A questão sobre a possibilidade e origem do erro de conhecimento é central para toda filosofia de Descartes. É importante lembrar, em primeira linha, que todo sistema Cartesiano foi desenvolvido como um procura por um fundamento sólido para o conhecimento humano.
Ao longo da tradição teológica e metafísica ocidental distinguiram-se três formas de mal:
(1) malum physicum - o sofrimento, dor e tristeza.
(2) malum morale - o pecado, a imoralidade.
(3) malum metaphysicum - a finitude humana, tanto temporal (mortalidade) quanto cognitiva (ignorância).
Na verdade, esta terceira forma de mal deveria ser mais diferenciada: além do malum metaphysicum existe o que se poderia chamar de malum epistemicum, exatamente o problema da ignorância, do não saber, o do falso conhecimento. Por isso poderia se considerar o problema da ignorância como a versão cartesiana da teodicéia. Especialmente porque no caso de Descartes se coloca a questão: se Deus é bom e nos criou, por que então Ele não nos equipou de tal maneira que nunca nos enganemos? Ele poderia ter nos criado como seres cognitivamente perfeitos.
Mas então, voltando à questão, por que erramos? Segundo Descartes o erro cognitivo surge como resultado da liberdade humana. Deus não é culpado do nosso erro. Ele, com razão, achou que um ser livre é mais perfeito que um ser „sem a liberdade de errar“. Justamente nesta liberdade reside nossa semelhança com Deus. O ser humano é capaz („é livre para“) de não apenas julgar sobre o que ele pode reconhecer com certeza, mas ele pode também aceitar como válido um conhecimento não assegurado. E quando ele faz isso pode cair (e de fato muitas vezes cai) em erro. Justamente este „descuido“ é a origem do erro. Mas Descartes vai mais longe: a partir deste conhecimento ele desenvolve o seu famoso método da certeza: só aceitar como verdadeira uma afirmação sobre a qual se tenha absoluta certeza (m um conhecimento claro e distinto, em sua terminologia: idea clata et distincta). O primeiro conhecimento desta forma é o famoso: cogito ergo sum, penso logo existo. Sobre a própria existência (em primeira linha como um ser pensante – res cogitans – e não como ser físico extenso – res extensa) não se pode duvidar consistentemente. Uma vez que o ser humano aceita e se mantém fiel a esta regra, ele é capaz de construir uma ciência isenta de erros (por isso muitos consideram Descartes um otimista, um megalomaníaco ou um fetischista da certeza).
Moral:
Para a moral vale quase o mesmo. Descartes não desenvolve nenhum grande sistema ético ou moral. Em Discours de la methode, na terceira parte, Descartes desenvolve a chamada moral provisória (ele nunca escreveu uma moral definitiva depois!), com 3 máximas (resumidamente): (1) obedecer as leis e costumes do país de sua origem, permanecendo fiel a religião na qual se foi criado, (2) quando se decidir por uma ação fazê-la de forma consequente até as últimas consequências (para evitar devaneios), (3) procurar aceitar o destino: é mais fácil mudar os meus desejos do que mudar o mundo. (Veja 3 parte do citado livro, é fácil de ler!)
No mais vale paralelamente: Se o ser humano se mantém fiel ao princípio da certeza, só agindo quando tiver certeza que sua ação é moralmente boa, ele pode estar certo que será um ser ético.
Literatura: As Meditações de Descartes, os Princípios da Filosofia e o Discurso sobre o Método.
Ao longo da tradição teológica e metafísica ocidental distinguiram-se três formas de mal:
(1) malum physicum - o sofrimento, dor e tristeza.
(2) malum morale - o pecado, a imoralidade.
(3) malum metaphysicum - a finitude humana, tanto temporal (mortalidade) quanto cognitiva (ignorância).
Na verdade, esta terceira forma de mal deveria ser mais diferenciada: além do malum metaphysicum existe o que se poderia chamar de malum epistemicum, exatamente o problema da ignorância, do não saber, o do falso conhecimento. Por isso poderia se considerar o problema da ignorância como a versão cartesiana da teodicéia. Especialmente porque no caso de Descartes se coloca a questão: se Deus é bom e nos criou, por que então Ele não nos equipou de tal maneira que nunca nos enganemos? Ele poderia ter nos criado como seres cognitivamente perfeitos.
Mas então, voltando à questão, por que erramos? Segundo Descartes o erro cognitivo surge como resultado da liberdade humana. Deus não é culpado do nosso erro. Ele, com razão, achou que um ser livre é mais perfeito que um ser „sem a liberdade de errar“. Justamente nesta liberdade reside nossa semelhança com Deus. O ser humano é capaz („é livre para“) de não apenas julgar sobre o que ele pode reconhecer com certeza, mas ele pode também aceitar como válido um conhecimento não assegurado. E quando ele faz isso pode cair (e de fato muitas vezes cai) em erro. Justamente este „descuido“ é a origem do erro. Mas Descartes vai mais longe: a partir deste conhecimento ele desenvolve o seu famoso método da certeza: só aceitar como verdadeira uma afirmação sobre a qual se tenha absoluta certeza (m um conhecimento claro e distinto, em sua terminologia: idea clata et distincta). O primeiro conhecimento desta forma é o famoso: cogito ergo sum, penso logo existo. Sobre a própria existência (em primeira linha como um ser pensante – res cogitans – e não como ser físico extenso – res extensa) não se pode duvidar consistentemente. Uma vez que o ser humano aceita e se mantém fiel a esta regra, ele é capaz de construir uma ciência isenta de erros (por isso muitos consideram Descartes um otimista, um megalomaníaco ou um fetischista da certeza).
Moral:
Para a moral vale quase o mesmo. Descartes não desenvolve nenhum grande sistema ético ou moral. Em Discours de la methode, na terceira parte, Descartes desenvolve a chamada moral provisória (ele nunca escreveu uma moral definitiva depois!), com 3 máximas (resumidamente): (1) obedecer as leis e costumes do país de sua origem, permanecendo fiel a religião na qual se foi criado, (2) quando se decidir por uma ação fazê-la de forma consequente até as últimas consequências (para evitar devaneios), (3) procurar aceitar o destino: é mais fácil mudar os meus desejos do que mudar o mundo. (Veja 3 parte do citado livro, é fácil de ler!)
No mais vale paralelamente: Se o ser humano se mantém fiel ao princípio da certeza, só agindo quando tiver certeza que sua ação é moralmente boa, ele pode estar certo que será um ser ético.
Literatura: As Meditações de Descartes, os Princípios da Filosofia e o Discurso sobre o Método.