O processo educativo é um componente fundamental da vida social moderna, é peça essencial da socialização dos seres humanos, que acabam se vendo no espelho como diferentes dos demais animais justamente porque conseguem vivem em comunidades a partir de condições que se expressam de forma histórica. Somos os únicos animais que têm a referência do futuro, construída a partir de nossa compreensão do passado e do presente em movimento.
A organização desse processo de socialização foi sendo construída ao longo de milênios, mas foi nos últimos três mil anos que ela foi tomando a forma de um processo educativo, que agrega elementos que hoje entendemos como parte do processo ensino-aprendizagem.
A educação, nesse amplo contexto da formação humana ou da criação da humanidade, deve ser vista como um caminho de organização de valores, como também um processo de construção de conhecimentos, formação de habilidades técnicas e cognitivas. Contudo, apesar de fundamental para a humanidade, o acesso ao conhecimento foi algo muito seletivo. às plebes cabia o direito de obedecer – para isso tinham que aprender algumas coisas, inclusive ter medo - ; às elites era reservado o direito de mandar, fazer obedecer, criar o temor (material e espiritual), processar o controle das massas.
Nos cursos de história ou estudos sociais aprende-se desde cedo que a Revolução Francesa, de 1789, é uma das maiores referências políticas e históricas da formação das democracias modernas. Isto porque, naquele momento, estavam em luta duas formas de governo, dois sistemas políticos e sociais. Um deles despótico, representando o velho e o arcaico, o outro parecia ser participativo, dinâmico e cheio de futuro, pois representava o novo, as classes desfavorecidas e as classes em ascensão.
Vendo de longe, podemos valorizar aquele momento de passagem ainda mais se observarmos que ali estava se iniciando um longo processo de construção da cidadania.
Essa referência imediata à Revolução Francesa se dá porque desde aqueles momentos até os dias de hoje vivenciamos uma longa trajetória de lutas e mudanças de comportamento, que foram, pouco a pouco, fazendo com que pessoas excluídas dos benefícios sociais fossem se transformando em indivíduos e depois em cidadãos.
Essa conquista da cidadania não é importante só porque todos os adultos, independentemente de sexo, raça ou credo, podem votar e ser votados, mas porque a pressão democrática colocou em tela as necessidades de todos e ampliou o leque de direitos que hoje consideramos universais (ou quase): educação, saúde, alimentação, segurança, etc.
É possível, para se compreender melhor o sentido geral da proposta da Universidade Permanente, fazer-se uma comparação semelhante àquela que os cientistas sociais fazem entre os primórdios da democracia e o veloz século XX, onde grande parte dos direitos foi conquistada. Para o caso da democracia, as conquistas descortinadas no século que acaba de se concluir somente foram possíveis porque havia uma base valorativa que se firmou desde a Revolução Francesa. Dessa mesma forma pode-se dizer, com muita tranqüilidade, que assim como “literatura é linguagem carregada de significado”[i][1] nada mais justo que ver a educação como o processo de construção e reprodução de valores e saberes; especialmente como o meio de edificação de modos de vida coletivos com base em valores éticos e de solidariedade.
A educação é o processo de valorização, reprodução e construção dos significados e dos valores.
Dessa forma, as conquistas democráticas do século XX passam a marcar profundamente o sentido da educação e as opções que se faz para incorporar as massas e dar-lhes acesso universal ao ensino. É nesse contexto que surgem as políticas de educação popular, de educação para o trabalho, de universalização do ensino, de respeito ao aluno (que aos poucos, do início do século para cá, vai deixando de apanhar nas escolas) etc. ...
Ao analisar os conceitos que estarão sendo sugeridos em seguida, é importante observar que o ambiente histórico e as referências de valores deste projeto da Universidade Permanente estão ligados ao século XX, mas nosso olhar estará voltado para o futuro. O sentimento de viver no futuro pode ser a marca deste século XXI que começamos a construir. Por isso nosso foco será sempre o ser humano em construção, o cidadão que conquista o direito à educação e, ao mesmo tempo, é desafiado a pensar, a criar, a reinventar seu mundo.
Deve-se tratar a educação não como adestramento ou o instrumento de capacitação do indivíduo para o cumprimento de determinada tarefa. Educação é parte essencial do processo social de construção da humanidade em cada pessoa. Esse cidadão em construção será, crescentemente, chamado a descortinar novos caminhos, novas alternativas, novas formas de se conquistar o bem-estar da humanidade, combinando isso com o respeito ao meio ambiente e aos demais seres vivos.
Hoje em dia, a educação está, cada vez mais, incumbida a desempenhar um papel fundamental na construção da sociedade democrática. Ela aparece como condição (não única, é certo) capaz de equalizar oportunidades e dar acesso amplo e geral ao produto do conhecimento humano acumulado. “Educação é simultaneamente a causa, a conseqüência e o facilitador de mudança no interior de uma sociedade”[ii][2]. E, fundamentalmente, a “função social da educação é muito concreta e está necessariamente vinculada ao processo de conquista e exercício da cidadania plena por todos os membros de uma sociedade, que se quer intransigentemente democrática”[iii][3].
