(Prof. Gilberto Teixeira)
O aprimoramento do pesquisador no desempenho de tarefas como a de o que conhecer para pesquisar, como conhecer, por que conhecer; a utilidade da pesquisa para um público e área-alvo ou pretendido e como difundir as informações básicas para um novo conhecimento (solução do problema) de forma sistematizada e que possibilite a rápida integração a outras de informações, são fatores da garantia de sobrevivência de qualquer instituição de pesquisa. ou Programa de Pós Graduação
O auxílio que pretendemos fornecer, surgiu da necessidade dos profissionais que se iniciam na pesquisa, e é consistente com a ênfase que se vem dando ao planejamento estratégico e à gestão integrada da pesquisa, buscando a qualidade total de processos e produtos.
Existem diferenças entre os resultados publicados e os processos que levam a esses resultados; sendo que algumas decisões importantes tomadas durante uma pesquisa e que podem afetar os resultados de difusão e adoção de tecnologias não são publicadas ao final do processo. Portanto, a habilidade para resolver dificuldades rotineiras durante a pesquisa devem ter alguma referência. Em geral, essa referência não é encontrada, de forma integrada, em manuais e livros texto. Um dos objetivos desta série de tutoriais é ajudar ao pesquisador júnior a desenvolver essa habilidade.
Pretende-se também incentivar às motivações para a pesquisa. Tais motivações se destinam, no longo prazo, a procurar respostas eficientes e eficazes a novos problemas..
A curto prazo, essas motivações à pesquisa relacionam-se com o aprimoramento do processo de divulgação das informações geradas na investigação, entre outros aspectos. Parte desse aprimoramento está na facilidade com que editores e sistemas de informações possam tratar com o documento elaborado pelo pesquisador de forma criteriosa e sistemática.
A qualidade da informação e a adequação do tratamento baseado no conhecimento da realidade, na metodologia de pesquisa e na informação científica aplicada à pesquisa para gerar a solução, entre outros aspectos, relacionam-se, também , com essas motivações. É importante frisar que os diversos problemas que surgem no processo de investigação, alguns com efeitos de fracasso, frustração e dúvidas que podem variar de caso a caso, não devem desencorajar o pesquisado júnior. Essas experiências definem a única “fórmula” de pesquisa.
Como corolário, as motivações para pesquisa serão maiores se o pesquisador for eficiente e eficaz na divulgação dos resultados da investigação, incorporando-os às redes como a internet.
É também um objetivo da série de tutoriais auxiliar os pesquisadores na solução de um dos problemas enfrentados na edição de trabalhos técnicos e científicos: a falta, pouca ou inadequada normalização e sistematização dessa apresentação, que poderá comprometer a qualidade da pesquisa, dificultando a comunicação, tratamento (catalogação, indexação etc.) e recuperação da informação no fluxo de complexos e interoperativos sistemas de dados e informações.
A pesquisa técnica e científica constitui o caminho para que se possa caracterizar e conhecer as realizações do passado e interpretar o presente (ciência positiva para o diagnóstico de cenários), bem como meio para se transformar e projetar ou antecipar ações e estratégias do presente para o futuro (ciência normativa para a formulação de cenários prospectivos no planejamento estratégico).
Dessa forma, pode-se entender que a pesquisa constitui algo mais que o levantamento e descrição de características e comportamentos de agentes e processos (com o problema) em determinados cenários, ao procurar descer ao entendimento de fatos e de circunstâncias características desses ambientes e dos produtos e processos objeto de pesquisa.
Todas as ações da pesquisa, integradas e orientadas (um processo dinâmico) para um objetivo bem claro, específico e útil à sociedade, definem a construção do conhecimento original, de acordo com certas exigências científicas.
O processo de pesquisa constitui o estudo aprofundado de determinado problema exeqüível de solução pela pesquisa e relevante para a sociedade ou para certa clientela-alvo expressiva da mesma, ou ainda para um setor importante.
