Gilberto Teixeira (Prof.Doutor FEA/USP )
Ação-pesquisa (Action-Research): conceito proposto por K. Lewin significando uma pesquisa (psicológica, sociológica, pedagógica) efetuada na própria ação de mudança sobre a realidade humana e social e não uma pesquisa feita em laboratório nem a priori. É na ação e procurando saber como mudar algo nesses campos, que a formulação teórica vai progressivamente se elaborando.
Aculturação: Aquisição e integração (por um indivíduo ou por um grupo) de hábitos culturais, valores, normas, modelos de conduta e de pensamento,...de outro grupo. Assim, “americanizar-se” é aculturar-se (no meio social americano), da mesma forma que “germanizar-se”, “afrancesar-se”, etc.. A integração, por um indivíduo, de um universo profissional é uma forma de aculturação.
Análise de conteúdo: Método para captação e distribuição, por categorias, dos elementos e aspectos significativos de uma informação, uma comunicação ou conjunto expressivo. Os métodos de análise são quantitativos. Variam segundo os objetivos da operação, desde a simples classificação dos dados por categorias ou temas, até as análises lingüísticas.
Andragogia: Nome composto do grego tomando “pedagogia” como modelo e proposto por Goguelin para significar educação (agogia) de adultos (andr, homens adultos).
Atípico: Caso que escapa à definição e à categorização fornecida pelos quadros de referência; que não corresponde a um tipo ou a um conjunto conhecido.
Ativa (Escola): Nome genérico dado originariamente aos estabelecimentos escolares onde eram aplicados os princípios pedagógicos inspirados por J. Dewey, O. Decroly, A. Ferrière a partir de 1920-1930. Esses princípios eram: utilização dos interesses espontâneos das crianças e instrução pela ação. “A escola ativa não é um método, é um espírito.”(A. Ferrière, 1947).
Ativos (Métodos): Nome dado globalmente aos métodos pedagógicos que compreendem três características:
1) A utilização do grupo como meio de formação e como fator de progresso pedagógico;
2) A utilização de motivações intrínsecas;
3) O despertar da iniciativa dos alunos que têm “de descobrir” aquilo que devem aprender.
O próprio nome dos métodos ativos encerra uma acusação contra os métodos tradicionais de ensino que são, ipso facto, julgados “passivos”, isto é, baseados numa aprendizagem imposta segundo o modelo magistral e em motivações extrínsecas.
Audiovisual: Palavra composta pelos termos latinos audio-video (ouvir e ver) para designar as técnicas modernas que utilizam a imagem ou o som, ou os dois ao mesmo tempo, para a informação e a formação (meios sonoros ou falantes, gravador, disco, vídeo-tape, vídeo-cassete, etc..).
Auto-organização: Processo de organização efetuando-se por iniciativa das pessoas diretamente implicadas, o que elimina toda organização imposta do exterior.
Avaliação (questionário de...ou reunião de ...): Julgamento (individual ou coletivo) sobre o valor de alguém, de um método, de um projeto, de uma sessão. A avaliação se faz em relação a uma norma estabelecida (ex.: o objetivo a ser atingido, a satisfação pessoal, a definição das aspirações, etc..) segundo critérios objetivados e uma “escala” convencionada.
Behaviorismo: Concepção e métodos da psicologia que eliminam a referência à consciência; apareceram no início do século XX (Watson) como reação contra o método do século precedente baseado na introspecção (descrição pelo próprio sujeito da experiência das suas reações e impressões pessoais). Trata-se antes de tudo de observar a conduta do indivíduo o mais rigorosa e objetivamente possível. Segundo Watson, a maioria das condutas são “aprendidas” e são um encadeamento de reflexos relacionados.
Brainstorming ou “tempestade de idéias”: Técnica de reunião destinada a fazer o grupo produzir o máximo de idéias num mínimo de tempo. Existem inúmeras técnicas codificadas. A mais comum é a de Osborn. A operação divide-se em três fases:
1) Fase de apresentação motivante do problema do qual se procura a solução;
2) Fase do Brainstorming propriamente dito em que o grupo (8 a 12 pessoas) estimulado por um animador que faz a desobstrução das pistas, produz idéias sem crítica (ordinariamente um grupo de 10 pessoas produz 150 idéias por hora);
3) Fase de seleção das melhores idéias, por um novo grupo de 4 ou 5 especialistas trabalhando a partir da produção precedente.
