Gilberto Teixeira (Prof. Doutor FEA/USP)
I - APRESENTAÇÃO
O texto que se segue é um exemplo de um modelo dos parâmetros de planejamento de um currículo de um curso de administração. Pode ser adotado tanto aos níveis de graduação como o de pós-graduação e, feitas as necessárias adaptações pode ser adotado para outras áreas de conhecimento (Pedagogia,Medicina,Engenharia,Filosofia,etc.
Deve ser observado que não estão discriminadas ou detalhadas as disciplinas e cargas horárias mas, tão somente, quais os parâmetros de planejamento de um plano de curso.
Os Parâmetros de Planejamento resultam e se fundamentam em princípios de aprendizagem e de planejamento didático.
A nomeclatura adotada foi baseada em literatura sobre Panejamento Acadêmico e em modelos adotados em Institições de Ensino Superior brasileiras e americanas .
II - DEFINIÇÕES
a) Plano de Curso - é o documento que regula e orienta todas as atividades didáticas e administrativas de um curso. Nele estão contidas todas as informações que se fazem necessárias à execução das atividades de ensino e à avaliação da aprendizagem de um curso. Ele é portanto um relatório que resulta de uma atividade de Planejamento Didático e para que seja validado deve ter recebido a aprovação de um órgão responsável, normalmente um órgão colegiado (Conselho do Departamento, Comissão de Planejamento e Coordenação, etc...).
O Plano de Curso dada a flexibilidade com que está construído, adapta-se facilmente à qualquer que seja o tipo e nível do curso (graduação, pós-graduação, especialização, aperfeiçoamento, extensão).
b) Diretrizes de Planejamento - descreve os parâmetros adotados no planejamento didático da Escola,(Faculdade ou Instituição de Ensino) a filosofia do planejamento e a nomenclatura adotada.
c) Plano Curricular (ou Programa do Curso) - contém a descrição dos Trabalhos Acadêmicos relativos ao curso em particular, à carga horária, objetivos educacionais e níveis a atingir na instrução, tudo isto obedecendo à uma sistematização e hierarquização. A hierarquia de planejamento adotado na Escola é a seguinte, partindo do nível mais alto: Curso-Área-Disciplina-Unidade-Trabalho Acadêmico.
Exemplo:
Curso: Graduação em Administração
Área: Marketing
Unidade: Administração de Vendas
Disciplina: Técnicas de Controle de Vendas
Trabalho Acadêmico: (a) Aula expositiva na disciplina acima ou
(b) Exercício na disciplina acima ou
(c) Simulação na disciplina acima
d) Plano de Avaliação - que compreende os sub-planos:
(a) de avaliação do corpo discente (aprendizagem)
(b) de avaliação do corpo docente
(c) de avaliação do programa e da escola
III - PARÂMETROS DE PLANEJAMENTO
Esta seção descreve resumidamente os parâmetros que devem ser adotados no Planejamento Didático de qualquer curso.
Parâmetros de Planejamento são em verdade um glossário de termos de planejamento que refletem uma filosofia de planejamento didático.
Os Parâmetros de Planejamento abrangem as seguintes divisões:
· Hierarquia do Planejamento
· Métodos Didáticos
· Avaliação
· Objetivos Educacionais e Níveis de Aprendizagem
Hierarquia do Planejamento
a) Curso: É o conjunto de disciplinas com conteúdos específicos integradas de forma que atendam aos objetivos educacionais do curso. Quando a quantidade de disciplinas e da interrelação entre elas forma um conjunto homogêneo de disciplinas poderá esse conjunto ser integrado sob a designação de Departamento ou Área.
b) Área: (ou Departamento) É um conjunto homogêneo de disciplinas reunidas sob um título comum (identificado pelo título da Área) por um dos seguintes motivos:
· disciplinas que compõem áreas funcionais (finanças, contabilidade, marketing, etc);
· disciplinas que dada sua interligação devem ser ministradas num bloco e/ou seqüência determinada (disciplinas básicas, disciplinas instrumentais, etc.);
· disciplinas que no seu conjunto possuam objetivos comuns (disciplinas de planejamento econômico, disciplinas de processamento de dados, disciplinas de métodos quantitativos).
