Os IGNORANTES, que acham saber tudo, privam -se de um dos maiores prazeres da vida: APRENDER.

A Teoria Construtivista de J. Bruner

 

Gilberto  Teixeira  ,Prof.Doutor (FEA/USP)
 
Visão Geral:
Um tema relevante na estrutura teórica de Bruner é que o aprendizado é um processo ativo, no qual aprendizes constroem novas idéias, ou conceitos, baseados em seus conhecimentos passados e atuais. O aprendiz seleciona e transforma a informação, constrói hipóteses e toma decisões, contando, para isto, com uma estrutura cognitiva. A estrutura cognitiva (esquemas, modelos mentais) fornece significado e organização para as experiências e permite ao indivíduo "ir além da informação dada".
O instrutor deve incentivar os alunos a descobrir por si sós os princípios. O instrutor e o aluno devem se engajar em um diálogo ativo (aprendizado socrático). A tarefa do instrutor é traduzir a informação a ser aprendida em um formato apropriado ao estado verdadeiro de compreensão do aluno. O currículo deve ser organizado em espiral, para que o aluno construa continuamente sobre o que já aprendeu.
Bruner (1966) afirma que a teoria de instrução deve se direcionar para quatro aspectos principais: (1) predisposição na direção do aprendizado, (2) modos nos quais um corpo de conhecimento pode ser estruturado, para que seja facilmente compreendido pelo aluno, (3) seqüências mais efetivas nas quais apresentar o material e (4) natureza e ritmo das recompensas e punições. Bons métodos para estruturar o aprendizado devem resultar em simplificação, geração de novas proposições e aumento da manipulação da informação.
Em seu trabalho mais recente, Bruner (1986, 1990) expandiu sua estrutura teórica para abranger os aspectos sociais e culturais do aprendizado.
Âmbito/Aplicação:
A teoria construtivista de Bruner é uma estrutura geral para instrução, baseada no estudo da cognição. Muito da teoria está ligado à pesquisa do desenvolvimento infantil (especialmente Piaget). As idéias esboçadas em Bruner (1960) se originaram de uma conferência focalizada no aprendizado da ciência e da matemática. Bruner ilustrou sua teoria no contexto de programas de matemática e ciências sociais para crianças (ver Bruner, 1973). O desenvolvimento original da estrutura para processos de raciocínio está descrito em Bruner, Goodnow & Austin (1951). Bruner (1983) enfoca o aprendizado da linguagem em crianças.
Exemplo:
Este exemplo é proveniente de Bruner (1973):
"O conceito de números primos parece ser mais prontamente compreendido quando a criança, através da construção, descobre que certos punhados de feijões não podem ser espalhados em linhas e colunas completas. Tais quantidades têm que ser colocadas em uma fila única ou em um modelo incompleto de linha-coluna no qual existe sempre um a mais, ou alguns a menos, para preencher o padrão. Estes padrões, que as crianças aprendem, são chamados de primos. É fácil para a criança ir desta etapa para o reconhecimento de que uma denominada tabela múltipla é uma folha-registro das quantidades em várias colunas e linhas completadas. Aqui está a fatoração, multiplicação e primos, em uma construção que pode ser visualizada."
Princípios:
1. A instrução precisa estar preocupada com as experiências e os contextos que levam o aluno a estar pronto e apto para aprender (prontidão).
2. A instrução precisa ser estruturada para que possa ser facilmente compreendida pelo aluno (organização espiral)
3. A instrução precisa ser criada para facilitar a extrapolação e ou preencher as brechas (ir além da informação dada)

Referências:
Bruner, J. (1960). The Process of Education. Cambridge, MA: Harvard University Press.
Bruner, J. (1966). Toward a Theory of Instruction. Cambridge, MA: Harvard University Press.
Bruner, J. (1973). Going Beyond the Information Given. New York: Norton. Bruner, J. (1983). Child's Talk: Learning to Use Language. New York: Norton.
Bruner, J. (1986). Actual Minds, Possible Worlds. Cambridge, MA: Harvard University Press.
Bruner, J. (1990). Acts of Meaning. Cambridge, MA: Harvard University Press.
Bruner, J., Goodnow, J., & Austin, A. (1956). A Study of Thinking. New York: Wiley.