Veridiana de Vasconcelos Duarte
Resumo
O presente pré-projeto utiliza-se dos conceitos fundamentais associados aos processos de (EAD) para estabelecer relacionamentos entre a tecnologia e metodologia. Ao apresentar alguns modelos pedagógicos sustentados em EAD, definições e aspectos relativos à aplicação via Web, possibilita investigar o papel fundamental que esta tecnologia pode desempenhar na sociedade. Considerando que o desafio de educar e educar-se a distância é grande, busca-se um referencial para as práticas de qualidade nos projetos e processos de EAD, garantindo condições favoráveis para a criação, aperfeiçoamento e divulgação de conhecimentos sob esta forma de educação. Assim, tomando-se por base as experiências de Instituições que se agregam a EAD e os indicadores da qualidade de seus processos e produtos, estabelece-se uma análise de aspectos relevantes para estes cursos no âmbito da modelagem.
1 – Introdução
A crescente evolução tecnológica está determinando uma nova ordem econômica e social nos mais variados campos da ação humana. Na área da educação, o desenvolvimento científico e tecnológico vem criando nos educadores a necessidade de adotar modelos de ensino que atendam às profundas modificações experimentadas pela sociedade, onde a perspectiva de diversificar os espaços educacionais revela um aprendizado sem fronteiras.
O ambiente educacional convencional vem encontrando dificuldades para responder adequadamente a estes impactos, tornando difícil para o setor educacional capacitar e atender à crescente demanda de pessoal. Assim, a Educação à Distância (EAD) aparece como forte opção para solucionar este problema, empregando recursos com alto poder de difusão e possibilitando às pessoas, mesmo distribuídas geograficamente e temporalmente, somarem informações e, subjetivamente, procurar por caminhos que as conduzam a seus objetivos. As mudanças culturais e tecnológicas, colocam-se como reflexo de uma evolução contínua, juntamente com as novas formas do homem viver e relacionar-se, explicando, em parte, a intensificação da busca pela EAD.
Contudo, faz-se necessário que mecanismos da percepção da qualidade e outros requisitos estejam presentes nas perspectivas da EAD, para que realmente possa cumprir seus propósitos.
Assim, este estudo tem seu foco na qualidade dos processos, tendo por base análises realizadas junto a instituições que adotaram da EAD, muito embora reconheça-se que o volume de relatórios com esse enfoque, considerados sob parâmetros tão diversificados, chegue a dificultar uma avaliação pormenorizada a respeito, permitindo, entretanto, estabelecer algumas conclusões que evidenciam-se ao formar-se uma visão sobre o “todo” dos casos.
2 – A Dinâmica das Transformações Tecnológicas e a Educação a Distância com Suporte Ccomputacional
O primeiro computador foi revelado ao mundo em 1946, mas foi só depois do surgimento e do uso maciço de microcomputadores, que apareceram no final de 1977, os computadores começaram a ser vistos como tecnologia educacional.
Da mesma forma, embora a Internet tenha sido criada em 1969, usa utilização somente assumiu proporções importantes nos últimos sete anos, quando foi aberta para uso comercial. Assim, o correio eletrônico permitiu que as pessoas se comunicassem assincronamente, mas com extrema rapidez, os serviços de chat permitiram a comunicação síncrona entre várias pessoas e, mais importante, a Web permitiu não só que fosse agilizado o processo de acesso a documentos textuais, gráficos, fotografias, sons e vídeo, com acesso não-linear e interativo, usando a tecnologia de hipertexto.
A convergência de todas essas tecnologias em um mega-meio de comunicação, centrado no computador, viabilizou a realização de conferências eletrônicas envolvendo componentes de diferentes mídias.
Graças aos suportes tecnológicos de hardware e software atuais, tornou-se possível a realização de aulas virtuais. O acesso à Internet e a disseminação do uso do computador está possibilitando mudar a forma de produzir, armazenar e disseminar a informação. As fontes de pesquisa abertas aos alunos pela Internet, as bibliotecas digitais em substituição às publicações impressas e os cursos à distância vêm crescendo gradativamente.
O ensino e a aprendizagem são processos subjetivos, que acontecem diferentemente para cada pessoa, onde quer que esteja o indivíduo, que está se educando ou aprendendo, conforme explica Luckesi apud Bolzan (1998):
A educação, nas suas mais diversas modalidades, não tem condições de sanear nossos múltiplos problemas nem satisfazer nossas mais variadas necessidades. Ela não salva a sociedade, porém ao lado de outras instâncias sociais, ela tem um papel fundamental no processo de distanciamento da incultura, da acriticidade e na construção de um processo civilizatório mais digno do que esse que vivemos. (Luckesi apud Bolzan , 1999 pág. 23).
Uma característica básica da EAD é o estabelecimento de uma dupla via, na medida em que o professor e o aluno não se encontram juntos fisicamente. Segundo Chaves (1998), ensinar a distância, porém é perfeitamente possível e, hoje ocorre o tempo todo como, por exemplo, quando aprendemos através de um livro, ou assistimos a um filme, programas de televisão, ou um vídeo que foram feitos para nos ensinar algo. A expressão Ensino a Distância faz perfeito sentido neste contexto, porque “quem está ensinando: o ensinante está espacialmente distante, e também distante no tempo de quem está aprendendo, no caso aprendente”.
