Organizando-se para o Mestrado: um "Guia" de Técnicas de Organização para Coleta de Dados, Leitura e Escrita Baseadas na Experiência Pessoal e Característica da Pesquisa Qualitativa
Sílvia Assumpção do Amaral Tomanari –( ECA-USP)
Introdução
Este estudo tem como objetivo auxiliar ingressantes de mestrado na organização, coleta de dados (baseada em pesquisa bibliográfica) e escrita de textos científicos como artigos, papers e a própria dissertação de mestrado, através de experiência pessoal e técnicas baseadas em características da pesquisa qualitativa (como Fenomenologia e Grounded Theory - Teoria Fundada).
As "técnicas" propostas visam a organização do autor. Não têm pretensão de esgotar o assunto e nem serem tomadas como as melhores (afinal, o que pode ser útil para um, pode não o ser para outro). Cabem aqui meras sugestões que podem - e devem - ser adaptadas ao tipo de trabalho escolhido e até mesmo às características do próprio escritor.
Evidentemente, um artigo (ou texto, ou dissertação) pode não se basear somente na pesquisa bibliográfica; geralmente ele é acompanhado de outros meios de coleta de dados como entrevistas, observações, experimentos. Este texto tem como objetivo focar tão somente a pesquisa bibliográfica (mas lembre-se que as "técnicas" sugeridas aqui podem ser, também, adaptadas a outros tipos de coleta de dados - principalmente a pesquisa qualitativa, de onde foi tirada a base para esta "metodologia de leitura e escrita").
A idéia de escrever este texto veio, justamente, da sala de aula do curso de pós-graduação. Os ingressantes no mestrado (e eu me incluo neste grupo) não tinham noções básicas sobre o processo todo que envolve a pesquisa e sua dissertação. Eu, por exemplo, achava que fazer fichamentos dos textos lidos era realizar um resumo dos mesmos; percebi que não era bem assim. Outros nem resumo faziam; liam os textos e esperavam que no final, quando fossem escrever a dissertação, lembrariam de tudo. Ingenuidade a nossa. Veremos, no decorrer do texto, o porquê.
O propósito deste estudo, além de dicas baseadas em experiência pessoal, é mostrar como algumas características da pesquisa qualitativa podem ajudar no processo de coleta de dados e escrita de um artigo, dissertação, ou texto científico. A fim de deixar o tema mais didático proponho a divisão do assunto em seis etapas:
- Definição do tema
- Pesquisa bibliográfica e seleção dos textos
- Organização dos textos para leitura
- Leitura
- Fichamentos
- Escrita
ETAPAS
1) DEFINIÇÃO DO TEMA
É óbvio que a primeira coisa que se tem que fazer, ao iniciar uma pesquisa é a definição do tema e objetivo da mesma. A partir dessas premissas básicas inicia-se a pesquisa bibliográfica a fim de coletar o maior número de informações pertinentes ao assunto selecionado.
Uma definição clara do tema e, conseqüentemente o objetivo da pesquisa, é fator fundamental para a realização de uma pesquisa bibliográfica eficiente (que não desperdice o tempo do pesquisador e que contenha o número "ideal" de textos específicos sobre o assunto desejado).
Mas como a intenção aqui não é discorrer sobre definição do tema, fica apenas um lembrete.
2) PESQUISA BIBLIOGRÁFICA e seleção dos textos
Segundo Saint-Georges (1997), a pesquisa documental é aquela que recorre essencialmente a documentos escritos (livros, artigos de revista, relatórios de investigação etc.). Os locais privilegiados para sua consecução são as bibliotecas, os centros de documentação ou os centros de investigação. Embora a pesquisa documental possa recorrer, também, a documentos não escritos, a pesquisa bibliográfica é uma de suas técnicas particulares e limita-se exclusivamente às fontes escritas. "Fala-se de pesquisa bibliográfica quando se trata de descobrir textos (livros, artigos, documentos) sem omitir uma referência essencial, mas sem se deixar submergir pelo que não tem interesse." (Saint-Georges, 1997: 32)
Saint-Georges propõe duas maneiras de realizar uma pesquisa bibliográfica:
- Maneira Prática:
Consultar primeiro um ou mais especialistas e questioná-los sobre as tendências recentes da investigação (estabelecer uma boa lista de pessoas a contactar - professores, colegas, profissionais da área).
As primeiras obras consultadas remeterão para outras formando uma "bola de neve". É aconselhável dar preferência a autores e títulos mais freqüentemente citados e nas obras mais recentes. Para separar o importante do acessório pode-se interrogar os especialistas novamente (que, no mínimo, poderão afastar de imediato o que se situa fora do assunto da investigação).
- Maneira Exaustiva:
Efetuar um trabalho de análise aprofundada do problema formulado, o que permitirá formar uma idéia mais precisa dos domínios que o problema aflora e descobrir um certo número de temas que decompõem o assunto central e que irão orientar as primeiras diligências. O uso de dicionários e enciclopédias permite a estimulação da reflexão nesta fase, como ter em conta vários aspectos em que não tínhamos pensado inicialmente e eliminar as pistas inúteis.
