Gilberto Teixeira ,Prof.Doutor (FEA/USP)
Cada profissão têm suas especificidades, por mais variantes que possam ser os profissionais. A atividade profissional pode ser caracterizada como um corpo de saber específico, voltado para certos objetos. Mesmo a atividade profissional, seja ela qual for, sendo exercida por indivíduos muito diferentes um do outro, parece existir, de um modo mais ou menos padronizado, especificidades próprias da atividade profissional, que irá caracterizá-la como tal. Tambem é importante distinguir o Professor universitario do Professor do nivel medio (segundo grau)
Eu posso ser um psicólogo clínico, por exemplo, que adote uma abordagem diferenciada, ou seja, fora dos padrões, e ter um jeito de ser próprio, peculiar, que inevitavelmente se manifestará no meu fazer profissional. Mas, mesmo assim, por mais que difira, ainda estarei sendo ou serei identificado como psicólogo. Pois, apesar das variações, irei manter um corpo de saber específico, voltado para certos objetos.
Cada profissão têm seus cânones, que podem ser da esfera de uma teoria do conhecimento, de instituições formadoras e de ordem cultural. Supondo já estes cânones, mesmo nas suas diversas variações, o que é ser professor?
Perceber a dimensão, das expectativas dos alunos, pais e funcionários em relação ao que esperam de ser um professor; a referência para com os outros, as dimensões artísticas e políticas do professor, ainda que indiquem caminhos para compreensão da condição de ser professor, parece não responder por completo, ou melhor, a partir da subjetividade da condição de ser professor.
De um modo geral poderíamos classificar como a dimensão pessoa e a dimensão institucional como formadoras e caracterizadoras da condição de ser professor. Mas o que nos interessa é compreender o inter e o intra jogo dessas duas dimensões vividas pelo professor.
Tanto a psicologia, quanto a sociologia e a antropologia vão contribuir para explicação do processo de construção da subjetividade nos seus aspectos assimilativos e relacionais, individuais e sociais.
Existem questões importantes para facilitação ensino-aprendizagem que tangem a esfera da subjetividade e que marcam a condição de ser professor.
Para tanto, citemos o exemplo do professor que se propõe a provocar discussões entre seus alunos, onde busca suscitar a reflexão e, no auge da discussão, pede insistentemente a palavra para explanar seu próprio pensamento ou mesmo, sempre tem algo a acrescentar depois da fala dos alunos, mesmo que estes tenham exposto de modo claro e completo o assunto debatido.
O referido professor sente ao falar um grande prazer – um prazer de ter sido ouvido. E sente também um prazer em se perceber e ser percebido como uma pessoa bastante sabida. Percebe-se congruente com o que se espera dele, ou seja, um professor que sabe, que amarra as discussões, que sabe ter a palavra.
Tal relação se repetitiva, tal postura do professor com os alunos, pode provocar uma construção subjetiva entre os sujeitos, totalmente contrária aos ideais e interesses iniciais do professor, no que diz respeito a cooperação, participação, motivação e interesse de discutir entre os alunos.
Não basta o professor querer racionalmente ser democrático e cooperativo na relação com seus alunos. É preciso que sua práxis, que sua condição de ser com outro seja vivido a partir de uma coerência com o que pensa e com o que diz. Enquanto os aspectos da subjetividade do professor não forem transformados ele falhará em seus intentos. E esta transformação não se dará de modo espontâneo, na relação rotineira com seus alunos. É necessário, para tanto, apreender a condição de ser professor, a partir do vivido nas relações cotidianas de sala de aula, para buscar a transformação, o crescimento e mesmo o desenvolvimento do profissional professor. Todas essas considerações foram relacionadas com um objetivo único : chamar a atenção sobre a necessidade dos professores universitarios estarem conscientizados das caracteristicas ,dimensões e peculiaridades do que seja ser um Professor Universitario