Os IGNORANTES, que acham saber tudo, privam -se de um dos maiores prazeres da vida: APRENDER.

EAD como Facilitadora da Formação Continuada do Professor: uma Saída para os Problemas Educacionais Brasileiros

 

Jackson Cruz Cabral e Ana Claudia Leite Dantas Ferreira

O comportamento social mundial vem sofrendo, nos últimos anos, intensas e irreversíveis alterações com a rápida evolução das ciências tecnológicas. Hoje existem possibilidades que há bem pouco tempo não eram sequer pensáveis como, por exemplo, a discussão que ocorre ao redor da presença virtual em uma aula não presencial. Hoje é possível o acesso ao curso universitário ou outro qualquer, a partir de sua sala de estar. Sem sair de casa, o aluno pode se graduar até fora de seu país, mas sabe-se que o acesso a esse universo maravilhoso ainda é de pouco alcance em países como o nosso.

A exclusão digital não é uma particularidade brasileira, vários países estão procurando, de certa forma, soluções para esse grave problema que interfere no desenvolvimento socioeconômico de nações inteiras, afetando principalmente a formação do trabalhador e, conseqüentemente, a oferta de trabalho.

Propomo-nos aqui participar da discussão em torno da formação do professor, suas implicações com o ambiente em que atua, os problemas que enfrenta e, dentre as novas soluções que estão surgindo no Brasil, a Educação a Distância como facilitadora da Formação Continuada do profissional do ensino. Para tal, mencionaremos alguns dados da situação atual do ensino no país.

No ano 2000, o país contava com mais de 34 milhões de jovens entre 15 e 24 anos e um índice de 54,8% de jovens na faixa entre 20 e 24 anos sem escolarização fundamental [2] , conforme afirma o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Informações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) publicadas em 2004 [3] demonstraram que a 4ª série conta um índice de 59% de estudantes em todo o Brasil nos estágios “Crítico” e “Muito Crítico” em Língua Portuguesa, e em Matemática, 52% nesses mesmos estágios. No Ensino Fundamental constatou-se que apenas 10% dos alunos se enquadram no estágio considerado “Adequado” em Língua Portuguesa e, em Matemática, apenas 3%.

Os dados acima mencionados foram extraídos de informações produzidas pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) que apontaram algumas características do educando brasileiro para que possamos entender melhor a dimensão do problema, por exemplo: 76% dos alunos com desempenho “Muito Crítico” estudam a noite; 96% em escolas públicas; 48% conciliam trabalho e estudo; 84% têm idade acima da considerada ideal para a série e são filhos de mães de baixa escolaridade. Ao contrário, 76% daqueles com desempenho “Adequado” estudam na rede privada de ensino, 89%, durante o dia, 87% não trabalham, 84% estão com idade correspondente à série que cursam e, 80% das mães têm, no mínimo até o ensino médio.

“O ensino é mais ineficaz justamente para os estudantes mais carentes. Além dos dados de baixa qualidade e desigualdade, temos hoje cerca de um milhão de estudantes da rede pública abandonando o ano letivo, correspondendo a cerca de 17% dos matriculados; 70% dos que abandonam o ensino médio estão matriculados no noturno. No Brasil, hoje, temos um enorme contingente de estudantes concluintes do ensino médio sem preparo para o trabalho, sem condições concretas para ingressarem de forma competente no ensino superior e um enorme desperdício de recursos públicos com a evasão e o abandono. [...] É preciso repensar o conteúdo do que é ensinado, melhorar a capacitação dos professores, valorizando-os como profissionais de fato...”[4]

As estatísticas do INEP demonstram que, apesar de uma significativa queda, ainda encontramos docentes com formação apenas em Ensino Fundamental lecionando em Ensino Fundamental de 1ª a 4ª série. Constatou-se que cerca de 30% dos docentes das regiões Norte e Nordeste no ano de 1996 encontravam-se nesta situação, com queda para aproximadamente 5% para o ano de 2002. Mesmo nas restantes séries do ensino fundamental, 5ª a 8ª, encontramos docentes com formação apenas em ensino fundamental, 0,6% no ano de 2002 segundo essas estatísticas.

Em se tratando de docentes de 5ª a 8ª série, as estatísticas mostraram um panorama em que a licenciatura plena, exigência mínima legal [5] para a função, ainda parece distante, pois, 32% das funções docentes no país, de 1991 a 2002, não possuíam esse grau de formação, chegando a 59% na Região Norte e 52% na Região Nordeste.