Em seguida, nos dirigimos a várias bibliotecas científicas ou centros de documentação especializados para consultarmos seus catálogos. Realizamos uma primeira seleção centrando nossa atenção nos autores simultaneamente mais citados e mais recentes. Esta lógica exaustiva conduz a pensar que será necessário conhecer e ler tudo sobre a questão em estudo. Remete para o modelo de referência do cientista e do erudito.
Estas são apenas duas formas de se realizar pesquisa bibliográfica, e, a meu ver, parecem suficientes. Atualmente, entretanto, temos o privilégio de poder utilizar a Internet como uma outra fonte de pesquisa para nossos estudos. Acredito que a Internet seja uma fonte preciosa de dados, mas em poucos casos fornece acesso ao texto integral; normalmente o que se obtem são textos sem cunho científico, referências bibliográficas (que, muitas vezes, é bem útil), abstracts e dados sobre o autor. Há, também, sites (geralmente pagos) que fornecem os textos na íntegra, como é o caso do PROQUEST (com milhares de artigos relacionados a marketing, administração, comunicação e economia). Este recurso está, muitas vezes, disponível em algumas bibliotecas. A biblioteca da FEA, por exemplo, possui um computador para pesquisa e impressão de artigos do PROQUEST, onde a pesquisa é gratuita, mas a impressão dos artigos é um serviço pago à parte.
O uso do PROQUEST me forneceu acesso a textos que não encontrei em nenhuma biblioteca nacional (seria preciso uma visita ao estrangeiro para conseguir tais textos). A compra de livros estrangeiros por computador também facilita o processo. Ainda é mais barato, e rápido, pedir um livro via sites como AMAZON (que oferece a possibilidade de envio rápido) do que encomendá-los em livrarias - o que pode levar meses. Hoje em dia até livros fora de impressão são comprados em sebos cibernéticos. Temos que concordar, portanto, que o computador e a Internet são instrumentos de muito valor na coleta de dados.
Pela minha experiência, que, sinceramente, não é muita, percebi que as referências bibliográficas dos artigos ainda é a melhor fonte bibliográfica sobre textos relacionados ao assunto escolhido. É, entretanto, quase impossível localizar todos os textos dessas referências, principalmente textos estrangeiros. O "efeito bola-de-neve" é realmente assustador. Com apenas uma dúzia de artigos a sua bibliografia "ideal" poderia chegar a centenas de textos! É a hora de peneirar tudo com a ajuda do orientador, profissional da área ou seu próprio bom senso (caso esteja estudando um assunto pouco conhecido no seu país, onde não haja profissionais que possam ajudar nesta etapa).
Uma boa dica para quem está nesta última situação é ler os abstracts dos artigos ou dar uma "passadinha de olho" por todo o texto a fim de detectar conceitos de interesse. Checar a bibliografia utilizada no artigo também é uma boa dica para ver se o mesmo trata dos assuntos que você procura (se nas referências bibliográficas não aparecer nenhum texto com título referente ao seu objeto de estudo, é muito provável que o texto não acrescente nada de útil para sua investigação). Estas dicas parecem óbvias, mas muitas vezes nos esquecemos desses detalhes tão simples e acabamos por perder horas e horas do nosso precioso tempo.
Outra dica é descobrir os endereços eletrônicos (via Internet) dos principais estudiosos do assunto no mundo todo e escrever uma mensagem gentil pedindo qualquer tipo de orientação como dicas de sites, de livros, de bibliografias, conferências, seminários e até empresas que trabalhem na área. Dependendo da forma como você escrever a mensagem, o retorno pode ser muito agradável (desde emails com dados attached, até dicas de congressos e materiais enviados por correio para sua casa! ). Esses primeiros contatos também podem ser de grande importância caso você pretenda fazer um doutorado no exterior; mas lembre-se: essas pessoas são MUITO ocupadas, tente resumir suas mensagens ao máximo, dê um breve histórico seu, ponha-se à disposição para troca de informações e sempre, sempre, sempre agradeça os retornos obtidos. Caso não haja retorno, não insista e anote em algum lugar para que você não torne a procurar a mesma pessoa novamente. Peça ajuda para, no máximo, uns 5 profissionais da área (pois, geralmente, os estudiosos de um mesmo assunto mantêm contato entre si e você, certamente, não gostaria de ficar conhecido como o "chato que manda mensagens para todo mundo".)
