Os IGNORANTES, que acham saber tudo, privam -se de um dos maiores prazeres da vida: APRENDER.

ENSINO-APRENDIZAGEM NUM MUNDO VIRTUAL

 

 Gilberto Teixeira,Prof.Doutor (FEA/USP)
 
 
No paradigma hegemônico da educação presencial ,ou a distância, até alguns poucos anos atrás, tudo que se sabia do processo ensino e aprendizagem era priorizar  o ensino  em relação à aprendizagem. O modelo pedagogico  era centralizado
no ensino ,o que significava na figura do professor

O sistema educacional colocava desafios que freqüentemente se limitavam ao seguimento de programas de ensino previamente estabelecidos, com pouca possibilidade de interferência criativa e crítica dos alunos e mesmo dos professores. O ensino era de massa, como a produção nas indústrias.

O aluno era padrão, como um hamburger do MacDonalds. A sala de aula era cognitivamente tão desestimulante aos alunos quanto a superfície de Plutão para uma bactéria. O estereótipo de professor nesse paradigma é alguém lá na frente "dando" aula para uma turma de alunos relativamente pouco nteressados em qualquer coisa que fosse além dos quesitos de avaliação formal. Nessa educação,o aluno era mais objeto que sujeito, o professor era mais vítima que autor,o ambiente de aprendizagem mais uma limitação que uma libertação.

Ao professor cabia organizar e distribuir informações e tarefas. Dos alunos esperava-se especialmente disciplina, obediência e passividade. O ritmo e o fluxo de interações, fundamentais aos processos de aprendizagem, eram majoritariamente controlados pelo professor, limitado ainda pelo sinal a cada cinqüenta minutos.

As reações a esse modelo já começaram há algum tempo, mas no entanto ainda são poucas e ainda confusas. Há, ainda, uma enorme distância entre discurso e prática. É pesada a herança do antigo paradigma que paira sob nossas cabeças, um legado que levará gerações para ser ressignificado.

Como sabemos, as demandas de aprendizagem aumentaram e estão mais exigentes. Há muito o que aprender, de modo mais profundo e em menos tempo do que cabe em uma vida comum. Temos que aprender e também que desaprender.

Há muita informação e tantas oportunidades quanto riscos. Temos que ser seletivos em nossas vidas e saber escolher os caminhos que conduzem ao nosso interesse e avaliar as conseqüências dessa escolha. Seria ingênuo esperar que sistemas centralizados de organização e gestão de processos de ensino possam atender  a nossas cada vez mais múltiplas, reais e específicas necessidades. É impensável que esses sistemas centralizados possam optar por nós melhor do que nós mesmos, a cada nó de nossos infindáveis trajetos de aprendizagens. Está em curso o desenvolvimento de conceitos e instrumentos que viabilizam que o sujeito que aprende passe a controlar seu processo de aprendizagem, seguindo caminhos não adronizados, eventualmente únicos, que considerem o background pessoal, contexto de vida, interesse, características cognitivas e de personalidade, além de suas possibilidades objetivas. Esses caminhos de aprendizagem traçados pelo sujeito terão convergências momentâneas com os caminhos de outros aprendizes, momento em que as interações serão necessárias, possíveis e certamente intensas. Está clara a falência dos paradigmas anteriores de ensino, pois eles não atendem às necessidades humanas em nosso novo meio de existência e tampouco aproveitam as possibilidades que se colocam com potencial transformador.

Então, chegamos a uma nova concepção, na qual essas novas necessidades de aprender podem ser atendidas pelo inusitado aparelhamento dos ambientes humanos para esse fim. Será inevitável, assim, que o conceito de escola seja, em breve, significativamente diferente do que é hoje. Em breve, muito breve!
E assim também será com os conceitos de aula, de presença, de desempenho,de professor, de aluno, de turma...


O professor organizador e transmissor está tendo seu papel discutido, e será reconstruído como já são diversos outros profissionais, de médicos a metalúrgicos. O professor passou a ser um tremendo improvisador naquilo que não deveria improvisar e um burocrata naquilo em que precisava criar e criticar.

A educação mecanizada esgotou-se enquanto modelo capaz de atender às necessidades da comunidade humana e já começamos a presenciar o surgimento de novos conceitos.
As tecnologias de informação e comunicação, no entanto, nada podem fazer em relação à qualidade de suas aplicações, e é notável como facilmente são incorporadas de modo a acomodar os velhos paradigmas ao invés de questioná-los. Por isso, é importante perceber que a mudança viabilizada pela tecnologia só será efetivada caso haja gente, muita gente, com capacidade de ousar e inovar,de fundamentar seus passos e socializar os caminhos.

Tecnologia não é máquina; tecnologia é saber-fazer, coisa que as máquinas podem até incorporar, mas sem crítica e, certamente, sem inventividade.

O germe das transformações já começa a se multiplicar e a buscar nichos institucionais que sustentem as inovações. Um número cada vez maior de instituições e profissionais de ensino se dedicam a estruturar ambientes onde floresça um novo paradigma de ensino e de aprendizagem.
 
 É clara a tendência   de utilização das novas tecnologias de informação e comunicação como ampliação dos espaços presenciais de aprendizagem ou, ao menos, como elemento desestabilizador da mesmice. É estimulante perceber a frenética movimentação  no sentido de se desenvolver processos de produção de ambientes virtuais  de aprendizagem.
 Nestes espaços que se criam com a ajuda das novas tecnologias, o professor será um membro de uma equipe de profissionais que arquitetam um ambiente ergonômico, intenso, denso e motivador para a aprendizagem. Fará parte de uma equipe que atuará nesse ambiente como especialistas, assessores, consultores e mediadores dos diversos tipos de interações que proporcionam a aprendizagem