É nesse contexto que desperta a educação a distância, na segunda metade do século XX[iv][4]. Ela aparece como meio adequado para criar novas oportunidades educativas para um número cada vez maior e crescente de jovens e adultos que desejam retomar estudos, ter acesso a cursos que complementem sua educação formal ou como meio de manter cidadãos atualizados sem perder sintonia com as mudanças contínuas e rápidas de nossas sociedades industriais, que começam a, cada vez mais, se transformar em sociedades da informação. A educação a distância, de forma privilegiada, desponta como o meio de se materializar e proporcionar a educação flexível, de qualidade e ao longo de toda a vida[v][5], que nossas culturas começam a demandar. E, mais diretamente em nosso caso em particular, a educação a distância pode ser o grande instrumento para abrir a todos os profissionais universitários a chance da atualização permanente, o meio para colocar-se sempre em dia com os avanços do conhecimento científico e tecnológico e, também, sintonizado com os debates sociais e profissionais que o ambiente profissional e social exige e promove.
A. O caráter da educação
Ao longo da história da humanidade, as instituições educacionais, nas variadas formas organizacionais que tomaram, sempre estiveram grávidas de um conflito permanente entre o ato de conservar e o processo de renovação.
Não obstante seu papel fundamental no desenvolvimento (e sustentação) da ordem social, a prática educativa, notadamente aquela que se processa sob a égide das escolas formais, tem muito mais feição (e função) conservadora e reprodutora que renovadora ou crítica.[vi][6] Isso se pode observar, com certa facilidade, tanto no plano ideológico quanto na forma técnica, na organização institucional e nas metodologias aplicadas ao processo educativo escolar.
Essa contradição interna pode ser caracterizada inclusive como o motor da dinâmica da educação[vii][7]. Assim, podemos ver a educação também como "um processo, individual e coletivo a serviço da continuidade, da atualização e da renovação de uma determinada cultura. O processo educativo, enquanto dinâmica social, deve propiciar a elaboração e o domínio, por parte dos indivíduos e dos grupos, de novos modelos de indagação da realidade, de modelos valorativos e normativos para a ação e de formas de comunicação e expressão que afiancem a vinculação e coesão do grupo ou comunidade. Em essência, o processo educativo consiste na permanente transformação dos comportamentos para uma compreensão cada vez mais integral e uma ação cada vez mais solidária sobre o mundo, em sua totalidade: física, biótica e antrópica."[viii][8]
O caráter conservacionista da instituição e dos agentes educativos pode tanto assumir a forma momentânea de reação à mudança, como tomar a característica de um modo de resistência a ataques que se façam contra determinada cultura, organização societária ou costura social. Talvez por isso aquelas organizações sociais que se incumbem de promover a educação e desenvolver o ensino são as que muitas vezes tendem a apresentar maior resistência à mudança e ao novo [ix][9].
As instituições educacionais têm carregado, ao longo da história essa dupla característica: são conservadoras e, ao mesmo tempo, possibilitam o nascimento do novo.
B. Nossa escola tem história
A escola, tal como a conhecemos hoje em dia, tem origem no processo histórico que se inicia com o longo caminho de decadência do regime feudal e constituição do capitalismo. Aquelas escolas constituídas por Santo Crodegango[x][10] foram, após o reinado de Carlos Magno [xi][11], dando espaço à constituição da instituição escolar pública, ao lado da episcopal ou religiosa, muito semelhante a que existe hoje, tanto do ponto de vista institucional, quanto no que diz respeito à metodologia de ensino e os rituais a ela relacionados.
Esse ambiente educativo tem, pelo menos, mil anos de desenvolvimento[xii][12], porém não se desenvolveu na mesma velocidade e nem adquiriu a mesma complexidade que a sociedade e as ciências humanas. Mudou muito menos que a realidade em sua volta. Principalmente, como assinalam alguns críticos mais contundentes, pouco incorporou do saber científico e tecnológico produzido ao longo desse período pela sociedade que está ao seu redor.
As aulas eram em tempo integral e exigiam dedicação exclusiva dos alunos e professores. Utilizava-se a memorização, como técnica, e as citações, como demonstração de erudição. A competição desenvolveu-se como elemento central do aprendizado, que se acrescentou à dialética professor-aluno.
No início do milênio as aulas[xiii][13], em geral, eram de tempo integral, os poucos que estudavam o faziam quase que o tempo todo. No início de cada aula, ou se avaliava o aprendizado do último período, lectio anterior ou lectionem reddere (parecido com o que se faz hoje em universidades com os controles de leitura) ou já se iniciava com a leitura (lectio, praelectio, lectura) de um trecho clássico ou passagem da Bíblia.
Em seguida eram feitos comentários e análise do texto, sua base gramatical, as relações que pudessem existir com outros textos ou situações. Os alunos faziam, ao mesmo tempo em que falava o professor, suas anotações (reportationes) com o objetivo de fixarem a aprendizagem. Usava-se muito técnicas de memorização, muito tempo depois, essas técnicas foram retomadas pela didática jesuítica no Brasil nos séculos XVI e XVII.
Essas anotações eram divididas em notas gerais, registro de palavras e pensamentos por ordem de assuntos e, finalmente, os alunos faziam também citações, dando mostra de erudição, ao lado dos assuntos que deviam desenvolver.