Uma outra observação a fazer é que os textos nem sempre falam somente do assunto que queremos estudar; é necessário, portanto, separar os assuntos pertinentes ao estudo (até mesmo realizando uma leitura específica para encontrar esses assuntos dentro de um determinado texto) e os assuntos que podem vir a interessar em estudos futuros (ex: doutorado). Portanto, nunca descarte um texto que não parece ser útil no momento. Anote, em algum arquivo, a bibliografia do texto, onde encontrou e do que se trata. Este procedimento pode ser de grande utilidade, tanto no presente como no futuro. No presente porque, muitas vezes, lemos uma referência bibliográfica que remete a um texto supostamente interessante e vamos procurá-lo na biblioteca, por exemplo; o que não lembramos é que, as vezes, já fomos atrás desse mesmo texto e vimos que ele não tinha utilidade no momento. Por esta razão, é sempre bom anotar os textos que já foram procurados e não contribuiriam para o estudo no momento. Digo no momento, porque, muitas vezes, este mesmo texto pode ser de grande utilidade no futuro, portanto sempre anote sobre o que tratava; assim, quando precisar saberá que o assunto X estava presente no artigo Y, que se encontra na biblioteca Z.
Cabe aqui mais uma pequena sugestão. Mantenha, pois, um arquivo com o nome "Textos não utilizados" ou coisa semelhante. Nele, coloque as referências bibliográfica s completas e uma pequena observação sobre o teor do texto. Desta forma, quando encontrar uma referência bibliográfica que parece interessante, cheque se já não a procurou antes; procure-a tanto no arquivo "Textos não utilizados" como na "Bibliografia" (veremos no item 3) porque, muitas vezes, você até já adquiriu o mesmo. Vale lembrar: estamos lidando com muito material; se a sua memória for como a minha, no final vai perceber que acabou procurando um mesmo texto (ou vários) duas ou três vezes e acaba por perceber que gastou dinheiro a mais com xerox e tempo demais à toa.
Aproveitando a deixa, abra um arquivo denominado "Bibliografia pendente" ou similar. Neste arquivo você coloca todos os textos e livros que parecem interessantes, mas que você ainda não adquiriu ou consultou. Para facilitar a procura, organize a bibliografia por tipo de fonte (artigo, livro, tese, Internet, outros). Com relação aos artigos, organize pelo nome do periódico em que se encontra. Desta forma, se perde menos tempo indo e voltando das prateleiras da biblioteca. Outra dica é colocar, no final, o local onde já procurou o artigo e não encontrou e onde provavelmente o encontrará. Veja abaixo:
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ARTIGOS
ABN & SOC. PSYCHOL.
VERMON, P. E, ALLPORT, G. W. A test for personal Values. Abn. & Soc. Psychol.v. 26. p. 233. 1931. (não tem no iPROQUEST) deveria ter IP, mas não achei.
ADMAP
· BOWLES, T. Does Classifying people by lifestyle really help the advertisers?. ADMAP. p. 36-40. May 1987. (não tem no iPROQUEST)
· ADVERTISING AGE ISSN 0001-8899
· GRAHAM, Judith. New VALS 2 takes psychological route. Advertising Age. p.24, Feb. 13, 1989. (não procurei, deve ter na ECA) (não tem no iPROQUEST)
· NELSON, Alan R. New Psychographics: Action-Creating Ideas, not Lifeless Statistics. Advertising Age. p. 1, 34. June 28, 1971. (não tem no iPROQUEST)
· ADWEEK [Eastern Ed.] (ISSN: 0199-2864)
· SCHARAGE, Michael. Ways and Memes. Adweek. v. 33, n. 34, p. 24. Aug. 24, 1992. (não tem no iPROQUEST)
LIVROS
TESES
· TOLEDO, Geraldo Luciano. Segmentação de mercado e estratégia de marketing. Tese (Doutorado) - Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade de São Paulo, 1972. FEA t 658.8 t649s
· CUNHA, Vera Lúcia B. M. C. da. Segmentação de mercado e posicionamento estratégico. Tese (Doutorado) - Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade de São Paulo, 1996. FEA t658.8 c 972s
· GRISI, Celso Cláudio. Contribuição ao estudo das técnicas de segmentação de mercado: uma análise de dados sobre apostadores da Loteria Federal. Tese (Doutorado) - Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade de São Paulo, 1986. FEA t658.83 g869c
OUTROS
· VALS 2 : Your Marketing Edge for the 1990s. (Menlo Park, CA: SRI International, Values and Lifestyle [VALS] Program).
· Personal Communication from the VALS Program. Business Intelligence Center, SRI Consulting, Menlo Park, CA, February 1, 1996.
· CROCKER, Stephen. VALS Classification System User’s Manual. Menlo Park, CA: SRI International. 1985.
