Os IGNORANTES, que acham saber tudo, privam -se de um dos maiores prazeres da vida: APRENDER.

O BRASIL ESTÁ BRICANDO DE FAZER EDUCAÇÃO

 

  Gilberto Teixeira ,Prof.Doutor (FEA/USP )
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Nas últimas quatro ou cinco décadas, o capital humano tornou-se muito mais importante do que o capital físico para o crescimento da economia e mobilidade social. As máquinas e todas as tecnologias de automação tornaram-se muito baratas. A abertura das economias facilitou a importação de novos equipamentos. O grande desafio, agora, é tirar a máxima vantagem das novas tecnologias, o que, evidentemente, depende da preparação do ser humano que as maneja.
A velocidade das inovações, de fato, tornou-se meteórica. Na década de 70, uma inovação industrial tinha uma vida útil de dois anos, em média. Na década de 80, isso baixou para um ano e na década de 90 para seis meses. Em muitos casos, uma inovação dura apenas horas. Por exemplo, um banco lança no telejornal da manhã um novo CDB sedutor, de fácil resgate, bons juros e CPMF paga pelo próprio banco. No telejornal da noite, um outro banco lança um CDB ainda mais atraente, o que força o primeiro banco a modificar o seu produto no dia seguinte.
Não há dúvida. Vivemos uma quadra em que a história corre mais depressa.
Tudo se modifica com grande velocidade. Nessas condições, é fundamental que os seres humanos sejam capazes de compreender, absorver e usar as inovações.
Para tanto, já não basta ser adestrado, é preciso ser educado - e bem educado. O adestramento ensina a pessoa a fazer uma coisa bem feita pelo resto da vida, mas só isso. A educação ensina a pessoa a apreender continuamente. Isso é fundamental para as pessoas acompanharem o ritmo da mudança. Fora disso, elas se tornam obsoletas e a obsolescência humana é o drama mais pavoroso para as pessoas. Nada pior para um funcionário de 20 anos de firma ouvir de seu chefe: "Caro amigo, tudo o que você sabe já não interessa mais a esta empresa; e tudo o que interessa você não sabe. Por isso, tenho de despedi-lo."
Os próprios programas de reciclagem só dão certo quando dirigidos a pessoas com boa educação. Esse é o grande desafio da educação moderna: ser suficientemente geral para dar mobilidade ocupacional às pessoas e ser contidamente específica para fornecer o necessário a respeito das inovações correntes.
O ensino ,em todos os niveis, tem sido  um processo lento e baseado na repetição de conhecimentos acumulados e nem sempre atualizados.É o velho e utrapassado metodo da decoreba,
tão bem descrito por Paulo Freire como metodo bancario Ou, quando de trata de formação profissional, os programas tendem a ser demasiadamente específicos, aproximando-se muito mais do adestramento do que da educação.
          Como se vê, o sistema de ensino brasileiro está mal aparelhado para a história que corre em ritmo lento e totalmente desfocado para os momentos de aceleração. A velocidade da modernização tecnológica precisa contaminar nosso sistema de ensino para provocar, ao longo dos próximos dez anos, uma inadiável revolução na filosofia e métodos de educar. E isso só será conseguido capacitando os professores (em todos niveis)  e reformando  as IES...