Os IGNORANTES, que acham saber tudo, privam -se de um dos maiores prazeres da vida: APRENDER.

SINTESE DOS ESTUDOS SOBRE ESTILO DE APRENDER

 

Gilberto Teixeira
(Prof. Doutor FEA/USP)
 
I ‑ INTRODUÇÃO
O processo ensinar‑aprender é um episódio altamente dinâmico no qual tanto o professor como o aluno são participantes ativos.
Ainda que moderadamente tem sido considerado que o centro do processo deva ser o aluno, especialmente na educação de adultos, é dificil encontrarmos quem discorde da afirmação de Malcolm Knowles (1970. p.41) quando diz que:
 
"0 comportamento do professor provavelmente influência
mais do que qualquer outro fator
no clima da aprendizagem."

 
Uma grande quantidade de pesquisa tem sido realizada para estudar o que se convencionou denominar estilos de aprendizagem e estilos de ensinar, e todos aqueles que estudaram o assunto embora variando nos traços de personalidade e comportamento que consideram importantes são unânimes em concordar que o modo, e estrategia com que o professor encara o processo de aprendizagem e as situações de aprendizagem tem enorme influência no quanto e como o aluno aprende .
 
 
II ‑ O ESTILO DE APRENDER
A maioria dos autores que estudou a questão de ensinar ou aprender, concentrou‑se em analisar o estilo de aprendizagem.
Há, por isso, vários instrumentos (questionários ou inventarios) que foram desenvoividos como resultado desses estudos o que buscam definir o estilo de aprender das pessoas.
Uma menor quantidade de pesquisadores preocupou‑se em estudar o estilo de ensinar, isto é, de abordar o processo ensino‑aprendizagem pelo lado do professor.
 
Neste texto iremos analisar as contribuições desses autores e as características de suas abordagens:
 
·        DUNN a DUNN (1979)
Considera que o estiio de ensinar esta relacionado com a maneira que o professor aprendeu, mas, que pode ser modificado se esse professor for capaz (através de treinamento) de responder aos variados estilos de aprendizagem dos alunos.
Rita Dunn, estudou muito o estilo de aprendizagem de crianças.
 
·        ELLIS (1979)
Analisa o estilo de ensinar como um conjunto de modelos dos quais os vários comportamentos do professor podem ser identificados com base nos resultados (ou objetivos) de aprendizagem que são desejados (previamente definidos).
 
·        KUCHINSKA,1979
Restringe suas considerações sobre o estilo de aprendizagem como sendo resultante do estilo cognitivo.
Pouco falou sobre estilo de ensinar isoladamente.
 
·        CANFIELD a CANFIELD, 1976
Esta dupla de autores acredita que “cada dimensão do estilo de ensinar é diretamente comparável a uma equivalente dimensão do estilo de aprender."
Sua abordagem tem mérito de não isolar em dois comportamentos separados os fenômenos aprender e ensinar.
Autores como Canfield e outros que consideram o conceito de estilo de ensinar como um fenômeno centralizado no aluno, apresentam em comum duas ordens de preocupação:
em primeiro lugar grande parte de sua atenqao a pesquisa a dirigida buscando qual o melhor possivel ajustamento entre estilos de ensinar a estilo de aprender;
em segundo lugar eles tendem a interpretar o estiio de ensinar como sendo função  dos metodos e estrategias de ensinar.
Quanto mais conhecido e identificado seja o estilo de ensinar, os métodos e estrategias poderão ser melhor ajustados para atender as necessidades dos aprendizes.
 
·        DARKENWALD / MERRIAN (1982); BROOKFIELD (1986)
Nesta visão alternativa do estilo de ensinar, os autores conceituam‑no como sendo definido por qualidades internas que o professor possui a que influem no seu comportamento em sala de aula.
O professor entra no processo ensinar‑aprender com um conjunto de valores e esses valores influenciam as crenças desse professor em cousas como a natureza do aprendiz, a finalidade do currículo (programa) e o papel do professor.
Mesmo que o professor varie as técnicas ou estratégias buscando melhor permanecem relativamente estáveis no período em que o professor esteja interagindo com seu grupo de alunos.
Assim, as crenças filosóficas do professor são reduzidas em ações na sala de aula, através de seu individual estilo de aprendizagem.
 
·        CONTI (1985)
Concentrou‑se em pesquisar o estilo de ensinar em programas de educação continuada.
Como outros autores, vê o estilo de ensinar altamente relacionado com o estilo da aprendizagem.
Desenvolveu a "Escala de Princípios de Aprendizagem (EPA)" ‑ um instrumento auto‑aplicavel através do qual o professor diagnostica o seu estilo de ensinar como estando entre dois polos: centrado no aluno ou centrado no professor.
A partir desse diagnóstico o professor irá se auto‑analisar em que o EPA está congruente com sua auto‑imagem, e se desejara esforgar‑se para alterar comportamentos.
O EPA, alem de fornecer um escore (índice) geral também fornece 07 (sete) indicadores específicos sobre elementos do comportamentos de ensinar.
A abordagem de Conti a respeito de estilo de ensinar mais adequada favorece o estilo centrado no aluno, também chamado de colaborativo ou responsivo.
 

III ‑ BIBLIOGRAFIA
BEDER, H.W; DARKENVALD, G.G. – Differences between teaching adults and pre‑adults: Sorio propositions and fidings. "Adult Education" vol. 32, n° 3, 1982:142‑155.
BROOKFIELD, S.D. Understanding and facilitating adult learning: a compressive analysis of principles and effective practices. S.Francisco: Jossey Bass, 1986.
CANFIELD, A.A.; CANFIELD J.S. Canfield Instructional Styles Inventory Manual. Rochester, Minn: Humanics, Media, 1976.
CONTI. G.J. Relationship Between Teaching Style and Adult Learning. "Adult Education Quarterly" vol 3, n° 4,1985:220‑228.
CONTI, G.J.; WELBORN, R.B. Teaching Styles and the Adult Learning "Lifelong Learning" vol. 9, n° 8, 1986:20‑24.
DARKENWALD, G.G. MERRIAN, S.B. "Adult Education: Foundations of Practice" New York: Harper Row, 1982.
DUNN, R. S.; DUNN, K. J. Learning Styles / Teaching Styles: Should they .. can they...be matched? "Educational Leadership" vol 36, 1979: 274‑277.
KNOWLES, M.S. "The Modern Practive of Adult Education" New York: Association Press, 1970.
KUCHINSKES, G. Whose cognitive styles makes the difference? "Educational Leadership" vol. 36, 1979: 269‑271.