Keegan apud Bolzan (1998), enumera os elementos fundamentais sobre EAD:
· Separação física entre professor e aluno, que o distingue do presencial;
· Influência da organização educacional (planejamento, sistematização, plano, projeto, organização dirigida, entre outros.), que a diferencia da educação individual;
· Utilização de meios técnicos de comunicação, usualmente impressos, para unir o professor ao aluno e transmitir os conteúdos educativos;
· Previsão de uma comunicação-diálogo, e da possibilidade de iniciativas de dupla via; possibilidade de encontros ocasionais com propósitos didáticos e de socialização;
· Participação de uma forma industrializada de educação.
Essas variáveis, que distinguem o ensino a distância do ensino presencial têm proporcionado às pessoas manifestarem-se mais, sem medo de errar e sem medo de estarem se expondo aos demais colegas. Além disso, na medida em que a informação possa ser organizada de maneira crítica e construtiva, pode favorecer o fortalecimento de uma mentalidade crítica e criativa no público-alvo e possibilitar aos profissionais os conhecimentos sobre os avanços nas suas áreas específicas. A tecnologia encoraja o pensamento criativo, promove a capacidade de empreendimento e desperta a curiosidade.
Quanto à educação, que sempre pretendeu atender a todos, o ensino a distância parece ser uma excelente alternativa, pois tem a capacidade de atender um grande número de pessoas que estão dispersas geográfica. Mais do que isso, a (EAD) viabiliza o ensino sem a necessidade de contigüidade espaço-temporal.
Chaves (1998), mostrou em seus estudos sobre tecnologia educacional que alunos, ao utilizarem computadores, aumentaram sua produção, melhorando suas atitudes e a auto-imagem, propiciando relacionamentos estudante-professor de melhor qualidade.
Entretanto, de acordo com Moraes apud Lucena (2000), o maior desafio da modernidade é a produção do conhecimento e seu manejo criativo e crítico, o que impõe novas qualificações.
3 - Modelos de Aprendizagem na EAD
O ensino a distância pressupõe um sistema de transmissão e estratégias pedagógicas adequadas às diferentes tecnologias utilizadas, ou seja, o conjunto dos métodos e meios instrucionais e de suporte para produzir um aprendizado efetivo.
O processo de aprendizado no ensino a distância depende de pelo menos três fatores: o modelo de aprendizagem, a infra-estrutura tecnológica e infra-estrutura da sala de aula.
Dentre os modelos de aprendizagem na educação, o mais tradicional é o chamado de compartamentalista ou objetivista. Nesta forma de ensino, baseada numa aprendizagem reprodutiva, o aluno é entendido como um sujeito passivo, que recebe uma série de informações prontas, trabalhando muito pouco sobre elas. O ensino segundo essa concepção é encarado apenas como transmissão de conhecimentos.
A educação a distância proporciona não só a capacitação e atualização de professores e Uma forma totalmente diferente de ver o processo de aprendizagem é a do modelo construtivista, o cognitivo e o sócio-cultural. Segundo Leidner apud Bolzan (1998), no modelo construtivista, em lugar de ser apenas transmitido, o conhecimento é criado ou construído pelo educador e com seus alunos. O professor serve como o mediador do processo de aprendizado. Sob esta ótica, os alunos tendem a aprender melhor quando são induzidos a descobrir as coisas por si próprios.
Já no modelo cooperativo ou colaboracionista, o aprendizado acontece na interação do indivíduo com os objetos. É pela contribuição de diferentes entendimentos de uma mesma matéria que se chega a um conhecimento compartilhado. O professor é o facilitador deste compartilhamento, ao invés de simplesmente entregar conhecimento ao grupo.
O modelo cognitivo tem como premissa básica que o aprendizado requer um certo período para desenvolver, testar e refinar modelos para serem levados à prática.
O aprendizado é um processo de transferência de novo conhecimento na memória de longo prazo. Ao mesmo tempo uma extensão e uma reação ao modelo construtivista, o modelo sócio-cultural de aprendizagem pressupõe que o conhecimento não pode estar dissociado do que está por trás do histórico-cultural do aprendiz. Como conseqüência disso, a aprendizagem será tanto mais rápida quanto mais próxima da experiência do aluno. Por essa razão, o instrutor não deve realizar uma única representação da realidade nem uma interpretação baseada em termos culturais únicos.
Segundo Leidner apud Bolzan (1998) para cada modelo de aprendizagem é possível associar um instrumento mais adequado, ao qual corresponde uma infra-estrutura tecnológica específica em diferentes modalidades de ensino. A combinação de alguns aspectos sobre do paradigma educacional e o paradigma tecnológico geram uma educação de última qualidade.
De acordo com Moraes apud Lucena (2000), esse novo modelo de educação é apresentado de forma cada vez mais interativa, rápida, flexível e cada vez mais com redução de custos. Para esse autor, o sistema educacional convencional pode modificar-se significamente com as novas tecnologias. As pessoas trocam informações, participam de projetos de pesquisa em conjunto, e a possibilidade de integração de várias mídias, acessando no horário que o usuário dispor já é uma realidade. A indústria eletrônica e o desenvolvimento das telecomunicações têm favorecido todo esse quadro e o mundo está se tornando cada vez mais interativo, se tornando grande e pequeno, mediante o uso de voz, dados, imagens e textos cada vez mais interativos.
