Benefícios Educacionais do uso da Internet

em Tecnologia Instrucional
 Gilberto  Teixeira ,Prof.Doutor (FEA/USP)
 
Para o estudante
Do ponto de vista dos estudantes, as mudanças são radicais. Quando eles trabalham por projetos ou buscando informações na Internet, constroem seu conhecimento por meio de problemas da vida real. Usam as mesmas ferramentas que os profissionais de diversas áreas. Eles têm consciência da importância que a sociedade dá a essa habilidade. Sabem que estão adquirindo know-how imprescindível para suas vidas futuras e valorizam isso. Para eles esse tipo de trabalho é muito divertido. Os recursos da Internet permitem que produzam projetos finais muito mais sofisticados. O aluno deixa de ser um receptor passivo de informações e passa a ter um papel extremamente ativo. Tudo isso traz motivação e auto-estima indispensáveis para o processo de ensino-aprendizagem.
Outra habilidade favorecida pelo uso da Internet e comumente negligenciada em aulas tradicionais é a capacidade de colaboração em trabalhos em grupo. Projetos colaborativos desenvolvidos na Internet incentivam uma preocupação extra com design, clareza, novas informações, argumentação fundamentada e busca de novos recursos. Ou seja, a construção do conhecimento e do processo de ensino-aprendizagem com a participação do próprio aluno. Quando os projetos envolvem a comunidade ou têm objetivos sociais, o aluno se sente recompensado pela sua contribuição social e valoriza mais a escola e a aprendizagem.
Logicamente os alunos têm de superar barreiras, entre elas a de aprender a lidar com a tecnologia e selecionar e usar material original. Eles também têm de achar um ponto de equilíbrio entre a qualidade do design, o tempo despendido com essa atividade e a produção efetiva de material interessante. A partir de alguns relatos do uso da informática nessas situações nota-se um ambiente altamente colaborativo entre os alunos, no qual eles se ajudam reciprocamente e incorporam com rapidez os progressos alcançados.
Outro benefício do uso da Internet é que os alunos passam a ter mais uma maneira de mostrar seus conhecimentos, permitindo que aqueles com dificuldades em avaliações do tipo lógico-matemáticas melhorem seu desempenho. Por não ser um simples exercício de decorar conteúdos mas sim um instrumental para se trabalhar com o conhecimento, os alunos têm muito mais consciência do estágio em que estão e são mais capazes, se incentivados, de fazer auto-avaliações.
A Internet contribui de forma totalmente diferente de outras ferramentas educacionais no que se refere a:
  • capacidade de desenvolver raciocínios mais complexos: os alunos encontram problemas reais, muitas vezes através de suas fontes originais, sem simplificações, e se envolvem contribuindo para sua resolução. Existem recursos multimídia para visualizações e simulações.
  • maior senso crítico: os alunos percebem que existem diferentes pontos de vista para os mesmos assuntos, que nem tudo o que se publica é correto. Estabelecem critérios para aceitação de fatos divulgados. Comparam suas produções com as de outros antes de as publicarem.
  • capacidade de comunicação: os alunos participam ativamente de projetos em que têm de se expressar, defender suas idéias, consultar especialistas, entender outras culturas e se fazer entender.
  • visão menos compartimentada do conhecimento: os alunos navegam pelo hiperespaço, onde o conhecimento não é separado por disciplinas. Os vários projetos publicados na rede oferecem um incentivo à interdisciplinaridade.
  • formação facilmente integrada ao mercado de trabalho: jovens que aprenderam a utilizar a Internet poderão utilizar melhor os recursos dessa ferramenta cada vez mais indispensável para a realização de tarefas profissionais.
 
 
 
Para o professor
As empresas têm investido muito no treinamento de seus funcionários, justamente pelo dinamismo do mundo atual, pela necessidade de constantes redirecionamentos de suas atividades e de seus funcionários. Os investimentos são respaldados, quando não pela manutenção dos lucros, pela sobrevivência. A escola, como é pensada hoje, ainda não é questionada quanto à sua forma, portanto não tem verba para redirecionamentos. Mas existe cada vez mais a consciência, seja por parte do governo, seja por parte da comunidade, de que devemos repensar o processo educacional para adequá-lo aos tempos atuais. Enquanto as mudanças tiverem de ser feitas com recursos mínimos, a Internet se mostra como uma das poucas soluções viáveis para:
  • atualizar professores: na Internet é possível achar informações já sintetizadas que informam e ao mesmo tempo economizam tempo dos professores. Por exemplo, através da compilação diária de notícias educacionais de jornais do país. Existem sites que trabalham notícias científicas, apresentando-as de maneira a serem utilizadas em sala de aula.
  • consultar especialistas: quando se flexibiliza o currículo e o aluno tem mais liberdade de expressão, invariavelmente surgem dúvidas fora do conhecimento do professor. Existem entidades que mantêm um serviço para resolver essas questões através de consulta a especialistas. O ideal é que a própria escola crie sua comunidade de colaboradores.
  • saber propor temas, aulas, que aproveitem situações de momento: professores podem usar recursos de jornais on-line para trabalhar tópicos dos cursos de maneira mais relevante para os alunos, mais conectada a situações da vida real. Vários sites oferecem sugestões de aulas e temas.
  • saber consultar bases de dados com material original: alguns sites disponibilizam informações úteis para o desenvolvimento de temas de maneira mais rica que a convencional. Alunos capazes de trabalhar esse tipo de informação estarão mais bem-preparados para o futuro mercado de trabalho.
  • contribuir para a mudança e melhoria do sistema. Os professores podem expor suas experiências e dificuldades e colaborar com os colegas através de grupos de discussão.
 
 
 
Para a escola
A Internet oferece aos diretores de escolas e planejadores educacionais contribuições valiosas e amplamente acessíveis:
  • experiências que estão funcionando e que não estão;
  • sugestões para a elaboração de planejamento;
  • possibilidades para obtenção de auxílio.
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Practice: communications in the Public Interest