Professor Gaetano Lo Monaco
"O que será de pessoas que tomam o café da manhã debaixo de uma tempestade de informações? Poderão possuir toda a informação sem entender nada e até prejudicar a própria saúde psíquica e mental", diz (parafraseando-o) o pesquisador alemão Hubert Markl.
Vivemos em uma sociedade mundial interconectada de forma global e em tempo real, na qual todas as informações podem – em potencial – estar disponíveis para todos simultaneamente.
São produzidos a cada ano cerca de 1,5 bilhão de Gigabytes de informações e existem atualmente 2 bilhões de sites disponíveis na Internet. É a Sociedade da Informação criada pela mídia.
Será que a mente humana agüenta tamanha overdose de informações? A nova doença que está preocupando psicólogos e médicos é a Síndrome da Inadequação: a inadequação informacional e a inadequação formacional.
Existem e estão em contínua expansão, qualitativa e quantitativamente, enormes bancos eletrônicos, capazes de armazenar essa quantidade de informações e dados. Isto é ótimo, desde que essas informações estejam armazenadas numa forma recuperável.
Mas o cérebro humano não é absolutamente capaz de lidar com tamanho aluvião de informações. Ainda bem que ele dispõe de um mecanismo capaz de destruir todas as informações, cujo sentido e valor ele não percebe.
De onde vem esse poder de filtragem? Vem da capacidade de concentração e de distinção do próprio do cérebro humano, juntamente com a inesgotável curiosidade por experiências e a capacidade de aprender coisas novas.
"O caminho da sociedade da informação para a sociedade do conhecimento é o caminho da informação para o significado, da percepção para o julgamento." (MARKL, Hubert.,1998)
Informação, Educação e Conhecimento
"Para enfrentar as ondas informativas da sociedade interconectada e equipada da multimídia, será necessária uma capacidade de avaliação e de julgamento desenvolvida pela educação e pela experiência..." (Markl, 1998). "O caminho da sociedade da informação para a sociedade do conhecimento é o caminho da informação para o significado, da percepção para o julgamento. O conhecimento é a informação processada de acordo com o seu significado... " (Markl, 1998). O conhecimento permite identificar cada vez mais objetivamente a realidade e definir melhor a ação para interagir com ela, transformá-la e humanizá-la. A avaliação adequada da informação é aquela que permite descobrir seu verdadeiro significado e despertar para a vida e a ação.
Devemos, portanto, educar a nós e a nossos filhos para criarmos a sociedade do conhecimento e nela vivermos e nos realizarmos. Para isto não basta o domínio do computador que nos abre as portas da informação; o que é verdadeiramente importante é o domínio de nossa mente: reconhecer o que tem valor e sentido, criar o conhecimento e agir coerentemente.
Diz Wurman: "Cada um seja o arquiteto de sua própria catedral do conhecimento. Hoje a arma para isso é a ignorância programada, ou seja, a escolha criteriosa do que se quer absorver" (Wurman, citado por C. Baptista no artigo de veja nº 35 de 05/09/2001).
O homem perante a informação deve ser, portanto, um "crítico". Tal se tornará desenvolvendo sua capacidade de análise e de síntese. Essa capacidade supõe e produz:
· uma cosmovisão dialética da realidade;
· o domínio da área de interesse e de seu sistema conceitual;
· a habilidade de se renovar;
· a constante revisão dos próprios paradigmas;
· a Criação de soluções novas;
· o antecipar-se aos problemas.
Referências Bibliográficas
· FELBER, Helmut. Terminology manual. United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization : Paris, 1984.
· LARA, Marilda Lopea Ginez de. Representação e linguagens documentárias : bases teórico-metodológicas. São Paulo, 1999. Tese (Doutorado), USP.
· LIMA, Vânia Maria Alves. Terminologia, comunicação e representação documentária. São Paulo, 1998. Dissertação (Mestrado), USP.
· MARKL, Hubert. InterNationes, 1998. Humboldt 76. Revista Veja, nº 35 de 05/09/2001.
· SANTOS, Cláudia Regina Pereira dos Santos. Ciência da informação x informática: em busca da interdisciplinaridade terminológica. Campinas : PUC, 2001.
· VALENTIM, Marta Lígia Pomim. Política nacional de informação para a produção de bases de dados em C&T : estabelecimento de critérios de avaliação. São Paulo : USP, 2001.
· ZAVITOSKI, Maria Teresa. Exploração do uso do tesauro como instrumento de recuperação da informação. São Paulo, 2001. Dissertação (Mestrado), USP.