A existência de Áreas na estrutura de um currículo não é obrigatória; pode ser conveniente para dar unidade à estrutura e dependerá também da quantidade de disciplinas pois um curso com poucas disciplinas dificilmente comportará a existência de Áreas ou Departamentos.
c) Unidade: É uma subdivisão da Disciplina; também só existirá quando os conteúdos da Disciplina comportem a sua reunião em Unidades.
d) Trabalho Acadêmico: É o menor elemento na hierarquia da estrutura de um programa. É através dos trabalhos acadêmicos que se executam as atividades de aprendizagem. Os trabalhos acadêmicos pode adotar métodos didáticos diferentes como: aula expositiva, exercício, discussão dirigida, projeto de grupo, demonstração, seminário, conferência, método do caso, jogo de empresas, etc.
e) Conteúdo da Disciplina: É a descrição detalhada do conjunto de conhecimentos considerado necessário para atingir os objetivos de aprendizagem da disciplina. Também conhecido como Conteúdo Programatico
f) Sumário da Disciplina: É uma descrição resumida em até 80 palavras, abrangendo o conteúdo da disciplina destinada à informar sinteticamente o campo de conhecimentos e assuntos tratados no desenvolvimento da disciplina. Também designado como Ementa
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Exemplo Ilustrativo da Hierarquia de um Programa
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Curso
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Graduação em Administração
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Administração Hoteleira
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Área
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Marketing
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(dispensável)
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Disciplina
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Administração de Vendas
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Técnica Orçamentária
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Unidade
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Técnicas de Previsão de Vendas
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Fase do Planejamento Orçamentário
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Trabalhos Acadêmicos
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· Aula expositiva sobre técnicas de previsão de vendas
· Exercício sobre técnicas de previsão de vendas e/ou
· Simulação sobre técnicas de previsão de vendas
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· Aulas expositivas sobre planejamento orçamentário
· Exercício sobre planejamento orçamentário
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Métodos Didáticos
A Escola adota métodos e técnicas que propiciam a consecução dos objetivos de cada um de seus cursos.
Todas as atividades didáticas programas pela Escola são denominadas para fins de padronização de terminologia como Trabalhos Acadêmicos (TA).
A Escola divide os trabalhos em 2 (dois) grandes grupos:
· Trabalho Acadêmico Individual (TAI)
· Trabalho Acadêmico de Grupo (TAG)
a) Trabalho Acadêmico Individual (TAI): Atribuição de tarefa, caracterizada pela ação individual do aluno, em trabalho realizado, no âmbito da Escola ou não, dentro de tempos alocados nos programas semanais e onde o aluno desenvolverá suas próprias idéias, apoiado em pesquisas, análises e sínteses, atendendo ao tema, tópico ou situação proposta.
· Aula expositiva (A): TA que se caracteriza pela apresentação oral, por um ou mais professores, de assuntos contidos nos objetivos propostos pela Escola e onde a discussão e o debate são incidentais e não previamente planejados.
· Aula Prática (Apt): TA utilizado para treinar a aptidão do aluno, habilitando-o para trabalhos específicos.
· Conferência (C): TA em que o tema é basicamente desenvolvido através de pontos de vista próprios do expositor. Normalmente o conferencista não é um membro regular do corpo docente.
· Demonstração e Execução (Dem): TA que visa levar o aluno a exercitar habilidades e (ou) aplicar conhecimentos, logo após a apresentação de um exemplo pelo condutor do TE. É ainda uma comparação prática ou teórica de um enunciado não suficientemente intuitivo, bem como a exibição da concreticidade de uma teoria, do funcionamento ou uso de um aparelho, da execução de uma operação qualquer.
· Entrevista Didática (EDt): TA em que um ou mais especialistas no assunto respondem a perguntas formuladas por um professor-entrevistador, porém sem que delas tomem conhecimento antecipado do conteúdo específico, de forma a atingir os objetivos de aprendizagem pré-estabelecidos.