O problema de/para pesquisa deve ser caracterizado de maneira clara, objetiva e definida ou específica em sua natureza, bem como nas inter-relações de seus elementos componentes com outros fenômenos e o entorno, com a utilização de apropriadas técnicas e métodos científicos.
Nesta conceituação do problema de pesquisa, os métodos científicos e as técnicas são representados por um conjunto de procedimentos ordenados (estruturados) e passíveis de comprovação que permitem inferências e conclusões de interesse para o sujeito da pesquisa.
Em termos gerais, a metodologia de pesquisa requer que certas condições básicas sejam satisfeitas. Essa satisfação às condições do objeto de pesquisa define, em parte, o problema que motivou a elaboração desta série de tutoriais: técnicas, métodos e modelos de coleta, síntese e análise de dados foram elaborados com base em determinadas pressuposições que, por vezes, não se aplicam às condições do problema de pesquisa.
Na parte formal e conceitual de definição metodológica de pesquisa, o pesquisador poderá ser orientado por critérios e condições apresentadas, de maneira sintética, a seguir.
a) A primeira condição que deve ser satisfeita é quanto à clareza, adequada e definida caracterização do problema e/ou do(s) objeto(s) da pesquisa, além do domínio dos conceitos básicos da teoria e ciência (atuação disciplinar), sobre os quais o pesquisador fundamenta sua atividade de investigação. Esta condição se estende à apropriada aplicação e adequação de conceitos teóricos e científicos convenientes para cada conjunto de situações ou cenário da pesquisa.
Com relação a esta primeira condição, o documento visa orientar o pesquisador e alertá-lo sobre as pressuposições teóricas que fundamentam métodos, modelos e técnicas de síntese, análise e inferências baseadas nos dados, além de muni-lo de informações relevantes e atualizadas para apresentação normalizada e sistematizada dos resultados da pesquisa.
b) A segunda condição a ser satisfeita diz respeito à capacidade de se caracterizar e diferenciar os sistemas nos quais se estabelecem regras e princípios que condicionam o objeto de pesquisa.
c) A terceira condição diz respeito à definição da metodologia, materiais, técnicas, métodos e modelos de coleta, síntese, tratamento e análise de dados.
Dessas análises obtém-se as inferências com interpretações que devem ser traduzidas na forma normalizada e sistematizada de divulgação dos resultados, para que se possam atingir os objetivos propostos pela pesquisa. Esta condição, por sua vez, requer precondições a serem estabelecidas mediante respostas orientadoras do trabalho, obtidas com base em questionamentos como os propostos a seguir.
O que pesquisar ? com percepção clara, objetiva e realista do cenário onde se encontra o que se pretende conhecer e que motiva o objeto de estudo, é essencial para se estabelecer, de forma explícita e direta: hipóteses, objetivos, metas, metodologia, estratégias, equipes interdisciplinares de trabalho necessárias para a pesquisa, estimativa de orçamento, produtos esperados e possíveis benefícios e beneficiários dos resultados da pesquisa, entre outros elementos da mudança pretendida com a investigação.
A resposta a essa questão é fundada em critérios para determinar a importância relativa do cliente (setor produtivo alvo e setores relacionados a ele) e a importância da solução que se espera com a pesquisa. Entre tais critérios relacionam-se:
A relevância econômica e social do cliente ou segmento produtivo alvo, em termos de: número relativo de demandantes atuais e potenciais de adoção da solução tecnológica esperada do problema com a pesquisa, abrangência geográfica desse segmento e participação relativa do segmento em termos de geração de renda, criação de emprego e capacidade de abastecimento de produtos e serviços, atual e potencial, do mercado.
As perspectivas (ou possibilidades) de adoção, por parte do cliente-alvo, dos produtos, informações e serviços gerados pela pesquisa, levando em conta os níveis de educação, renda, organização desse cliente-alvo, acesso aos meios de comunicação, o custo e probabilidade de sucesso na geração da solução tecnológica e na difusão/adoção da mesma, entre outros fatores.