O texto comentado pelo professor suscitava perguntas, tanto dos alunos quanto do próprio mestre. Dessas perguntas, chamadas quaestiones, "brotava, espontâneo, o diálogo - disputatio - entre o professor e os alunos, ou entre grupos de alunos, seguindo o proceder da dialética (...) Ao mesmo tempo, desenvolviam a competição, como se depreende do modo que eram organizadas as disputationes. O professor dividia os meninos em vários grupos, dos quais cada integrante fazia perguntas a um parceiro. O bom andamento do certame, a ordem a ser obedecida e a correção dos erros de latim cometidos ficavam ao cargo do professor. Tudo tinha a feição de verdadeira justa intelectual” [xiv][14].
Nos horários de almoço e jantar, os exercícios continuavam. Também era utilizado, como método de aprendizagem, fazer o aluno copiar trechos de textos (glosae) no centro de uma folha de pergaminho, com espaço suficiente entre as linhas para anotações e interpretação de frases ou de palavras difíceis.[xv][15]
C. Tecnologias na educação
Observando os métodos de ensino praticados àquela época e os em vigor hoje em dia, é certo que diferenças haverá, mas dificilmente se poderá imaginar que houve revoluções que transformaram substancialmente a prática pedagógica e, principalmente, o uso de recursos para a aprendizagem. O espaço físico, a forma de organização de turmas, a sala de aula, o quadro negro, a separação dos horários, os exercícios, os estímulos, o currículo escolar, o credenciamento etc., estão presentes desde pelo menos há seiscentos anos com características muito semelhantes.
Nesse processo talvez o que tenha mais marcado as mudanças no ensino não tenha sido a forma de ensinar nem de aprender, as técnicas e métodos usados, mas sim questões de caráter social, ideológico e ético. As mulheres hoje são maioria, por sua própria competência, luta e obstinação, nos sistemas de ensino, como alunas e mestres. O castigo físico foi incluído e, depois, excluído do processo pedagógico. A Igreja não domina mais a escola. Hoje há o ensino gratuito e o ensino pago[xvi][16]. Isso não significa, de modo algum, que a história da educação não seja rica, o é tanto quanto a história das idéias e do processo civilizatório.
Contudo, ainda permanece, como característica de nossas sociedades, certa dificuldade em encontrar outra forma de disseminar os saberes acumulados e construir o processo de socialização inteligente por meio de forma diversa daquela adotada desde mais de um milênio, com a aplicação de tecnologias[xvii][17] diferentes das utilizadas naqueles tempos.
Analisando um período de tempo mais próximo do presente, Lauro de Oliveira Lima[xviii][18] apresenta uma crítica contundente do que considera retardo entre a pedagogia e a evolução técnica, metodológica e conceitual verificada nas demais artes e ciências. Ele diz que a pedagogia é a mais atrasada das ações humanas no que diz respeito à incorporação dos conhecimentos científicos.
A tecnologia tem assumido, também, o papel de elemento de pressão sobre os processos de ensino e de aprendizagem. "Quarenta anos depois que Gutenberg converteu uma antiga prensa de lagar em máquina impressora, com tipo móveis, havia imprensa em 110 cidades de seis diferentes países. Cinqüenta anos depois que a imprensa foi inventada, mais de oito milhões de livros haviam sido impressos, quase todos eles cheios de informação que antes era inacessível à média das pessoas. Havia livros sobre direito, agricultura, política, exploração, metalurgia, botânica, lingüística, pediatria e até sobre boas maneiras. (...) Assim, tanta informação nova, dos tipos mais diversos, foi gerada que os impressores já não podiam mais usar o manuscrito do copista como modelo de livro. Em meados do século XVI, os impressores começaram a experimentar novos formatos, sendo que entre as inovações mais importantes estava o uso dos algarismos arábicos para numerar as páginas"[xix][19].
A impressora de Gutenberg, em razão do processo social e econômico que dava origem à nova ordem capitalista, serviu para disseminar conhecimentos, potencializar o poder das idéias. A palavra poderia, então, caminhar mais rapidamente que o autor. Não se tratava somente de informação que fluía, mas de bases para a construção de novos conhecimentos que se disseminava. O estudante podia ter acesso, talvez com a mesma facilidade que o mestre, aos conhecimentos, às idéias e às informações que estavam sendo tratados na escola ou na universidade[xx][20].
A reação não tardaria, podem dizer alguns: "A invenção do que é chamado de currículo foi o passo lógico para organizar, limitar e discriminar as fontes de informação disponíveis. As escolas tornaram-se as primeiras burocracias seculares da tecnocracia, estruturas para legitimar algumas partes do fluxo de informação e para desacreditar outras. Resumindo, as escolas eram um meio de governar a ecologia da informação"[xxi][21]. Neste caso, usando novamente o conceito que esboçamos anteriormente, o currículo é uma tecnologia de organização do processo de ensino, formada sob a base de uma determinada cultura que, por um lado, podia estar preocupada em sistematizar e orientar o processo didático para a melhor forma de se transmitir determinado conhecimento, como também poderia ser um meio (ideológico) de controlar essa transmissão de conhecimentos e valores.