Burocratização: Processo pelo qual é criada e desenvolvida a burocracia, em conseqüência da multiplicação das relações administrativas (substituindo as relações humanas) no funcionamento de um organismo social (industrial, político ou social propriamente dito) que perde assim de vista os objetivos reais e vivos de sua instituição inicial e toma a si mesmo por finalidade.
Bussines-game (jogo de empresa): Método de treinamento em direção de empresas ou em management, utilizando simulações, isto é, temas de jogos inscritos num contexto situacional, operacional e informacional reproduzindo analogicamente as responsabilidades reais. Geralmente são utilizados computadores para fornecer, a cada instante, às equipes em treinamento, os resultados imediatos de suas decisões sobre o conjunto da situação.
Caso (método de): Ver Método.
Check-list: Palavra inglesa que significa lista a assinalar (checar). Lista dos pontos precisos sucessivos a observar ou executar na ordem em que são inscritos. Estabelecida de antemão a partir da divisão cronológica de uma tarefa complexa, essa lista permite fazer as operações em ordem sem nada esquecer, checando aquilo que vai sendo executado. O trabalho num determinado cargo pode ser apresentado sob a forma de uma check-list, que constitui o conjunto das ordens e das orientações para a execução completa da tarefa. Deste ponto de vista, a check-list de um cargo, quando ela existe, representa a análise do trabalho (ou uma das tarefas) do cargo.
Cibernética: Ciência da regulação ou do controle das máquinas, permitindo organizar a auto-regulação do “comportamento” da máquina, em função de sinais, “informando-a” sobre o desenrolar das operações (ver Feedback). No sentido lato, ciência que permite construir robôs e servomecanismos. Em sentido geral, ciência da organização racional dos comportamentos visando atingir objetivos pré-determinados.
Clima pedagógico: Situação psicológica instaurada e induzida pelas atitudes e pelos métodos do professor-instrutor-monitor-formador. É algo mais que o simples “ambiente psicológico”; é o tipo de relacionamentos vividos (estagiários-monitor, estagiários entre si, estagiários-tarefa, estagiário-tempo) gerado pelo sistema pedagógico usado.
Comunicação: 1) No sentido lato e por extensão abusiva, designa a mensagem ou informação que se tem para transmitir. 2) Em teoria das comunicações, designa o processo pelo qual a informação é transmitida de um emissor a um receptor. 3) Em sentido estrito designa a própria natureza e o sentido do processo: relação inter-humana pela qual interlocutores podem se compreender e se fazer compreender, ou influenciar-se um ao outro.
Comunicar: Pôr-se em relação com outrem visando a atingir certos objetivos e, antes de mais nada, a significar alguma coisa.
Conceito: É o conteúdo de uma palavra. Este conteúdo varia, naturalmente, de acordo com o grau de experiência, de conhecimentos ou de saber que o utilizador do conceito possua. Esta variação vai desde a simples imagem genérica (exemplo: o peixe para uma criança e para o consumidor) até a idéia abstrata mais rica de conhecimentos e experiências científicas (ex.: as espécies de peixes para o ictiólogo). É a idéia que fazemos sobre um conjunto de objetos ou de seres, resultando de uma elaboração intelectual e verbal (conceitualização) que, a partir da percepção, é levada mais ou menos longe.
Condicionado (reflexo) ou Condicional: Resposta automática adquirida, desencadeada por um sinal. É a adquirida por aprendizagem e repetições. O próprio sinal indiferente (no início e em si) só se torna significativo e desencadeador de comportamento, pela aprendizagem. Opõem-se a reflexo incondicionado que é a reação automática natural (não-aprendida ou inata).
Conformidade (pressão de): Todo grupo social gera normas e padrões de conduta, de vestimentas (a moda neste grupo), de linguagem, assim como estereótipos, opiniões, valores e mitos. Esses modelos exercem sobre os membros do grupo uma influência que tende a torná-los semelhantes uns aos outros, fazendo adotar as mesmas idéias e os mesmos comportamentos. É o que chamamos de pressão de conformidade. A resistência à pressão de conformidade provoca o comportamento desviante ou o conflito.