4 - Modelagem de Cursos em EAD
Para satisfazer as necessidades para as quais se destina, um modelo de curso de EAD precisa estar planejado, estrategicamente, à luz de uma proposta pedagógica integrada e sustentada por uma proposta tecnológica, de tal forma que permita potencializar, na sua possibilidade máxima, a sua ação como ferramenta de aprendizagem.
As categorias de Ensino a Distância são duas:
· Modelo Síncrono – Alunos e instrutores interagem em tempo real através de salas de aula virtuais, utilizando uma combinação de métodos;
· Modelo Assíncrono – Permite um ensino do tipo auto-estudo, no qual, o aluno pode escolher dentre uma variedade de mídias a que mais se ajusta ao seu perfil, completar o trabalho do curso de acordo com a agenda estabelecida e então submeter ao instrutor todo material para avaliação.
A Web parece ser atualmente um ambiente propício para a implantação da EAD. Dentre suas vantagens para a EAD, cabe destacar: acesso a fontes inesgotáveis de assuntos para pesquisa; páginas educacionais específicas para a pesquisa escolar e busca de softwares; comunicação e interação com outras escolas e com o mundo; estímulo para pesquisar a partir de temas previamente definidos ou a partir da curiosidade dos próprios alunos; desenvolvimento de novas formas de comunicação e socialização; estímulo à escrita, leitura e à curiosidade; desenvolvimento de autonomia, autodisciplina e autodidatismo. Entretanto, entre suas desvantagens para EAD, destaca-se: muitas informações sem fidedignidade; facilidade na dispersão durante a navegação e acesso a sites inadequados; lentidão de acesso aos sites; empobrecimento da troca direta de experiências; perigo da homogeneidade dos materiais instrucionais; evasão devido à falta de interação e/ ou acúmulo de tarefas.
4.1 - A Implantação Gradativa de um Modelo
Para Chaves (1998), o modelo de educação que caracterizará a sociedade da informação e do conhecimento provavelmente não será calcado no ensino, presencial ou remoto: será calcado na aprendizagem, ou seja, um modelo de Aprendizagem Mediada pela Tecnologia (AMT).
Um modelo de educação calcado na AMT será tipicamente, centrado no aluno, em suas necessidades, em seus interesses, em seu estilo e ritmo de aprendizagem. Um primeiro aspecto do potencial da Internet e da Web para a AMT está no fato de que a Internet caminha rapidamente para se tornar o grande repositório que armazenará todo tipo de informação que tornar-se pública.
Com isso, as pessoas vão estar recorrendo a Web o tempo todo para buscar informações, seja nos processos de aprendizado, seja para realizar alguma atividade em seu trabalho ou em sua vida particular.
A escola e os professores terão novas funções nesse novo modelo, tendo que criar ambientes de aprendizagem em que os alunos possam ser orientados, não só sobre onde encontrar as informações, mas, também, sobre como avaliá-las, analisá-las e organizá-las, tendo em vista os seus objetivos.
Outro aspecto do potencial educacional da Internet, em especial da Web, está no fato de que as pessoas estarão recorrendo a alternativas remotas para obter as informações de que necessitam. Estas informações não estarão embutidas em grandes e complexos módulos, como os atuais cursos (cursos de duração de um semestre ou mesmo um ano), mas, sim, micro-módulos, bem específicos, com objetivos bem definidos e precisos, e elaboradas com o cuidado com que hoje se desenvolvem programas de televisão de meia ou, no máximo, uma hora de duração. Haverá sempre, na Internet, um módulo de informações feito sob medida, para ajudar a aprender em nível mais imediato, intermediário, ou mais avançado.
4.2 – Detalhamento de um Modelo de Desenvolvimento da EAD
Existem vários ambientes que propiciam a EAD com apoio da Internet, facilitando a comunicação entre professor e aluno.
O ambiente AulaNet (visualizado em http://www.aulanet.com.br), por exemplo, permite a criação de cursos a partir de um simples formulário com informações gerais sobre o curso: nome do curso, sigla do curso, descrição, código, instituição e outras informações.
Após a criação, existem mecanismos para estabelecer a comunicação entre professor e aluno, podendo ser diretamente através de mensagens ou debates: chat, videoconferência ou grupos de interesses ou de discussão. O professor também poderá se utilizar, dos mecanismos de coordenação para fazer a avaliação de seus alunos e coordenar o andamento do curso.
Nestes métodos incluem-se: o uso de transparências, textos de aula, bibliografias, download e outros. Estes mecanismos serão utilizados após o planejamento das aulas podendo ser inseridos através do menu do AulaNet, onde constam as aulas que são compostas por arquivos do tipo PPT, HTML, PDF ou AVI. Os livros textos incluem arquivos HTML ou PDF. As demonstrações utilizam arquivos de imagens gráficas como AVI, MOV, RM, JPG e GIF. Com relação à bibliografia utiliza-se de URLs ou de arquivos HTML ou PDF. O módulo da agenda e notícias do curso que permite ao aluno manter-se informado.