A capacidade de financiamento do segmento produtivo alvo em relação a recursos privados e a recursos públicos, bem como a capacidade para integrar ações conjuntas entre os setores público e privado na forma de parcerias e outras.
Por que pesquisar, para quem pesquisar e para que pesquisar ? que definem a razão geral e específica do interesse da pesquisa, subjacente à motivação da mesma. As respostas a essas questões se encontram estreitamente interrelacionados com o que conhecer ou com o que pesquisar.
A utilidade ou aplicação dos resultados da pesquisa depende da identificação e caracterização sistemática da cliente-alvo e, em seguida, da identificação e caracterização de suas necessidades, atuais e potenciais, por mudanças tecnológicas.
Tais necessidades deverão ser especificadas em termos de quantidade, qualidade, diversidade e oportunidade espacial e temporal, à luz das possibilidades, potencialidades e restrições do meio ambiente natural e dos sistemas sócioeconômicos de cada região e cliente-alvo.
Daí a razão da mudança tecnológica constituir um critério, o que não exclui a possibilidade de adequação ou adaptação de um dado padrão tecnológico às condições de determinada região ou cliente-alvo.
Como pesquisar ? mediante o emprego de possíveis e apropriadas/adequadas técnicas, métodos e modelos de investigação, às condições do problema de cada região, constituindo-se em um grande desafio para o pesquisador, principalmente o pesquisador júnior. Certamente, poderão existir várias maneiras de investigar em função de diversos fatores, tais como:
O conhecimento teórico prévio dos diferentes tipos de abordagens aplicáveis ou adequáveis a cada caso de estudo.
O conhecimento empírico e a experiência obtidos mediante dados e informações das diversas situações e cenários, contendo evidências do problema que se pretende resolver. Tais evidências deverão contemplar as potencialidades e restrições ou limitações do meio ambiente natural e sócioeconômico, entre outras.
O desenvolvimento teórico que admite a validade de determinadas relações dos elementos componentes do problema, sustentando na experiência do pesquisador e no auxílio adequado e oportuno dos orientadores e do líder da equipe multidisciplinar.
As hipóteses e prospeções elaboradas pelo pesquisador quanto aos clientes da pesquisa e seus respectivos cenários no momento esperado de adoção dos resultados.
As alternativas de cenários elaborados pelo pesquisador que contêm as tendências e as diversas fases da dinâmica de evolução do setor ou da população com o problema motivo de pesquisa e dos beneficiários da pesquisa.
A extensão e a intensidade de adoção esperada das possíveis alternativas de solução tecnológica obtidas das análises ex antes, da economia dos viesses tecnológicos e da análise dos setores que poderão ser marginalizados, por um lado, ou mais intensamente beneficiados pela tecnologia de cada alternativa, pelo outro lado.
As externalidades esperadas das possíveis alternativas de pesquisa e das correspondentes soluções tecnológicas do problema, enfatizando os prováveis (ou pelo menos possíveis) impactos, estimados das análises ex antes , sobre o meio ambiente e sobre outros setores.
Quando pesquisar e onde pesquisar ? com direta relação com os aspectos dos questionamentos indicados.
Como realizar a transferência de conhecimento ? em função da natureza dos produtos, informações e serviços tecnológicos, das condições de situações e cenários e das características do cliente-alvo da pesquisa.
Os resultados da pesquisa (informações, produtos e serviços tecnológicos) são bens econômicos (vistos como inputs de processos produtivos e de outros bens e serviços) que poderão ter várias dimensões como a técnica, especificando produtos e processos, a científica, pela compreensão dos fenômenos naturais, sociais e econômicos, e a organizacional, relacionado com o aspectos do planejamento e gestão do processo de pesquisa.