Consumatória (comunicação): Comunicação de “desafogo” emocional ou de expressão de sentimentos do emissor, sem objetivo de influenciar. Numa de suas formas (dita comunicação fática) as pessoas falam para não dizer nada e apenas pelo prazer de falar com a outra ou de “estar junto com”.
Criática: Palavra lançada em 1967 por M. Demarest e M. Druel para significar ciência da criatividade e método de desenvolvimento da criatividade nos indivíduos e nos grupos.
Criatividade: Palavra recente - recusada, aliás, pela Academia Francesa - constituída conforme o modelo de produtividade em relação à produção. Designa atividade criadora, capacidade para encontrar soluções novas ou idéias originais; capacidade de inventar.
Cultura: Em antropologia, chama-se “cultura” o conjunto das instituições, crenças, arte, religião, costumes, normas, valores. linguagem que caracterizam uma sociedade humana diferenciando-a de outra.
Em sentido geral, “cultura” é o grau de desenvolvimento da vida intelectual, estética, científica ou sócio-moral num indivíduo (nesse sentido “culto opõe-se a “inculto”ou “rude”). A cultura geral, conjunto dos conhecimentos não-especializados), é o grau de abertura intelectual e humana aumentando a capacidade de compreender e ter idéias.
Descoberta: 1) Ação de descobrir ou inventar; 2) Objeto ou resultado da ação precedente.
Em pedagogia o método de “descoberta” consiste em deixar o indivíduo entregue a si mesmo para encontrar a solução de uma situação problemática (desagradável ou estimulante na qual ele se envolve) para a qual nem os métodos nem os resultados são conhecidos de antemão.
Docimologia: Capítulo recente da psicologia que se refere às condições de validade dos exames de conhecimentos. Por um lado estuda os fatores de erro provenientes das modalidades de provas e dos examinadores que as corrigem; por outro lado, as correlações entre as notas e o nível real a ser avaliado. A parte prática da docimologia é dedicada à elaboração de provas “objetivas”, cuja validade exige inúmeras pesquisas mas que servem para eliminar o “fator pessoal” dos examinadores habituais. O teste docimológico é um questionário de múltiplas respostas permitindo avaliar, rápida e objetivamente, os conhecimentos.
Drill: Instrução visando obter uma automatização das reações, dos movimentos ou, de modo geral, das respostas do sujeito da instrução. Adestramento pedagógico.
Ergologia: Ciência do trabalho humano compreendendo os aspectos do trabalho: 1) fisiologia do organismo humano no trabalho, cansaço, riscos, doenças, etc...; 2) análise do sistema “homem-máquina”, problemas de adaptação das pessoas aos cargos, da adaptação das máquinas, da racionalização do sistema...; 3) estudo das técnicas e da tecnologia do ponto de vista funcional dos equipamentos...; 4) análise das condições e dos ambientes de trabalho.
Emissor: Fonte de uma mensagem. Organismo produtor da mensagem ou do sinal dirigido ao receptor.
Escolatismo: Nome dado por Freinet a todo sistema escolar abstrato e impessoal, desligado da vida e esterilizante.
Espontaneidade: 1) Possibilidade de responder de modo imediato e livre a qualquer situação. Supõe que a pessoa esteja livre de qualquer complexo, o que provocaria, ao contrário, comportamentos repetitivos e não-adaptados. 2) Na concepção psicológica de Moreno, a espontaneidade se opõe às “conservas culturais” ou tradições de qualquer espécie e aos diversos tipos de adestramento ou de condicionamento. Ela é criatividade, improvisação dos papéis e capacidade de ajustamento ativo.
Estudo de problema: “O estudo e a solução do problema” é considerado como um comportamento característico do ser humano face a toda espécie de dificuldades da existência. Assim, como decorrência das pesquisas de Thorndike e das teorias de Dewey, o estudo de problema tornou-se um método de treinamento, com valor de formação geral mas permitindo também adquirir conhecimentos, pelo fato de que o indivíduo ou o grupo preso pedagogicamente à solução de um problema (motivante) deve encontrar as informações de que necessita, isto através de um percurso formador que inclui igualmente a análise dos dados, as hipóteses, as verificações, etc..