Quanto aos professores universitários observamos, com o Censo Brasileiro do Ensino Superior de 2001 [6] , que, para um país de 175 milhões de habitantes, totalizam-se apenas 204.106 atuando nas 1.391 Instituições de Ensino Superior (IES) do país, contando com 3.030.754 alunos matriculados no ensino superior presencial no mesmo ano de 2001.[7]

Um estudo realizado pelo Centro das Ciências Exatas e Tecnologia da PUC-SP com 990 professores de 5ª a 8ª séries de escolas estaduais para orientar o trabalho do Programa de Capacitação de Professores (PEC) da Secretaria de Estado da Educação, demonstrou que metade dos professores de matemática da região norte da cidade de São Paulo, de Guarulhos e Caieiras, não tem formação específica na disciplina.[8]

Os obstáculos para a formação de um professor têm seu início desde o ingresso na instituição que se responsabilizará por ela. A qualidade da formação também tem sido bastante precária, por exemplo, o ensino “[...] não leva em conta que a matemática é diferente da educação matemática, e isso vem provocando baixos resultados nessa área de ensino, tanto no Brasil como em outras partes do mundo”. [9]

Tais questões que envolvem o ensino têm se manifestado em âmbito mundial, como podemos observar também no estudo da UNESCO sobre a situação do ensino no mundo. Mencionado em matéria [10] publicada pelo jornal A Folha de São Paulo on-line o estudo mostra que a falta de professores é um problema mundial, embora mais evidente no Sudeste Asiático e em grande parte da África. “Mas todos os países em todas as regiões, sejam pobres ou ricos, se ressentem. Os Estados Unidos, por exemplo, precisarão de mais dois milhões de novos professores durante esta década.”

No Afeganistão, por exemplo, foi constatado[11] pelo mesmo estudo que 80% das mulheres são analfabetas e, entre os homens, o analfabetismo supera a 50%. Na África, o estudo constatou que a Aids mata os professores em um ritmo maior do que os países conseguem formar os substitutos. “Em Zâmbia, por exemplo, 1.300 morreram entre janeiro e outubro de 1998, o triplo do ano anterior. Dois terços deles eram recém-formados”. Afirma a reportagem da Folha.

INSTRUÇÃO E EDUCAÇÃO – CIÊNCIA E CONSCIÊNCIA
As discussões conceituais ao redor dos elementos aglutinados ao ensino vêm de muito tempo. A maiêutica [12] de Sócrates (480 - 399 a.C.), tida como o grande método de ensino, partia do princípio de que todo homem possui, em si, o conhecimento de todas as coisas, necessitando apenas de questões adequadas para refletir e buscar respostas. Essa sistemática diferenciou os termos Instruir e Educar em dois conceitos, introduzindo um novo olhar no modo de ensinar dos pré-socráticos.

Para Aristóteles (384 - 322 a.C.): “A operação própria do homem enquanto homem é inteligir, já que é por isto que difere de todos os demais. Portanto, todo homem é naturalmente inclinado a inteligir e, por conseqüência, a conhecer”.

Para Vygotsky (1896 - 1934), a tomada de consciência é o estado supremo do homem. Ela é constituída de sofisticados e complexos mecanismos psicológicos típicos do ser humano. Esses mecanismos envolvem o controle consciente do comportamento, a ação intencional e a liberdade do indivíduo.

Em meados de 1960, repensando o ensino, os educadores passaram a entender a educação como um processo permanente de aquisição de conhecimento constante e de formação contínua, independente de qualquer ciclo de estudo.

Entre 60 e 70, os aperfeiçoamentos tecnológicos na área de comunicação dispararam e não tardaram a serem reconhecidos como importantes instrumentos transformadores, multiplicadores e geradores das oportunidades educacionais.

Em 1990, a Conferência Mundial de Educação para Todos, em Jomtien, Tailândia, trouxe novos avanços na área da educação, focalizando o Ensino Fundamental como política pública, selando assim, o compromisso com a Educação Básica na satisfação das suas necessidades básicas.

A partir desse período, os avanços tecnológicos passaram a impulsionar o avanço do conhecimento e a gerar novos conceitos de educação e novos modelos de ensino apresentados como soluções para os problemas ainda tão em evidência como os já mencionados no início deste artigo.

FORMAÇÃO CONTINUADA ATRAVÉS DA EAD
Hoje, em busca de soluções para a grave realidade do setor de educação pública ou particular no Brasil, em meio às rodas acadêmicas, a formação continuada do profissional professor está sendo exaustivamente debatida. Trata-se de uma: “concepção de educação como um processo permanente em que ‘o saber se faz através de uma superação constante’ e que concebe tanto os professores quanto os alunos como aprendizes contínuos, ‘sujeitos de sua própria educação’” [13] .