A interface do aluno, ou usuário sem privilégios, permite as opções de pedido de matrícula, trancamento da matrícula e assistir os cursos.
Esta opção, que permite ao aluno assistir os cursos em que está matriculado, abrirá uma janela no browser onde se apresentam os recursos que o professor optou para ministrar o curso. Ao administrador do AulaNet, o ambiente permite o acesso às informações dos cursos, alunos e de todo o AulaNet, a tela inicial deste ambiente possui as seções de Participantes, Cursos e Campos.
4.3 Indicadores de Qualidade
Apesar do grande potencial, os sistemas de EAD ainda esbarram na falta de cultura pela busca pelo conhecimento. Segundo Klenk apud Duarte (1999), a ausência de uma cultura de busca do conhecimento por conta própria é apontada por vários especialistas como um dos principais entraves à disseminação da educação à distância no Brasil.
Entretanto, a Educação a Distância vem crescendo em função das possibilidades decorrentes das novas Tecnologias da Informação e das Comunicações (TIC), que estabelecem as diferenças fundamentais entre educação presencial e à distância, uma vez que o aluno tem acesso ao conhecimento e desenvolve hábitos, habilidades e atitudes relativos ao estudo, à profissão e à sua própria vida, no tempo e local que lhe são adequados, não com a ajuda em tempo integral da aula de um professor, mas com a mediação de professores (orientadores ou tutores), atuando ora a distância, ora em presença e com o apoio de materiais didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados através dos diversos meios de comunicação (conforme o Decreto nº 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, que regulamenta o artigo 80 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional).
Assim, os possíveis indicadores relacionados à qualidade de produtos e serviços a EAD, resultam, naturalmente destas colocações: a base principal das práticas de qualidade nos projetos e processos de educação superior é garantir continuamente melhorias na criação, aperfeiçoamento, divulgação de conhecimentos culturais, científicos, tecnológicos e profissionais que contribuam para superar os problemas regionais, nacionais e internacionais e para o desenvolvimento sustentável dos seres humanos, sem exclusões, nas comunidades e ambientes em que vivem. O princípio-mestre é o de que não se trata apenas de tecnologia ou de informação: o fundamento é a educação da pessoa.
5 – Considerações Finais
A sociedade da informação é uma realidade que leva-nos a uma reflexão do papel do homem dentro do contexto repleto de máquinas, tecnologia e rapidez no processamento das informações. A inserção da informática na escola vem se consolidando no meio educacional, exigindo da escola e do professor, uma concepção clara quanto ao uso de seus recursos.
Assim, se de um lado, a tecnologia computacional oferece condições para implementar práticas que contribuam para a construção do conhecimento, seus partícipes devem assumir, de vez, uma postura coerente com esta concepção, apropriando-se dos meios necessários para sua consecução.
A mesma resistência quanto à inclusão do computador nos processos educacionais, ou ainda, a Aprendizagem Mediada pela Tecnologia (AMT), parece ter alcançado a EAD implantada através de ambientes computacionais, especialmente através da Web, ou ainda, as novas Tecnologias da Informação e das Comunicações (TICs).
Entretanto cabe considerar que na “Informática e na Educação”, nada é estático e definitivo, já que o computador só encontra seu limite na imaginação de professores e alunos.
Vale salientar que a EAD não decreta a ruína da educação presencial. Ela apenas representa mais um meio pelo qual se dispõe para promover a educação. E a tecnologia, deve-se admitir que é um meio que vem mudando lógicas de pensamento e maneira de viver.
Portanto, superada a barreira da ausência de uma cultura para a disseminação da educação à distância no Brasil, deve-se voltar o foco para a qualidade.
Certamente não se tem uma metodologia única para EAD mediada por computador, mas todas deverão dar conta dos amplos aspectos envolvidos nesta modalidade de trabalho educativo, sem perder de vista a coerência de cada ponto com a concepção de educação assumida pelo proponente. Certamente, isso nos leva a refletir sobre a validade das propostas de desenvolvimento de produtos e de estratégias para trabalhar neste ambiente, e, talvez a considerar, finalmente, que as propostas com qualidade para EAD mediada por computador, não devem ser outras senão aquelas orientadas por educadores.
Referências Bibliográficas
ALVES, João. A educação a Distância no Brasil: Síntese Histórica e Perpectivas. Rio de Janeiro. Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação, 1994. (maio 2002).
Chaves (1998)
AZEVEDO, Wilson. Muito Além do Jardim de Infância. O desafio do preparo de alunos e professores online. Revista Brasileira de Educação a Distância, ano 6, nº 36, setembro/outubro 1999. Publicado também nos anais do VI Congresso Internacional da Associação Brasileira de Educação a Distância, agosto de 1999 http://www.abed.org.br/paper_visem/wlson_azevedo.htm
BOLZAN, R. F. F. A . O conhecimento tecnológico e o paradigma educacional. Santa Catarina: UFSC, 1998. (Dissertação, Mestrado). Disponível por www em http://www.eps.ufsc.br/disserta98/regina/index.htm (fevereiro, 2002).
CHAVES, Eduardo. Conceitos de Educação à Distância. Disponível por WWW em http://www.edutecnet.br, 1998 (março 2002).
