Dees Stallings
Ambiente emergente
Considere o emergente ambiente educacional e de treinamento. Estatísticas atuais apóiam enfaticamente a declaração de Peter Drucker em Managing in a Time of Great Change (Gerenciamento em uma Época de Grande Mudança): "Acho que o crescimento da indústria neste país e no mundo logo será a educação continuada de adultos" (Drucker, 1995, p. 343). Contudo, quando enfocamos a atividade de organizações educacionais e de treinamento neste ambiente de mudança e de crescimento, também prevemos desastres para alguns. Muitas instituições tradicionais não sobreviverão, à medida que a Idade da Informação evoluir e transformar-se em uma rede global. Entre elas estão tanto as grandes universidades quanto as pequenas faculdades particulares que forem incapazes, como o dinossauro e a ave dodo, de evoluir e ir ao encontro das necessidades dos alunos e instrutores em uma sociedade orientada para a tecnologia. No outro extremo, os educadores e treinadores podem observar o sucesso comercial de jogos "apontar e atirar" (por exemplo, o jogo Doom foi apresentado como um modelo positivo em um recente artigo de capa da revista Training) e podem promover um método de "máquina de venda de lanches" para a dispersão do aprendizado. Essas duas tendências – sub ou superdedicação à tecnologia – serão responsáveis por mais danos do que qualquer outra tendência em educação durante a próxima década.
Tendo em vista o rápido crescimento da educação e o treinamento a distância nesse ambiente, como podem ser supridas as necessidades dos alunos e do instrutor?
Como testamos a aplicabilidade de vários modelos [de instrução] e como definimos sucesso? É interessante que poucos estudos combinam custo e eficácia de instrução. O potencial de recuperação de custo de rodar pilotos "on-line" parece justificar por completo mais atividades desse tipo por parte das instituições. Quando elas funcionam, você simplesmente continua a expandi-las, uma atividade ideal para operações automatizadas (Stallings, 1997a).
O novo ambiente educacional on-line tem potencial ilimitado e inexplorado quanto à qualidade, ao rigor, à interatividade e à eficácia de custo acadêmicos. Se pudermos, através de pilotos, protótipos ou por outros meios de melhoria de processo, controlar esse ambiente, os instrutores poderão proporcionar uma situação de aprendizado mais eficaz ao mesmo tempo que melhoram suas condições de trabalho. Uma maneira é usar a tecnologia para as três coisas que ela faz de melhor: padronização, velocidade e organização de coisas sequencialmente (streamlining).
Potencial e desafio
A tecnologia de comunicação e de informação oferece um evidente potencial para explorar capacidades on-line para distribuir a educação em qualquer lugar, em qualquer momento. Cursos veiculados pela Internet estão provando, a cada dia que passa, sua capacidade de fornecer um ambiente rico e de permitir que a avaliação e a aprendizagem sejam mais rápidas, diretas e mais gerais do que em qualquer momento do passado.
Há também um claro ensaio de auditoria para avaliar os cursos e currículos, pois quase toda comunicação on-line, seja por meio de conferências, seja por e-mail, é feita por escrito. Os resultados podem ser significativos, especialmente quando elaborados com base em comprovadas técnicas de tradição de projeto de instrução de educação à distância, como as da Universidade Aberta.
O esforço necessário para atingir esses resultados também é significativo. As instruções apoiadas no computador logo atingirão altos níveis de eficácia no ensino de habilidades básicas e repetitivas. Além disso, softwares de estímulo estão se tornando cada vez mais úteis.
Essas coisas, no entanto, ainda são caras e levam muito tempo para serem produzidas. E elas falharam bastante, e continuarão a falhar, em atingir o nível de aprendizado obtido por cursos mediados por instrutores, tanto na sala de aula quanto em situações on-line. No entanto, os limites da eficácia de um bom instrutor em ensinar e avaliar o aprendizado são sempre a fadiga e a frustração; o novo ambiente fornece muito dos dois. Para um instrutor ou pesquisador ser eficaz no ambiente, de modo geral é necessário apenas ter treinamento técnico, mas, sem uma compreensão de provadas técnicas de educação a distância, o aprendizado não ocorre.