· Exercícios (Exc): TA que consiste na aplicação prática de conhecimentos apresentados, podendo visar à fixação, ao treinamento e à avaliação da aprendizagem
· Filme (F) ou Videotape (VT): TA em que uma película cinegrafada ou televisada (parte dela ou cenas específicas, etc) é utilizada especialmente para levar o aluno a interpretações, formulações e exposição de opiniões, podendo ainda visar a esclarecer, exemplificar ou fixar a aprendizagem
· Instrução Programada (IP): TA de caráter individual onde o assunto é apresentado sob a forma de texto escrito, tecnicamente elaborado, visando a compensar diferenças individuais de aprendizagem.
· Televisão (TV): Vide “Filme”
b) Trabalho Acadêmico de Grupo - É aquele em que os participantes se integram numa equipe, necessitando cooperar e receber cooperação dos outros membros, a fim de que os objetivos, que lhes são comuns, possam ser atingidos.
· Debate (Db): TA em que através de argüição caracterizada pela troca de idéias entre o expositor e a audiência, o primeiro, ao responder aos quesitos formulados pelos alunos, complementa ou esclarece as idéias e tópicos já desenvolvidos anteriormente
· Discussão Dirigida (Ddr): TA em que através de respostas, contestações e idéias expostas pelos alunos sobre um determinado tema, habilmente provocadas por perguntas do professor, visa-se chegar a uma conclusão pré-estabelecida, mas propositalmente não revelada com antecipação.
· Discussão de Problema (DP): TA em que se busca resolver um problema utilizando-se técnicas específicas de alcance de solução.
· Painel (Pa): TA que consiste na reunião de vários especialistas que expõem suas idéias sobre um determinado assunto, diante de um auditório, de maneira informal e dialogada, em tom de conversa, de troca de idéias, mesmo que exponham posições diversas e apreciem perspectivas diferentes.
· Seminário (Se): TA em que através de subgrupos de alunos, são realizadas pesquisas ou estudos sobre um determinado tema, por seus próprios meios, em colaboração recíproca.
· Simpósio (Smp): TA para o qual são reunidos diversos peritos para expor diferentes aspectos de um assunto, em apresentações subsequentes, havendo participação da audiência formulando perguntas.
Avaliação
a) Avaliação da aprendizagem (Avaliação do Corpo Discente) será feita de acordo com o Plano de Avaliação de Aprendizagem.
b) A avaliação do Currículo é feita através de questionários preenchidos pelos alunos.
c) A avaliação do Corpo Docente será conduzida através do Sistema de Avaliação do Corpo Docente, realizado pelos alunos e professores.
Objetivos Educacionais e Níveis de Aprendizagem
Não há provavelmente nenhum procedimento mais importante do que a elaboração de objetivos no campo da educação (ou do treinamento de recursos humanos).
Ainda assim, enquanto os interesses e investimentos em educação e treinamento tenham crescido muito, em todo o mundo, nos últimos vinte anos e a maioria dos educadores e especialistas em treinamento de recursos humanos estejam de acordo em destacar a importância de definir os objetivos educacionais ou de treinamento, tem havido muito mais “teorização” do que prática de escrever objetivos.
Num sentido amplo um objetivo de aprendizagem é uma afirmação a respeito de uma proposta de mudança. Essa mudança, desejada e valorizada por professores e instrutores espera-se que ocorra em pensamentos, ações e sentimentos dos alunos como resultado de uma experiência educacional ou de treinamento. Obviamente nenhuma experiência pode ser julgada por si só, boa ou má; o único teste da qualidade de uma experiência de aprendizagem está no fato dela ser bem ou mal sucedida em provocar a desejada mudança no comportamento do aluno.
Para que se compreenda melhor a hierarquia existente nos vários níveis de objetivos, o quadro a seguir explica a forma como “mentalmente” é hierarquizada pelo aluno a aprendizagem:
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Objetivos Cognitivos
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Objetivos Afetivos
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a) O nível mais baixo começa quando o aluno memoriza e reconhece um conhecimento.
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a) O nível mais baixo do domínio afetivo começa quando o aluno só acolhe (recebe) um estímulo passivamente.