Nesse processo, há considerações de normalização na forma e no conteúdo circunstancialmente enfatizadas nesta série de tutoriais.
Parte do tratamento das questões relevantes da pesquisa se faz tomando como referência a elaboração e apresentação de uma monografia, conforme conceituação e critérios apresentados a seguir.
A monografia é uma descrição exaustiva e analítica de determinada matéria, abordando, neste caso, aspectos técnicos e científicos, históricos, culturais, sociais e econômicas relacionados com um problema.
Com base no princípio de que qualquer caso relevante, que se estude com certo nível de detalhamento, pode ser considerado representativo de outros casos, define-se o método monográfico. Este consiste no estudo de determinadas observações, amostrais ou não, de indivíduos, grupos, comunidades, instituições, condições e estados, com a finalidade de obter generalizações.
O termo monografia não deve ser usado apenas para designar um tipo especial de trabalho científico. Deve ser considerado um trabalho científico que reduz sua abordagem a um único assunto, a um único problema, com um tratamento bem específico definido de forma conveniente.
Nesse sentido, os trabalhos científicos serão monográficos à medida que satisfazem às exigências de especificidade, unicidade e delimitação.
Esta parte introdutória finaliza com a apresentação de conceitos relevantes e pertinentes, alguns em torno de termos citados, diretamente relacionados com o objeto da pesquisa.
A identificação dos elementos essenciais de um fenômeno definem o conhecimento científico do mesmo. Desse modo, a ciência pode ser caracterizada como uma forma de conhecimento objetivo (factual), racional (analítico), reflexivo, sistemático, acumulativo, geral, falível e capaz de ser submetido à verificação, sustentando numa lógica igualmente racional, com características explicativas, preditivas e úteis. O desdobramento conceitual desses elementos é:
a) O conhecimento científico é objetivo e empírico porque descreve a realidade independentemente de possível obstinação, crença, preferência, desejo, valor subjetivo e ainda inconsistência de lógica, atendo-se apenas às ocorrências de fatos ou às diversas formas de suas manifestações, tal como se produz ou se mostra de algum modo, de acordo com determinado quadro conceitual de referência.
A despeito da dificuldade em se obter um conhecimento objetivo, a ciência dispõe de procedimentos na minimização dos efeitos da subjetividade, que o pesquisador deverá internalizar para aplicar de forma criteriosa.
b) O conhecimento científico é analítico (merológico) porque procura compreender uma situação global a partir de seus componentes. A tarefa do pesquisador é descobrir quais são os elementos mais importantes que constituem a totalidade, bem como especificar as interconexões das partes que explicam a sua integridade e, por vezes, seu sinergismo, em um todo único (holismo).
Esta dissociação e remontagem, é dada pela decomposição do fenômeno em seus elementos e pelo remontar das conseqüências aos princípios, dos produtos aos produtores, dos efeitos às causas [ou ainda por simples correlações, complementares em hipótese de estudo], e permitem ao pesquisador, integrado numa equipe interdisciplinar e dentro da abordagem merológico-holística, que a tarefa de análise do problema se oriente para a descoberta de como se constituem, transformam e aparecem determinadas situações e estados que configuram os cenários da pesquisa e o próprio problema de investigação.
c) O conhecimento científico é racional porque se vale sobretudo da razão e da lógica, com certa dose de insight, e não de sensações, palpites, “achismos” ou apenas impressões do pesquisador, para alcançar seus resultados.
d) O conhecimento científico é sistêmico porque contém sistemas de idéias organizadas racionalmente, tais como:
Sistemas de referências ou modelos fundamentais de definição, construídos sobre a base de conceitos organizados e completos, seguindo uma diretriz lógica.
Sistemas de teorias e hipóteses consistentes, para orientar a pesquisa.
Sistemas de fontes de dados e informação suficientes que explicam ou definem as propriedades relacionais dos elementos do fenômeno em estudo.