Considere Frederick Taylor, o primeiro grande medidor de produtividade. O método de Taylor, definido como "a aplicação de métodos científicos para o problema de obter eficiência máxima em trabalho industrial ou outros" foi aplicado indiscriminadamente no início deste século para aumentar a produção nas fábricas, muitas vezes à custa do trabalhador e, às vezes, à custa do chefe. Taylor usou um cronômetro e cálculos para realizar estudos de tempo e movimento para descobrir "uma melhor maneira" para produzir aço e outros produtos manufaturados cuja produção exigia um grande espaço físico e muitos indivíduos realizando passos separados no processo. O método de Taylor (louvado por líderes de vário tipos, desde Henry Ford até Lenin e Drucker) divide o trabalho em componentes e requer que se "cronometre cada um dos elementos de um trabalho" (Kanigel, 1997), melhorando, assim, a eficiência, desde o menor componente até o maior. Mais recentemente, a discussão de Stan Davis sobre novos conceitos de administração em Future Perfect cobre território semelhante. Sua regra de que as empresas devem entregar bens e serviços "em qualquer lugar, em qualquer momento" também deriva de sua estratégia de "personalização em massa", no qual materiais uniformemente de alta qualidade são feitos sob medida para ajustar-se às necessidades de cada consumidor individual. A estratégia de Davis agora é amplamente utilizada em indústrias tão diferentes quanto as de hospedagem e de fabricação automotiva (Davis, 1987, p. 138).
O trabalho no computador, cada vez mais barato graças à lei de Moore, possibilita a aplicação dos conceitos de Taylor e de Davis na educação e no treinamento. Assim, podemos otimizar e controlar processos educacionais, especialmente aqueles que requerem padronização e aplicação repetitiva, para melhorar as condições do trabalho, aprendizado e da eficácia de custo, tudo sem sacrificar nenhuma parte desse notório triângulo. No ambiente de educação a distância, a fábrica e o funcionário são combinados no computador, a porta de entrada é o modem. Através de uma contínua otimização de processos, agora é possível para o instrutor usar o tempo mínimo absoluto para procedimentos administrativos repetitivos e maximizar seu tempo para ir ao encontro das necessidades individuais dos estudantes em níveis cognitivos e de desenvolvimento mais altos.
Capacidade e demanda geram a necessidade de uma estratégia prática
O objetivo deste artigo é apresentar e promover uma estratégia prática e já comprovada para a melhoria da eficácia institucional na distribuição on-line de cursos em nível superior.
Essa estratégia combina duas áreas de experiência:
1) distribuição de instrução on-line
2) a integração de tarefas escritas em todas as disciplinas.
A primeira, a base da experiência, embora recente, envolve milhares de alunos. A segunda, mais geral em seu escopo, lida com centenas de milhares deles.
2) a integração de tarefas escritas em todas as disciplinas.
A primeira, a base da experiência, embora recente, envolve milhares de alunos. A segunda, mais geral em seu escopo, lida com centenas de milhares deles.
A primeira e mais recente área de experiência é a distribuição on-line de alto volume de cursos universitários, direcionados por instrutores que utilizam conferências de computadores assíncronos e a tecnologia de páginas na Web. O aprimoramento de capacidades de entrega e a alta demanda por cursos a "qualquer hora, em qualquer lugar" por sua vez criaram uma busca por instrutores de alta qualidade que conseguem desenvolver seus cursos no campus virtual. Esse novo ambiente recentemente levou algumas instituições orientadas à educação um pouco além do estágio experimental em instrução on-line. Matrículas feitas pela Internet no Park College, por exemplo, cresceram quase exponencialmente, de 28 alunos em outubro de 1996 a 640 um ano mais tarde. Um problema do rápido crescimento nesse ambiente é satisfazer a demanda dos alunos por interação com bons instrutores.
Uma grande preocupação para mim na UOL Publishing ao trabalhar com nossas instituições parceiras é ajudar os "apresentadores" populares a adaptar e maximizar suas habilidades existentes no ambiente on-line.
A segunda área de experiência é a integração de tarefas escritas em várias disciplinas. Durante a última meia década, à medida que empregadores e associações profissionais tornaram-se mais exigentes na solicitação de graduados que possam se comunicar bem na escrita, o nível superior de educação testemunhou um significativo aumento de tarefas escritas em muitas disciplinas universitárias. Devido ao fato de avaliar a escrita consumir tempo e ser complexo, técnicas de avaliação e treinamento dos professores nessas técnicas também tiveram que ser desenvolvidos.
Algumas dessas técnicas são bastante adequadas para a educação a distância, e algumas também têm a vantagem de ser aplicadas utilizando-se a tecnologia de PC. Duas tendências bem adequadas à melhoria do processo da instrução on-line são:
1) o uso de uma lista de verificação (para padronizar os critérios de avaliação) para dar apoio a comentários sumários (para articular o quão satisfatoriamente os alunos cumpriram a tarefa) em um único formulário de avaliação que é vinculado eletronicamente à tarefa;
2) o uso do PC na avaliação da escrita.
