Os IGNORANTES, que acham saber tudo, privam -se de um dos maiores prazeres da vida: APRENDER.

Nova forma de administração de ensino

 

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Gestores dizem que grande parte do sucesso da Educação a Distância depende de diferenciá-la do modo presencial

 
Mesmo sendo uma modalidade recente no Brasil, a Educação a Distância não pára de crescer. Considerada por muitos especialistas e pelo Governo Federal como a solução para a expansão do ensino no país, a EAD foi uma das maiores beneficiadas com a explosão da internet. Segundo dados do MEC (Ministério da Educação), apenas cinco anos após a regulamentação da modalidade para o ensino superior, já são 34 as instituições credenciadas, que oferecem 52 cursos de graduação e pós-graduação. A estimativa, segundo a Secretaria de Ensino a Distância do ministério, é de que cerca de 100 mil pessoas estejam fazendo cursos de graduação desta forma no Brasil atualmente.
No entanto, a maioria destes cursos ainda é fruto de um incentivo dado pelo ministério à formação de professores. Poucas instituições têm apostado em graduação aberta. As maiores apostas, em termos empresariais, partiram daquelas criadas especificamente para o Ensino a Distância, como a UVB (Instituto Universidade Virtual Brasileira) e a AIEC (Associação Internacional de Educação Continuada) - ainda que estas sejam iniciativas de instituições "tradicionais". A primeira foi formada por diversas universidades particulares e a AIEC, criada pela Faculdade de Administração de Brasília. 
A criação de novas instituições para gerir cursos a distância mostra que o setor já aprendeu a reconhecer que as modalidades - a distância e presencial - exigem modelos administrativos distintos. "Os conceitos são diferentes. Não se pode dar o mesmo tratamento em relação à estrutura e ao funcionamento da educação presencial para fazer educação a distância. São coisas distintas", afirma o gerente da PUC Virtual (departamento de EAD da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), Gilberto Medeiros.
No que diz respeito à graduação a distância, diversos fatores têm impedido uma atuação mais intensa das IES. Ao optar pela criação de um curso dessa natureza, a instituição passa a trabalhar com uma série de variáveis que não enfrenta no presencial. Algumas questões, especialmente, precisam ser trabalhadas antes que se tornem grandes problemas. São elas: diferenças regionais (acentuadas pela distância geográfica), nível de aprendizado, faixa etária, adaptação ao método e, até mesmo, a variação do acesso que cada aluno tem às tecnologias utilizadas para acompanhamento do curso.
 
"A gestão é bastante crítica em relação a todos os processos. É preciso levar em conta como os alunos vão se relacionar conosco e qual o tipo de configuração adequada para atender, da mesma forma, o aluno que está em São Paulo e o que está em Boa Vista. Trabalhamos com um espectro de variabilidade muito grande", detalha o diretor-geral do Núcleo de Desenvolvimento da UVB, Reneé Birochi. Parte dessa ´crise` nasce do fato de que instituições que oferecem Educação a Distância têm o potencial de conseguir, efetivamente, alcance nacional.
E restam ainda, é claro, alguns problemas que tradicionalmente preocupam as instituições presenciais. Palavras como evasão e inadimplência também atormentam as IES que optam por investir em EAD. Com um agravante. Como é um campo novo no país, é difícil prever qual será o comportamento dos alunos estudando a distância durante quatro anos. "Há preocupação em manter o aluno. É preciso atendê-lo para que ele se sinta parte da universidade", conta a coordenadora da Unisul Virtual (departamento de EAD da Universidade do Sul de Santa Catarina), Jucimara Roesler. "A oferta de um curso de graduação não se justifica se o número de alunos for pequeno, porque torna o projeto inviável".
Boas perspectivas
Ainda assim, a expectativa do setor é boa. As poucas experiências com graduação vêm obtendo resultados satisfatórios, semelhantes aos que já eram alcançados em cursos mais curtos, como os de pós-graduação e extensão. No caso da Unisul, que oferece cursos superiores de dois anos de duração, o índice de evasão registrado tem ficado bem abaixo ao apontado no ensino presencial. "Estamos ainda no primeiro semestre. Começamos com 100 alunos e estamos com 94. Fizemos uma pesquisa de satisfação e o resultado foi fantástico. Os alunos estão muito satisfeitos com o curso", comemora Jucimara.
Outro fator positivo é a identificação de um nicho de mercado com bastante espaço para ser explorado. Atentas aos movimentos do mercado, as instituições não apostam nos estudantes recém-saídos do ensino médio, mas sim naqueles que não conseguiram ingressar na graduação. "A perspectiva é excelente porque é uma nova forma de aprendizagem que até então não estava disponível. Existe, de saída, um determinado perfil de estudante que precisa muito de flexibilidade. E isso você não consegue nos cursos presenciais", compara Birochi.
O perfil do aluno de graduação a distância também é diferente do que faz o curso presencial. "É o candidato que está no mercado de trabalho sem graduação. Como ele trabalha e muitas vezes tem família, é complicado para ir à universidade todos os dias. A distância, é possível que ele estude no horário de trabalho, aos sábados ou domingos. É um foco considerável a ser atendido", explica Jucimara. "Esse aluno é muito pressionado a ir para o MBA, mas  não tem nem a graduação. Para esse tipo de perfil, o curso atende muito bem a essas características", complementa Birochi.
Investimento X Retorno
No entanto, é preciso ter calma. As perspectivas apontam retorno para os investidores apenas a médio e longo prazo. "Mas não se pode pensar no tempo que é preciso para obter o retorno. Isso depende, evidentemente, do número de alunos e de cursos que se pode ter ao longo de um determinado período. Qualquer investimento, de qualquer sistema produtivo, incluindo o educacional, precisa de 10 a 12 anos para obter retorno. Na EAD, os administradores consideram que isso tem que ser rápido, em dois anos", critica Medeiros.
Segundo ele, apenas agora, no quarto ano de trabalho da PUC é que a universidade espera conseguir começar a retornar os recursos que foram gastos no processo. "Nós imaginamos que a partir do próximo ano podemos ter alguma expectativa de retorno em termos dos investimentos que  fizemos. Tanto na parte de pessoal quanto na de equipamentos e instalações", explica Medeiros. A expectativa é a mesma na UVB, que começará seus cursos de graduação em 2004. "De uma forma conservadora, levando em conta variáveis como ocupação das vagas disponíveis, evasão e inadimplência, pensamos o retorno de investimento para cinco anos", diz Birochi.
Medeiros alerta aos interessados em montar seus cursos de graduação que é necessário muito mais que um bom histórico no presencial. "O grande erro das universidades é que querem tratar EAD como se fosse apenas colocar uma aula no computador. Não é. São coisas bem diferentes", alerta. "Se a instituição não tiver vontade política, corpo docente capaz de se adaptar e se ajustar a essa nova tecnologia e visão para enxergar que o futuro da educação no Brasil tem que passar, necessariamente, pela educação a distância, é melhor nem começar".