Gilberto Teixeira (Prof. Doutor FEA/USP)
I - INTRODUÇÃO
Neste texto iremos analisar como tem sido usado de forma ampla a aprendizagem vivencial no ensino de administração.
Pode-se afirmar que o criador dessa abordagem (ou método?) de aprendizagem foi David Kolb, o psicólogo americano conhecido mundialmente por suas pesquisas a respeito de estilos de aprendizagem (ver David Kolb, Psicologia Organizacional, Editora Atlas, São Paulo).
A partir das idéias de Kolb uma enorme quantidade de seguidores surgiu, inicialmente nos Estados Unidos e posteriormente no resto do mundo. E todas as aplicações, estudos, pesquisas, teses concentram-se no campo do ensino de administração, contabilidade, economia e, inclusive engenharia (Engineering Education). A demonstração da influência e do impacto da aprendizagem vivencial no ensino de administração, além da vasta literatura a respeito, foi a criação da Association for Business Experiential Learning (ABSEL) que congrega professores, estudiosos e aplicadores da aprendizagem vivencial em praticamente todas as áreas de ensino de administração: Finanças, Pesquisa, Marketing, Recursos Humanos, Produção.
Se analisarmos o que Kolb escreveu a respeito de Aprendizagem vivencial veremos que as raízes de suas idéias estão em Carl Rogers (ensino não diretivo) e Malcolm Knowles (Andragogia). O grande mérito de Kolb foi colocar na prática de forma operacional as idéias desses dois seus antecessores.
II - O QUE É APRENDIZAGEM VIVENCIAL?
Há diferentes pontos de vista e conceituações sobre o que seja a aprendizagem vivencial e sobre o campo abrangido por esse método.
A seguir listamos uma série de definições sobre a aprendizagem vivencial, que embora sejam referentes ao ensino de marketing, podem por extensão abranger outras áreas:
“A aprendizagem vivencial no ensino de marketing significa colocar o aluno no ambiente real ou simulado de tal forma que ele se engaje na atividade em estudo. Esta abordagem contrasta com o processo tradicional de aprendizagem que se desenvolve através de leitura de textos, aulas expositivas ou participação em discussões1.”
“A expressão aprendizagem vivencial refere-se aquela técnica em que é utilizado como base para o processo de aprendizagem a experiência e vivência do aluno. Esta definição implica em adotar a postura de que o processo de aprendizagem é ativo2”.
“A aprendizagem vivencial é uma abordagem educacional que envolve de forma ativa o aluno no processo de aprendizagem2”.
Observa-se nos últimos anos uma tendência crescente do uso de materiais de aprendizagem vivencial na educação e treinamento de administradores3.
A abrangência do que possa ser considerado material de aprendizagem vivencial varia muito entre os diversos autores, que incluem: jogos, simulações, “role playing”, método de caso, projetos de pesquisa e exercícios estruturados. Há autores que adotam uma definição mais restrita e consequentemente exclui alguns dos métodos relacionados acima4.
A mais simples conceituação do que seja aprendizagem vivencial é de que ela abrange todo material em que os indivíduos “aprendem fazendo”5.
Talvez tenha sido Confúcio um dos precursores a definir a aprendizagem vivencial quando disse:
Quando eu ouço, eu esqueço
Quando eu vejo, eu me recordo
Quando eu faço, eu compreendo
Na verdade a aprendizagem vivencial não se resume somente em “aprender fazendo”; ela implica em mudança de comportamento e para bem compreender este aspecto de mudança a melhor maneira é analisar as etapas da aplicação de um exercício de aprendizagem vivencial:
1o - O aluno é solicitado a descrever como ele agiria ou como deveria agir em uma dada situação (esta é uma etapa opcional).
2o - O aluno é colocado numa situação que deve agir, isto é, tomar uma decisão, desempenhar um papel ou analisar fatores relativos a situação dada.
3o - A experiência do aluno na etapa 2 é analisada. Como foi seu comportamento na situação; como ele se sentiu?
4o - É feita uma comparação entre a forma de agir que era esperado (da
etapa 1) e a ação real (da etapa 3).
etapa 1) e a ação real (da etapa 3).
5o - É sugerido pelo facilitador (professor) uma abordagem alternativa e dada ao aluno a oportunidade de experimentar a alternativa sugerida (também opcional esta etapa).
6o - O grupo (a classe) e o facilitador (professor) auxiliam a apoiar o aluno no momento em que ele está experimentando a alternativa (nova abordagem ou nova idéia). Esta etapa, também opcional, pode se realizar através de discussão de grupo e leituras extras que tratem da situação vivencial. Essas experiências tendem a sensibilizar os alunos para discussões e leituras subsequentes na medida em que induzem-nos a buscar uma “resposta” para seu problema.