Provavelmente, a forma mais acertada de se entender a resistência da escola e dos agentes educacionais seja a de perceber esse comportamento como não sendo impeditivo do desenvolvimento de novas metodologias e técnicas pedagógicas ou mesmo como sendo incapaz de promover a negação absoluta da incorporação de novas tecnologias ao ato educativo, mas, antes de tudo, como uma resistência que retarda a incorporação dessas inovações, até mesmo, em certos casos, como manifestação de precaução de cautela frente os modismos passageiros.
Contudo, o importante mesmo é saber e compreender que o processo de formalização do ato educativo é algo com características históricas[xxii][22], é construído a partir dos anseios, dos desejos, das realidades sociais, econômicas e políticas, das relações culturais, dos conflitos e dos acordos, enfim, tanto a educação em geral, quanto suas instituições e mesmo as teorias, as metodologias e as técnicas, são criações das sociedades, dos homens e mulheres. E, assim, têm começo, meio e fim; ou melhor dizendo, podem mudar, se transformar em outras formas de se educar ou de se possibilitar a construção individual e social do conhecimento.
O mais importante é ter a mente aberta ao novo. Não como modismo, mas com meio de achar meios para cumprir melhor nossa missão com educadores. Buscando formas de ampliar o acesso de jovens e adultos à educação, quer na forma do ensino regular formal, quer como educação continuada.
Melhor ainda se essa ampliação das oportunidades de acesso estiver acompanhada da elevação da qualidade da educação.
Abrir a mente à mudança, ao novo, neste momento, mais que ficar correndo atrás de tecnologias de última geração, significa pensar formas de flexibilizar o sistema de ensino, imaginar processos que ajudem a construir o caminho que os cidadãos vão trilhar nos próximos anos, quer seja com currículos mais adaptados às exigências no mundo moderno (e do futuro de incertezas), quer se manifeste também com a introdução de novos conteúdos, mas principalmente que venha no sentido de olhar o aluno como sujeito que deve ser capaz de pensar com criatividade, que tenha auto-estima, que possa enfrentar mudanças profissionais e de valores.
Por isso, tudo é importante reconhecer um fenômeno que está se desenvolvendo a nossa volta: a educação a distância, tema que estará mais desenvolvido nos arquivos seguintes.
[ii][2] EVANS, Terry; NATION, Daryl (ed.) Opening Education. Policies and Practices from Open and Distance Education. London: Routledge, 1996, p. 3
[iii][3] LOBO NETO, Francisco José da Silveira. “A filosofia do ensino à distância e seu papel social” IN: BALALLAI, Roberto (org). Educação à Distância. Niterói: Centro Educacional de Niterói, 1991, p.124.
[iv][4] “A educação aberta ou a distância nasce da necessidade de estender a cobertura dos sistemas educativos formais, em seus diferentes níveis, aos setores da população que não têm acesso a eles por razões econômicas ou de trabalho, por causas geográficas ou de idade; e é favorecida pela aparição e extensão dos conceitos pedagógicos de educação permanente e de educação continuada, que propugnam a conveniência de educar durante a toda a vida ...” PEÑALVER, Luis Manuel. “La educación a distancia: una estrategia para el desarrollo” (conferência introdutória). VILLARROEL, Armando; PEREIRA M., Francisco (eds.) La Educación a Distancia: desarrollo y apertura. XV Conferência Mundial do Conselho Internacional de Educação a Distância. Caracas: International Council for Distance Education; Fondo Editorial Universidad Nacional Abierta; Open Learning Agency, 1990. p. 31.
[v][5] “O conceito de educação ao longo de toda a vida aparece, pois, como umas das chaves de acesso ao século XXI” . DELORS, Jacques (ed.) Educação: um tesouro a descobrir. (Relatório para UNESCO da Comissão Internacional sobre educação para o século XXI). São Paulo: Cortez, Brasília: MEC/UNESCO, 1998, p. 19.
[vi][6] “A escola sempre esteve a serviço, consciente ou não, das camadas dominantes. A tais alunos, membros da camada dominante ou seus aliados e agregados, é que a escola foi destinada. A partir dos movimentos e lutas populares é que as classes dominantes abriram suas portas aos populares. Meio relutante. A contragosto.” OLIVEIRA, Newton Ramos de. “A Escola, esse Mundo Estranho”. IN: PUCCI, Bruno (org.). Teoria Crítica e Educação. A questão da formação cultural na Escola de Frankfurt. Petrópolis: Vozes; São Carlos: Editora da UFSCar, 1995, capítulo 5, p. 125.
[vii][7] “A educação é o processo pelo qual a sociedade forma seus membros à sua imagem e em função de seus interesses”. PINTO, Álvaro Vieira. Sete Lições sobre educação de adultos. 5a. edição. São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1987, p. 29
[viii][8] CRUZ Rincón, Jaime. La construcción de un sistema de educación a distancia. Bogotá: SENA, 1982, p. 9, APUD CASAS Armengol, Miguel. Universidad Sin Clases. Educación a distancia en América Latina. Caracas: UNA/Editorial Kapelusz, 1986, p. 33.