Experiencial (ou vivencial): Que foi ou é objeto de uma prova existencial histórica pessoal...que foi vivida num dado momento por alguém e que faz parte integrante de sua “experiência de vida”. Opõe-se a experimental que significa, ao contrário, objeto de uma experimentação não implicando afetivamente o sujeito.
Feedback (Expressão inglesa significando retroalimentação): 1) Em cibernética, informação automática de volta, ou sinal permitindo o controle e a regulagem automática de uma operação em curso, de acordo com os objetivos e as normas dessa operação; ela se efetua a partir de avaliação automática dos resultados atingidos a cada instante. 2) Em psicologia social, sinais que são direta ou indiretamente perceptíveis e que permitem a uma pessoa (que deve um dado comportamento ou que emitiu uma mensagem para outra pessoa) conhecer o efeito ou o resultado de seu comportamento ou de sua comunicação. Informação de volta, verbal ou não-verbal, permitindo ao emissor ou iniciador, saber se a sua mensagem foi recebida e como foi recebida ou compreendida.
Formador: 1) adj. Que tem valor de formação, pedagogicamente eficaz (ex.: tal exercício é formador); 2) subs. comum Designação de um professor, instrutor, monitor, pedagogo ou educador, pela qual insiste-se sobre o aspecto do papel que consiste em desenvolver, no sujeito a instruir, faculdades que lhe são próprias, possibilidades que são as suas em vista de dominar certas situações sócio-profissionais. Assim sendo, opõe-se conceitualmente a “informador” e a “adestrador”.
Formal: Opõe-se a informal. Designa o aspecto oficial das relações, da organização, da estrutura social. O chefe formal é aquele que detém a autoridade como decorrência de sua posição na organização oficial.
Group-Cooperation-Game: Ver Sinergômetro.
Grupo de base: Outro nome do T-grupo.
Grupo de formação: Outro nome do T-grupo.
Grupo de pertencimento: Ver Pertencimento.
Grupo de referência: Grupo do qual o sujeito é, se considerada ou desejaria ser membro (embora não seja forçosamente o grupo do qual participa atualmente) e do qual assimilou normas, os valores, as opiniões, os modelos de conduta, a tal ponto que a sua participação atual em outros grupos é regida pela identificação com este grupo exterior.
Horizonte temporal : Representação do futuro pessoal por parte de um indivíduo, projeção de si mesmo no futuro, previsão dos objetivos pessoais-sociais a atingir, mais ou menos a longo prazo. Um indivíduo sem horizonte temporal não tem outro objetivo a não ser a satisfação de necessidades ou tensões imediatas (viver somente o instante presente).
Incentivo: Dado suscetível de estimular, despertar o interesse ou a motivação.
Incidente (comunicação): Comunicação que dá uma informação diferente daquela que o emissor tinha a intenção de dar, e que o receptor descobre ou deduz na ocasião.
Indução: No sentido psicológico, tipo de relação pela qual uma intervenção qualquer (dita indutora) determina uma reação complementar ou reacional em outrem (reação induzida). Neste sentido, a sugestão é um caso particular de indução. Na dinâmica de entrevista, esta palavra significa: determinação de uma resposta, de uma atitude ou reação no entrevistado, pela atitude ou pelo método utilizado pelo entrevistador.
Informação: 1) Ação de informar, de dar esclarecimentos, de fazer alguém saber ou conhecer alguma coisa; 2) Conteúdo da comunicação ou da mensagem; 3) Indícios ou sinais tendo um sentido para um receptor humano ou mecânico.
Informal: Sem referência às regras formais ou oficiais, nem à organização a priori, e assim, livre e sem as restrições decorrentes das pressões. Ex.: uma reunião informal é não-estruturada e as comunicações ocorrem livremente entre os participantes, sem preocupação com estatutos ou regras.
Institucional: Que se refere a uma instituição social, a um organismo (estatal ou privado) tendo estatutos, regras e objetivos oficiais.