Abaixo, sugiro uma estratégia de avaliação a distância do aprendizado que pode ser eficaz em associação com outras estratégias de instrução e que pode funcionar como um ambiente híbrido de aprendizado que usa várias tecnologias de distribuição. Eu testemunhei seu funcionamento em cursos tradicionais, bem como naqueles por correspondência ou on-line, até o ponto de aumentar a renda per capita do instrutor e também a qualidade da interação e o retorno para os estudantes. Essa estratégia é especialmente eficaz para a designação, a avaliação e o auxílio com tarefas de pesquisa e discussões, que requerem pensamento reflexivo, crítico e criativo.
2) o uso do PC na avaliação da escrita.
Abaixo, sugiro uma estratégia de avaliação a distância do aprendizado que pode ser eficaz em associação com outras estratégias de instrução e que pode funcionar como um ambiente híbrido de aprendizado que usa várias tecnologias de distribuição. Eu testemunhei seu funcionamento em cursos tradicionais, bem como naqueles por correspondência ou on-line, até o ponto de aumentar a renda per capita do instrutor e também a qualidade da interação e o retorno para os estudantes. Essa estratégia é especialmente eficaz para a designação, a avaliação e o auxílio com tarefas de pesquisa e discussões, que requerem pensamento reflexivo, crítico e criativo.
Um exemplo
Imagine-se como instrutor de um curso de Administração de Negócios de nível superior que está na World Wide Web. Seu curso permite que os alunos "vão à escola" de qualquer lugar, em qualquer hora do dia ou da noite. O tempo de deslocamento, os seus gastos e os de seus alunos desapareceram. Com uma combinação completa de conferências assíncronas (nas quais cada mensagem de conferência é essencialmente uma página da Web, em HTML e com capacidade de multimídia), e-mail e conferências síncronas de chat em tempo real, sua "sala de aula virtual" fica ainda mais ativa do que as sessões realizadas no local.
Devido ao fato de você poder vincular global e imediatamente seu curso a bibliotecas virtuais, a sítios corporativos e governamentais, a serviços de auxílio ao ensino on-line e a outros recursos, você agora processa mais recursos de instrução do que jamais sonhou ser possível. Quanto ao ensino, você agora é capaz de fazer mais, em menos tempo, usando menos recursos pessoais e institucionais. Além disso, o tempo que você e seus colegas passaram avaliando e dando notas para tarefas aumentou significativamente, o suficiente para fazer que tanto você quanto seu diretor reconsiderem a expansão do programa de MBA (Master of Business Administration) on-line que acabou de ser lançado.
Esses obstáculo, contudo, pode tornar-se uma coisa valiosa. Um parceiro corporativo fornece a você o "campus virtual", tanto liberando a instituição acadêmica do custoso esforço de se manter uma capacidade de distribuição confiável e do estado da arte, como aumentando seu alcance de marketing. Esse parceiro desenvolveu várias "ferramentas de instrutor" e técnicas que podem otimizar tarefas no ambiente on-line. Entre esses recursos está um gabarito para a avaliação de tarefas escritas. Em conjunto com o diretor de seu programa de redação, você adapta o gabarito para suas necessidades.
Padronização
Juntamente com o gabarito, você discute procedimentos para a integração de outras capacidades on-line, como verificadores de ortografia, de gramática e de estilo, manuais de redação on-line, listas desenvolvidas pelo instrutor de comentários marginais, lições interativas de adaptação que podem ser "linkadas" aos cursos e assistentes de redação humanos, que podem estar disponíveis via Internet. Você pôde, no curso de resolver uma dificuldade, elaborar o mais extensivo "centro" de recursos de aprendizado que seu departamento já teve, cuja qualidade pode ser monitorada continuamente.
Velocidade e Controle de Qualidade
Usando um sistema de padrões rigorosos como os aplicados para o GRE (Exame de Histórico do Graduando), um professor que estiver avaliando uma tarefa escrita (como um trabalho de pesquisa ou estudo de caso) pode aplicar uma lista de verificação da tarefa com maior igualdade e, no conjunto, mais rapidamente do que era no caso do antigo método de tentar manter os elementos de avaliação em sua mente ou em uma lista informal.
Sem tais critérios – e à medida que se instala a fadiga de avaliar uma tarefa complexa – a avaliação fica desigual, e às vezes injusta. Listas de verificação podem ser simples e dicotômicas, fornecendo respostas "sim/não" aos critérios de avaliação, ou podem ser mais complexas, incluindo comentários suplementares e um resumo. Este último, com o apoio de critérios detalhados em uma lista de verificação, é uma ferramenta poderosa e flexível para fazer uma avaliação, que infelizmente muitas vezes é rejeitada por ser considerada consumidora de tempo em excesso, muito complexa, ou que gera papel demais por tarefa. Em um ambiente automatizado e sem papel, essas objeções desaparecem.