DUARTE, Veridiana. Uma Proposta de Educação à Distância nas Disciplinas de Sistemas Operacionais I e II. Pelotas, UCPel, 1999.
LUCENA, L. Professores e Aprendizes na Web: Educação na Era da Internet, Clube do Futuro, Rio de Janeiro, 2000. (junho 2002).
NUNES, Ivônio Barros. Noções de Educação à Distância. OnLine. Disponível por
www em http://www.ibase.organizacao.br/~inde/ivonio1.html, 1998 (março 2002).
RITTO, Antonio Carlos de A. & MACHADO Fº, Nery. A Caminho da Escola Virtual. Um ensaio carioca. Rio de Janeiro, Consultor, 1995.
Sobre a autora:
Veridiana de Vasconcelos Duarte é especialista da Trecsson Business - FGV
Resumo
O presente pré-projeto utiliza-se dos conceitos fundamentais associados aos processos de (EAD) para estabelecer relacionamentos entre a tecnologia e metodologia. Ao apresentar alguns modelos pedagógicos sustentados em EAD, definições e aspectos relativos à aplicação via Web, possibilita investigar o papel fundamental que esta tecnologia pode desempenhar na sociedade. Considerando que o desafio de educar e educar-se a distância é grande, busca-se um referencial para as práticas de qualidade nos projetos e processos de EAD, garantindo condições favoráveis para a criação, aperfeiçoamento e divulgação de conhecimentos sob esta forma de educação. Assim, tomando-se por base as experiências de Instituições que se agregam a EAD e os indicadores da qualidade de seus processos e produtos, estabelece-se uma análise de aspectos relevantes para estes cursos no âmbito da modelagem.
1 – Introdução
A crescente evolução tecnológica está determinando uma nova ordem econômica e social nos mais variados campos da ação humana. Na área da educação, o desenvolvimento científico e tecnológico vem criando nos educadores a necessidade de adotar modelos de ensino que atendam às profundas modificações experimentadas pela sociedade, onde a perspectiva de diversificar os espaços educacionais revela um aprendizado sem fronteiras.
O ambiente educacional convencional vem encontrando dificuldades para responder adequadamente a estes impactos, tornando difícil para o setor educacional capacitar e atender à crescente demanda de pessoal. Assim, a Educação à Distância (EAD) aparece como forte opção para solucionar este problema, empregando recursos com alto poder de difusão e possibilitando às pessoas, mesmo distribuídas geograficamente e temporalmente, somarem informações e, subjetivamente, procurar por caminhos que as conduzam a seus objetivos. As mudanças culturais e tecnológicas, colocam-se como reflexo de uma evolução contínua, juntamente com as novas formas do homem viver e relacionar-se, explicando, em parte, a intensificação da busca pela EAD.
Contudo, faz-se necessário que mecanismos da percepção da qualidade e outros requisitos estejam presentes nas perspectivas da EAD, para que realmente possa cumprir seus propósitos.
Assim, este estudo tem seu foco na qualidade dos processos, tendo por base análises realizadas junto a instituições que adotaram da EAD, muito embora reconheça-se que o volume de relatórios com esse enfoque, considerados sob parâmetros tão diversificados, chegue a dificultar uma avaliação pormenorizada a respeito, permitindo, entretanto, estabelecer algumas conclusões que evidenciam-se ao formar-se uma visão sobre o “todo” dos casos.
2 – A Dinâmica das Transformações Tecnológicas e a Educação a Distância com Suporte Ccomputacional
O primeiro computador foi revelado ao mundo em 1946, mas foi só depois do surgimento e do uso maciço de microcomputadores, que apareceram no final de 1977, os computadores começaram a ser vistos como tecnologia educacional.
Da mesma forma, embora a Internet tenha sido criada em 1969, usa utilização somente assumiu proporções importantes nos últimos sete anos, quando foi aberta para uso comercial. Assim, o correio eletrônico permitiu que as pessoas se comunicassem assincronamente, mas com extrema rapidez, os serviços de chat permitiram a comunicação síncrona entre várias pessoas e, mais importante, a Web permitiu não só que fosse agilizado o processo de acesso a documentos textuais, gráficos, fotografias, sons e vídeo, com acesso não-linear e interativo, usando a tecnologia de hipertexto.
A convergência de todas essas tecnologias em um mega-meio de comunicação, centrado no computador, viabilizou a realização de conferências eletrônicas envolvendo componentes de diferentes mídias.
Graças aos suportes tecnológicos de hardware e software atuais, tornou-se possível a realização de aulas virtuais. O acesso à Internet e a disseminação do uso do computador está possibilitando mudar a forma de produzir, armazenar e disseminar a informação. As fontes de pesquisa abertas aos alunos pela Internet, as bibliotecas digitais em substituição às publicações impressas e os cursos à distância vêm crescendo gradativamente.
O ensino e a aprendizagem são processos subjetivos, que acontecem diferentemente para cada pessoa, onde quer que esteja o indivíduo, que está se educando ou aprendendo, conforme explica Luckesi apud Bolzan (1998):
A educação, nas suas mais diversas modalidades, não tem condições de sanear nossos múltiplos problemas nem satisfazer nossas mais variadas necessidades. Ela não salva a sociedade, porém ao lado de outras instâncias sociais, ela tem um papel fundamental no processo de distanciamento da incultura, da acriticidade e na construção de um processo civilizatório mais digno do que esse que vivemos. (Luckesi apud Bolzan , 1999 pág. 23).
