Os IGNORANTES, que acham saber tudo, privam -se de um dos maiores prazeres da vida: APRENDER.

Uma Avaliação do Processo Formativo do Administrador: um Estudo de Caso em uma Instituição de Ensino Superior

 

                                      (ANPAD 2001)
 
Autoria: Maria Arlete Duarte de Araújo e Angela de Castro Correia
 
Resumo
 
Este artigo trata do processo formativo do administrador, envolvendo as categorias  básicas  de aprendizagem:  conhecimento, habilidades e atitudes. O curso estudado foi o de  Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, localizado na cidade do Natal.  O artigo se propôs a examinar a percepção do aluno concluinte do segundo semestre de 2000, sobre o processo formativo e sua sintonia com as exigências do mercado de trabalho. Para tanto, procurou-se responder as seguintes questões: quais os conhecimentos, habilidades e atitudes importantes para a formação acadêmica e para o mercado de trabalho?; qual o grau de aprendizado das habilidades trabalhadas em sala de aula?;  e qual o grau de desenvolvimento de atitudes importantes para o mercado de trabalho e para a formação acadêmica.  As conclusões mais importantes: o  grau de aprendizado em sala de aula e de atualização dos conteúdos foram considerados regulares; o desenvolvimento de habilidades e as mudanças de atitudes  também ocorreram de modo apenas regular; a formação acadêmica proposta pelo Curso de Administração da UFRN está em sintonia com as exigências do mercado de trabalho, com ênfase na dimensão econômica em detrimento das dimensões cultural e organizacional  dos conteúdos.
 
 

Texto

 
 
Nos últimos anos, a necessidade de obtenção de uma melhor qualidade educacional, em nível superior,  bem como de mais tempo de escolaridade por parte dos indivíduos é muito mais perceptível, principalmente pelo fato das organizações estarem exigindo um maior grau de escolaridade de seus selecionados, motivados pelas modificações e/ou implementação de novas tecnologias em seus ambientes internos. No ambiente de trabalho, há uma maior exigência no modo de agir ( atitudes) de cada indivíduo, que necessita aprender novas formas de executar seu trabalho, manusear novas máquinas, adquirir  novos conhecimentos e habilidades.
A aquisição de conhecimentos através da educação, por parte do indivíduo, é assunto trabalhado por Salvagni ( 2000, p.1) ao afirmar que “o conhecimento, a tecnologia, as exigências da profissão crescem continuamente [obrigando] o indivíduo que deseja se manter competente ( e competitivo)  acompanhar essa evolução”.
Neste contexto recai sobre as universidades a necessidade de associar  ao processo de ensino-aprendizagem não apenas os conteúdos ( conhecimentos) que o aluno deverá obter de um conjunto de disciplinas, como comumente se faz, mas que sejam previstas quais ações ou que desempenhos este aluno  será  capaz de executar com o desenvolvimento de habilidades e quais  atitudes são desejáveis que o mesmo adote, considerando suas emoções e sentidos. Igualmente é importante trabalhar os valores, para ajudar o aluno a direcionar suas ações, conhecimentos e habilidades para aquilo que acredita ser viável e certo, respeitando os princípios éticos de sua profissão, ao atuar na sociedade.
A capacitação do aluno da graduação, para que atue de forma competente no mercado de trabalho, decorre principalmente da assimilação dos conteúdos das disciplinas inseridas no currículo de cada curso.  Por outro lado, como afirma Ramos & Lima ( 1996, p.205-6),
“os professores também necessitam de preparo para aliar à especificidade de sua formação reflexões sobre o mundo do trabalho que sejam integradas ao contexto de suas disciplinas.  (...) O aluno ...não é convidado a exercer uma posição ativa no processo de ensino-aprendizagem. Não é estimulado a fazer articulações entre as matérias que estuda e suas implicações no mundo do trabalho. Essa desintegração gera uma aprendizagem meramente teórica, tendo como ponto central a figura do professor, enquanto o aluno tende a decorar apenas o que lhe foi transmitido. Impede-se, desta forma, a emergência da curiosidade, da investigação, da dúvida- pontos de origem da construção do  saber e do senso crítico”.
Fica claro pois a relevância acadêmica e social da investigação do processo formativo das Instituições de Ensino Superior ( IES) e sua sintonia com as exigências do mercado de trabalho.
Em 1993, o Conselho Federal de Administração (CFA) instituiu o currículo mínimo para o curso de Administração com a intenção de preparar o administrador para o mercado globalizado. A preocupação do CFA estava centrada na necessidade das IES se reestruturaram para proporcionarem conhecimentos mais condizentes com o processo evolutivo do ambiente externo.
Com efeito, a preocupação com a formação do administrador e sua atuação no mercado de trabalho é assunto que gera interesse em pesquisadores, estudiosos e organizações preocupadas em identificar e delinear qual o perfil ideal desse profissional.