Há sete anos atrás, período da criação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), encontrava-se um número alarmante de professores leigos no Brasil, principalmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste[14] do país. Hoje podemos notar a gradativa queda desse número em razão dos diversos programas e modalidades voltados para a formação do professor. Em 1991 apenas 35% dos docentes eram mestre e doutores. Em 2002 esse número elevou-se para 54% dos docentes, representando um aumento, entre 1991 e 2002, de 155% no número total de docentes mestres e doutores. Essa melhora pode ser atribuída a LDB que aumentou as exigências de formação.

Algumas iniciativas, particulares, de indústrias, do governo, ou até em forma de cooperativas, já vêm obtendo sucesso na prática, consolidando a consciência de que a situação atual precisa e pode ser mudada. O grande instrumento propulsor desses programas que já entraram ou que estão para entrar em ação é, sem dúvida, a possibilidade de utilização das novas tecnologias de informação, muitas vezes consideradas high tech.

“Muitos educadores tradicionais continuam achando que o computador é simplesmente mais uma promessa tecnológica que não vai alterar a forma pela qual as pessoas trabalharão e aprenderão no futuro. [...] Talvez leve uma década ou mais para as conclusões desse estudo chegarem até o último professor de sala de aula no lugar mais remoto de nosso país”.[15]

Hoje, fala-se muito na busca da participação dos socialmente excluídos para alavancagem do desenvolvimento sustentado do país, fala-se muito na inclusão digital como ampliação das possibilidades de comunicação, do e-learing como um instrumento potente para a educação etc. O professor tem tido muitos motivos para procurar manter-se a par de tantos conceitos novos que estão surgindo. É um reboliço, um momento de ebulição no qual não se pode perder de vista o objetivo de cada um. Entretanto, é preciso saber que não se trata de situações ilhadas, reservadas, a formação continuada é uma necessidade atual geral, o professor hoje deve, não só especializar-se, como se capacitar para a profissão através de uma formação de boa qualidade e contínua, que minimize o impacto causado pela velocidade das mudanças que afetam o comportamento e a vida do cidadão.

Muitos educadores mencionaram sobre a necessidade de interação, seja do aluno em seu meio, seja do aluno X professor, seja aluno X aluno. Quando falamos de um professor que se abre à formação continuada, estamos falando da interação do professor aluno X aluno e vice-versa, em âmbito escolar. Mas, a formação continuada do docente não trata de um estudar eternamente, diz respeito a um profissional capaz de utilizar-se da mesma linguagem de seu aluno para se fazer entender, um profissional que se atualiza e que adquire condições de compreender as necessidades atuais dos educandos.

A educação continuada deve ser entendida como a educação que se renova, adequando o exercício da docência às exigências de um mundo que se transforma a cada instante.

A Educação a Distância (EAD), cujo mérito de difusão deve-se à Europa (França, Espanha, Inglaterra) que criou modelos educacionais levados para outros lugares pelos Centre National de Enseignement a Distance, Universidad Nacional de Educación a Distancia e Open University, vem se mostrado uma excelente alternativa para a formação continuada em todo o mundo.

“O setor educacional que mais cresce mundialmente é o de aprendizagem a distância, uma abordagem bastante antiga, mas que está recebendo uma nova vida com a chegada das novas tecnologias de comunicação, com seu poder desestabilizador, e com as novas exigências de capacitação humana numa sociedade de conhecimento.” [16]

Considerando que hoje, apenas 8% dos brasileiros de até 24 anos fazem curso de graduação (na Argentina e Chile, 30% cada, Reino Unido, 40% e Estados Unidos, 55%), para elevar essa porcentagem para 30%, conforme anunciou ser sua meta o atual presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, o Professor Doutor Fredric Michael Litto afirmou que só será possível com o exercício da EAD, pois “O país não tem dinheiro para construir tanta sala de aula capaz de atender a essa demanda” [17]

A implementação da Educação a Distância pode ocorrer preservando-se todas as características da Educação Presencial, inclusive utilizando-se dela. Uma forma não é melhor ou pior que a outra, apenas diferem e podem se complementar. Não obstante, a EAD requer equipe multidisciplinar, criativa e autônoma, bem como recursos tecnológicos e, certamente ocupa um amplo espaço de difusão de conhecimentos onde um leque de possibilidades educacionais se abre e se multiplica, superando as barreiras físicas do ensino presencial.

Por fim, a Educação a Distância se mostra, sem dúvida, como um instrumento valioso para a formação continuada do professor que, por sua vez, tem se mostrado uma boa saída para os problemas educacionais brasileiros.