Uma característica básica da EAD é o estabelecimento de uma dupla via, na medida em que o professor e o aluno não se encontram juntos fisicamente. Segundo Chaves (1998), ensinar a distância, porém é perfeitamente possível e, hoje ocorre o tempo todo como, por exemplo, quando aprendemos através de um livro, ou assistimos a um filme, programas de televisão, ou um vídeo que foram feitos para nos ensinar algo. A expressão Ensino a Distância faz perfeito sentido neste contexto, porque “quem está ensinando: o ensinante está espacialmente distante, e também distante no tempo de quem está aprendendo, no caso aprendente”.
Keegan apud Bolzan (1998), enumera os elementos fundamentais sobre EAD:
· Separação física entre professor e aluno, que o distingue do presencial;
· Influência da organização educacional (planejamento, sistematização, plano, projeto, organização dirigida, entre outros.), que a diferencia da educação individual;
· Utilização de meios técnicos de comunicação, usualmente impressos, para unir o professor ao aluno e transmitir os conteúdos educativos;
· Previsão de uma comunicação-diálogo, e da possibilidade de iniciativas de dupla via; possibilidade de encontros ocasionais com propósitos didáticos e de socialização;
· Participação de uma forma industrializada de educação.
Essas variáveis, que distinguem o ensino a distância do ensino presencial têm proporcionado às pessoas manifestarem-se mais, sem medo de errar e sem medo de estarem se expondo aos demais colegas. Além disso, na medida em que a informação possa ser organizada de maneira crítica e construtiva, pode favorecer o fortalecimento de uma mentalidade crítica e criativa no público-alvo e possibilitar aos profissionais os conhecimentos sobre os avanços nas suas áreas específicas. A tecnologia encoraja o pensamento criativo, promove a capacidade de empreendimento e desperta a curiosidade.
Quanto à educação, que sempre pretendeu atender a todos, o ensino a distância parece ser uma excelente alternativa, pois tem a capacidade de atender um grande número de pessoas que estão dispersas geográfica. Mais do que isso, a (EAD) viabiliza o ensino sem a necessidade de contigüidade espaço-temporal.
Chaves (1998), mostrou em seus estudos sobre tecnologia educacional que alunos, ao utilizarem computadores, aumentaram sua produção, melhorando suas atitudes e a auto-imagem, propiciando relacionamentos estudante-professor de melhor qualidade.
Entretanto, de acordo com Moraes apud Lucena (2000), o maior desafio da modernidade é a produção do conhecimento e seu manejo criativo e crítico, o que impõe novas qualificações.
3 - Modelos de Aprendizagem na EAD
O ensino a distância pressupõe um sistema de transmissão e estratégias pedagógicas adequadas às diferentes tecnologias utilizadas, ou seja, o conjunto dos métodos e meios instrucionais e de suporte para produzir um aprendizado efetivo.
O processo de aprendizado no ensino a distância depende de pelo menos três fatores: o modelo de aprendizagem, a infra-estrutura tecnológica e infra-estrutura da sala de aula.
Dentre os modelos de aprendizagem na educação, o mais tradicional é o chamado de compartamentalista ou objetivista. Nesta forma de ensino, baseada numa aprendizagem reprodutiva, o aluno é entendido como um sujeito passivo, que recebe uma série de informações prontas, trabalhando muito pouco sobre elas. O ensino segundo essa concepção é encarado apenas como transmissão de conhecimentos.
A educação a distância proporciona não só a capacitação e atualização de professores e Uma forma totalmente diferente de ver o processo de aprendizagem é a do modelo construtivista, o cognitivo e o sócio-cultural. Segundo Leidner apud Bolzan (1998), no modelo construtivista, em lugar de ser apenas transmitido, o conhecimento é criado ou construído pelo educador e com seus alunos. O professor serve como o mediador do processo de aprendizado. Sob esta ótica, os alunos tendem a aprender melhor quando são induzidos a descobrir as coisas por si próprios.
Já no modelo cooperativo ou colaboracionista, o aprendizado acontece na interação do indivíduo com os objetos. É pela contribuição de diferentes entendimentos de uma mesma matéria que se chega a um conhecimento compartilhado. O professor é o facilitador deste compartilhamento, ao invés de simplesmente entregar conhecimento ao grupo.
O modelo cognitivo tem como premissa básica que o aprendizado requer um certo período para desenvolver, testar e refinar modelos para serem levados à prática.
O aprendizado é um processo de transferência de novo conhecimento na memória de longo prazo. Ao mesmo tempo uma extensão e uma reação ao modelo construtivista, o modelo sócio-cultural de aprendizagem pressupõe que o conhecimento não pode estar dissociado do que está por trás do histórico-cultural do aprendiz. Como conseqüência disso, a aprendizagem será tanto mais rápida quanto mais próxima da experiência do aluno. Por essa razão, o instrutor não deve realizar uma única representação da realidade nem uma interpretação baseada em termos culturais únicos.