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A fim de facilitar o trabalho é interessante manter, também, um arquivo onde todos os periódicos de interesse venham seguidos de seu número de registro (ISSN) e bibliotecas que o possuem (e não) com seus respectivos códigos e anos disponíveis. Veja um exemplo abaixo:
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PERIÓDICO
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LOCAL
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CÓDIGO
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ANOS
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Advances in Psychology (Amsterdan Holanda)
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IP
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Adv
p
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80-93
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Advertising Age ISSN: 0001-8899
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ECA
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659.1
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83-2000
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Advertising and Consumer Psychology
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não tem na ECA nem na FEA
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Business Periodical Index
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FEA
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P 016.658
B 979
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61-2000
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European Journal of Marketing ISSN: 0309-0566
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FEA
ECA
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p658.8
E658. 89
658.8
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76-91
81-99
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EUROPEAN JOURNAL OF SOCIAL PSYCHOLOGY (Inglaterra)
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IP
|
EUR
JPS
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80-99
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European Management Journal ISSN: 0263-2373
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não tem FEA / ver ECA e GV
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Journal of Applied Psychology
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IP
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Jou
ApP
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1929, 1933-36, 39, 43, 45-64, 65-93, 94-99
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O ideal é tirar um dia somente para ir às bibliotecas a fim de coletar os dados sobre os periódicos através dos catálogo ou próprio computador (periódicos de interesse, seu ISSN, os exemplares disponíveis - anos e volumes, e seu código da prateleira). Anote as informações e depois passe para o computador. A anotação do ISSN não é a mais importante, ela serve tão somente para facilitar a verificação do periódico em outras bibliotecas ou sites da internet.
3) ORGANIZAÇÃO DOS TEXTOS
Mesmo tendo selecionado os textos mais pertinentes ao assunto a ser investigado, você, provavelmente, acabará por se defrontar com uma ou duas pilhas enormes de textos. E agora? O que fazer?
O primeiro passo é se organizar. O que eu recomendo é que se adquira uma pasta fichário grossa (ou duas, ou três - dependendo do número de textos coletados), plásticos em número correspondente (ou superior) ao número de textos escolhidos, etiquetas para impressão via computador, canetas coloridas, lápis, papel e um computador com impressora. É óbvio que o uso do computador auxilia muito o processo, mas caso não tenha acesso a nenhum, faça na mão ou máquina de escrever (dá muito mais trabalho, mas também funciona). Agora que você tem o material vamos iniciar o processo de organização:
Pegue todos os textos e, no canto superior direito, coloque a data do mesmo em vermelho e, a lápis, coloque o local onde encontrou o mesmo (ex: biblioteca da ECA, página da Internet, etc.). Coloque cada texto em um plástico e coloque na pasta em ordem cronológica (decrescente ou ascendente, não faz diferença). Este procedimento auxilia muito na hora de encontrar um texto específico.
Passe para o computador a bibliografia completa (seguindo as normas da ABNT ou da revista a que se vai enviar o artigo) de todos os artigos ou livros selecionados. O ideal aqui é colocar em ordem alfabética pelo sobrenome dos autores; desta forma a bibliografia do seu texto final já fica praticamente pronta.
A fim de auxiliar no processo de organização uma outra sugestão é fazer a bibliografia seguindo o modelo abaixo. Neste caso você tem, num único arquivo ("Bibliografia"), várias informações sobre o processo da leitura (como local onde há o texto [se quiser pode colocar o código do periódico ao lado], se você já conseguiu obtê-lo [porque há vezes em que você sabe da existência de um texto que pode ser bem interessante, mas ainda não conseguiu obtê-lo], se já leu e quando leu, e se já fez o fichamento do mesmo - coloque o número do fichamento ou o nome do arquivo onde está).
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BIBLIOGRAFIA
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ENCONTRADA
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ADQUIRIDA
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LIDA
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FICHA No
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AAKER, David A., FUSE, Yasuyoshi, REYNOLDS, Fred D.. Is Life-Style Research Limited in its Usefulness to Japanese Advertisers?. Journal of Advertising, v.11, n. 1, p. 31-36, 48, 1982.
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FEA (658.8
45s)
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ok
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ALLPORT, G. W., VERMON, P. E., LINDZEY G. A. A Study of Values. Boston: Houghton-Mifflin, 1960.
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APPEL, David L.. Market Segmentation - A Response to Retail Innovation. Journal of Marketing. v. 34, n. 2, p. 64-67, Apr. 1970.
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FEA
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ok
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27/5/00
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70-1
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ALPERT, Lewis, GATTY, Ronald. Product Positioning by Behavioral Life-styles. Journal of Marketing. v. 33, p.65-69, April 1969.
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FEA
|
ok
|
30/5/00
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69-2
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BAINBRIDGE, Heather. Beyond Demographics. Wireless Review. v. 16, n. 11, p. 61-62. June 1, 1999.
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iPROQUEST
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ok
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BEATTY, Sharon E., HOMER, Pamela, KAHLE, Lynn R.. Problems with VALS in International Marketing Research: An Example from an Application of the Empirical Mirror Technique. Advances in Consumer Research. v. 15. p. 375-380. 1988.
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Internet
www.acrweb.org
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ok
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BEATTY, Sharon E., KAHLE, Lynn R., HOMER, Pamela, MISRSA, Shekhar. Alternative Measurement approachs to Consumer Values - The List of Values and the Rokeach Value Survey. Psychology & Marketing. v. 2. p. 181-200. 1985.