[ix][9] Outras formas de observação do mesmo fenômeno podem ser vistas em LIMA, Lauro de Oliveira. Mutações em educação segundo McLuhan. 19ª ed, Petrópolis: Vozes, 1987, e também em GIANNOTTI, José Arthur. A Universidade em ritmo de barbárie. São Paulo: Brasiliense, 1986. É certo que nem todos assim o acham, há muitos que acreditam ser a educação, ao contrário, área onde a mudança encontra terreno fértil: "La innovación y el cambio son dos aspectos que gozan de una gran importancia en el mundo de la educación al ser considerados como elementos catalizadores para generar nuevos procesos, nuevos caminos e nuevas vías para impulsionar nuevas ideas y métodos de la educación." SERRANO, Gloria Pérez. "La innovación y el cambio en educación" IN: Semana Luso-espanhola de Pedagogia - Inovação em Educação (1989). Lisboa: Universidade Aberta, Colecção Temas Educacionais, 1992, p. 241.
[x][10] "La nouvelle organisation des écoles épiscolapes du continent est fondé par la Règle de saint Chrodegang, évêque de Metz (en envion 750), dans laquelle les charges sont distribuées, la discipline scolaire et la formation espirituelle mises en relief; e, tout en considérant l'école comme mouen de formation cléricale, les études séculières y reçoivent leur place" D'IRSAY, Stephen. Histoire des Universités françaises et étrangères - des origens à nos jours. Paris, 1933, tome I, p. 49 APUD ULLMANN, Reinholdo. A universidade - das origens à Renascença. São Leopoldo: Ed. Unisinos, 1994, p. 31. Além dos jovens cléricos, essas escolas abrigavam os leigos, na forma de "schola exterior", eram dirigidas por um scholasticus (nome latino para professor) que recebia um módico salário pago pelo bispo local. "Para os alunos vigorava a gratuidade do ensino", prática esta que foi reafirmada, depois, pelo III Concílio de Latrão, em 1179 (idem, ibdem).
[xi][11] Carlos Magno (742-814), filho de Pepino, o Breve, rei dos Francos, tornou-se conhecido como o "restaurador das belas-letras clássicas" , marcou um verdadeiro renascimento cultural na Europa. Fundou escolas nos palácios (escolas palatinas) onde estudavam os filhos dos nobre. "Diz-se que ele próprio assistia às aulas, como seus filhos e filhas..." (Ullmann, op. cit., p.34). Essa iniciativa de Carlos Magno, além da face institucional, teve outras conseqüências, notadamente na ampliação dos conteúdos ensinados (disciplinae circulares ou artes libarales, subdividida em: trivium - retórica, dialética e gramática) e quadrivium - aritmética, geometria, astronomia e música)
[xii][12] “Antes do século XII na Itália da alta Idade Média, tem-se notícia, só para dar alguns exemplos, de scholae de pescadores e açogueiros em Ravena, ou ainda de sapateiros, carpinteiros e hortelãos em Roma, e assim em outros lugares. O uso do termo scholae (associações de ofício) muito provavelmente está a indicar que já não somente se preocupavam coletivamente com a formação dos seus continuadores, mas ostentavam também um patrimônio cultural e pedagógico dotado de particulares técnicas de transmissão.” RUGIU, Antonio Santoni. Nostalgia do Mestre Artesão. São Paulo: Editora Autores Associados, 1998, p. 25.
[xiii][13] Descrição mais detalhada pode ser encontrada em Ullmann, op. cit. pp.39-43.
[xiv][14] Ullmann, op. cit p. 41. Naquele tempo não era permitida a presença de mulheres em escolas de cunho episcopal, mas em raros casos eram vistas meninas em escolas reais ou palatinas.
[xv][15] Ainda não se tinha inventado, naqueles tempos, a pontuação. As palavras na antiga escrita latina e grega não eram separadas (Ullmann, op. cit. p. 28). Posteriormente, passou-se a utilizar o ponto como sinal de separação entre as palavras, o espaço em branco surge em fins do primeiro milênio, entre os séculos XI e XIII foram inventadas a vírgula e o ponto e vírgula e o ponto passou a separar frases. A leitura, antes de tudo, era um esforço de interpretação. Com o renascimento comercial, a interpretação passava a ser um problema, antes sustentava o poder das castas religiosas e sacerdotais. "Viver não é preciso, navegar é preciso". O comércio, tal como a navegação, requisitava precisão. A língua acompanhou (como tecnologia) essa evolução.
[xvi][16] "Socrate e Platone condannavano l'insegnamento delle arti nobili in cambio di denaro, sia porché considerano quest'insegnamento un'esperienza educativa fra amici, sia porché sentivano che chi era un possesso della conoscenza filosofica era soggetto all'obbligo morale di usarla a beneficio degli altri". GIOCARINIS, Kimon. L'ideale del sapere a la sua remunerazione secondo i Greci e gli aristotecili medievali. IN: Filosofi e Teologi - la ricerca e l'insegnamento nell'università medievale. Bergamo: Pierluigi Lubrina Editore, 1989, p. 233. O imperador Vespasiano foi o primeiro, no Ocidente, a constituir uma escola pública, no ano de 75.