            O  curso de Administração da UFRN foi criado no final da década de sessenta, federalizado pela Lei 5.702, de 14 de setembro de 1971, e reconhecido pelo MEC através do Decreto 80.352, de 16 de setembro de 1977. O número de alunos novos que  ingressam através de concurso vestibular, é de cento e vinte ao ano. O número de egressos, desde a criação do curso, é de aproximadamente  de 1500 ( um mil e quinhentos ) administradores, sendo o tempo mínimo de duração de oito períodos (quatro anos). O Departamento de Administração constitui-se atualmente de quarenta e dois professores efetivos e 80,95% dos professores têm mestrado ou  doutorado.

            O curso visa à formação de administradores com visão gerencial e estratégica e tem como objetivos:

“- Formar Bacharéis em Administração capazes de atuar no atual ambiente organizacional, através de suas características de empreendedores, de generalistas com visão de foco, de pensadores e criativos;

- Conduzir os alunos ao destaque de um campo de trabalho ou especialidade numa área de administração, de forma a serem capazes de, a partir da base adquirida no curso, promover sua constante atualização e autodesenvolvimento profissional. “ (Costa, Medeiros & Araújo, 1999, p. 11).

 
Com o  currículo proposto em 1994 e avaliado pelo MEC através do “Provão”, o curso de Administração da UFRN vem obtendo  conceito B por 5 anos consecutivos. Em 1996, participaram quarenta e oito alunos (89,6%); em 1997, foram cento e dois (98,0%); em 1998, foram setenta e dois (100%); em 1999, participaram sessenta e três alunos ou 100%; e, em 2000, a participação foi de setenta e oito alunos (100%).
Apesar dos resultados excelentes, inexiste qualquer estudo que avalie a forma como está ocorrendo o processo formativo, emergindo pois  a necessidade de avaliar  a percepção dos alunos de administração  sobre o processo formativo e sua adequação às exigências do mercado de trabalho nas IES do Rio Grande do Norte.
O artigo está estruturado da seguinte forma: Inicialmente, tece considerações sobre a formação do administrador, destacando conhecimentos, habilidades, atitudes e valores. Em segundo lugar, descreve a metodologia utilizada para levantamento de dados. Em terceiro lugar, analisa a percepção do aluno sobre o processo formativo e as exigências do mercado de trabalho. Finalmente, tece algumas considerações sobre  os pontos positivos e negativos do processo formativo face às exigências do mercado de trabalho.
 