Segundo Leidner apud Bolzan (1998) para cada modelo de aprendizagem é possível associar um instrumento mais adequado, ao qual corresponde uma infra-estrutura tecnológica específica em diferentes modalidades de ensino. A combinação de alguns aspectos sobre do paradigma educacional e o paradigma tecnológico geram uma educação de última qualidade.
De acordo com Moraes apud Lucena (2000), esse novo modelo de educação é apresentado de forma cada vez mais interativa, rápida, flexível e cada vez mais com redução de custos. Para esse autor, o sistema educacional convencional pode modificar-se significamente com as novas tecnologias. As pessoas trocam informações, participam de projetos de pesquisa em conjunto, e a possibilidade de integração de várias mídias, acessando no horário que o usuário dispor já é uma realidade. A indústria eletrônica e o desenvolvimento das telecomunicações têm favorecido todo esse quadro e o mundo está se tornando cada vez mais interativo, se tornando grande e pequeno, mediante o uso de voz, dados, imagens e textos cada vez mais interativos.
4 - Modelagem de Cursos em EAD
Para satisfazer as necessidades para as quais se destina, um modelo de curso de EAD precisa estar planejado, estrategicamente, à luz de uma proposta pedagógica integrada e sustentada por uma proposta tecnológica, de tal forma que permita potencializar, na sua possibilidade máxima, a sua ação como ferramenta de aprendizagem.
As categorias de Ensino a Distância são duas:
· Modelo Síncrono – Alunos e instrutores interagem em tempo real através de salas de aula virtuais, utilizando uma combinação de métodos;
· Modelo Assíncrono – Permite um ensino do tipo auto-estudo, no qual, o aluno pode escolher dentre uma variedade de mídias a que mais se ajusta ao seu perfil, completar o trabalho do curso de acordo com a agenda estabelecida e então submeter ao instrutor todo material para avaliação.
A Web parece ser atualmente um ambiente propício para a implantação da EAD. Dentre suas vantagens para a EAD, cabe destacar: acesso a fontes inesgotáveis de assuntos para pesquisa; páginas educacionais específicas para a pesquisa escolar e busca de softwares; comunicação e interação com outras escolas e com o mundo; estímulo para pesquisar a partir de temas previamente definidos ou a partir da curiosidade dos próprios alunos; desenvolvimento de novas formas de comunicação e socialização; estímulo à escrita, leitura e à curiosidade; desenvolvimento de autonomia, autodisciplina e autodidatismo. Entretanto, entre suas desvantagens para EAD, destaca-se: muitas informações sem fidedignidade; facilidade na dispersão durante a navegação e acesso a sites inadequados; lentidão de acesso aos sites; empobrecimento da troca direta de experiências; perigo da homogeneidade dos materiais instrucionais; evasão devido à falta de interação e/ ou acúmulo de tarefas.
4.1 - A Implantação Gradativa de um Modelo
Para Chaves (1998), o modelo de educação que caracterizará a sociedade da informação e do conhecimento provavelmente não será calcado no ensino, presencial ou remoto: será calcado na aprendizagem, ou seja, um modelo de Aprendizagem Mediada pela Tecnologia (AMT).
Um modelo de educação calcado na AMT será tipicamente, centrado no aluno, em suas necessidades, em seus interesses, em seu estilo e ritmo de aprendizagem. Um primeiro aspecto do potencial da Internet e da Web para a AMT está no fato de que a Internet caminha rapidamente para se tornar o grande repositório que armazenará todo tipo de informação que tornar-se pública.
Com isso, as pessoas vão estar recorrendo a Web o tempo todo para buscar informações, seja nos processos de aprendizado, seja para realizar alguma atividade em seu trabalho ou em sua vida particular.
A escola e os professores terão novas funções nesse novo modelo, tendo que criar ambientes de aprendizagem em que os alunos possam ser orientados, não só sobre onde encontrar as informações, mas, também, sobre como avaliá-las, analisá-las e organizá-las, tendo em vista os seus objetivos.
Outro aspecto do potencial educacional da Internet, em especial da Web, está no fato de que as pessoas estarão recorrendo a alternativas remotas para obter as informações de que necessitam. Estas informações não estarão embutidas em grandes e complexos módulos, como os atuais cursos (cursos de duração de um semestre ou mesmo um ano), mas, sim, micro-módulos, bem específicos, com objetivos bem definidos e precisos, e elaboradas com o cuidado com que hoje se desenvolvem programas de televisão de meia ou, no máximo, uma hora de duração. Haverá sempre, na Internet, um módulo de informações feito sob medida, para ajudar a aprender em nível mais imediato, intermediário, ou mais avançado.
4.2 – Detalhamento de um Modelo de Desenvolvimento da EAD
Existem vários ambientes que propiciam a EAD com apoio da Internet, facilitando a comunicação entre professor e aluno.
O ambiente AulaNet (visualizado em http://www.aulanet.com.br), por exemplo, permite a criação de cursos a partir de um simples formulário com informações gerais sobre o curso: nome do curso, sigla do curso, descrição, código, instituição e outras informações.
Após a criação, existem mecanismos para estabelecer a comunicação entre professor e aluno, podendo ser diretamente através de mensagens ou debates: chat, videoconferência ou grupos de interesses ou de discussão. O professor também poderá se utilizar, dos mecanismos de coordenação para fazer a avaliação de seus alunos e coordenar o andamento do curso.
