Os IGNORANTES, que acham saber tudo, privam -se de um dos maiores prazeres da vida: APRENDER.

O conhecimento mais perto do usuário

 

 Paulo Lemos (UNICAMP)
Informação e conhecimento sempre estiveram (e estarão) presentes na produção de todo e qualquer bem e serviço, estejamos ou não pensando na "economia do conhecimento". O que justifica então, uma denominação tão específica e tão marcante quanto "economia do conhecimento"? Se a "economia do conhecimento" é algo tão peculiar aos nossos tempos, quais são suas
especificidades? É o que tenta responder o economista Danny Quah, do Departamento de Economia da London School of Economics em "The Weightless Economy in Growth".
As atividades econômicas definidas por Quah na "economia sem peso" (que não se confunde com uma "economia de intangíveis", que em geral inclui atividades de serviços não adequadas a sua definição) são:
1. tecnologias de informação e comunicação (inclusive Internet);
2. propriedade intelectual, com uma ampla abrangência de atividades (patentes, copyrights, marcas, propaganda, serviços de consultoria e financeiros, serviços de saúde ("medical knowlege") e educação);
3. bibliotecas e bancos de dados digitais e,
4. "biotecnologia" (numa combinação um tanto inusitada, que abrange desde bibliotecas e bancos de dados não-digitais até medicamentos).


Duas características principais são comuns a essas atividades: ao mesmo tempo em que produzem serviços e produtos com alto teor de informação e conhecimento ("knowledge-products"), são sistemas que auxiliam a gestão do conhecimento.
Quah faz uma síntese teórica densa das discussões atuais sobre a importância da mudança tecnológica em relação ao crescimento econômico e propõe uma visão própria para o tema, através da sua "economia sem peso".
Extraímos um ponto fundamental da análise: como a distância entre produtores e consumidores do conhecimento é diminuída? Em outras palavras, como se dá essa apropriação do conhecimento na realização dos negócios?
Uma das peculiaridades da nova economia é que o conhecimento e suas aplicações estão mais proximos de quem os utiliza. Esse foi o ponto mais fundamental estudado por Quah e que parece já estar devidamente presente no "senso comum" e na prática dos consumidores e dos homens de negócios que lidam com a economia do conhecimento.
Quah leva em consideração os impactos econômicos e tecnológicos da Internet e o papel do copyright como principal mecanismo de proteção à propriedade intelectual, em contraponto e substituicão à utilização de patentes.
O uso empresarial da Internet possibilita ganhos econômicos que estão nos objetivos de todos os negócios: compras/vendas mais fáceis e mais baratas, melhorias na difusão da informação, redução de estoques e progressos consideráveis nas cadeias de suprimento e nos canais de distribuição (os casos citados como exemplo são a Dell e General Electric). "O uso da Internet para obtenção de software, novas mídias, entretenimento, conselhos de saúde, serviços educacionais, obtenção de preços e outros dados comerciais, diminui a distância entre consumidores os produtores de conhecimento" (p.6).
O encurtamento deste tipo de distância é mais importante que a aproximação física, geográfica, considerada, muitas vezes, o principal efeito da Internet.
O uso do copyright é a principal forma de resguardo do direito de propriedade intelectual na economia sem peso. Os direitos de exclusividade e de propriedade de um bem ou serviço como software, coleta de dados e entretenimento, não são objetos de patenteamento (característica típica da proteção da propriedade industrial, baseada em bens 'físicos') e sim da utilização do copyright (apesar de algumas recentes outorgas de patentes do US Patent and Trademark Office a tecnologias utilizadas em e-commerce).
O copyright protege quem produz o conhecimento mas não atua diretamente sobre as idéias e o conhecimento. Diferentemente da patente que exige inovação e aplicabilidade industrial, o copyright exige criatividade e originalidade para ser obtido. E o mais importante: as idéias e os conhecimentos centrais e críticos da economia sem peso estão "desprotegidos", podendo ser utilizados por outros.
Para os bens protegidos por copyright, a distância entre os produtores e os consumidores do conhecimento é menor do que a verificada nos bens protegidos por patente. O custo para o consumidor gerado pelo uso de um bem na economia sem peso não se resume a um preço mais baixo do produto, mas ao aprendizado de normas, convenções e sutilezas envolvidas no seu uso. É essa abertura da economia do conhecimento outro fator fundamental que permite aproximar o conhecimento de quem o utiliza.