 
A formação do administrador: conhecimentos, habilidades, atitudes e valores
 
            A formação do indivíduo é um processo inserido num sistema formal de escolarização, com o intuito de habilitar pessoas para atuarem no mercado de trabalho. A qualificação que também realiza-se por processos de formação, relaciona-se com exigências do emprego e individuais, originárias de experiência e formação. Já a  competência está ligada à capacidade de aplicar conhecimento e saber (adquiridos pela formação, qualificação e experiência social ) no cargo, ou seja, gerar resultados.
            Segundo Santos (1978, p. 128), a formação profissional é caracterizada como um sistema intencional para criar “habilitações, tanto quanto possível permanentes, para os papéis que a sociedade exige na produção de bens e serviços”. O autor classifica a formação profissional nas seguintes categorias: a) formação profissional natural ou espontânea: os papéis desempenhados pelo indivíduo dizem respeito à sua própria sobrevivência/existência, como por exemplo, cultivar a terra, vestir-se, pescar, etc.; b) formação profissional direta, no próprio trabalho: como escritório, fábrica, laboratório, etc. Os estudantes passam por esse processo, por exemplo, no estágio supervisionado; c) formação escolar ou acadêmica: é o processo mais utilizado, envolve a maioria das profissões tanto de nível médio como superior e consiste em um ‘currículo’ composto de ‘matérias’ ou ‘disciplinas’, com cargas horárias com base em pressupostos educacionais, socioeconômicos e filosóficos, envolvendo no processo de aprendizagem/ formação tanto assuntos teóricos como práticos. A formação do indivíduo deve envolver as três modalidades para que não se torne incompleta.
Mañas ( 1996? ) assevera que, apesar de ser em sala de aula que acontece o processo ensino-aprendizagem, há aspectos relacionados ao processo de formação do administrador que devem ser vistos como importantes: ambiente, clima, material didático e qualidade dos materiais, acesso e necessidade do usuário obter informações a tempo e a hora, dentre outros.
           O processo de formação em sala de aula se dá através da transmissão de conhecimento, tido como o saber, instrução, perícia e experiência.
           A elaboração do conhecimento do profissional de administração, por conseguinte, se dá através dos conteúdos que lhes são ensinados em sala de aula, os quais são previamente elaborados. Porém, é no decorrer de suas atividades profissionais que completa aqueles conhecimentos, desenvolvendo-os e elaborando novos conhecimentos, ou seja, intervindo na realidade, modificando-a. Ou seja, os indivíduos devem ter a capacidade de utilizar esses conhecimentos.
            Geralmente, a capacidade ou habilidade de executar uma ação demonstra o conhecimento que se tem sobre o objetivo ou a própria ação. Um sujeito hábil é o que tem aptidão para algo, sendo necessário para isso ter capacidade para assimilar conhecimentos e agilidade nas ações, através do uso dos mesmos. Para  Katz (1986, p.60),  “habilitar implica a capacidade que pode ser desenvolvida, e não necessariamente inata, que se manifesta no desempenho e não apenas em potencial “. Sendo seu principal critério a prática de uma ação eficiente, seja em que circunstância for.
            As habilidades de um administrador eficiente, segundo o mencionado autor, estão inseridas em três contextos: técnica, humana e conceitual. A habilitação técnica relaciona-se com o manuseio das coisas, como processos ou objetos físicos; a habilitação humana é a habilidade de trabalhar com outras pessoas e de conhecer a si próprio (atitudes, opiniões e convicções) e seu grupo de trabalho; a habilidade conceitual, considerada a habilidade criativa do administrador, é a faculdade de visualizar a empresa como um todo.
             Além de ter o conhecimento e as habilidades necessárias para promover ações, são as atitudes de cada administrador que irão identificá-lo, pois estas representam o modo de ser de uma pessoa, na medida em que  a forma de proceder ou o ponto de vista que adota em determinada situação expressam uma forma de agir ou um atitude positiva ou negativa sobre algo. A atitude também está relacionada com a própria cultura do ambiente social em que o indivíduo vive, que influencia e procura moldar as pessoas conforme o que considera certo ou errado.
              Krech, Crutchfield & Ballachey (1975) ressaltam que a formação de atitudes acontece quando o indivíduo enfrenta certo(s) tipo(s) de problema(s) e tenta satisfazer suas necessidades. Essas atitudes serão favoráveis frente aos objetos e pessoas que satisfaçam às suas necessidades ou desfavoráveis frente aos objetos e pessoas que o impedem de atingir o seu objetivo. Há também a influência no indivíduo de informações a que está exposto. Essas informações são divulgadas através dos meios de comunicação em massa, nas escolas, etc.            
             Para Abreu & Masetto (1990), as três categorias de aprendizagem - conhecimentos, habilidades e atitudes em determinado momento do curso, compreendem as seguintes dimensões:
a)   Conhecimentos: Em quase todos os problemas educacionais o aluno precisa adquirir determinado cabedal de conhecimentos: informações, fatos, conceitos, princípios, sua aplicação, teorias, interpretações, análises, estudos, hipóteses, pesquisas, debates, “...” .
b) Habilidades: Referem-se a tudo aquilo que o aluno deve aprender a fazer desenvolvendo suas capacidades intelectuais, afetivas, psíquicas e motoras. Por exemplo: capacidade de organizar seu próprio estudo; capacidade de avaliar seu próprio trabalho e trabalhos de outros; capacidade de formular uma hipótese, realizar uma pesquisa; capacidade de coletar, organizar informações; “...” .
c) Atitudes: São os comportamentos que o aluno apresenta diferentes daqueles que apresentava antes de passar por essa disciplina. Por exemplo: curiosidade científica, perseverança no questionamento, responsabilidade quanto à aprendizagem, consciência crítica frente à realidade, à sua profissão, aos fatos, acontecimentos e teorias, “...”. (Abreu & Masetto, 1990, p. 32).
 