Nestes métodos incluem-se: o uso de transparências, textos de aula, bibliografias, download e outros. Estes mecanismos serão utilizados após o planejamento das aulas podendo ser inseridos através do menu do AulaNet, onde constam as aulas que são compostas por arquivos do tipo PPT, HTML, PDF ou AVI. Os livros textos incluem arquivos HTML ou PDF. As demonstrações utilizam arquivos de imagens gráficas como AVI, MOV, RM, JPG e GIF. Com relação à bibliografia utiliza-se de URLs ou de arquivos HTML ou PDF. O módulo da agenda e notícias do curso que permite ao aluno manter-se informado.
A interface do aluno, ou usuário sem privilégios, permite as opções de pedido de matrícula, trancamento da matrícula e assistir os cursos.
Esta opção, que permite ao aluno assistir os cursos em que está matriculado, abrirá uma janela no browser onde se apresentam os recursos que o professor optou para ministrar o curso. Ao administrador do AulaNet, o ambiente permite o acesso às informações dos cursos, alunos e de todo o AulaNet, a tela inicial deste ambiente possui as seções de Participantes, Cursos e Campos.
4.3 Indicadores de Qualidade
Apesar do grande potencial, os sistemas de EAD ainda esbarram na falta de cultura pela busca pelo conhecimento. Segundo Klenk apud Duarte (1999), a ausência de uma cultura de busca do conhecimento por conta própria é apontada por vários especialistas como um dos principais entraves à disseminação da educação à distância no Brasil.
Entretanto, a Educação a Distância vem crescendo em função das possibilidades decorrentes das novas Tecnologias da Informação e das Comunicações (TIC), que estabelecem as diferenças fundamentais entre educação presencial e à distância, uma vez que o aluno tem acesso ao conhecimento e desenvolve hábitos, habilidades e atitudes relativos ao estudo, à profissão e à sua própria vida, no tempo e local que lhe são adequados, não com a ajuda em tempo integral da aula de um professor, mas com a mediação de professores (orientadores ou tutores), atuando ora a distância, ora em presença e com o apoio de materiais didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados através dos diversos meios de comunicação (conforme o Decreto nº 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, que regulamenta o artigo 80 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional).
Assim, os possíveis indicadores relacionados à qualidade de produtos e serviços a EAD, resultam, naturalmente destas colocações: a base principal das práticas de qualidade nos projetos e processos de educação superior é garantir continuamente melhorias na criação, aperfeiçoamento, divulgação de conhecimentos culturais, científicos, tecnológicos e profissionais que contribuam para superar os problemas regionais, nacionais e internacionais e para o desenvolvimento sustentável dos seres humanos, sem exclusões, nas comunidades e ambientes em que vivem. O princípio-mestre é o de que não se trata apenas de tecnologia ou de informação: o fundamento é a educação da pessoa.
5 – Considerações Finais
A sociedade da informação é uma realidade que leva-nos a uma reflexão do papel do homem dentro do contexto repleto de máquinas, tecnologia e rapidez no processamento das informações. A inserção da informática na escola vem se consolidando no meio educacional, exigindo da escola e do professor, uma concepção clara quanto ao uso de seus recursos.
Assim, se de um lado, a tecnologia computacional oferece condições para implementar práticas que contribuam para a construção do conhecimento, seus partícipes devem assumir, de vez, uma postura coerente com esta concepção, apropriando-se dos meios necessários para sua consecução.
A mesma resistência quanto à inclusão do computador nos processos educacionais, ou ainda, a Aprendizagem Mediada pela Tecnologia (AMT), parece ter alcançado a EAD implantada através de ambientes computacionais, especialmente através da Web, ou ainda, as novas Tecnologias da Informação e das Comunicações (TICs).
Entretanto cabe considerar que na “Informática e na Educação”, nada é estático e definitivo, já que o computador só encontra seu limite na imaginação de professores e alunos.
Vale salientar que a EAD não decreta a ruína da educação presencial. Ela apenas representa mais um meio pelo qual se dispõe para promover a educação. E a tecnologia, deve-se admitir que é um meio que vem mudando lógicas de pensamento e maneira de viver.
Portanto, superada a barreira da ausência de uma cultura para a disseminação da educação à distância no Brasil, deve-se voltar o foco para a qualidade.
Certamente não se tem uma metodologia única para EAD mediada por computador, mas todas deverão dar conta dos amplos aspectos envolvidos nesta modalidade de trabalho educativo, sem perder de vista a coerência de cada ponto com a concepção de educação assumida pelo proponente. Certamente, isso nos leva a refletir sobre a validade das propostas de desenvolvimento de produtos e de estratégias para trabalhar neste ambiente, e, talvez a considerar, finalmente, que as propostas com qualidade para EAD mediada por computador, não devem ser outras senão aquelas orientadas por educadores.
Referências Bibliográficas
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RITTO, Antonio Carlos de A. & MACHADO Fº, Nery. A Caminho da Escola Virtual. Um ensaio carioca. Rio de Janeiro, Consultor, 1995.
Sobre a autora:
Veridiana de Vasconcelos Duarte é especialista da Trecsson Business - FGV