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b) A partir do nível anterior é atingido o próximo nível quando o aluno compreende o conhecimento.
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b) No nível mais complexo o aluno responde ao estímulo e voluntariamente tem satisfação nessa resposta.
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c) No nível seguinte o aluno é capaz de aplicação do conhecimento que compreendeu.
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c) No nível seguinte o aluno valoriza (aceita um valor e se compromete com ele).
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d) No nível seguinte de complexidade, o aluno torna-se capaz de realizar uma análise das situações envolvendo o conhecimento e em seguida capaz de sintetizar o conhecimento organizando-o em uma nova forma.
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d) No próximo nível o aluno conceitualiza os valores ou formas de julgamentos.
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e) No nível mais alto, o aluno é capaz de avaliar atos e julgar o valor do conhecimento para realizar objetivos específicos.
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e) Nos níveis mais altos o aluno organiza os valores em um sistema de valores que passa a caracterizar ele próprio a sua filosofia de vida.
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A respeito do termo objetivo, no contexto do ensino-aprendizagem é necessário que se faça uma distinção. É comum, principalmente entre pessoas não familiarizadas com as teorias de aprendizagem, o uso dos termos meta, fim “goal”, com mesmo significado de objetivo de aprendizagem. Essas palavras, embora fora do contexto educacional possam ser consideradas como sinônimos, estão nesse contexto em diferentes níveis de abstração e não são intercambiais:
1 - Um “goal”, fim ou objetivo educacional é uma afirmação ao nível de propósitos e intenções, sem uma direção e precisão definidas. Está mais ao nível de “filosofia” da instituição de ensino (ou do curso). Por isso, ao nível do professor isoladamente, responsável por uma disciplina o “goal”, fim ou objetivo tem pouca utilidade, pois não pode auxiliá-lo a decidir qual estratégia de aprendizagem deverá usar.
2 - Um nível ou objetivo de aprendizagem é muito mais preciso e específico. O objetivo proporciona ao professor uma ajuda concreta e direcionada. No dizer de Bloom, o objetivo de aprendizagem dá aos alunos e professores “um direcionamento tanto do conteúdo como do processo mental que se espera que o aluno desenvolva”.
Um nível de Aprendizagem, no seu sentido amplo, é uma expressão que reproduz uma mudança desejada. Essa mudança pode ocorrer em ações, pensamentos sentimentos e atitudes como resultado de uma “experiência de aprendizagem”, isto é, um programa educacional ou de treinamento.
Isto posto, desta maneira, cada objetivo específico deverá ter um nível de aprendizagem que será solicitado dos alunos, através dos instrumentos de medida (testes acadêmicos ou realização de tarefas).
Em outras palavras, o nível para cada objetivo indicará a profundidade com que cada assunto deverá ser abordado, retratando o grau de instrução a que os alunos serão submetidos.
Essa profundidade de desempenhos será observada nos domínios cognitivo (conhecimento), afetivo (sentimento) e psicomotor (execução), referentes aos assuntos ministrados.
a) Domínio Cognitivo - seis níveis de aprendizagem são definidos e podem ser medidos:
· Conhecimento ou Familiarização (Sigla F): É o nível mais elementar e compreende basicamente o reconhecimento e a memorização. Caracteriza-se por uma tomada inicial de contato, uma idéia geral a respeito do assunto ou de suas partes, constituindo-se numa assimilação de pontos elementares pelo aluno, sem envolvimento de profundidade e sem qualquer exigência de conclusões ou aplicações.
Envolve conhecimento de: terminologia, fatos específicos, convenções, pendências e seqüências, classificações e categorias, critérios, metodologia, princípios e generalizações, teorias e estruturas.
· Compreensão (Sigla C): É o nível imediatamente acima do conhecimento, ou seja, o aluno, além de entender ou assimilar o sentido exato do assunto, precisa compreender o relacionamento entre os seus componentes e o modo como e porque são produzidos seus efeitos.
· Aplicação (Sigla A): É o nível imediatamente acima da Compreensão. Neste nível o aluno deverá aplicar as abstrações apropriadas numa determinada situação, sem que lhe tenha sido sugerido quais são estas abstrações ou ensinado como usá-las naquela situação específica.