 
            Dessa forma, os conhecimentos, as habilidades desenvolvidas, as atitudes que o profissional de administração deve ter no dia-a-dia  são imprescindíveis para uma noção mais global sobre os aspectos relacionados com a vida, a profissão, a sociedade, o mercado de trabalho, a cultura local e global.
Metodologia
 
A preocupação central da pesquisa foi  investigar a percepção do aluno do Curso de Administração sobre o processo formativo na UFRN e sua sintonia  às exigências do mercado de trabalho Para tanto, procurou-se responder às seguintes indagações: a) Quais os conhecimentos, habilidades, atitudes importantes para a formação acadêmica do administrador, na perspectiva do aluno?; b) Quais os conhecimentos, habilidades, atitudes importantes para o mercado de trabalho, na perspectiva do aluno?; c) Quais os conhecimentos e habilidades de maior aprendizagem e  as atitudes mais desenvolvidas  pelo aluno na UFRN?
O estudo foi realizado com os  alunos concluintes do curso de Administração da UFRN no segundo semestre do ano 2000, pois considerou-se que seriam os mais capazes de fazer uma substancial avaliação do curso, tendo em vista terem uma maior interação e convivência com o mesmo. Trata-se de uma pesquisa censitária, a qual envolveu  31 ( trinta e um)  alunos.
Foram escolhidas as seguintes variáveis:
Conhecimentos trabalhados: matérias de Formação Básica e Obrigatórias, como Economia, Direito, Matemática, Estatística, Contabilidade, Filosofia, Psicologia, Sociologia e Informática. As disciplinas de Formação Profissional são: Teorias da Administração, Administração Mercadológica, Administração da Produção, Administração de Recursos Humanos, Administração Financeira e Orçamentária, Administração de Materiais e Patrimoniais, Administração de Sistemas de Informação e Organização, Sistemas e Métodos, Métodos e Técnicas de Pesquisa na Administração e  Estágio Supervisionado. Foi solicitado ao aluno que informasse o grau de importância para sua formação acadêmica e mercado de trabalho, avaliando o aprendizado e a atualização dos conteúdos em sala de aula.
 
Habilidades trabalhadas: tomar decisão; comunicação oral e escrita; capacidade para aprender; capacidade assumir/correr riscos; criatividade; negociação; polivalência; entender o negócio da empresa; bom relacionamento com o cliente; integrar as diversas áreas funcionais da empresa; tratar com culturas diferentes; ter visão estratégica e antecipar ameaças e oportunidades; delegar tarefas; autogerenciamento; viabilizar/ implementar idéias; estabilidade emocional; facilidade para lidar com computador; saber ouvir; criar um clima de segurança e participação; empatia; cobrar resultados; alocar recursos, estabelecer relação custo/benefício; capacidade de raciocínio abstrato/lógico; compreensão das bases gerais, científico–técnicas, sociais e econômicas da produção em seu conjunto; introduzir modificações no processo de trabalho, dentre outras. Solicitou-se ao aluno que informasse o grau de importância de cada uma para sua formação acadêmica e para o mercado de trabalho e avaliasse o aprendizado delas em sala de aula.
 