7o - O aluno avalia a nova abordagem (idéia) e faz planos de ação futura quando se defrontar com uma situação similar.
Da análise das etapas acima, podemos sintetizar que a aprendizagem vivencial significa que uma pessoa (aluno)
a) define (para si próprio), como ele iria (ou deveria) agir numa dada situação;
b) é colocado na situação em que deve agir (fazer algo);
c) analisa como agiu e como se sentiu após a ação4 comparar a diferença entre o que ele achava previamente que deveria ser ação e a ação tomada efetivamente. Após fazer a comparação (e constatar a discrepância) o aluno considera uma abordagem diferente (oferecida pelo facilitador ou pelo grupo) e avaliar essa nova alternativa.
Desta forma, a aprendizagem vivencial não se resume em somente “fazer”, ela envolve execução, comparação, avaliação de uma nova alternativa e recebimento de apoio (ou reforço), para criar a mudança de comportamento do aluno.
No ambiente de aprendizagem vivencial o aluno é engajado ativamente na execução de uma tarefa (exercício, decisão, etc.) para a qual existe uma meta fixada e ele aprende tanto com a execução da tarefa, como também com a avaliação da sua performance pela comparação dela com uma norma ou teoria apropriada6.
Os resultados de um exercício de aprendizagem vivencial são em grande escala determinados pelo desempenho do professor ou facilitador. Por isso, discutiremos a seguir o papel que deve ser desempenhado pelo professor no exercício de aprendizagem vivencial de forma a maximizar os efeitos da aprendizagem.
III - O PAPEL DO PROFESSOR
De acordo com Kolb, Rubin e McIntyre7 “... a finalidade do exercício de aprendizagem vivencial não é somente a de aumentar a compreensão de situações concretas em termos de princípios. Eles podem ser úteis também como um meio de desenvolver habilidades para situações grupais: habilidades de observação, habilidades de auto-compreensão, habilidades de adaptar o comportamento às exigências da tarefa e às necessidades do grupo e dos indivíduos”.
Hoover por outro lado8 apoia esses ideais ao indicara aprendizagem vivencial como uma metodologia de ensino que é centralizada no indivíduo como um ser integral.
O papel do professor no exercício da aprendizagem vivencial deriva fundamentalmente de postura de centralizar o processo na “aplicação” ou seja, “centralizado nas habilidades”.
Isto implica numa dramática e radical mudança em relação à postura tradicional que é a do processo de aprendizagem centralizado na teoria. O professor vivencial seria melhor descrito como um integrador e facilitador do processo, como muito bem define Samuel Certo8.
“A habilidade não decorre nem da teoria exclusivamente nem da experiência, mas da integração de uma com a outra. O papel do professor é garantir que essa integração ocorra.”
De acordo com Keys9 o “objetivo de um eficiente professor deve ser o de misturar, integrar, de forma equilibrada os três fatores: conteúdo, experiência e feedback.”
Para realizar essa função integradora o professor deve:
a) Encorajar a discussão e integração grupal. Como os alunos aprendem tanto com o professor como seus companheiros, o envolvimento dos participantes é um pré-requisito para o processo da experiência de aprendizagem vivencial.
b) Desenvolver um clima educacional em que os alunos aprendem novos comportamentos ao realizarem exercícios vivenciais. Dimock10 indica que o ambiente de aprendizagem vivencial deve incluir a oportunidade para que o indivíduo adquira e reforce novos padrões de comportamento através da prática desses padrões com a liberdade e segurança de uma situação de aprendizagem. Veiga e Anderson11 por sua vez afirmam que o papel do professor envolve a demonstração e o reforço do comportamento desejado nos alunos; abrangem também proporcionar-lhes encorajamento, orientação e direcionamento enquanto estão no processo de aprendizagem.
c) Agir como um recurso da aprendizagem, um consultor do grupo.
d) Facilitar a aprendizagem através da teoria e da experiência. Os professores Certo e Dougherty8, a esse respeito enfatizam: “a experiência por si só não constitui a aprendizagem. A experiência pode tornar-se agradável e divertido e um grande entretenimento mas isso não é aprendizagem. A aprendizagem ocorre através da reflexão cuidadosa do exercício realizado. E ao professor cabe dirigir esse processo de reflexão”.
Como um facilitador do processo nas situações de aprendizagem vivencial, o professor deve assegurar que essa aprendizagem ocorra em dois níveis. O primeiro nível é o de “conteúdo” de exercício vivencial, isto é, todas as atividades e material de leitura que o grupo deve conhecer para que possa posteriormente reconstruir e refletir sobre o que ocorreu no exercício. O segundo nível é o “processo” através do qual o exercício é realizado. Isto implica não só no que foi falado e por quem foi falado, mas também em como e porque foi falado e nas conseqüências das afirmações feitas.