[xvii][17] Usaremos, no decorrer deste estudo, o conceito amplo de tecnologia, que se identifica com a materialização de conhecimentos científicos e culturais da humanidade na produção de equipamentos ou ferramentas não-naturais visando à solução de problemas individuais e coletivos; todos os elementos necessários para a produção de qualquer parte ou componente de equipamentos ou ferramentas, incluindo os sistemas de trabalho, maquinário, recursos e processos materiais, sociais e culturais; a metodologia e o conhecimento técnico direcionado ao estabelecimento desses processos, à solução dos problemas práticos, aceitando o conjunto de observações de KLINE. S. J. "What is technology? IN: Bulletin os Science, Technology and Society, 5(3), 1985, 215-18, citado por LAYTON, David. Technology's challenge to science education: cathedral, quarry or company store? Buckingham: Open University Press, 1993, pp. 27-28. Essencial, para compreensão do tema: GAMA, Ruy. A tecnologia e o trabalho na história. São Paulo: Nobel: Editora da Universidade de São Paulo, 1986.
[xviii][18] "O que credencia como pertinentes e irrefutáveis as críticas de Lauro de Oliveira Lima ao sistema educacional brasileiro, ao despreparo do professor, à ignorância dos pais dos alunos, à inadequação dos métodos didáticos e procedimentos pedagógicos, à deficiência do material didático é o seu embasamento teórico e experimental na psicologia genética, desenvolvida e consolidada por estudos empíricos interculturais e transnacionais." FREITAG, Bárbara. "Prefácio". In. LIMA, Lauro de Oliveira. Para que servem as escolas? Petrópolis: Vozes, 1995, p. 16.
[xix][19] POSTMAN, Neil. Tecnopólio: a rendição da cultura à tecnologia. São Paulo: Nobel, 1994, pp. 70-71. Neil Postman acredita que o rápido crescimento do número de escolas na Inglaterra no século XVII está diretamente associado à difusão de informações provocada pela imprensa: "Em 1480, antes da explosão da informação, havia 34 escolas em toda a Inglaterra. Por volta de 1660, havia 444, uma escola para cada doze milhas quadradas. Houve várias razões para o rápido crescimento da escola comum, mas nenhuma era tão óbvia que a necessidade de resposta às ansiedades e confusão causadas pela informação desenfreada" (p. 71).
[xx][20] Mas há outro aspecto, além do acesso ao conhecimento, que deve ser destacado: o estudante se comunica com o autor, recebe dele a mensagem, a decodifica, reinventa e constrói o seu próprio conhecimento, a partir de sua prática ou da própria prática da leitura. "A escrita permite uma situação prática de comunicação radicalmente nova. Pela primeira vez os discursos podem ser separados das circunstâncias particulares em que foram produzidos. Os hipertextos do autor e do leitor podem portanto ser tão diferentes quanto possíveis. A comunicação puramente escrita elimina a mediação humana no contexto que adaptava ou traduzia as mensagens vindas de um outro tempo ou lugar. Por exemplo, nas sociedades orais primárias, o contador adaptava sua narrativa às circunstâncias de sua enunciação, bem como aos interesses e conhecimentos de sua audiência. Da mesma forma, o mensageiro formula o pensamento daquele que o enviara de acordo com o humor e a disposição particulares de seu destinatário. A transmissão oral era sempre, simultaneamente, uma tradução, uma adaptação e uma traição". LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. O futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: Editora 34, 4ª reimpressão, 1997, p. 89
[xxi][21] POSTMAN, N. op. cit. , p. 71.
[xxii][22] “Ao falar em ‘histórico’, Vigotsky não se refere apenas a processos que ocorrem ao nível macroscópico. Ele fala em filogenético para a espécie, histórico para o grupo cultural, ontogenético para o indivíduo. E podemos, usando um termo contemporâneo, falar em microgenético, referindo-nos justamente à seqüência singular de processos e experiências vividos por cada sujeito específico”.LA TAILLE, Yves de; OLIVEIRA, Marta Kohl de; DANTAS, Heloísa. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus, 1992, p. 105.
NOTAS
[1][1] POUD, Ezra. ABC da Literatura. (1934) São Paulo: Cultrix, s/d, p. 32.
[1][2] EVANS, Terry; NATION, Daryl (ed.) Opening Education. Policies and Practices from Open and Distance Education. London: Routledge, 1996, p. 3
[1][3] LOBO NETO, Francisco José da Silveira. “A filosofia do ensino à distância e seu papel social” IN: BALALLAI, Roberto (org). Educação à Distância. Niterói: Centro Educacional de Niterói, 1991, p.124.
[1][4] “A educação aberta ou a distância nasce da necessidade de estender a cobertura dos sistemas educativos formais, em seus diferentes níveis, aos setores da população que não têm acesso a eles por razões econômicas ou de trabalho, por causas geográficas ou de idade; e é favorecida pela aparição e extensão dos conceitos pedagógicos de educação permanente e de educação continuada, que propugnam a conveniência de educar durante a toda a vida ...” PEÑALVER, Luis Manuel. “La educación a distancia: una estrategia para el desarrollo” (conferência introdutória). VILLARROEL, Armando; PEREIRA M., Francisco (eds.) La Educación a Distancia: desarrollo y apertura. XV Conferência Mundial do Conselho Internacional de Educação a Distância. Caracas: International Council for Distance Education; Fondo Editorial Universidad Nacional Abierta; Open Learning Agency, 1990. p. 31.
[1][5] “O conceito de educação ao longo de toda a vida aparece, pois, como umas das chaves de acesso ao século XXI” . DELORS, Jacques (ed.) Educação: um tesouro a descobrir. (Relatório para UNESCO da Comissão Internacional sobre educação para o século XXI). São Paulo: Cortez, Brasília: MEC/UNESCO, 1998, p. 19.