Atitudes trabalhadas: ter garra, ambição e vontade de crescer; motivar colegas de trabalho; ter motivação para objetivos e metas; ter pré-disposição para trabalhar muito; ser comprometido com a empresa; buscar contínua atualização e  aperfeiçoamento; tender ao empreendedorismo; ter entusiasmo e otimismo no trabalho; ter interesse em cursos de pós-graduação; buscar experiência prática; ter iniciativa; ter maturidade; ter predisposição para correr riscos; ser intuitivo; ter autoconfiança; ter capacidade de superar frustração, estresse, pressão, etc.; ter abertura a novas idéias; ter atitude pró-ativa/reativa; defender direitos dos clientes; considerar objetivos / filosofia da organização; divulgar conhecimentos / experiências; auto organizar-se; refletir a atuar criticamente em seu trabalho; assumir responsabilidades, dentre outras. Solicitou-se ao aluno que informasse o grau de importância de cada uma para sua formação acadêmica e para o mercado de trabalho e avaliasse o desenvolvimento delas em sala de aula.
 
A coleta de dados foi desenvolvida através da aplicação de questionários. Para a elaboração do instrumento  no que se refere aos conhecimentos, habilidades, atitudes e valores, fez-se previamente uma pesquisa junto a dezenove professores do curso para que escolhessem os itens com maior grau de importância para a formação acadêmica do aluno e para o mercado de trabalho. Tendo todos os itens, numa escala de 1-5 (1 - sem importância, 2 - pouca importância, 3 - regular importância, 4 – muita importância e 5 – elevada importância), recebido um grau de importância maior que 3, optou-se por relacioná-los na íntegra no instrumento aplicado aos alunos. Essa aplicação junto aos professores serviu para validar o instrumento, posteriormente avaliado pelos alunos, com a mesma escala (1-5).
 
