Gilberto Teixeira (Prof Doutor (FEA/USP )
A palavra "ensino", pelo uso inadequado, para um grande número de pessoas significa o que o professor faz, enquanto é pago para ficar numa sala de aula.
Essa é entretanto, uma definição totalmente inaceitável porisso, em vez de mudar o significado convencional de uma palavra comum, passaremos a usar outro termo que não tenha sido ainda tão distorcido: "Prática Educacional", e que significará tudo o que o professor faz para facilitar o processo da aprendizagem. Sob tal conceituação o critério explícito de eficiência do ensino não será a atividade do professor, mas o envolvimento e a produtividade dos alunos - a mudança de comportamento obtida. Desta forma todas as coisas que os professores fazem, todas as coisas agradáveis que realizam, todos os exercícios martirizantes em que se engajam e que não resultarem no envolvimento ou participação e produtividade dos alunos, não podem ser considerados com Prática Educacional.
O argumento de que os outros professores já fizeram, outros estão fazendo, a direção manda fazer, ou porque os alunos gostam, não é a razão suficiente para qualquer prática educacional. A menos que os estudantes estejam envolvidos e produzam, como resultado da conduta do professor, este não poderá argumentar que utilizou uma técnica educacional em sua prática.
PROBLEMAS E QUESTÕES
Cada filosofia, cada teoria do comportamento humano, cada experiência, cada prática, deve se apoiar num conjunto de pressupostos básicos. Estes pressupostos são extremamente importantes, porque representam uma espécie de plano subjetivo das metas, valores e propósitos ou objetivos para um determinado esforço.
Três questões fundamentais servirão para representar o espectro de preocupações vital para cada educador profissional.
1. O homem e a sociedade são instituições fixas?
Qualquer estudo do esforço humano deve incluir duas dimensões: a importância do homem solitário e do homem em grupo. Se o homem aprende, se a sociedade aprende, esta aprendizagem somente pode ser feita dentro dos limites lícitos da natureza do organismo. Antes de podermos descrever a natureza do progresso de aprender e a natureza do processo de ensinar, temos de conhecer os limites que nos impõem os alunos.
Se a sociedade é uma instituição em mudanças com valores evoluindo, então a educação terá uma função realmente diferente da sua função numa sociedade estável e estática. Se a natureza do homem é fixada por fatores genéticos, então ensiná-la envolverá um processo diferente do usado no caso de a pessoa sofrer restrições mínimas por fatores genéticos e tornar-se, por isso, um sistema aberto.
Em qualquer dos casos, a noção que se tem da natureza do homem e da sociedade limita os pressupostos referentes à aprendizagem e ao processo de ensinar.
2. O que o processo educativo fazer pela sociedade?
A educação formal tem sido institucionalizada por todas as culturas na história do homem. Como uma instituição da sociedade, a educação deve, de alguma maneira, servir à sociedade ou não será apoiada financeiramente. Existem três interpretações principais do que a educação poderia fazer pela sociedade:
1 - A educação deveria auxiliar-nos a preservar a redescobrir os valores eternos numa sociedade contemporânea.
2 - A educação deveria contribuir para e melhoria da nossa sociedade, ajudando-nos a refinar nossas metas e técnicas, através da utilização dos melhores meios filosóficos e científicos disponíveis no momento.
3 - A educação deveria promover um aperfeiçoamento constante da sociedade cujas metas e técnicas são continuamente reavaliadas e ampliadas.
Uma simples avaliação de cada uma das posições acima indica que a educação tem tarefas diferentes a cumprir, se cada um destes fins forem satisfeitos. ë igualmente evidente que qualquer tentativa feita pela educação de servir a mais de um destes fins redundaria em uma sociedade com numerosas respostas verbalizadas sobre os propósitos da educação, mas com pouco ou até mesmo nenhum compromisso ético e financeiro.
3. O que deveria a educação fazer pelo indivíduo?
Ao nível social, o propósito da educação para o indivíduo prestar-se-á ao desenvolvimento de três respostas para esta pergunta.
1 - A educação deveria preparar o homem para encontrar e cumprir seu papel e posição prescritos numa sociedade estável.
2 - A educação deveria preparar o homem para encontrar e cumprir um papel e uma posição para si mesmo dentro dos limites de sua capacidade de contribuir para um aperfeiçoamento da sociedade.
3 - A educação deveria preparar o homem para encontrar e cumprir suas relações mutáveis dentro de uma sociedade em crescimento.
Enquanto não soubermos o que a educação deveria fazer pelo homem não podemos começar sua educação. Nem a teoria nem a prática possuem em si a essência do objetivo, exceto como derivação de uma filosofia subjacente. A menos que possamos selecionar uma tarefa, baseada num sistema de valores, nos encontraremos escravos e às vezes vítimas de tradições ou modismos efêmeros na empresa educacional.