[1][6] “A escola sempre esteve a serviço, consciente ou não, das camadas dominantes. A tais alunos, membros da camada dominante ou seus aliados e agregados, é que a escola foi destinada. A partir dos movimentos e lutas populares é que as classes dominantes abriram suas portas aos populares. Meio relutante. A contragosto.” OLIVEIRA, Newton Ramos de. “A Escola, esse Mundo Estranho”. IN: PUCCI, Bruno (org.). Teoria Crítica e Educação. A questão da formação cultural na Escola de Frankfurt. Petrópolis: Vozes; São Carlos: Editora da UFSCar, 1995, capítulo 5, p. 125.
[1][7] “A educação é o processo pelo qual a sociedade forma seus membros à sua imagem e em função de seus interesses”. PINTO, Álvaro Vieira. Sete Lições sobre educação de adultos. 5a. edição. São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1987, p. 29
[1][8] CRUZ Rincón, Jaime. La construcción de un sistema de educación a distancia. Bogotá: SENA, 1982, p. 9, APUD CASAS Armengol, Miguel. Universidad Sin Clases. Educación a distancia en América Latina. Caracas: UNA/Editorial Kapelusz, 1986, p. 33.
[1][9] Outras formas de observação do mesmo fenômeno podem ser vistas em LIMA, Lauro de Oliveira. Mutações em educação segundo McLuhan. 19ª ed, Petrópolis: Vozes, 1987, e também em GIANNOTTI, José Arthur. A Universidade em ritmo de barbárie. São Paulo: Brasiliense, 1986. É certo que nem todos assim o acham, há muitos que acreditam ser a educação, ao contrário, área onde a mudança encontra terreno fértil: "La innovación y el cambio son dos aspectos que gozan de una gran importancia en el mundo de la educación al ser considerados como elementos catalizadores para generar nuevos procesos, nuevos caminos e nuevas vías para impulsionar nuevas ideas y métodos de la educación." SERRANO, Gloria Pérez. "La innovación y el cambio en educación" IN: Semana Luso-espanhola de Pedagogia - Inovação em Educação (1989). Lisboa: Universidade Aberta, Colecção Temas Educacionais, 1992, p. 241.
[1][10] "La nouvelle organisation des écoles épiscolapes du continent est fondé par la Règle de saint Chrodegang, évêque de Metz (en envion 750), dans laquelle les charges sont distribuées, la discipline scolaire et la formation espirituelle mises en relief; e, tout en considérant l'école comme mouen de formation cléricale, les études séculières y reçoivent leur place" D'IRSAY, Stephen. Histoire des Universités françaises et étrangères - des origens à nos jours. Paris, 1933, tome I, p. 49 APUD ULLMANN, Reinholdo. A universidade - das origens à Renascença. São Leopoldo: Ed. Unisinos, 1994, p. 31. Além dos jovens cléricos, essas escolas abrigavam os leigos, na forma de "schola exterior", eram dirigidas por um scholasticus (nome latino para professor) que recebia um módico salário pago pelo bispo local. "Para os alunos vigorava a gratuidade do ensino", prática esta que foi reafirmada, depois, pelo III Concílio de Latrão, em 1179 (idem, ibdem).
[1][11] Carlos Magno (742-814), filho de Pepino, o Breve, rei dos Francos, tornou-se conhecido como o "restaurador das belas-letras clássicas" , marcou um verdadeiro renascimento cultural na Europa. Fundou escolas nos palácios (escolas palatinas) onde estudavam os filhos dos nobre. "Diz-se que ele próprio assistia às aulas, como seus filhos e filhas..." (Ullmann, op. cit., p.34). Essa iniciativa de Carlos Magno, além da face institucional, teve outras conseqüências, notadamente na ampliação dos conteúdos ensinados (disciplinae circulares ou artes libarales, subdividida em: trivium - retórica, dialética e gramática) e quadrivium - aritmética, geometria, astronomia e música)
[1][12] “Antes do século XII na Itália da alta Idade Média, tem-se notícia, só para dar alguns exemplos, de scholae de pescadores e açogueiros em Ravena, ou ainda de sapateiros, carpinteiros e hortelãos em Roma, e assim em outros lugares. O uso do termo scholae (associações de ofício) muito provavelmente está a indicar que já não somente se preocupavam coletivamente com a formação dos seus continuadores, mas ostentavam também um patrimônio cultural e pedagógico dotado de particulares técnicas de transmissão.” RUGIU, Antonio Santoni. Nostalgia do Mestre Artesão. São Paulo: Editora Autores Associados, 1998, p. 25.
[1][13] Descrição mais detalhada pode ser encontrada em Ullmann, op. cit. pp.39-43.
[1][14] Ullmann, op. cit p. 41. Naquele tempo não era permitida a presença de mulheres em escolas de cunho episcopal, mas em raros casos eram vistas meninas em escolas reais ou palatinas.