· Análise (Sigla AN): As habilidades envolvidas na Análise encontram-se em um nível mais avançado do que as implicadas nos três níveis anteriores. A análise focaliza o desdobramento do material em suas partes constitutivas, a percepção de suas inter-relações e os modos de organização. Orienta-se, também, em relação às técnicas e instrumentos que se empregam para comunicar o significado ou estabelecer o resultado final de uma comunicação, tais como: capacidade para reconhecer suposições não expressamente explícitas; habilidade para distinguir fatos de hipóteses; capacidade para distinguir uma conclusão das considerações que a asseguram; capacidade para descobrir sofismas; etc. Ainda que a Análise se constitua em um simples modo operacional de descobrir a organização e a estrutura de uma comunicação, sendo portanto, seu próprio término, do ponto de vista educacional é mais válido considerá-la como uma ajuda para o alcance de maior compreensão ou como uma etapa prévia na avaliação do material. Envolve a análise de elementos, de relações e de princípios de organização.
· Síntese (Sigla SIN): Entende-se por Síntese a combinação de elementos em uma nova estrutura ou seja, o processo de trabalhar esses elementos e partes de maneira a combiná-los para que constituam uma configuração ou estrutura não claramente percebida antes. Em geral implica numa recombinação de partes examinadas em experiências anteriores, com materiais novos, os quais são reorganizados em um todo novo e bem integrado. Neste nível proporciona-se ao aluno maiores oportunidades de desenvolver um comportamento criador, muito embora estes não sejam completamente livres pois, em geral o aluno necessita trabalhar dentro dos limites impostos por determinados problemas, materiais e estruturas teóricas e metodológicas.
· Avaliação (Sigla AV): Avaliação, no domínio cognitivo, pode ser entendida como o processo de julgamento acerca do valor de idéias, trabalhos, soluções, métodos, materiais, etc. realizados com determinado propósito. Implica no uso de critérios e padrões que permitam apreciar o grau de precisão, efetividade, economia ou suficiência de pormenores. Os julgamentos podem ser qualitativos ou quantitativos, podendo o aluno, ou outrem, determinar os critérios respectivos. A avaliação está colocada neste nível da taxionomia porque é considerada como um estágio final do complexo processo que envolve certa combinação de todos os outros comportamentos classificados nas categorias “conhecimento”, “compreensão”, “aplicação”, “análise” e “síntese”. O aspecto novo que aqui se acrescenta são critérios que abrangem valores. No desenvolvimento do domínio cognitivo a Avaliação representa não só um processo final e em relação aos comportamentos cognitivos, mas também sua vinculação, fundamental com os comportamentos afetivos, do domínio afetivo, onde valores, gostos e satisfações (ou sua ausência ou seus opostos) constituem o aspecto central. Contudo, aqui se acentua mais o caráter cognitivo do que o emocional, do processo de avaliar.
b) Domínio Afetivo - cinco são os níveis de aprendizagem que podem ser observados:
· Acolhimento (Atenção) (Sigla AC): É o nível mais elementar deste domínio. Deve ser entendido como o interesse, sensibilidade ou disposição do aluno em acolher ou prestar atenção ao fenômeno.
- Percepção - é um simples dar-se conta, sem discriminação ou reconhecimento das características objetivas do objetivo. Não subentende uma avaliação das qualidades ou da natureza do estímulo; não implica, necessariamente, em Atenção.
- Disposição para receber - trata-se do comportamento de estar disposto a tolerar um estímulo dado, não o evitando. Ainda há um neutralidade ou julgamento pendente em relação ao estímulo. Na melhor das hipóteses, está disposto a notar o fenômeno e dar a sua atenção.
- Atenção controlada ou Seletiva - a diferenciação dos aspectos de um estímulo é perfeitamente percebida como claramente separada das impressões adjacentes. Há um elemento de controle da atenção do que aprende, aqui, de maneira que o estímulo preferido é selecionado e lhe é dada atenção, a despeito de estímulos concorrentes e que o podem distrair.