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MIT
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BECKER, Boris W.. Values in Advertising Research: A Methodological Caveat. Journal of Advertising Research. v. 38. n.4, p. 57-60. July/August 1998.
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ECA
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ok
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BELCH, George E., BELCH, Michael A.. Introduction to Advertising and Promotion : An Integrated Marketing Communications Perspective. 3.ed. San Diego State University : Irwin, 1995.
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tenho o livro
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ok
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BOOTE, Alfred S. Psycographics: Mind over Matter. American Demographics. v.2, n.4, p. 26-9, April 1980.
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Usando o sistema de copiar e colar, passe os dados dos textos que você já adquiriu para um outro arquivo e o denomine, por exemplo, como "Bibliografia Adesivos". Imprima-os e os cole em cada plástico respectivo. Desta forma, você terá como saber se algum texto foi retirado do fichário e não retornou ao mesmo e, assim, manter controle sobre o seu material. Como sugestão é interessante colocar o ano em vermelho para facilitar a hora de colocar na pasta (uma vez que estará em ordem cronológica) e colocar o local onde encontrou o texto em azul (para facilitar se, no futuro, for necessário localizar o original do texto - muitas vezes porque o xerox cortou palavras, ou faltam páginas, ou até se você perdeu o mesmo).
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AAKER, David A., FUSE, Yasuyoshi, REYNOLDS, Fred D.. Is Life-Style Research Limited in its Usefulness to Japanese Advertisers?. Journal of Advertising, v.11, n. 1, p. 31-36, 48, 1982. FEA
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DABHOLKAR, Pratibha A.. Review of books, softaware, and videos. The book Beyond Games: The Marketing Power of Psychographics by Rebecca Piirto is reviewed. Journal of the Academy of Marketing Science. v. 21, n. 3, p. 259-260. Summer 1993. FEA
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APPEL, David L.. Market Segmentation - A Response to Retail Innovation. Journal of Marketing. v. 34, n. 2, p. 64-67, Apr. 1970. FEA
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DANAHER, Peter J., RUST, Roland T.. Linking Segmentation Studies. Journal of Adverting Research. v. 32. n. 3, p. 18-33, May/June 1992. FEA
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AGARWAL, Manoj K., MUTHUKUMARAN, N. S., SHARMA, C. K.. A Psychographic Segmentation of the Indian Youth Market. Journal of the Market Research Society. v. 32, n. 2, p. 251-259. Apr. 1990 FEA
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DEMBY, Emanuel H. Psychographics revisited: The Birth of a Technique. Marketing Research. v. 6, n. 2, pg 26-29. Spring 1994 iPROQUEST
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AUKEN, Stuart Van.. General Versus Product-Specific Life Style Segmentations. Journal of Advertising. v. 7, n. 4, p. 31-35, Fall 1978. FEA
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DUBOW, Joel S.. Occasion-based vs. User-based Benefit Segmentation: A case study. Journal of Advertising Research. p. 11-18, March/April 1992. FEA
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BEANE, T. P., ENNIS, D. M.. Market Segmentation: A Review. European Journal of Marketing. v. 21. n. 5, p. 20-42. 1987. FEA
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DUNN, Brian. Reversing a Trend. Advertising Age. v. 64, n. 49, p. SS14-SS15. Nov. 22, 1993. ECA
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BEATTY, Sharon E., KAHLE, Lynn R., HOMER, Pamela, MISRSA, Shekhar. Alternative Measurement approachs to Consumer Values - The List of Values and the Rokeach Value Survey. Psychology & Marketing. v. 2. p. 181-200. 1985. MIT
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EDRIS, Thabet A., MEIDAN, A.. On the Reliability of Psychographic Research: Encouraging Signs for Measurment Accuracy and Methodology in Consumer Research. European Journal of Marketing. v. 24, n. 3, p. 23-41. 1990. FEA
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Obs.: deixe sempre um espaço em branco na etiqueta para poder fazer pequenas anotações a lápis na mesma, como a data de leitura e data e nome do fichamento (como veremos a seguir).
4) LEITURA
Tudo organizado, podemos começar a leitura. Surgem, então, as questões: "Por onde começar? Qual texto devo ler primeiro? Devo seguir uma ordem cronológica? Devo ler todos de um mesmo autor e só então passar para outro?"
As respostas a estas questões são muito pessoais; vai depender do tipo de trabalho que se quer realizar. Se o objetivo do seu texto final for oferecer um histórico sobre tudo que foi escrito a respeito de um assunto, a leitura cronológica (do mais antigo para o mais recente) parece bastante pertinente. Entretanto, se este não for o seu caso, talvez a melhor forma de leitura seria iniciar com textos mais abrangentes, que forneçam dados gerais sobre o assunto e textos de autores já "consagrados". Deixe para o final textos que falem sobre assuntos muito específicos; no início é mais importante assimilar de forma clara os conceitos gerais envolvidos no assunto a ser discutido. Para saber se o texto é geral ou específico leia o resumo ou abstract, pois ele sempre oferece as idéias gerais de um artigo. No caso de livro, pegue o índice e veja o que parece interessar mais, vá ao capítulo e leia a introdução do mesmo.
