Os IGNORANTES, que acham saber tudo, privam -se de um dos maiores prazeres da vida: APRENDER.

Os efeitos da explosão de informações

 

Prof. Gilberto Teixeira
 
Durante centenas de anos, a produção de informação aumentou por pequenos acréscimos. Até que, na década de 50, o advento da tecnologia tornou possível a difusão quase instantânea da informação. Isso, o aumentou do número de pessoas envolvidas em produção e processamento de dados e o baixo custo da coleta fizeram disparar a velocidade de produção da informação. Atualmente, a quantidade de informação disponível dobra a cada cinco anos; em breve, estará duplicando a cada quatro anos...
Com novas informações, surgem novas exigências que desafiam nossas capacidades. Precisamos aprender novos conceitos e vocabulários. O número de livros nas principais bibliotecas duplica a cada quatorze anos, dando um novo peso à expressão “manter-se atualizado.”
Para sobreviver no ambiente acadêmico e até para atuar na sociedade em geral, somos forçados a assimilar um corpo de conhecimentos que se amplia a cada minuto.
A informação transformou-se na força motriz de nossa vida e a terrível ameaça dessa explosão de informações cada vez mais intensa a exigir compreensão leva muitas pessoas a sentir o que já se convencionou como “ansiedade de informação”
A “ansiedade de informação” é às vezes confundida com a tecnofobia que é o medo de usar ou ter que aprender o uso de equipamentos ou aparelhos com novas tecnologias.
Ansiedade de informação é o resultado da distância cada vez maior entre o que compreendemos e o que achamos que deveríamos compreender. É o buraco negro que existe entre dados e conhecimento, e ocorre quando a informação não nos diz o que queremos ou precisamos saber.
Nossa relação com a informação não é a única fonte de ansiedade de informação. Também ficamos ansiosos pelo fato de o acesso à informação ser geralmente controlado por outras pessoas. Dependemos daqueles que esquematizam a informação, dos editores e produtores de noticiários que decidem quais notícias iremos receber, dos que tomam decisões nos setores público e privado e podem restringir o fluxo da informação. Também sofremos de ansiedade causada pelo que deveríamos saber para atender às expectativas das outras pessoas a nosso respeito, sejam elas o presidente da empresa, os colegas ou até nossos professores.
 
Quase todo mundo apresenta algum grau de ansiedade de informação. Lemos sem compreender, vemos sem perceber, ouvimos sem escutar. Ela pode ser vivida como momentos de frustação diante de um manual que se recusa a revelar o segredo de como operar um videocassete ou diante de um mapa que não tem nada a ver com a realidade. Pode ocorrer em um coquetel, quando alguém menciona um nome, aparentemente famoso, e a única pessoa que você conhece com tal nome é o seu dentista. Pode manifestar-se também como uma mal-estar crônico, um medo generalizado de estarmos prestes a ser esmagados pelo próprio material que necessitamos dominar para agir neste mundo.
 
 
 
 
1       - Os sintomas reveladores da síndrome  ansiedade de informações.
Se a caixinha de “Entrada” de seu escritório lança sobre sua mesa uma sombra como a do monte. EVEREST  e se à simples menção da palavra “informação”você se arrepia de pavor, é  provável que esteja sofrendo de ansiedade de informação.Mas, se não tem certeza, os comportamentos a seguir são indicativos de que lidar com informações talvez seja um problema em sua vida.
” Falar compulsivamente que não consegue se manter atualizado com o que ocorre a seu redor.
” Sentir-se culpado com aquela pilha cada vez mais alta de periódicos à espera de leitura.
” Balançar a cabeça compenetradamente quando alguém menciona um livro, um artista ou uma notícia de que você, na verdade, nunca tinha ouvido falar.
” Descobrir que é incapaz de explicar algo que pensava Ter entendido e que considera como sua obrigação saber.
” Comprar aparelhos eletrônicos de alta tecnologia, achando que pode aprender a tecnologia por osmose e descobrir que não consegue aprender.
’ Ao preencher um formulário, sentir-se compelido a ocupar todos os espaços em branco.
’ Reagir emocionalmente à informação que você de fato não compreende.
’ Achar que a pessoa ao seu lado está entendendo tudo e você não.
’ Ficar muito receoso ou encabulado de dizer “Não sei”.
Somos como o sujeito que tem sede, mas foi condenada a usar um dedal para tirar água de um hidrante. O próprio volume disponível de informação e a forma como freqüentemente nos é transmitida tornam grande parte dela inútil para nós.
2 - O poder da informação.
Estamos cada vez mais preocupados com a nossa aparente incapacidade de tratar, entender, manipular ou compreender a epidemia de dados que começa a tomar conta da nossa vida. Antigamente, durante a era industrial, o mundo era governado pelos recursos naturais; hoje, é governado pela informação — e, enquanto os recursos são finitos, a informação parece ser infinita.
Informação é poder, uma moeda internacional com a qual se fazem e se perdem fortunas. E estamos num frenesi para adquiri-la, acreditando piamente que mais informações significa mais poder.
Mas é exatamente o contrário que está ocorrendo. O exagero começou a nublar as diferenças marcantes entre dados e informações, entre fatos e conhecimento. Nossos canais de percepção estão entrando em curto-circuito. Possuímos uma capacidade limitada de transmitir e processar imagens, o que significa que nossa percepção do mundo é inevitavelmente distorcida por ser seletiva; não podemos notar tudo. E quanto mais imagens tivermos de  nos defrontar, tanto mais distorcida será nossa visão de mundo.
 
 
Tome o exemplo do noticiário.Todos os dias os meios de comunicação procuram nos fornecer maior quantidade de notícias a uma velocidade mais rápida. Somos assediados com relatos do mundo em quantidades impossíveis de processar. E, à medida que nos desdobramos para nos manter em dia com a corrida noticiosa, ficamos mais vulneráveis aos erros de percepção.Existe um jogo infantil em que a pessoa tem alguns segundos para olhar uma bandeja cheia de objetos, que devem ser enumerados depois. Quem já participou desse jogo sabe que quanto menos tempo for dado ou quanto maior o número de objetos, mais probabilidade há de se verem objetos que não constavam e de se esquecerem outros que estavam presentes.
 
A quantidade de notícias que precisamos absorver todos os dias dificulta nossa capacidade de percepção de forma análoga. Aumenta a probabilidade de ocorrerem erros de percepção. E também quanto mais tempo usarmos com relatos de eventos separados, menos tempo teremos para compreender os “porquês” e “para quês” por trás dos fatos, para observar os padrões e as relações entre eles e compreender o presente no contexto da história. Em vez disso, somos tranquilizados por uma torrente de fatos superficiais, ficamos entorpecidos, passivos e pouco receptivos devido a um empanturramento de dados que não conseguimos transformar em informação de valor por não dispormos do tempo e dos recursos necessários.