 
Análise e Interpretação dos Dados
 
 
Conhecimentos, Habilidades e  Atitudes
 
            Os conhecimentos trabalhados com os alunos foram aqueles considerados como obrigatórios pela Coordenação do Curso de Administração. Os complementares não foram inseridos tendo em vista uma demanda menor, o que impossibilitaria uma análise real condizente com a opinião de todos os alunos concluintes.
            O Quadro 01  mostra  na perspectiva do aluno concluinte o grau de importância  atribuído aos conhecimentos trabalhados em sala de aula, o grau de importância desses conhecimentos para o mercado de trabalho, o grau de aprendizado em sal de aula e o grau de atualização dos conteúdos. Estão listados os conhecimentos até a 10ª posição, conforme escolha dos respondentes.
            Analisando a coluna referente à importância dos conhecimentos para a formação acadêmica ( GIFA), observa-se que a Administração de Recursos Humanos foi classificada em primeiro lugar, seguida de Mercadologia e Administração da Produção, Estágio Supervisionado e Processo Decisório. Os três primeiros conhecimentos  aparecem também listados como os mais importantes para o mercado de trabalho (  Coluna  GIMT). No entanto, enquanto Administração Financeira e Orçamento Empresarial aparecem em 2º e 3º lugares respectivamente, em importância para o mercado de trabalho,  aparecem apenas em 6º lugar em importância para a formação acadêmica.  Importa ressaltar em um total de 15 conhecimentos considerados importantes para a formação acadêmica, aqueles que tiveram menor pontuação: Micro-Informática na Empresa, Contabilidade Aplicada à Administração, Desenvolvimento Geral e Interpessoal e Administração da Informação. Na mesma posição, considerando agora a importância para o mercado de trabalho, aparecem Teoria das Organizações, Economia, Desenvolvimento Geral e Interpessoal e Recursos Materiais e Patrimoniais.  A diferença de classificação revela que o aluno tem a percepção de que a formação acadêmica possui exigências diferentes do mercado de trabalho, ou seja, há conhecimentos que são de muita importância para a formação acadêmica e que para o mercado de trabalho não têm a mesma importância.
            Quanto ao grau de aprendizado dos conhecimentos em sala de aula ( Coluna GASA), observa-se que a disciplina Administração de Recursos Humanos aparece em 1º lugar, seguida de Conflitos e Negociação no Trabalho e Teoria das Organizações. Vale ressaltar, que somente cinco ou 20,83% dos conhecimentos  obtiveram graus de aprendizado acima de 4 ( muito aprendizado) . A maioria ficou com grau entre 3 (regular  aprendizado) e 4 (muito aprendizado). Outrossim, é igualmente importante registrar a avaliação de que grau de aprendizado dos conhecimentos  nem sempre se deu de forma mais efetiva para aqueles conhecimentos que são julgados como importantes para a formação acadêmica e  para o mercado de trabalho.
            Na Coluna GAC, que mostra o grau de atualização dos conteúdos, percebe-se que Conflitos e Negociação no Trabalho apresentou–se como o conhecimento mais atualizado, seguido de Administração de Recursos Humanos e Administração da Informação, que foi classificado como o 7º conhecimento mais importante para a formação acadêmica e o 4º em importância para o mercado de trabalho. Os conhecimentos menos atualizados foram Contabilidade Aplicada à Administração, Organização e Métodos, Micro-Informática na Empresa e Desenvolvimento Geral e Interpessoal.  Ressalte-se que os conhecimentos classificados como mais importantes para o mercado de trabalho não são os mais atualizados. Quando o conhecimento é atualizado, provoca maior interesse no aluno e, em conseqüência, maior aprendizado. Essa suposição é fortalecida pela opinião dos alunos de que há necessidade de uma maior relação entre teoria e prática.
            O Quadro 02 apresenta a classificação de importância de um conjunto de habilidades para a formação acadêmica, para o mercado de trabalho e o grau de aprendizado das habilidades em sala de aula.
            Analisando a Coluna GIFA, a habilidade de maior grau de classificação foi “ter visão estratégica”, seguida de “tomar decisão”e “viabilizar, implementar idéias”. As três habilidades relacionam-se diretamente com a atuação do profissional no contexto empresarial. Outra habilidade avaliada em o 3º grau de importância, relaciona-se com o comportamento do indivíduo em qualquer ambiente, que é o “controle emocional”. Na 4ª classificação, a habilidade “negociação”relacionada com o ambiente organizacional.
            A Coluna GIMT classifica as habilidades mais importantes para o mercado de trabalho. Ocupam o 1º,  2º e 3º  lugares respectivamente, as habilidades “ter visão estratégica”e “tomar decisão” e “ser criativo”.  Há portanto, uma sintonia entre aquilo que é importante para a formação acadêmica e para o mercado de trabalho. Vale destacar a importância que é dada à  habilidades “saber negócio da empresa”  para o mercado de trabalho e não para a formação acadêmica.  Importa registrar que os alunos avaliam que as habilidades são mais importantes para o mercado de trabalho do que para a formação acadêmica.
            Quanto ao grau de aprendizado das habilidades, constata-se que  a avaliação mais positiva recai sobre “ habilidade interpessoal”, “saber ouvir”, “tomar decisão”,  “comunicação escrita”, “implementar idéias”e “ter visão estratégica”. É fácil constatar que há sintonia entre as habilidades julgadas importantes para a formação e aquelas que são aprendidas em sala de aula.  A comparação entre os resultados atribuídos às habilidades, revela que de um modo geral elas não foram muito bem desenvolvidas em sala de aula. Nenhuma habilidade de um total de 15, conseguiu escore acima de 4.
            O Quadro 03,  apresenta a importância das atitudes para a formação acadêmica e mercado de trabalho e o grau de desenvolvimento em sala de aula.
            A Coluna GIFA mostra que as atitudes de maior média referem-se a  “buscar contínua atualização e aperfeiçoamento”, “auto-organizar-se”e “assumir responsabilidade” com  o mesmo grau. Em 2º lugar aparecem as atitudes “buscar experiência prática “e “ ter iniciativa”. As atitudes menos valorizadas foram “ter atitude pró-ativa”, “predispor-se a correr riscos” e “passar uma boa imagem”.
            Verificando a Coluna GIMT,  constata-se que há uma sintonia entre o que os alunos julgam como atitudes  importantes para  a formação acadêmica  e para o mercado de trabalho. No entanto, há uma discrepância enorme na avaliação que fazem das atitudes “autoconfiança” e “superar frustação /stress, etc” para a formação acadêmica, e  que assumem posição invertida quando a avaliação é feita para o mercado de trabalho.
            Na Coluna GD , apenas duas ou 6,25% das atitudes apresentaram graus entre 4 ( muito desenvolvida) e 5 ( elevado desenvolvimento). As demais ( 93,75%) apresentaram graus entre 3 ( regular desenvolvimento) e 4 ( muito desenvolvimento). As atitudes mais desenvolvidas foram, em ordem decrescente até a quinta classificação: “assumir responsabilidade”, “auto-organizar-se”, “exercer a profissão com zelo e diligência”. “iniciativa “, “considerar objetivos/filosofia da organização”e “ser cordial e respeitoso”e finalmente, “aprender a aprender”e “: abertura a novas idéias”. Atitudes consideradas muito importantes para o mercado de trabalho, como “buscar experiência prática”, “transmitir uma boa imagem”, “explorar a experiência profissionaL”, capacidade de superar frustação, pressão”, “rapidez nas ações” também obtiveram um menor grau de desenvolvimento.
              Os alunos também apontaram que os aspectos que mais contribuem para a qualidade do curso são, em ordem decrescente: a titulação/qualificação dos professores; o conteúdo programático das disciplinas; a metodologia utilizada pelos professores para ministrarem suas aulas; o estágio supervisionado; os recursos materiais utilizados em sala de aula pelos professores; o acervo bibliográfico disponível; e o acesso e comunicação com o Departamento do curso para solucionar problemas.
            Quanto aos aspectos que necessitam de mudanças urgentes, a fim de melhorar a qualidade do curso, os mais citados foram, em ordem decrescente: a melhoria da prática pedagógica; melhoria da infra-estrutura; implementação de parcerias com empresas/comunidade; atualização do acervo bibliográfico e  melhor qualificação do corpo docente.
            Os dados revelaram que o percentual total de alunos com expectativa de inserção o mercado de trabalho é de 83,87%, ou vinte e seis alunos, em curto, médio e longo prazos. Isso significa uma avaliação favorável das possibilidades de inserção no mercado de trabalho. E o fatores decisivos para essa inserção, para a maior parte dos alunos são a formação acadêmica e a experiência adquirida.