Eu recomendo tirar uma cópia do artigo, livro ou capítulo a ser lido, desta forma, realizar anotações, na medida que a leitura vai sendo realizada, não danifica o original da obra. Não esqueça de colocar a bibliografia completa na primeira página do texto (xerox).
O ideal seria a realização de pelo menos três leituras do mesmo texto. A primeira seria sem compromisso, somente para entender os conceitos gerais, a segunda, já de lápis na mão, teria o objetivo de assinalar as partes mais importantes, e a terceira para separar o texto de acordo com os assuntos (também conhecidos como: categorias, essências, classificações, classes temáticas, codes , unit meanings ou unidades significativas) que ele abrange. Estas três leituras têm origem nos estágios do método fenomenológico.
Segundo Giorgi (1985), o método fenomenológico é constituído por quatro estágios essenciais:
Leitura da descrição concreta que o sujeito relatou a fim de compreender as idéias gerais de todo o relato (senso do todo).
- Uma vez que as idéias gerais foram compreendidas, o pesquisador lê novamente o relato a fim de discriminar as "unidades significativas" (unit meanings) através de uma perspectiva psicológica focalizada no fenômeno que está sendo pesquisado.
- Depois de delineadas as unidades significativas, o pesquisador tenta encontrar, mais diretamente, os aspectos psicológicos contidos dentro dessas unidades (principalmente as que têm relação com o fenômeno estudado).
- Finalmente, o pesquisador chega a um resultado, transformando todas as unidades significativas em colocações consistentes sobre a experiência do sujeito.
A fim de ilustrar melhor os estágios do método fenomenológico, seguem, abaixo, alguns esclarecimentos:
- Senso do todo - Simples leitura do texto e a habilidade de entender a linguagem do sujeito.
- Discriminação das unidades significativas (unit meanings) - Uma vez que é impossível analisar um texto inteiro simultaneamente, é necessário separá-lo em unidades manejáveis. As unidades significativas são encontradas quando há uma mudança de significado da situação relatada pelo sujeito. É importante notar que as unidades significativas não são encontradas nos relatos como tais. Elas só existem em relação `a atitude e posição do pesquisador; o que é destacado depende da perspectiva do pesquisador.
- Transformação das expressões de linguagem do sujeito para linguagem psicológica com ênfase no fenômeno que está sendo investigado - A intenção do método aqui é de chegar a uma categoria geral partindo das expressões concretas. A transformação de linguagem é necessária porque os sujeitos expressam suas múltiplas realidades de forma enigmática e o pesquisador necessita elucidar profundamente os aspectos psicológicos a fim de entender os acontecimentos.
- Resultado das unidades significativas transformadas em colocações consistentes sobre a estrutura da aprendizagem - O último passo de uma análise é sintetizar, integrar as descobertas das unidades significativas em uma descrição consistente da estrutura psicológica do acontecimento.
A primeira leitura equivale à primeira etapa de Giorgi (1985). Uma leitura a fim de obter a idéia geral do texto. Nesta fase é interessante escrever suas impressões sobre o texto no verso da última folha do mesmo (já é uma forma de adiantar o primeiro tipo de fichamento - como veremos mais adiante).
A segunda leitura estaria entre a primeira e a segunda etapa de Giorgi (opus cit.). Ela tem o intuito de dar ênfase aos aspectos mais importantes do texto. Entretanto, essa leitura ainda não tem a preocupação de encontrar e destacar as categorias (unit meanings).
Grifar ainda parece ser a melhor forma de assinalar as partes importantes de um texto. Por outro lado, o ato de grifar não mede o grau de importância das diferentes afirmações do texto, afinal você pode grifar ou não grifar. O que está grifado é importante e o que não está não é. Certo? Errado! Muitas vezes grifamos o que é muito importante e deixamos de grifar o que é menos importante, outras vezes grifamos o que parece ser um pouco importante e não grifamos o que não parece importante. Pronto; ao deparar com um texto parcialmente grifado ficamos com a dúvida: O que está grifado é muito importante ou um pouco importante? Para sanar essa dúvida eu criei, por instinto, o que chamo de "hierarquia do grifo". Não é nada genial e provavelmente você mesmo já utiliza algo semelhante e da sua forma pessoal, mas vale aqui explorá-la um pouco (já que o objetivo do texto é dar dicas que possam auxiliar o leitor no processo de leitura e escrita de textos).
A "hierarquia do grifo" é muito simples e se resume no quadro abaixo (que dispensa explicações):
Obviamente, o grau de importância percebido no texto dependerá do assunto de interesse do leitor. Se você ler um texto preocupado com um determinado assunto, sua hierarquia do grifo certamente será diferente da hierarquia de outra pessoa (ou até você mesmo, em outra circunstância) que procura no texto assuntos diferentes.
