GILBERTO TEIXEIRA (PROF.DOUTOR FEA/USP)
I - OBJETIVO GENÉRICO
O aluno compreenderá a influência das diferenças individuais na aprendizagem, a fim de em seus planejamentos didáticos, considerar os fatores a elas inerentes.
II - OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Identificar:
1 - A definição de personalidade, segundo Allport;
2 - As condições para o estudo do comportamento humano;
3 - As diferenças individuais como decorrentes da relação "todo X aprendido";
4 - Como as diferenças individuais se refletem no aprender.
1. INTRODUÇÃO
O sucesso no ensino depende da correta análise de todo o seu contexto, do planejamento das atividades e interpretação de seus resultados.
Nesta apostila fornecemos, de forma sucinta, elementos para análise de seu participante mais complexo - o ser humano, apresentando a origem das diferenças individuais e sua relação com a aprendizagem.
2. CONCEITUAÇÃO DE PERSONALIDADE, SEGUNDO GORDON ALLPORT
Personalidade é a organização dinâmica, no indivíduo, daqueles sistemas psicofísicos que determinam o seu pensamento e comportamento característico, a sua adaptação típica ao meio.
3. ANÁLISE DOS COMPORTAMENTOS DA CONCEITUAÇÃO DE ALLPORT
Desta conceituação isolamos as duas grandes presenças, indivíduo e meio, que podem ser estudados segundo os aspectos:
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anatômico
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- cor, dimensões e forma do corpo
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Indivíduo
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fisiológico
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- funções orgânicas, processos de crescimento, maturação desse corpo;
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psicológico
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- registro de instintos da espécie e das vivências do indivíduo;
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ambiente
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- compreende clima, flora, fauna e aspectos físicos;
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Meio
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cultural
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- no sentido dado por Herskowits, "grupo social e os seus produtos e instituições"
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4. CONDIÇÕES PARA O ESTUDO DO COMPORTAMENTO HUMANO
4.1. Este só pode ser entendido se observada a totalidade dos componentes da personalidade em interação com o meio. A separação e análise isolada dos mesmos é feita apenas para facilitar o estudo.
4.2. Deve ser realizado segundo duas visadas:
A primeira, transversal, onde consideramos, no tempo presente, o indivíduo, se está alimentado, agasalhado, confortável, as suas necessidades, problemas e expectativas;
O meio - os recursos (sentido amplo) que estão à sua disposição, as pessoas que o cercam, o contexto familiar e profissional, o ambiente, temperatura, ventilação, as limitações e as formas (estabelecidas pela Cultura) de realizar o seu potencial e atender às suas necessidades básicas;
A segunda, longitudinal, quando se toma em consideração a história do indivíduo, origem familiar, escolaridade, experiências, traumas, a sua vivência no sentido amplo.
5. A RELAÇÃO "DADO X APRENDIDO"
A influência da hereditariedade (dado-geneticamente) e do meio (de onde se aprende alimentação, experiência, etc.) na constituição (anatômica, fisiológica e psicológica) do indivíduo tem sido debatida insistentemente, sendo ainda difícil fixar o grau de participação de um ou de outro na determinação desta.
A partir do momento em que é gerado o ser, os potenciais e as limitações estabelecidas pela carga genética recebida passam a se desenvolver em função do que recebem do meio. A alimentação nos aspectos qualitativo e quantitativo, as agressões químicas e bacteriológicas, os padrões de conduta próprios do meio cultural a que está exposto o indivíduo, fazem com que as possibilidades que existiam ao ser concebido se tornem ou não no transcurso da sua vida.
São considerados "dados" os caracteres raciais e do grupo familiar do indivíduo, assim como uma série de comportamentos ditos instintivos. Quanto a estes últimos, existem discussões em relação a essa classificação, entretanto também existe praticamente um acordo total quanto a uma atitude básica do ser humano, um instinto de preservação da vida, que objetiva a auto-conservação do ser e a perpetuação da espécie.
6. DIFERENÇAS INDIVIDUAIS
Considerando a possibilidade praticamente infinita de combinações dos genes (dado) e a impossibilidade de repetir as condições de desenvolvimento de cada ser (apreendido), veremos que a totalidade das características e das experiências não se repete, determinando assim "... o seu pensamento e comportamento característico, a sua adaptação típica ao meio".
Entretanto, vários pontos em comum podem ser observados, principalmente os relacionados à linguagem e entendimento de símbolos e sinais, ligados à escolaridade e à cultura, bem como as características raciais do grupo de origem.
7. DIFERENÇAS INDIVIDUAIS E APRENDIZAGEM
7.1. Aprender significa que o aluno
a) continua a dar as mesmas respostas a um estímulo diferente, ou
b) dá uma resposta diferente ao mesmo estímulo.
7.2. as diferenças individuais refletem-se no aprender, segundo dois aspectos básicos:
1) o que faz com que o aluno se engaje na situação de ensino a motivação, que ocorre na medida em que esta situação se identifica com a realização das suas aspirações;
2) na percepção dos estímulos gerados na situação de ensino.
Tais aspectos (motivação e percepção) serão objeto de estudo específico e devem ser considerados no planejamento didático, quando vamos determinar:
· por onde o curso deve começar - conseqüência da análise do grupo de alunos no que se refere aos conhecimentos e habilidades (repertório de respostas) que já possuem.
· que atividades (didáticas e extra-curriculares) programar e qual linguagem deve ser usada - considerando o aluno, seu ritmo biológico, o contexto em que vai se encontrar o objetivo do curso.
8. BIBLIOGRAFIA
FILLOUX, J. C. "A personalidade" - São Paulo, Difusão Européia do livro, 1966.
KLINEBERG, Otto "Psicologia social" - Rio de Janeiro, Editora Fundo de Cultura
HALL, C.S. e LINDZEY, G. "Theories of personality" - New York, John Wiley & Sons, Inc.
HERSKOVITS, Melville J. "Antropologia cultural" - São Paulo, Mestre Jou, 1973
ALLPORT, Gordon "Personalidade; padrões e desenvolvimento" São Paulo, EPU, 1973.
ILDA ITIRO e WIERZZBICKI, Henri A. "Ergonomia" - São Paulo, Fac. Eng. Industrial