Institucional (pedagogia): Concepção de pedagogia na qual o papel da educação seria reduzido ou até suprimido, a ação educativa sendo o resultado do meio no qual se faz viver o aluno e, principalmente, do próprio grupo. Ausência completa de autoridade, decisão do grupo em relação ao seu futuro e ao futuro de seus membros. Novo nome da pedagogia libertária. Na realidade, ela é antiinstitucional.
Instrumental (condicionamento): Método de adestramento que consiste em provocar a aprendizagem não pela repetição da boa resposta como no condicionamento dito pavloviano, mas pela decantação das tentativas e dos erros livres em situação bastante motivante, até que seja observada e reforçada a boa resposta.
Interação: Troca inter-humana no decorrer da qual a intervenção de um dos participantes atua sobre os outros reciprocamente. As interações são a vida grupal; elas influenciam os participantes a nível cognitivo e sócio-afetivo.
Intrínseca (motivação): Que surge do Eu do sujeito, que tem ligações íntimas com sua vivência. Opõe-se a extrínseco (que é imposto do exterior).
Jogo de desempenho de papéis (role-play): Cena improvisada entre dois ou mais personagens partindo de script (fornecido aos atores) bastante vago ou geral para permitir a cada personagem representar o papel a seu modo. O jogo de desempenho de papéis permite, uma vez realizado, a análise da maneira como cada personagem representou o seu papel, de assinalar seja as dificuldades inesperadas do papel, seja as maneiras de ser típicas da personalidade do ator.
Learning (aprendizagem): Mudança individual provocada por uma aprendizagem ou pela experiência pessoal. Chama-se também learning ao processo ou processos desta mudança.
Linear (programa): Tipo de ensino programado caracterizando as máquinas de ensinar de Skinner, onde o erro é sistematicamente evitado. A decomposição e a apresentação dos elementos da progressão pedagógica são previstos de tal modo que a resposta certa (que será imediatamente reforçada) é induzida.
Magister: Palavra latina significando o professor. A palavra simboliza a autoridade do mestre (a do poder e a do saber) em uma relação pedagógica tradicional.
Marketing: Palavra inglesa que significa “ciência dos mercados”. O princípio do marketing é prever a produção, os produtos e os serviços sob o ponto de vista exclusivo do consumo e da “clientela”. Por isso é necessário conhecer o “mercado”, isto é, compradores ou clientes, para responder às suas necessidades, expectativas e motivações.
Mass-media: Meios de comunicação de massas, isto é, capazes de veicular uma mesma informação para um número bastante elevado de pessoas (jornais, rádio, televisão, cinema, cartazes, etc..).
Maternar: Neologismo significando o comportamento maternal em relação a alguém, maneira de tratar esse alguém como uma mãe carinhosa trata seu filho. Corresponde ao conceito inglês de nursing.
Mentalismo: 1) Em psicologia, teoria que faz dos fenômenos psíquicos uma realidade irredutível aos fenômenos físicos e fisiológicos. Ponto de vista mentalístico. 2) Em metodologia pedagógica representa o conjunto de modalidades de representação mental, de memorização, de organização consciente das imagens e idéias, em oposição a uma aprendizagem mecânica de gestos.
Merchandising: Arte e técnicas da apresentação dos produtos comerciais e industriais visando promover verbas.
Metacomunicação: Comunicação sobre a comunicação, isto é, comunicação explicitando como a mensagem deve ser compreendida pelo receptor. Ex.: um piscar de olhos indicará que tal palavra não deve ser levada a sério.
Método de casos: Método pedagógico ativo baseado, de um lado, no estudo de um caso concreto para encontrar uma solução ou para pesquisar, a partir de um certo ponto de vista, a sua estrutura... de outro, na discussão em grupo, esta agindo pelo seu próprio valor de formação. A coordenação dessa discussão de grupo sobre um caso exige uma técnica especial de animação.
Metodologia: Conjunto de métodos utilizados por uma ciência e teoria geral desse conjunto. Emprega-se também para significar a prática efetiva de um método e os problemas levantados por suas aplicações.
Mimodrama: Sinônimo de “jogo de desempenho de papéis”. Designa mais precisamente um pequeno esquete improvisado partindo de um script para dois personagens ou do tema de um monólogo.