· Resposta (Sigla RE): Neste nível o estudante está suficientemente motivado, para que não esteja apenas com “disposição para prestar atenção”, mas na realidade que está “ativamente prestando atenção”. É o nível em que há o desejo no aluno para se tornar suficientemente envolvido ou compromissado com um assunto, fenômeno ou atividade, procurando obter satisfação, trabalhando ou se entregando ao mesmo. Está dividido em três sub-níveis.
- Aquiescência na resposta - este comportamento pode ser entendido como obediência” ou “submissão”. O estudante dá a resposta, mas não aceitou completamente a necessidade de fazê-lo.
- Disposição para responder - aqui existe a “disposição” do aluno em participar ou executar a atividade voluntariamente. Implica em que ele esteja suficientemente compromissado para manifestar este comportamento, não por um medo de punição, mas por “vontade própria”.
- Satisfação na resposta - neste último passo do nível Resposta, há o consentimento, a aquiescência na resposta ou a resposta voluntária. O comportamento de prazer ou gesto de satisfação.
· Valorização (sigla VA): O comportamento categorizado neste nível é suficientemente consistente e estável, para assumir as características de uma crença ou de uma atitude. O aluno manifesta este comportamento com bastante consistência, em situações apropriadas, que vem a ser percebido como adotando um valor. Os objetivos aqui classificados constituem a matéria-prima da qual a consciência do indivíduo é desenvolvida no controle ativo do comportamento. São três os sub-níveis em que está dividido.
- Aceitação de um valor - uma das características deste comportamento é a consistência de resposta a classe de objetivos, fenômenos, etc., com os quais a crença ou atitude está identificada. Ela é bastante consistente de maneira que a pessoa seja percebida pelos outros como adotando uma crença ou este valor.
- Preferência de um valor - o comportamento, aqui, subentende não penas a aceitação de um valor até o ponto ode estar disposto a identificá-lo, mas o indivíduo está suficientemente compromissado com o valor para poder querê-lo, buscá-lo.
- Cometimento - esta categoria envolve um alto grau de certeza da crença. A pessoa que manifesta este comportamento é claramente percebida como adotando um valor. Age para favorecer a coisa valorizada de alguma maneira, para aprofundar seu envolvimento com ela e com as coisas que a representam. Existe uma motivação real para por em ação o comportamento.
· Organização (Sigla OG): Este nível pretende que seja a classificação apropriada para adjetivos que descrevem os inícios da construção de um sistema de valores, sua organização e suas inter-relações. Está dividida em dois sub-níveis.
- Conceitualização de um valor - nesta categoria, a qualidade de abstração ou conceitualização é acrescentada às características integrais do valor ou crença específicos, permitindo ao indivíduo perceber como os valores se relacionam àqueles que ele já adotou, ou aos novos que venha a adotar.
- Organização de um sistema de valores - nesta categoria é requerido do aluno que reuna um complexo de valores, possivelmente díspares, e que neles introduza uma relação ordenada, harmoniosa e internamente consistente. O objetivo é que o aluno formule uma filosofia de vida. Em muitos casos a organização de valores pode resultar num novo valor ou complexo de valores de uma ordem mais elevada.
· Caracterização por um Valor ou Complexo de Valor (Sigla VA): Neste nível, os valores já têm lugar na hierarquia de valores do indivíduo; são organizados em algum tipo de sistema internamente consistente, controlaram o comportamento do indivíduo por um tempo suficiente no qual ele se ajustou a se comportar desta maneira. É constituído de dois subníveis.
- Direção generalizada - a direção generalizada é a que dá consistência interna ao sistema de atitudes e valores, em qualquer momento específico. Pode ser expressa como uma tendência determinante, uma orientação em relação a fenômenos, ou uma predisposição para agir de uma certa maneira. é uma resposta persistente e consistente a um grupo de situações ou objetivos relacionados. Uma direção generalizada é uma orientação básica, que capacita o indivíduo a reduzir e ordenar o mundo complexo a sua volta e agir consistente e eficientemente no mesmo.
