Os IGNORANTES, que acham saber tudo, privam -se de um dos maiores prazeres da vida: APRENDER.

PAINEL EXIGÊNCIAS SOBRE OS DOCENTES DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO : ENSINO PARA O “PROFISSIONAL” OU PARA O “PESQUISADOR”?

 

(ANPAD 2001)
 
Autoria: Cesar Gonçalves Neto e Roberto Moreno
 
Em função de exigências de agências avaliadoras (e.g. CAPES, AACSB,EFMD etc.), de suas instituições e de sua própria sobrevivência, os docentes de Pós-graduação em Administração têm sido solicitados a atender diversas papéis : doutorado (mestrado acadêmico) e pesquisa, mestrado profissionalizante, graduação e lato senso.
 
No entanto, seria de se esperar que para cada uma dessas atuações fosse necessário um conjunto de atributos distintos. Por exemplo:
 
v     Doutorado (mestrado acadêmico) e pesquisa – por suas características, impõe-se uma sólida formação acadêmica, na qual a metodologia científica cumpre expressivo papel, com atualizações tão freqüentes quanto possíveis via, por exemplo, pós-doutorados;
 
v     Mestrado Profissionalizante – cujo foco deveria ser alcançado através de docentes com grande experiência no mercado não acadêmico, aliada a uma formação sólida, mas que não envolvesse, necessariamente, o doutorado;
 
v     Graduação e Pós-graduação lato senso – pelo perfil da área, profissionalizante, o docente teria, nesse caso, mais pontos de contato com aquele atuante no mestrado profissionalizante do que o atuante na formação mais estrita. Aqui, já é possível, inclusive, uma primeira grande discussão sobre as diferenças entre essas três dimensões — Mestrado Profissionalizante, Graduação e Pós-graduação lato senso.
 
Olhando para o quadro atual da área de Administração, o que podemos constatar? Para cada uma das dimensões assinaladas (com exceção da Graduação), os requisitos colocados para os docentes é praticamente o mesmo e pautado por aquele próprio do doutorado e pesquisa. No caso da Graduação, a LDB definiu o parâmetro fundamental. Todavia, o que fazemos com o ensino do estrito senso repercutirá, necessariamente, também nesse nível de formação, tendo em vista que os Mestres e Doutores serão os futuros docentes da Graduação.
 
Um olhar sobre a nossa história nos permitiria, talvez, identificar as razões do que se apresenta como uma distorção: culturalmente, temos privilegiado a formação mais extensa como a ideal, ainda que não se justifique para as tarefas-alvo. Somos o país dos “doutores”.
 
Diante dessa situação, que deveria nos preocupar a todos, uma pergunta óbvia surge: quem são os responsáveis por reverter essa trajetória? Que atores participariam do processo de construção e aperfeiçoamento de formações igualmente competentes, e, no entanto, capazes de respeitar diferentes objetivos? A nosso juízo, eles se agrupam segundo as seguintes categorias: as Instituições de Ensino Superior, o Governo, as Empresas, e, finalmente, as Associações de Classe Nacionais e Internacionais.
Ø      As Instituições de Ensino Superior (IES)
Porque cumprem não apenas a tarefa de formar, mas demandam os profissionais formados, são participantes naturais desse processo
 
Ø      Governo
Atuam como empregadores, como financiadores da graduação e pós-graduação, como agentes credenciadores e, finalmente, como legisladores do sistema. Aqui, vale a pena assinalar o papel particular do Governo como fulcro fundamental a garantir a permanente formação e atualização de novos docentes, alimentando o sistema.
 
Ø      As Empresas
Assim, como as IES e o Governo, também demandam os profissionais formados.
 
Ø      Associações de Classe Nacionais e Internacionais
Esse é o caso, de um lado, da ANPAD, da ANGRAD e do CFA(Conselhos de Administração), e de outro, da AACSB e da EFMD.
 
Em função dessas questões, é objetivo desse painel iniciar uma discussão ampla que permita propor caminhos e soluções. Assim, estamos propondo a participação dos seguintes panelistas:
 
Prof. Hudson Amaral – Representante da Comissão de Especialistas em Administração -MEC
Prof. Cláudio de Moura Castro – ex-presidente da CAPES
Prof. José Alvarez – ANGRAD
Prof. Roberto Moreno – IAG/PUC-Rio