Você provavelmente notará que grifará muita coisa dos primeiros textos lidos. Entretanto, após várias leituras, acaba percebendo que a quantidade de grifos vai diminuindo (isto se deve ao fato de que o assunto estudado já foi explorado da mesma forma em outros textos previamente lidos). Os últimos textos praticamente não contêm muitos grifos importantes, pois acabam não acrescentando muita coisa nova (só reforçam algumas idéias, colocações); é nesta fase que sua pesquisa bibliográfica parece ter esgotado. Segundo Chenitz e Swanson (1986), numa frase sobre grounded theory, mas que serve para esta nossa etapa, "a coleta de dados continua até que as categorias se tornem saturadas, ou seja, nenhum dado novo é adicionado na categoria."
A terceira leitura equivale à segunda etapa proposta por Giorgi. Nesta leitura há uma preocupação em classificar cada afirmação dentro de uma categoria.
A segunda leitura já selecionou, no texto, o que pode ser de interesse para o estudo. Desta forma, esta terceira leitura se resume à leitura das partes grifadas ou assinaladas e a colocação da categoria na frente. A utilização do sinal { ou [ é adotada para determinar o início e o término do texto referente à categoria em questão. Segue abaixo um modelo de caráter ilustrativo:
É na terceira leitura que o leitor compreende melhor o texto porque há a preocupação em dar nome (categorizar) as frases importantes. Desta forma os conceitos de cada afirmação devem ser apreendidos de forma clara a fim de ser possível uma categorização precisa da mesma. Esta etapa pode ser chamada também da etapa de pré-fichamento, pois não deixa de ser um primeiro fichamento dentro do próprio texto.
Provavelmente, na categorização dos primeiros textos, você encontrará certa dificuldade para "dar nome aos bois", as definições das categorias podem não parecer corretas ou específicas o suficiente. Mas isto é normal, somente depois de realizar a categorização em diversos textos é que você conseguirá ter determinado os nomes "ideais" para cada categoria. Tudo sempre sujeito a modificações. Exemplificando: uma categoria abrangente acaba aparecendo detalhada em diferentes aspectos em textos diversos. A partir daí formam-se categorias específicas relacionadas àquele assunto (um artigo fala sobre vários aspectos da Segmentação de Mercado. Você seleciona um parágrafo e o classifica /categoriza como "Segmentação de Mercado - conceitos", logo em seguida pega outros textos onde os conceitos são explicados de forma detalhada, surge então a necessidade de dividir a categorização inicial em categorias mais específicas como "Segmentação de Mercado - relação com comunicação" e "Segmentação de Mercado - relação com mídia"); nesta fase você, provavelmente, terá que voltar ao texto anterior, mudar o nome da categoria, ou dividi-la em várias outras.
A terceira e quarta etapa de Giorgi (1985) estariam ligadas a uma quarta leitura do texto. Esta "última" leitura estaria mais relacionada com a fase de fichamento dos textos, onde cada classificação/categoria/unit meaning seria compreendida por uma afirmação do autor e fichada conforme suas características. Veremos, no próximo item, mais detalhes dessa "última" leitura.
O verso dos textos lidos é a fonte principal para a realização dos fichamentos, pois, conforme a leitura , o verso vai sendo preenchido com as seguintes informações: as categorias que vão aparecendo no texto e suas respectivas páginas; as observações, sentimentos sobre o texto; as sugestões de estudo que você pensou ao ler o mesmo; as referências bibliográficas que parecem ser relevantes ao seu trabalho atual e futuro. Desta forma, nesta última folha, você tem, praticamente, os três tipos de fichamentos que serão propostos no próximo item.
As idéias que surgem durante a leitura e fichamento dos textos podem ser colocadas numa "folha lembrete" ou um arquivo chamado "Lembretes". Essas idéias nada mais são que informações que você julga interessante colocar no seu texto; são lembretes mesmo, para serem relembrados na hora de escrever o texto final. Este assunto será abordado, novamente, no item 6 (Escrita).
Somente mais uma observação: As três leituras são meras sugestões com o intuito de organizar o processo, porém, se no final já estiver bem treinado ou tiver um dom natural para a leitura, você pode tentar realizar as três etapas em uma só (ler o texto e já ir grifando, definindo as categorias e colocando tanto estas como observações e sugestões no verso da última folha); mas isto sempre resulta numa quebra da leitura (porque você necessita interromper o que está lendo para virar a página e escrever no verso; sugiro, então, que realize pelo menos duas leituras: uma geral e uma grifando e anotando as classificações).