- Caracterização - nesta categoria são encontrados os objetivos que dizem respeito à visão que a pessoa tem do universo, à sua filosofia de vida.
c) Domínio Psicomotor - No domínio psicomotor são os seguintes os níveis de aprendizagem considerados.
· Percepção (Sigla PEM): Este é o nível que antecede a ação psicomotora. Nele, o aluno toma consciência, por meio dos órgãos sensoriais, de objetivos, qualidades e relações. Normalmente obedece à seqüência: estimulação sensorial; seleção de sinais; interpretação dos sinais selecionados.
· Preparação (Sigla PRM): A preparação é o ajustamento preparatório para determinada ação. Aqui estão contidos o preparo mental, o preparo físico e o preparo emocional.
· Resposta Orientada (Sigla RO): É o comportamento visível de um aluno ao ser orientado por outrem ou por um modelo, visando a desenvolver habilidades motoras simples. Neste nível toma a imitação e as tentativas seguidas de erro e de novas tentativas.
· Resposta Mecânica (Sigla RM): Aqui a resposta aprendida torna-se habitual. Ao alcançar este nível o aluno adquire uma certa confiança e um adequado grau de proficiência na execução de um ato.
· Resposta Aberta Complexa (Sigla RAC): Neste nível o aluno deverá desempenhar um ato complexo, em razão de movimentos requeridos.
IV - DESENVOLVIMENTO DO ENSINO
1 - O Ensino na Escola deverá ser orientado a fim de que os objetivos da instrução, dentro dos seus respectivos níveis de aprendizagem sejam atingidos.
2 - Todos os elementos constantes do Plano de Ensino, deverão ser fielmente observados quando da execução, a fim de que o controle realizado pela Avaliação da Aprendizagem possa detectar deficiências de todo o processo educacional.
a) As Áreas, Disciplinas, Unidades e Trabalhos Acadêmicos (TA) serão desenvolvidas obedecendo a uma seqüência lógica, de forma a haver integração e continuidade na instrução.
b) A hierarquia do planejamento didático adotada na Escola é a seguinte, a partir do nível mais elevado: Área - Disciplina - Unidade - Trabalho Acadêmico.
c) A atividade de um professor individualmente considerado é executada através do trabalho acadêmico ou da disciplina; ao nível de área só é admitida uma distribuição de responsabilidades de planejar e executar entre vários professores.
3 - Fatores de Planejamento da Instrução
a) Tempos por semana: 20
b) Duração de cada TA: 50 minutos
c) Formação dos Grupos para os Trabalhos de Grupos: É recomendável que os professores distribuam os alunos entre os Grupos de modo a que estes sejam o mais representativo possível da turma e contendo, proporcionalmente, alunos dos dois sexos e das variadas experiências e níveis de formação existentes. Sempre que possível, o número de elementos por Grupo não deverá ultrapassar a sete.
V - GLOSSÁRIO DAS ABREVIATURAS UTILIZADAS
a) Gerais
Apti - Apostila
CE - Currículo Escolar
Doc - Documentação
P Avl - Plano de Avaliação
Pe - Plano de Ensino
T - Tempo de Instrução (50 minutos)
TA - Trabalho Acadêmico
TAI - Trabalho Acadêmico Individual
TAG - Trabalho Acadêmico de Grupo
b) Trabalhos Acadêmicos
A - Aula expositiva
Apt - Aula prática
C - Conferência
IAC - Instrução assistida pelo computador
Db - Debate
DDr - Discussão dirigida
Dem - Demonstração e execução
DP - Discussão de problema
Edt - Entrevista didática
Exc - Exercício
F - Filme
IP - Instrução programada
Pa - Painel
Se - Seminário
TV - Televisão
VT - Vídeo tape
c) Domínios dos Objetivos de Ensino
· Cognitivo
F - Conhecimento ou Familiarização
C - Compreensão
A - Aplicação
AN - Análise
SIN - Síntese
AV - Avaliação
· Afetivo
AC - Acolhimento
RE - Resposta
VA - Valorização
OG - Organização
CA - Caracterização
· Psicomotor
PEM - Percepção
PRM - Preparação
RO - Resposta orientada
RM - Resposta Mecânica
RAC - Resposta Aberta Complexa