QUADRO 1 – Grau de importância dos conhecimentos  para a formação acadêmica e mercado de trabalho,
grau de aprendizagem e de atualização dos conteúdos em sala de aula
 
OC
CONH.
ES
GIFA
INTERVALO CONFIANÇA
OC
CONH.
GIMT
INTERVALO CONFIANÇA
OC
CONH.
 
GASA
INTERVALO CONFIANÇA
OC
CONH.
GAC
INTERVALO CONFIANÇA
MÉDIA
-95%
+95%
MÉDIA
-95%
+95%
MÉDIA
-95%
+95%
MÉDIA
-95%
+95%
1
ARH
4,7419
4,5308
4,953
1
MERC
4,5806
4,353
4,8082
1
ARH
4,1612
3,8918
4,4307
1
CNT
4,2903
4,0031
4,5774
2
MERC
4,7096
4,4739
4,9453
1
ARH
4,5806
4,353
4,8082
1
CNT
4,1612
3,8603
4,4622
2
ARH
4,258
3,9744
4,5416
3
AP
4,6451
4,422
4,8682
2
AP
4,5483
4,3007
4,796
2
TO
4,129
3,849
4,409
3
AI
4,2258
3,8386
4,6129
4
ES
4,5161
4,2504
4,7818
2
AF
4,5483
4,3195
4,7772
3
TGA
4,0645
3,7373
4,3917
4
PD
4,0967
3,792
4,4015
5
PD
4,4838
4,2356
4,7321
3
OE
4,4838
4,2181
4,7495
3
PD
4,0645
3,7814
4,3476
5
TO
4,0645
3,7373
4,3917
6
IMI
4,4516
4,2039
4,6992
4
CAA
4,387
4,1822
4,5919
4
DGI
3,9677
3,661
4,2743
5
MERC
4,0645
3,7814
4,3476
6
TGA
4,4516
4,1545
4,7486
4
IMI
4,387
4,0634
4,7107
5
AI
3,9354
3,5694
4,3014
5
AP
4,0645
3,6985
4,4305
6
AF
4,4516
4,17
4,7331
4
AI
4,387
4,0776
4,6965
6
MERC
3,9032
3,5984
4,2079
6
AF
3,8064
3,3999
4,2129
6
OE
4,4516
4,17
4,7331
5
CNT
4,2903
4,0363
4,5443
7
AP
3,8064
3,4468
4,1668
7
TGA
3,7741
3,3756
4,1727
7
TO
4,387
4,0924
4,6817
5
MIE<