[1][15] Ainda não se tinha inventado, naqueles tempos, a pontuação. As palavras na antiga escrita latina e grega não eram separadas (Ullmann, op. cit. p. 28). Posteriormente, passou-se a utilizar o ponto como sinal de separação entre as palavras, o espaço em branco surge em fins do primeiro milênio, entre os séculos XI e XIII foram inventadas a vírgula e o ponto e vírgula e o ponto passou a separar frases. A leitura, antes de tudo, era um esforço de interpretação. Com o renascimento comercial, a interpretação passava a ser um problema, antes sustentava o poder das castas religiosas e sacerdotais. "Viver não é preciso, navegar é preciso". O comércio, tal como a navegação, requisitava precisão. A língua acompanhou (como tecnologia) essa evolução.
[1][16] "Socrate e Platone condannavano l'insegnamento delle arti nobili in cambio di denaro, sia porché considerano quest'insegnamento un'esperienza educativa fra amici, sia porché sentivano che chi era un possesso della conoscenza filosofica era soggetto all'obbligo morale di usarla a beneficio degli altri". GIOCARINIS, Kimon. L'ideale del sapere a la sua remunerazione secondo i Greci e gli aristotecili medievali. IN: Filosofi e Teologi - la ricerca e l'insegnamento nell'università medievale. Bergamo: Pierluigi Lubrina Editore, 1989, p. 233. O imperador Vespasiano foi o primeiro, no Ocidente, a constituir uma escola pública, no ano de 75.
[1][17] Usaremos, no decorrer deste estudo, o conceito amplo de tecnologia, que se identifica com a materialização de conhecimentos científicos e culturais da humanidade na produção de equipamentos ou ferramentas não-naturais visando à solução de problemas individuais e coletivos; todos os elementos necessários para a produção de qualquer parte ou componente de equipamentos ou ferramentas, incluindo os sistemas de trabalho, maquinário, recursos e processos materiais, sociais e culturais; a metodologia e o conhecimento técnico direcionado ao estabelecimento desses processos, à solução dos problemas práticos, aceitando o conjunto de observações de KLINE. S. J. "What is technology? IN: Bulletin os Science, Technology and Society, 5(3), 1985, 215-18, citado por LAYTON, David. Technology's challenge to science education: cathedral, quarry or company store? Buckingham: Open University Press, 1993, pp. 27-28. Essencial, para compreensão do tema: GAMA, Ruy. A tecnologia e o trabalho na história. São Paulo: Nobel: Editora da Universidade de São Paulo, 1986.
[1][18] "O que credencia como pertinentes e irrefutáveis as críticas de Lauro de Oliveira Lima ao sistema educacional brasileiro, ao despreparo do professor, à ignorância dos pais dos alunos, à inadequação dos métodos didáticos e procedimentos pedagógicos, à deficiência do material didático é o seu embasamento teórico e experimental na psicologia genética, desenvolvida e consolidada por estudos empíricos interculturais e transnacionais." FREITAG, Bárbara. "Prefácio". In. LIMA, Lauro de Oliveira. Para que servem as escolas? Petrópolis: Vozes, 1995, p. 16.
[1][19] POSTMAN, Neil. Tecnopólio: a rendição da cultura à tecnologia. São Paulo: Nobel, 1994, pp. 70-71. Neil Postman acredita que o rápido crescimento do número de escolas na Inglaterra no século XVII está diretamente associado à difusão de informações provocada pela imprensa: "Em 1480, antes da explosão da informação, havia 34 escolas em toda a Inglaterra. Por volta de 1660, havia 444, uma escola para cada doze milhas quadradas. Houve várias razões para o rápido crescimento da escola comum, mas nenhuma era tão óbvia que a necessidade de resposta às ansiedades e confusão causadas pela informação desenfreada" (p. 71).
[1][20] Mas há outro aspecto, além do acesso ao conhecimento, que deve ser destacado: o estudante se comunica com o autor, recebe dele a mensagem, a decodifica, reinventa e constrói o seu próprio conhecimento, a partir de sua prática ou da própria prática da leitura. "A escrita permite uma situação prática de comunicação radicalmente nova. Pela primeira vez os discursos podem ser separados das circunstâncias particulares em que foram produzidos. Os hipertextos do autor e do leitor podem portanto ser tão diferentes quanto possíveis. A comunicação puramente escrita elimina a mediação humana no contexto que adaptava ou traduzia as mensagens vindas de um outro tempo ou lugar. Por exemplo, nas sociedades orais primárias, o contador adaptava sua narrativa às circunstâncias de sua enunciação, bem como aos interesses e conhecimentos de sua audiência. Da mesma forma, o mensageiro formula o pensamento daquele que o enviara de acordo com o humor e a disposição particulares de seu destinatário. A transmissão oral era sempre, simultaneamente, uma tradução, uma adaptação e uma traição". LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. O futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: Editora 34, 4ª reimpressão, 1997, p. 89
[1][21] POSTMAN, N. op. cit. , p. 71.
[1][22] “Ao falar em ‘histórico’, Vigotsky não se refere apenas a processos que ocorrem ao nível macroscópico. Ele fala em filogenético para a espécie, histórico para o grupo cultural, ontogenético para o indivíduo. E podemos, usando um termo contemporâneo, falar em microgenético, referindo-nos justamente à seqüência singular de processos e experiências vividos por cada sujeito específico”.LA TAILLE, Yves de; OLIVEIRA, Marta Kohl de; DANTAS, Heloísa. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus, 1992, p. 105.
Brasília, maio de 2001