Motivação: Necessidade, desejo, tendência ou aspiração que incita ou dispõe um indivíduo a ter um certo comportamento ou a tomar certas decisões. A motivação é uma tensão afetiva orientando a conduta e sustentando a atividade em direção ao objetivo ou à situação satisfatórios.
Motivar: No sentido psicopedagógico estrito, “motivar” um grupo, uma classe, um aluno, é agir de tal modo que eles próprios acabam sentindo a necessidade de saber ou de aprender aquilo para que estão sendo preparados. Nesse sentido, ao “motivar” um grupo, desencadeia-se um comportamento de resolução da “necessidade” que mobiliza e move o grupo para aquisição dos conhecimentos capazes de “responder” a essa tensão particular. Em sentido geral, “motivar alguém” é utilizar uma de suas motivações habituais (por exemplo, criando uma situação que ele percebe como insatisfatória mas que pode superar) para orientar seu comportamento num certo sentido (para a procura da solução, por ex.).
Não-diretiva (pedagogia): Concepção de Carl Rogers segundo a qual o professor não deve apresentar regras, nem disciplina, nem programa, nem idéias diretivas aos seus “alunos”, mas deve, ao contrário, centrar-se nas pessoas, na expressão espontânea, no desejo natural de realização pessoal e na vontade de aprender. Isso faz com que seu papel se limite ao de catalisador desse autodesenvolvimento.
Não-verbal: Que não faz parte da ordem de linguagem falada ou escrita. A comunicação não-verbal é a dos olhares, dos sinais, das mímicas, das atitudes, do tom de voz, etc..
Narciso (complexo de): Complacência excessiva para consigo mesmo.
Negativa (pedagogia): Método que consiste, para o instrutor, em evitar um intervir, em não fornecer soluções nem receitas, em não forçar a atenção do aluno, de modo a utilizar apenas seus interesses espontâneos, em deixar o seu desenvolvimento (considerado a priori como se processando sempre em direção ao Bem e ao pleno desabrochar das virtudes naturais) realizar-se por si mesmo. Concepção de J. J. Rosseau. O professor protege a criança das influências externas e sociais consideradas nocivas.
One-man-show: Espetáculo constituído pelo número de um personagem que domina sozinho a cena (e o público) durante toda a sessão (ele próprio é o espetáculo). Em pedagogia usa-se para rotular o “professor artista/ator”com grande efeito cênico sobre os alunos mas não necessariamente dominando o conteúdo da aula.
Operante (condicionamento): Ver Instrumental (condicionamento) e Reforço.
Paradigmático: Que serve de modelo, de ideal, de valor referencial absoluto.
Paralinguagem: Conjunto dos meios não-verbais da comunicação (Ver Não-verbal).
Paternalismo: Atitude, de alguém que tem autoridade hierárquica, que consiste em tratar os subordinados como seus filhos ou como crianças: toma as decisões sozinho, mas mantém relações afetivas e familiares com os que devem obedecer, porque o chefe conhece melhor do que eles o que é bom para eles e leva isso em consideração.
Pedagogia: Etimologicamente arte de conduzir (agogia) as crianças (ped), ciência normativa da educação, estudo dos processos e métodos de educação e, mais geralmente, de toda ação formadora. Uma vez que o problema da pedagogia é, antes de tudo, o dos objetivos, e que os doutrinadores políticos se interessam pela infância na medida em que as crianças serão os adultos no futuro; toda idéia política desenvolve uma redefinição de pedagogia. Atualmente está demonstrado que a Pedagogia não pode ser usada com adultos (ver Andragogia).
Pertencimento (grupo de): Para determinado indivíduo, o grupo de pertencimento é o grupo no qual ele está presente, do qual participa ou no qual ele tem um papel ou uma função (ainda que seja apenas a de ser um membro).
Pesquisa-ação (Action-research): Ver(Ação-pesquisa).
Programação: Elaboração de “programa”, isto é, de operações sucessivas e ordenadas, para serem executadas por uma máquina eletrônica que segue “instruções” (sistema de sinais ativadores) fornecidos de antemão à máquina, e que devem aparecer segundo uma ordem cronológica e condições previstas antecipadamente.
Programado: Ordenado segundo uma programação conforme o sentido acima (ver Programação).