IV - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1 GORMAN, Ronald. & SOOD, James H. Experiential learning in the study of Marketing: an overview. In: DELOZIER, M. Waine; LEWISON, Dale M. & ANDRESS, Ruth. (ed) Experimental learning in Marketing Education: proceedings of the october 1976 Conference of the Mid-Atlantic Marketing Association. Division of Research, College of Business Administration. University of South Carolina, march , 1977, p.1.
2 ARMSTRONG, J. Scott. Designing and using experiential exercises. Ibid, p. 8.
3 ROBERTS, Ralph M.; STEPHEN, E. Field. Using student opinion in evaluating results with business game. In: BWOKURK, Richard H. (ed) Simulation, games and experiential learning in action. Association of Business Simulation and Experimental Learning Proceedings. 1975, p. 92-99.
4 Ver por exemplo, George M. Dupuy e William J. Kchoe, Article presentation module: a supplementary program for Marketing courses. Ibid. p. 121-123.
5 HOOVER, J. Duane. Experiential learning: conceptualization and definition. In: KENDERDINE, James & KEYS, Bernard (ed) Simulation, games and experiential learning techniques: on the road to a new frontier. Association for Business Simulation and Experiential Learning Proceedings. 1974, p. 31-35.
6 CERTO, Samuel C.; PETER, J. Paul. An exploratory analysis of perceived learning dimension in an experiential learning situation. In: TAYLOR, Robert et alli (ed). Academy of Management Proceedings, 1976.
7 KOLB, David A.; RUBIN, Irwing M. & MCINTYRE, James M. Organizational Psycology: an experimental approach. Ind. ed., Englewood Cliffs, N.J., Prentice Hall, 1974.
8 CERTO, Samuel C.; DOUGHERTY, Robert. Organizational leadership: skills through theory and experience. Dubuque, Kemdall Hunt. 1975.
9 KEYS, Bernard. Socrates, all others teachers fit on learning grid somewhere. Simulation/Gaming/News, v. 3, n. 2 1976, p. 9-10.
10 DIMOCK, Hedley G. Improving communication skills through training. The Journal of Communication. v. II, n.3, 1961, p.149-156.
11 VEIGA, John & ANDERSON, Thomas. Some thoughts about the experiential approach: the exercise, the teacher, the student, and educational climate. In: CANNON, Martini J. (ed.) Eastern Academy of management Proceedings, 1974.
O INVENTÁRIO PARA PREENCHER
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No
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P/Computação
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ITEM AVALIADO
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Sempre
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Quase
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Ocasio-
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Rara-
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Nunca
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Sempre
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nalmente
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mente
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Ele procura compreender os sentimentos (impaciência, raiva, rejeição, etc.) dos outros do grupo.
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2
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Ele demonstra inteligência
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Ele demonstra simpatia com os outros quando eles estão em dificuldades.
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4
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Ele expressa as idéias com clareza e concessão (?)
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Ele expressa seus próprios sentimentos por exemplo quando está zangado, impaciente ou é ignorado.
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Ele é tolerante em aceitar os sentimentos das outras pessoas.
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Ele tem um raciocínio rápido.
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Ele fica zangado ou aborrecido quando as coisas não acontecem como desejava.
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9
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Ele sabe persuadir os outros, é um ótimo “vendedor de idéias”.
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É fácil identificar quando ele gostou ou não gostou do que os outros fazem ou dizem.
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Ele ouve e procura usar as idéias propostas pelos outros do grupo.
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Ele demonstra alta competência técnica ou profissional. Ele é capaz no “seu ramo”.
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Ele é amistoso com aqueles que trabalham consigo.
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Ele é habilidoso em atrair a atenção dos outros.
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Seus sentimentos são transparentes, ele não é do tipo que esconde ou disfarça sentimentos.
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Ele apresenta “boas idéias”.
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Antes de agir ele encoraja os outros a dizer suas idéias.
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Ele procura ajudar os outros quando ficam zangados ou aborrecidos.
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Ele experimenta “novas idéias”.
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Ele é do tipo competitivo: gosta de ganhar e odeia perder.
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Ele apresenta as próprias idéias de modo muito convincente.
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Se outros do grupo ficam zangados ou aborrecidos ele os escuta com compreensão.
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Ele oferece soluções efetivas para problemas.
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Ele tende a ser emocional.
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Quando ele fala os outros ouvem-no.
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TOTAIS BRUTOS (¸)6 (¸)6 (¸)5 (¸)8 MÉDIAS
C-RT DV EE C
C-RT DV EE