NOTAS

[1] Frase do filme brasileiro: Janela da Alma, lançado em 2002, mencionada pelo economista político Ladislau Dowbor em entrevista para a < Revista>http://www.icoletiva.com.br/secao.asp?tipo=entrevistas&id=34>Revista i-Coletiva.
[2] Fonte: Texto Para Discussão nº 954.
[3] ARAÚJO, C. H. & LUZIO, N. p. 9.
[4] ARAÚJO, C. H. & LUZIO, N. pp. 7-8.
[5] Prevista na Lei de Diretrizes e Bases Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996.
[6] Relatório completo no site do MEC.
[7] Fonte: VIANNEY, J. p. 12. Revista i-Coletiva.
[8] Fonte: AVANCINI, M. In: www.usp.br/agen/ 24ago.htm.
[9] ROSSETTI, F. In: www.usp. br/agen/ 24ago.htm.
[10] Para Unesco, mundo precisa de mais 15 milhões de professores, Paris: Reuters, 04/10/2001 - 12h00.
[11] Considerar que no período do estudo, em 2001, o Afeganistão ainda era dominado pelo regime Taliban que proibia o acesso das mulheres à escola.
[12] Do grego, parto das idéias.
[13] MORAES, S. M. A arte na formação contínua de professores do ensino fundamental: em busca de uma praxe transformadora. Arquivo PDF. Com citações de Paulo Freire (1981, pp. 28-29).
[14] Brasil tem mais e melhores professores. Boletim trimestral do Programa Proformação Ano 2 nº 6.
[15] LITTO, F. M.. In: www.futuro.usp.br.
[16] LITTO, F. M. Educação a distância e a USP. Jornal da USP. 22 a 27 de abril de 2003 ano XVIII nº 639.
[17] Educação a distância - Qualidade sem fronteiras. Revista i- Coletiva.

BIBLIOGRAFIA

ARAÚJO, Carlos Henrique & LUZIO, Nildo. Qualidade da Educação: Uma nova leitura do desempenho dos estudantes da 3ª série do Ensino Médio. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Jan/04. Ministério da Educação. In:.

ARISTÓTELES. libros Metaphysicorum Expositio, L. I, l. 1, 1. Enciclopédia Simpozio: O Grande Aristóteles.

AVANCINI, Marta. Estudo da PUC-SP com 990 professores da rede estadual de SP mostra que metade tem licenciatura curta Professor de matemática estuda pouco. Folha de São Paulo

AZEVEDO, Fernando. A educação entre dois mundos: problemas, perspectivas e orientações. São Paulo: Melhoramentos, 1958.

Brasil tem mais e melhores professores. Boletim trimestral do programa proformação Ano 2 Nº 6.

DOWBOR, Ladislau. Darwin às avessas. Entrevista para a Revista i-Coletiva.

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LITTO, F. M. Educação a distância e a USP. Jornal da USP. 22 a 27 de abril de 2003 ano XVIII nº 639.

LITTO, Frederic Michael. A "Geração de Rede" Está Chegando ao Mercado de Trabalho… e Mudando as Organizações. Educação em Revista. Aprendiz do Futuro, março de 1898.

MAIA, Carmem; SOUSA, Rita, et al. Ead.br: Experiências inovadoras em educação a distância no Brasil – Reflexões atuais em tempo real. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2003.

MORAES, Sumaya Mattar. A arte na formação contínua de professores do ensino fundamental: em busca de uma praxe transformadora.

Para Unesco, mundo precisa de mais 15 milhões de professores, Paris: Reuters, 04/10/2001 - 12h00.

ROSSETTI, Fernando. Professor de matemática não aprendeu a ensinar.

SILVA, Marcos (Org.). Educação Online. São Paulo: Loyola, 2003.

VIANNEY, João, et al., A Universidade Virtual no Brasil: Os números do ensino superior a distância no país em 2002. Apud: VIANNEY, João EAD no Brasil: De viajantes a provedores de soluções. Entrevista para a Revista i-Coletiva.

VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1994.

Texto Para Discussão nº 954. Os jovens adultos de 18 a 25 anos: retrato de uma dívida da política educacional. Rio de Janeiro: IPEA, jun/2003.

Sobre os autores: Jackson Cruz Cabral é formado em Administração de Empresas pela Faculdades Integradas Newton Paiva de Belo Horizonte; Pós-Graduado em Administração Hoteleira pelo SENAC - CEATEL São Paulo; é professor de Alimentos, Bebidas e Eventos dos cursos técnicos de turismo e hotelaria da Fundação Escola de Comércio Alvares Penteado – FECAP e do curso superior de Turismo da Universidade Paulista - UNIP

Ana Claudia Leite Dantas Ferreira é formada em Belas Artes, pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, pesquisadora, educadora e instrucional designer