Quadro de referência: Sistema de idéias, opiniões, categorias, valores e sentimentos próprios a um indivíduo ou a um grupo, e em função do qual esse indivíduo (ou grupo) dá-se um sentido àquilo que recebe ou diz. O quadro de referência não é integralmente consciente.
Ramificado (programa): Tipo de desenvolvimento de um programa (de instrução programada ou numa máquina de ensinar) caracterizado pelo fato de que: 1) várias respostas são possíveis, portanto há possibilidade de erro por parte do aluno; 2) esses erros são previstos e analisados; 3) cada um deles manifesta a não-integração dos conhecimentos ou uma insuficiência de informação e encaminha, portanto, a uma nova seqüência ad hoc, isto é, a uma série de informações complementares.
Receptor: Sistema (homem ou máquina) destinatário do sinal ou da informação, e capaz de decifrá-las.
Reciclagem: Formação complementar ou inteiramente nova oferecida a profissionais com a finalidade de fazer com que eles conheçam as transformações ou os progressos operados no setor em que trabalham ou trabalharão.
Redundância: Seqüência de valor informativo nulo num discurso ou numa comunicação; repetição, paráfrase, pedagogicamente útil.
Referência (grupo de): Ver Grupo de referência.
Referência (quadro de): Ver Quadro de referência.
Referencial (comunicação): Sinônimo de informação no sentido de esclarecer, fazer, saber.
Reforço: Operação de base do condicionamento, o reforço tem sentidos diferentes na teoria clássica (Pavlov), na qual ele é a apresentação experimental do estímulo incondicionante associado ao estímulo condicionante (o que evita a extinção da reação adquirida), e na teoria do condicionamento operante (Skinner) na qual o reforço é a própria resposta satisfatória tornando-se recompensa do esforço e reduzindo a tensão.
Relevante: Que. de fato, diz respeito ao problema; que faz parte dos dados essenciais pesquisados.
Repertório: Vocabulário específico de uma ciência, de uma profissão, de um grupo primário. Uma mesma palavra pode ter sentidos diferentes conforme o repertório de referência (ex.: “pistão” para um músico, ou para um mecânico). Palavras podem pertencer a um único repertório (por ex. “sinapse” em neurofisiologia). A pedagogia de um conhecimento é primeiramente a aprendizagem de um repertório.
Role-playing: Ver Jogo de desempenho de papéis.
Ruído: Perturbação aleatória de qualquer natureza ou origem que intervém durante a transmissão de uma mensagem. A “estática”(ruido) nas ligações telefônicas, por exemplo, é um ruído, da mesma forma que o gaguejar do emissor ou a antipatia do receptor.
Seminário: No campo da formação designa um tipo de curso em que os participantes, pouco numerosos, participam de algumas seções que incluem um programa ao mesmo tempo curto (alguns dias) e intensivo. A informação e a formação são objetos de trocas entre o grupo (convidado a se constituir rapidamente como grupo), os animadores e os emissores da informação. Os métodos variam conforme os organizadores.
Seminário em Regime de Internato: Sessão de formação ativa agrupando os participantes longe da empresa e num local de “residência” inteiramente dedicado à sessão, onde se realizam todas as atividades coletivas (reuniões, refeições, atividades, etc.).
Sensibilização: No sentido figurado, na expressão “seminário” ou sessão de sensibilização, trata-se de favorecer a descoberta pessoal (experiencial) de uma certa ordem de fenômenos ou de uma certa área de conhecimentos (correspondendo ao conteúdo da sessão ou do estágio) de modo a intensificar a percepção posterior, e a motivar o estagiário a aumentar sozinho seus conhecimentos no referido campo.
Simulação: 1) Em medicina, ou mais especialmente, em psiquiatria (como no sentido comum) a simulação é o fazer de conta que se está doente ou apresentar tais sintomas com um objetivo determinado (obter aposentadoria, pensão, indenização, redução de pena, etc.); 2) Num sentido metodológico e científico, a simulação é algo totalmente diferente; consiste em realizar um dado (material ou situacional) analógico ou isomorfo em relação a uma classe de objetos ou situações reais, de modo a estudar mais facilmente as variáveis em jogo. O objeto construído é chamado simulador. Uma maquete de avião em laboratório, um teste de inteligência, uma cabine de treinamento para ensinar a dirigir numa sala, a batalha com sacos de areia nos centros militares, o bussines-game para ensinar a gestão das empresas,... são simuladores, cada um no seu gênero.
