Itamar Melo
A escola do futuro já está em gestão. Pela primeira vez em cinco mil anos, o modelo tradicional de ensino, calcado nas exposições orais do professor, vem sendo questionado pelos pesquisadores mais eminentes. Contrariando o senso comum, porém, a informática não é a protagonista das reformulações em andamento. O computador estará presente na sala de aula do terceiro milênio como uma ferramenta auxiliar importante, mas não mais do que isso. A grande revolução, anunciam os especialistas, residirá na melhor compreensão de como se aprende.
O modelo tradicional de escola - aquele em que o professor apresenta um conteúdo pronto e exige que o estudante o memorize - está sendo duramente criticado pelos educadores. Nesse tipo de ensino, ainda predominante, o mestre é o detentor do conhecimento e o estudante assume uma posição de passividade. Perpassa todo o sistema a concepção de que basta prestar atenção para aprender.
_ Essa escola não serve porque é massificadora: ensina um mesmo conteúdo, do mesmo jeito, a um grupo de pessoas diferentes - diz a professora Léa Fagundes, do Laboratório de Estudos Cognitivos de UFRGS.
A reformulação do ensino já vem sendo ensaiada por algumas escolas e teorizadas por muitos educadores. O professor de filosofia Ronai Rocha, pesquisador do Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação (Geempa), afirma que neste final de século 20, pela primeira vez na história, tenta-se romper com a escola tradicional. A mestre em Educação Maria Celina Melchior concorda:
a mudança está ocorrendo lentamente, mas não tem mais retorno. A escola que temos não nos serve mais, porque é a escola do passado.
A reformulação do ensino já vem sendo ensaiada por algumas escolas e teorizadas por muitos educadores. O professor de filosofia Ronai Rocha, pesquisador do Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação (Geempa), afirma que neste final de século 20, pela primeira vez na história, tenta-se romper com a escola tradicional. A mestre em Educação Maria Celina Melchior concorda:
a mudança está ocorrendo lentamente, mas não tem mais retorno. A escola que temos não nos serve mais, porque é a escola do passado.
As modificações terão como norte o princípio de que o próprio aluno vai construir o conhecimento. Em lugar de receber as informações prontas, chegará aos conceitos pela resolução de problemas práticos. O papel do docente não será mais o de "livro-falante", mas o de propositor de desafios. Esses desafios deverão estar ligados à realidade dos alunos. Os educadores modernos, sejam eles o brasileiro Paulo Freire ou o suíço Jean Piaget, acreditam que o conhecimento resulta das relações que o indivíduo estabelece entre os temas em estudo e a realidade que o cerca. Se o tema não tem significação prática, dificilmente será absorvido.
Para levar essas idéias à escola, muitos educadores defendem uma metodologia cujo princípio é os alunos fazerem pesquisas e experimentos de forma interdisciplinar. Nesse modelo, que vem sendo testado no Colégio de Aplicação, de Porto Alegre, é definido um tema como pólo irradiador do aprendizado. Esse tema deve ser algo que faça parte da realidade dos alunos, como o arroio que corre ao lado da escola, por exemplo. Os professores das diferentes disciplinas trabalham em conjunto, e sua função é descobrir as oportunidades que o tema proposto oferece para a introdução dos diferentes tópicos de cada disciplina. Para Ronai Rocha, o grande desafio é a construção de um currículo que não seja uma mera listagem de conteúdos, mas uma estratégia de ensino.
A grande mudança está na melhor compreensão do processo de como se aprende. Cada área do conhecimento aciona estruturas diferentes do raciocínio. O desafio é descobrir como se faz a transposição dos conteúdos para a aprendizagem.
Uma boa síntese da escola que os pesquisadores do final do século 20 querem pode ser encontrada nas palavras sobre educação escritas há 400 anos pelo francês Michel de Montaingne, e que só agora encontram eco:
Não cessam de gritar aos ouvidos, como por meio de um funil, o que nos querem ensinar, e o nosso trabalho consiste em repartir. Gostaria que ele (o professor ) corrigisse esse erro e, segundo a inteligência da criança, começasse a indicar-lhe o caminho, fazendo-lhe provar as coisas, e as escolher e discernir por si próprio (...). Não quero que fale sozinho e sim que deixe o aluno falar por seu turno. (...) É indício de azia e indigestão vomitar a carne tal qual foi engolida.
Uma boa síntese da escola que os pesquisadores do final do século 20 querem pode ser encontrada nas palavras sobre educação escritas há 400 anos pelo francês Michel de Montaingne, e que só agora encontram eco:
Não cessam de gritar aos ouvidos, como por meio de um funil, o que nos querem ensinar, e o nosso trabalho consiste em repartir. Gostaria que ele (o professor ) corrigisse esse erro e, segundo a inteligência da criança, começasse a indicar-lhe o caminho, fazendo-lhe provar as coisas, e as escolher e discernir por si próprio (...). Não quero que fale sozinho e sim que deixe o aluno falar por seu turno. (...) É indício de azia e indigestão vomitar a carne tal qual foi engolida.