Os IGNORANTES, que acham saber tudo, privam -se de um dos maiores prazeres da vida: APRENDER.

Longe do professor, mas com disciplina para aprender

 

 
 Renata Costa
 
 
Disciplina é característica indispensável para quem tem interesse em fazer um curso a distância, seja ele qual for. Embora esse método de aprendizado esteja ainda em crescimento no Brasil, é a grande aposta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para dar acesso à graduação, pós-graduação e cursos seqüenciais a quem não mora perto de nenhuma universidade.
"O aluno ideal para um curso desse tipo deve ter o que chamamos de aprendizado independente, isto é, ser responsável, maduro e motivado. Além disso, precisa dominar as tecnologias de informação e comunicação, ou seja, possuir um conhecimento mínimo de telemática", explica o diretor do Instituto Universidade Virtual da Universidade Federal do Ceará, Miguel Araújo.
Para acompanhar o estudo, apesar das reuniões presenciais que normalmente acontecem - quinzenais, mensais, semestrais ou anuais dependendo do tipo de curso - o aluno tem que se dedicar a muita leitura e realização de exercícios. Ao contrário do que se possa pensar, os professores, mesmo de longe, observam a dedicação dispensada aos temas, seja através da participação de chats, mensagens nos fóruns e e-mails trocados entre estudantes e educadores.
"A cada mês eu recebia por correio o material com exercícios que tinha que fazer. Depois de concluídos, enviava as respostas por e-mail para o professor e isso contava para eu ser avaliado naquela disciplina", conta José João Bosco Pereira, de 42 anos, professor de Ensino Fundamental de Divinópolis, Minas Gerais, que concluiu a pós-graduação Lato Sensu oferecido pela UFLA (Universidade Federal de Lavras), em Educação Especial para Talentosos e Bem-Dotados.
O curso escolhido por Pereira teve duração de dois anos e, nesse período, ele foi a dois encontros em Lavras, Minas Gerais, que reuniram todos os professores, alunos e alguns palestrantes. Nesses dias, os estudantes puderam tirar dúvidas e discutir temas relevantes estudados. Para a obtenção do diploma da pós, ele fez uma monografia que foi defendida para uma banca, também na cidade mineira.
A professora de Educação Infantil Márcia Fernandes Ribeiro Bandeira, de 30 anos, de Linhares, no Espírito Santo, encontrou a oportunidade perfeita para fazer sua graduação graças ao Centro de Educação a Distância que a Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo) montou na cidade. Desta forma ela pôde finalmente fazer sua licenciatura em Pedagogia voltada para dar aula a alunos de 1ª a 4ª séries do Ensino Fundamental.
Além das atividades propostas através do material didático entregue a ela, a cada duas semanas há uma aula presencial no Centro da Ufes em Linhares, quando pode conversar com os professores e colegas. "Eu cheguei a fazer dois semestres de Letras em uma universidade, mas tive que desistir porque mudei de cidade. Na época, a sala tinha 70 alunos, era impossível tirar dúvidas e discutir assuntos em classe dessa maneira. Já nesse curso a distância, as aulas semanais têm apenas sete alunos e são muito mais proveitosas, porque todos estudam realmente em casa", conta a aluna.
Dois diplomas de uma vez só
Dono de um cartório em Porto Velho, Rondônia, José Gentil da Silva, de 53 anos, resolveu fazer a graduação e o curso seqüencial de uma única vez. Ele cursa Administração de Empresas pela Faculdade de Administração de Brasília (cuja mantenedora é Associação Internacional de Educação Continuada). Este é o primeiro curso superior bacharelado aprovado pelo MEC. Junto a isso, ele ainda faz o seqüencial Gestão Estratégica das Organizações - Foco em Gestão Financeira, da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina).
"Estudo por duas horas, todos os dias. E, a cada mês, passo um final de semana em Brasília para me encontrar com os colegas de curso da AIEC. Fazemos prova, debatemos aulas, temos palestras e é um tempo muito bom. O perfil das pessoas que fazem curso a distância é muito sério, estão todos realmente interessados no diploma. Minha única dificuldade no início era com os recursos do computador, enviar e-mail, entrar nos fóruns do curso, mas foi só questão de me acostumar", conta Silva.
Como a distância é muito grande, para que Silva faça as provas da Unisul, a universidade vai enviar a avaliação para o Conselho de Educação de Porto Velho para que, dessa forma, o aluno não tenha que se deslocar.