Simulador: Em orgonomia, em pedagogia ativa, chama-se simulador um aparelho estruturalmente análogo às situações reais que se quer analisar ou para as quais se pretende formar os estagiários ou alunos. Ver Simulação.
Sinética: Palavra lançada em 1965 pelo americano Willian J. J. Gordon para designar um método de estímulo da criatividade nos grupos.
Skip-Branching: Tipo de ensino programado que permite fazer “saltos” rápidos na informação recebida quando o sujeito a instituir já sabe do que se trata... e, ao contrário, seguir a via lenta da programação linear quando ele necessita tudo aprender. A apresentação das unidades de informação leva em conta essas duas possibilidades.
Sobremotivação: Ver Supermotivação.
Sociodrama: Método de psicodrama, mas do qual os atores são grupos ou representantes de grupos. A palavra é muitas vezes empregada também no sentido de Jogo de desempenho de papéis quando os personagens são numerosos.
Status social: Posição reconhecida ou conferida a uma pessoa num grupo, em relação aos demais membros do grupo, à qual está associado um grau de consideração, de estima social, de respeito. Ter um ”baixo status social” significa que, no referido grupo, essa pessoa é considerada como tendo pouco valor e pouca importância.
Supermotivação: Intensificação da motivação (positiva ou negativa) a um ponto tal que ultrapassa a possibilidade, para o Ego, de controlar e regular o comportamento. A motivação dinamiza um sujeito e impele sua atividade (ex.: vontade de realizar com êxito uma performance), mas a supermotivação (ex.: essa mesma vontade que se torna devoradora ou angústia face à possibilidade de fracasso) perturba e paralisa a conduta (medo de enfrentar a situação, pânico).
Teaching: Atividade do docente: ensino é considerado do ponto de vista funcional.
Tecnologia: 1) Estudo das técnicas, compreendendo a descrição de todos os processos de realização, em todos os campos, existentes num dado momento e numa determinada sociedade; as regras gerais de eficácia prática desses processos, meios e instrumentos; a evoluçÃo das técnicas, etc.; 2) Teoria das técnicas num campo particular, ou até de uma determinada técnica.
T-grupo (Training Group ou grupo de base ou grupo de formação em relações humanas): Surgiu em 1947 nos EUA, no decorrer de um seminário de formação destinado a professores e animado por Kurt Lewin e seus colaboradores. Tornou-se um método que tem oficialmente por objetivos: a sensibilização à dinâmica de grupo, o estudo das interações de grupo e a transformação pessoal na vivência e prática das relações inter-humanas; o método coloca-se entre os métodos experienciais exigentes. É um grupo ocasional, reunido sem tema de discussão com um ou vários monitores (que têm por objetivo auxiliar o grupo na sua evolução), e durante vários dias.
Transferência: No sentido pedagógico e na teoria de aprendizagem, chama-se transferência a utilização, na aprendizagem de um exercício, daquilo que foi aprendido no decorrer de um exercício anterior. Assim, a aquisição obtida na primeira aprendizagem serve para a segunda, facilita e acelera o progresso. Sabe-se que essa transferência só é positiva se a segunda aprendizagem (e as seguintes) apresentar uma analogia de princípio ou de estrutura com a primeira. Ou seja, salvo nos casos de automatização rígida do comportamento, alguma coisa é aprendida que pode ser transposta para outras aprendizagens (ex.: aprender a dirigir tal máquina facilita a aprendizagem posterior para dirigir outra máquina de tipo, forma e finalidades diferentes da primeira).
T. W. I. (Training Within Industry): Método de formação acelerada dos contra-mestres da indústria, criado no EUA, em 1941, por Ch. R. Dooley. O método consiste em aprender comportamentos típicos, cada um correspondendo a um aspecto codificado de uma situação complexa que foi analisada e separada em unidades mais simples. Dispondo-se da “ficha” que resume os sinais indicativos das fases da situação onde a cada um dos sinais correspondem os pontos-chave dos comportamentos aprendidos (check-list), pode-se dominar a situação.