As primeiras avaliações levam, de modo geral, duas ou três vezes mais tempo do que o sistema tradicional de avaliação. Mas logo surgem padrões, e a velocidade comprovada de um gabarito de "especificações" fica evidente após as primeiras duas ou três tarefas. Um instrutor treinado que usa um gabarito pode facilmente fornecer um retorno mais completo e mais personalizado. Além disso, tal instrutor pode fazer isso mais rapidamente, dando retorno mais imediato ao seu aluno. O tempo que leva para avaliar um trabalho de pesquisa composto de 750 a1000 palavras pode cair de 30 para 15 minutos, e ainda assim ter três vezes mais itens de retorno substanciais. Fornecemos uma amostra de uma lista de verificação desse tipo, com algumas anotações explanatórias. A lista de verificação é, efetivamente, uma "folha de especificações" que permite ao instrutor controlar a abrangência da tarefa, as etapas do processo, os critérios qualitativos e o tempo necessário. Observe também como as etapas no processo (Rs=Research, ou pesquisa, O=Organizing, ou organização; D=Drafting, ou redação; R=Revising, ou revisão; P=Proofing, ou leitura final de revisão) são coordenadas com critérios qualitativos, permitindo que a lista de verificação seja usada em diferentes estágios da tarefa. Essa lista de verificação também está disponível em um formulário de base de dados compilado que acelera ainda mais o processo de avaliação ao avançar de item a item e incorporar boletim de notas.
Streamlining
Trata-se do projeto das avaliações e da instrução, permitindo que os instrutores avaliem rápida e flexivelmente uma variedade muito maior de atribuições. Enquanto as avaliações on-line podem ser etiquetadas e transmitidas em formas mais fáceis de arquivar, avaliar e retornar, os alunos podem entregar tarefas com som, animação e outras qualidades que não eram possíveis em uma situação tradicional. Quando a tarefa é extensiva, podendo levar muito tempo para carregar (fazer o download), o aluno simplesmente a coloca em um site da Web e envia o endereço ao instrutor.
Ainda mais significativa é a expansão e a extensão do papel de assistentes de avaliação para incluir a verificação de critérios predeterminados relativamente complexos mas repetitivos (como os grandes elementos de uma proposta de negócios), bem como configurar a tarefa para o instrutor tenha rápido acesso a ela e a avalie (designe notas), independentemente de ele estar no escritório, em casa, ou mesmo viajando.
Ampliando a abrangência da aplicação
O aumento da eficiência em tarefas de redação é apenas um exemplo do grande potencial na educação e no treinamento, tão amplo quanto a aplicação de automação no chão de fábrica. Usei esse exemplo porque tenho visto o trabalho escrito apoiado pelo computador ganhar cada vez mais aceitação à medida que os PCs e as capacidades on-line tornaram-se mais flexíveis e acessíveis, e à medida que a comunicação ganhou mais importância em sua forma eletrônica.
O que isso significa para instrutores e administradores numa perspectiva maior? Primeiro, com as "viagens por telefone" agora em um estado de crescimento exponencial (e com tal crescimento afetando o campus bem como o local de trabalho), devemos ter um esquema conceitual de educação à distância em funcionamento para fornecer o treinamento para o instrutor no qual as necessidades dos instrutores e dos alunos venham em primeiro lugar. A aplicação dos princípios de Frederick Taylor fornece tal esquema de uma forma que Taylor certamente nunca previu. Segundo, tal método é um exemplo de uma estratégia específica, pró-ativa, para explorar a tecnologia em vez de simplesmente adaptar-se a ela, e uma estratégia que dá apoio ao método holístico de Stan Davis de administração em uma sociedade de alta tecnologia, diversa e global. Por fim, o método fornece um sistema mensurável para a melhoria do aprendizado e das condições de ensino e aprendizagem, desde a avaliação das tarefas até a renda per capita do instrutor (que aumenta à medida que o tempo que passa dando notas diminui e à medida que aumenta o retorno e a satisfação do aluno-cliente, e as "viagens pelo telefone" profissionais e as habilidades de comunicação melhoram para ambos os lados) para avaliar os serviços de suporte educacional.
Os desafios são os de enfocar as áreas que valem a pena serem testadas, concordar em critérios para o sucesso de nossos programas-pilotos, e repetir, agressivamente, aquilo que funciona. Programas de bolsas tendem a medir o sucesso no peso de um relatório final. O controle corporativo muitas vezes resultam em um método de máquina de vender lanches. Uma melhor alternativa é a parceria acadêmico-corporativa, na qual cada "cultura" fornece aquilo que tem de melhor. E devido ao fato de o ciberespaço ser uma fronteira para todos nós, podemos aprender e elaborar campi eficientes juntos. Há muito território a ser alcançado.