5) FICHAMENTOS
"Para obter um livro, uma revista, um artigo, é preciso conhecer as suas referências exatas e, uma vez consultado o documento em questão, é necessário conservar essas referências para poder voltar a utilizá-las ou para permitir que um leitor verifique as informações na fonte. Isto revela uma preocupação de rigor e de profissionalismo." (Saint-Georges, 1997: 38)
Para tanto, Saint-Georges (opus cit.) propõe a execução de fichas bibliográficas que são cartões de identidade dos documentos utilizados. Para ele, cada ficha, se for bem feita, preparará o anexo bibliográfico da investigação. Assim, no final do processo, bastará copiar as fichas pela ordem alfabética adequada, sempre respeitando a forma num mesmo trabalho. Este procedimento equivale ao procedimento proposto no item "Organização dos textos" deste trabalho (criação do arquivo "Bibliografia"), mas também é importante para o tópico "fichamentos".
Num segundo momento, o autor propõe que sejam feitas as fichas de leitura, cujo "objetivo consiste em conservarem as passagens de livros ou de revistas que captaram a nossa atenção e que contamos utilizar na redação do trabalho sob a forma de citações". Ele ainda completa sugerindo que se deva "anotar cuidadosamente as referências exatas, incluindo a página, dos textos utilizados, sob pena de se tornar impossível mencioná-las posteriormente." (Saint-Georges, 1997: 39-40)
King (1995), em seu texto sobre a entrevista na pesquisa qualitativa, afirma que o pesquisador, após transcrever todas as entrevistas, deve familiarizar-se com os dados. Isto implica em ler as transcrições e ouvir a gravações várias vezes, prestando atenção nas nuances de fala, tom da voz, hesitações ou qualquer outra informação paralingüística. Ora, isso se relaciona exatamente ao que foi dito no item anterior: que são necessárias várias leituras para perceber melhor as nuances do texto, para clarificar os conceitos, para familiarizar-se com os dados. A partir daí o autor propõe que se deva analisar os dados de acordo com diferentes enfoques (dependendo da sua própria pesquisa) e utiliza os quatro tipos de enfoques propostos por Miller e Crabtree para ilustrar sua posição:
1- Quase-estatístico
Tenta transformar dados textuais em dados quantitativos que podem ser manipulados estatisticamente. A técnica de análise do conteúdo seleciona uma unidade de medida (palavras, frases ou temas) e depois categoriza cada unidade encontrada. A análise de conteúdo permite objetividade, sistematização e quantificação, portanto não deve ser utilizada em pesquisa de caráter essencialmente qualitativo. Entretanto, elementos da análise de conteúdo podem ser úteis nos primeiros estágios de algumas análises qualitativas.
2 - Template (modelo a ser copiado/baseado)
No enfoque do template, o texto é analisado através do uso de um guia de análise ou "codebook" consistindo de um número de categorias ou temas relevantes às questões da pesquisa.
3- Edição
O pesquisador entra no texto como um editor, procurando segmentos significativos, cortando, colando e rearranjando até que o sumário reduzido revele uma verdade interpretativa no texto.
4- Imersão / Cristalização
Pesquisadores fazem uma imersão no assunto da pesquisa por um período prolongado de tempo e produzem relatos de suas descobertas através de reflexões analíticas e cristalização intuitiva do significado.
Estes quatro enfoques formam a base para a realização dos três fichamentos que serão propostos a seguir.
1) Ajuda
O professor Daniel Moreira, em seu curso de pós-graduação ministrado na ECA no primeiro semestre de 2000, levantou a necessidade de se efetuar um fichamento que ele denominava "Ajuda". Neste fichamento, o pesquisador deveria "falar com a ficha", ou seja, colocar suas impressões sobre o texto através de observações como "este autor é muito interessante, não deixar de citar. Talvez utilizar no capítulo introdutório da dissertação. Ver especialmente a parte que fala de X. Contém conclusões fantásticas sobre Y". Esta "Ajuda" deveria ser fichada com um número (ex.: ajuda no 33) e poderia ter as palavras-chave contidas no texto, ou até mesmo as classes temáticas (categorias) encontradas no mesmo.
Este fichamento será de grande utilidade quando o processo de escrita do texto tiver início. Esta é a ficha que, além de oferecer um panorama geral das categorias abordadas, oferece as impressões pessoais sobre o texto e as sugestões pessoais para estudos. Em uma só página você já relembra tudo que estava no texto e sabe onde pode utilizá-lo.
A "Ajuda" se assemelha muito com os memos da grounded theory. "Escrever a teoria é também parte do processo de pesquisa na grounded theory. A escrita é feita através do estudo e é armazenada em memos. Memos são as cápsulas escritas da análise feita e servem para armazenar as idéias geradas sobre os dados. Através da classificação e reclassificação dos memos, o pesquisador começa a organizar as idéias para escrever. A escrita e classificação dos memos apontam para áreas que necessitam de algum tipo de clarificação, refinamento e verificação e que leva a novas coletas de dados". (Chenitz e Swanson, 1986: 8)
O formato deste fichamento pode variar conforme as necessidades e estilo do pesquisador. A minha sugestão pessoal segue abaixo:
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93-1 McCarty e Shrum/1 Fichamento - Ajuda/Fichamentos/Mestrado/Silvia’sF
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