da informação" (aprender sobre algo em lugar de aprender a aprender)
5. É cada vez maior o hiáto entre a relevância da educação formal e as necessidades do mundo real.
6. É cada vez maior o hiáto existente no sistema educacional (com prejuizos crescentes) entre a descoberta de novas técnicas e a sua incorporação dessas técnicas na prática educacional.
7. Nosso conhecimento  do que é a verdade (principalmente nas ciências) está em constante mutação.
8. Tem havido um grande progresso a respeito do fenômeno de aprendizagem humana.
A essa altura uma questão se coloca: como ficará o professor no novo contexto?
Desaparecerá em função do use de novas tecnologias educacionais e da estratégia do que poderíamos denominar de autodidaxia?
A autodidaxia proposta como estratégia para a Educação de adultos é uma autodidaxia assistida embora seja verdade que essa assistência deva ir diminuindo a proporção que o aluno for adquirindo crescente autonomia.
 
O professor como simples transmissor de conhecimentos, esse sim deverá desaparecer diante de meios de informação mais eficazes.
O papel do professor mudará radicalmente
nessa perspectiva educacional.
Sua função sera cada vez mais a de "preparar situações de aprendizagem, organizar a recepção das informações tele ou radiofundidas, orientar grupos de trabalho a cargo de monitores não especializados", atuando mais como técnico de comunicação,
analista de projetos e planos.
 
·        O professor Robert Armostrong (17), da Universidade do Arizona (USA) diz que o papel do professor passou de instrutor para diagnosticador, cooperador, estrategista, guia, amigo, colega de aprendizado, facilitador da aprendizagem.
 
O relatório "aprender a ser" afirma que as competências exigidas no futuro no dominio da educação mostram a necessidade de especialistas de materiais de ensino, de equipamentos autodidáticos, de utilização das técnicas educativas de auxilíos audiovisuais, de psicólogos, de administradores de um novo tipo, de especialistas em andlises de sistemas, etc.(9).
Na didática da Andragogia professor a aluno encontram‑se ambos em processo de maturação. A aprendizagem constante, o professor em muitos aspectos num processo mais adiantado, a verdade, mas sempre podendo aprender cada vez mais. Em se tratando de educação de pessoas jd adultas, (como e o caso de cursos de Pós‑Graduação e de Executivos) deve‑se estabelecer a troca de experiências entre os alunos.
Não a mais possível continuarmos a tratar os alunos adultos usando a pedagogia.
Muitas vezes eles possuem uma experiência maior do que a do professor em determinados setores de atividades.
Devemos lembrar aqui também que, devido a aceleração das transformações, não cabe tanto ensinar conteúdo aos alunos mas sim como e onde buscá-lo e como encontrá-lo mesmo quando não tiver mais a orientação do professor.
Cabe ao professor, como orientador da aprendizagem dos alunos discutir com eles as altemativas que pode tomar e depois deixar que o estudante decida.
Suas funções incluem diagnose contínua, auxilío para o desenvolvimento dos talentos, capacidades e potêncialidades do indivíduo, planejamento cooperativo das atividades a realizar com os estudantes, trabalho junto as agências da comunidade e muitas outras.
A responsabilidade do papel que exercera implica numa sólida preparação teórica e prática, incluindo Psicologia Geral e da aprendizagem, Sociologia e outras disciplinas que constituirão em seu conjunto os fundamentos da preparação para o magisterio nos anos futuros.
O PAPEL DO ALUNO
O aluno caracteriza‑se como autodidáta, não no sentido pejorativo do termo ("rato de livraria" ou leitor de enciclopedias como o retrata Sartre em "La Nausee) mas como alguem que assuma a própria educação .
Legrand (4) lembra, porem, que o adulto só se tornara autonomo se desde criança for encaminhado para uma gradativa independência. Para isso contribuem notadamente o desenvolvimento do espirito critico e da sua habilidade de aprender a aprender .
O Relatorio "Aprender a ser" diz mesmo que determina‑se a natureza, o valor a as finalidades de um sistema educativo pelo grau de liberdade que a reconhecido ao aluno, pelas normas de seleqao que the são aplicadas a pela extensao das responsabilidades que pode assumir. (2)
Uma idéia proposta por Illich e a do "cartão educredito". (11) ("edu‑credit card"), que seria entregue a cada indivíduo ao nascer, e usado conforme o desejo de cada um. A aprendizagem neste caso se daria pela participação aberta em situações significativas para ele.
 A AUTODIDAXIA ORIENTADA
Ha mais de um século psicologos, etnologos a sociologos admitem
o desenvolvimento da infancia a da adolescência como passagem de uma situação de completa dependência para outra de crescente autonomia.A finalidade de qualquer intervenção educativa tenderia 
desaparecer na medida em que o educando se for tornando autonomo  no seu processo de aprendizagem.
A educação tradicional tem‑se baseado na crença de que a maioria do que aprende a resultado de ensino intencional de uma pessoa que possui o saber a outra que o desconhece. A experiência tem demostrado exatamente o contrario. As pessoas em sua maioria admitem que foi no convivio com os outros, na troca de experiências, no debate de idéias, atraves da experiência vivida que aprenderam a maior parte das coisas uteis de que precisam.
Carl Rogers (13) reage negativamente ao ensino compreendido como direção  da aprendizagem baseada na autoridade do mestre. "Enfrentamos, a meu ver, situação inteiramente nova em materia de educação, cujo objetivo se quisermos sobreviver, é o de facilitar a mudança e a aprendizagem. O único homem que se educa é aquele que aprendeu como aprender; que aprendeu como se adaptar a mudar; que se capacitou de que nenhum conhecimento é seguro, que nenhum processo de buscar conhecimento oferec