A ciência não é um amontoado de informações esparsas, mas um conjunto de sistemas de idéias logicamente conectadas ou interdependentes. É mediante esses sistemas ou paradigmas que os fatos são captados visando a objetivos definidos.
e) O conhecimento científico é acumulativo no sentido de novos conhecimentos e experiências se juntarem seletivamente aos conhecimentos e às experiências anteriores, ora para substituí-los à medida que tais conhecimentos se tornarem disfuncionais, anacrônicos ou obsoletos e não aplicáveis, ora para se juntarem aos conhecimentos e às experiências anteriores, dando como resultados novas situações ou condições à realidade.
Em função dessas características, as ciências tendem a multiplicar-se, surgindo, então, a necessidade de classificá-las.
f) O conhecimento científico é falível porque, à medida que a ciência progride, novos horizontes se ampliam e se transformam, de tal forma que teorias e conhecimentos tidos como aceitáveis no passado ou no presente poderão não serem admitidos no presente ou no futuro.
Isto faz com que o conhecimento científico não seja definitivo, absoluto ou final, reconhecendo-se, portanto, a possibilidade de errar.
g) O conhecimento científico é verificável porque sempre possibilita demonstrar a veracidade da informação.
A verificação consiste em testar a consistência de uma afirmação, de uma hipótese, de uma teoria ou de um dado de ser empiricamente provável.
A ciência parte de hipóteses; entretanto, é necessário que estas sejam testadas e comprovadas com vistas na construção de novas teorias e leis científicas.
h) O conhecimento científico é explicativo, descritivo e preditivo, conforme seja o caso, agindo nos diferentes tipos de explicação (dedutiva, nomológica, probabilística, genérica etc.), na descrição dos fenômenos ou no plano do provável, do previsível, com a função de prognosticar quando o fato tenha sido analisado dentro da indução probabilística.
i) O conhecimento científico é útil porque responde a uma perspectiva pragmática da ciência. Como procedimento renovado, visa responder a questões úteis, relevantes e pertinentes, solucionar problemas igualmente relevantes e prioritárias e, de modo mais efetivo, desenvolver os procedimentos de responder questões e solucionar problemas, o que é alcançado pela pesquisa.
Quando o pesquisador decide realizar determinada investigação, tem um horizonte quanto à utilidade de seu trabalho, quer supondo a possibilidade de influenciar na formulação de políticas alternativas, quer demonstrando a racionalidade econômica e os efeitos de decisões passadas ou de propostas no presente.
No entanto, ocorre, com relativa freqüência, que as idéias ou considerações técnicas e científicas, geradas pela pesquisa e viabilizadas por outros condicionantes e, por conseqüência, idéias exeqüíveis e oportunas, se perdem no contexto de decisões tomadas em ambientes dominados pela inércia ou pela diferença, em que considerações outras poderão predominar e projetar-se, mesmo que sejam de caráter não científicas ou, contrariando certa lógica na tomada de decisão, frustrando o pesquisador.
Contudo, tais contingências não deveriam traduzir-se num desestímulo do pesquisador para a investigação, se for considerado que a ciência que ele alimenta, é caracterizada por posições de vanguarda, por proposições inovadoras, nem sempre encontrando condições favoráveis às novas idéias, e como elemento vital que provoca as transformações.
Destarte, para o lançamento de novas idéias, requer-se iniciativa, constância e firmeza que, aliadas às formas claras e concisas dentro de estilos normalizados, possibilitem a difusão das idéias inovadoras geradas na pesquisa e sistematizadas na ciência.
Muitas idéias de inegável valor se perdem por não serem apresentadas de maneira convincente e oportuna às pessoas capazes de avaliá-las e pôs-la em prática. Para alcançar os propósitos de avaliação e adoção, a forma clara, concisa e normalizada/sistematizada na apresentação das novas idéias constitui-se em importante instrumento do pesquisador.