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- Sugestões/Críticas e etc.
em Avaliação de Programas e Instituições
Gilberto de Andrade Martins(*)
Renata Massaro River Serra(**)
RESUMO
É inquestionável o crescimento dos públicos que compõem o
"mercado" de Pós-Graduação no Brasil. Constata-se um extraordinário
aumento da procura por cursos dessa natureza - provavelmente em
função das precárias condições de empregabilidade - e do lado da
oferta observa-se uma expansão nunca vista de Cursos de Mestrado e
Especialização em todas as áreas do conhecimento, particularmente em
Administração com seus "modernos" MBAs. Buscando contribuições
para o entendimento parcial desse fenômeno, este trabalho apresenta
informações sobre a gênese do ensino de Pós-Graduação no Brasil,
explicitando as diferenças entre os programas stricto e lato sensu. A
partir da análise de 358 questionários respondidos por candidatos ao
Programa de Pós-Graduação em Administração da FEA-USP, e de 298
formulários preenchidos pelos candidatos ao Curso de Especialização:
Capacitação Gerencial, promovido pelo Programa de Educação
Continuada para Executivos da FIA/FEA-USP, são avaliadas e
comparadas as características demográfica, profissiográfica e
acadêmica dos candidatos participantes dos respectivos processos de
seleção/98. Apresentam-se as diferenças e similaridades entre os
grupos, bem como são feitas sugestões para a melhoria da qualidade
desses cursos.
(*) Professor-Doutor pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade
da Universidade de São Paulo. E-mail: martins@usp.br.
(**) Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Administração da Faculdade de
Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. E-mail:
renatase@usp.br.
2
CONTEXTUALIZAÇÃO: ELEMENTOS PARA
UMA LEITURA DO REAL
O ensino superior brasileiro nasceu sob a
forma de faculdades isoladas. Somente a partir
da década dos anos 30 aparecem as Universidades,
como resultado da aglomeração de escolas
de 3º grau.
Os cursos de pós-graduação surgem, em
1931, com a Reforma Campos (Decreto
19.815/31), que normatiza o doutoramento tipo
europeu com defesa de tese nas áreas de Direito,
das Ciências Exatas e Naturais. Cursos com o
nome de "pós-graduação" aparecem, a partir de
1946 na Universidade do Brasil (Decreto
21.931/46).
Várias iniciativas para expansão desses cursos
ocorreram nos anos 50, sobretudo a abertura
de cursos de especialização e aperfeiçoamento
ao nível de pós-graduação. Desde 1950, a USP já
vinha formando seus doutores, em centros onde
se desenvolvia a pesquisa científica.
O vertiginoso crescimento do ensino superior
de graduação, verificado na década dos anos 60,
contribuiu marcadamente para a criação e expansão
de Programas de Pós-Graduação nas universidades
brasileiras, principalmente como "fonte"
de professores para o 3º grau. Esses cursos se
desenvolveram naturalmente até 1965, sem uma
política estabelecida pelos órgãos governamentais.
Em 1965, o Conselho Federal da Educação,
para evitar a desvalorização dos graus de mestre
e doutor, disciplinou a criação e funcionamento
dos cursos de pós-graduação no país. Três eram
os objetivos principais: atender à demanda do
ensino superior, estimular o desenvolvimento da
pesquisa, e assegurar treinamento eficaz de técnicos
e trabalhadores intelectuais de alto padrão.
Em 1968, o Governo editou a Lei 5.540 que
disciplinou a estrutura do ensino superior brasileiro.
Segundo essa lei, os cursos stricto sensu –
mestrado e doutorado - são prioritários das Universidades,
enquanto os cursos lato sensu - especialização
e aperfeiçoamento - reservados às
Federações de Escolas e Institutos Isolados.
O intuito de preparar pesquisadores e professores
universitários em muito contribuiu para a
melhoria da capacitação dos integrantes das empresas
multinacionais, das grandes empresas
nacionais e das organizações estatais que proliferaram
nos anos de 60 a 70.
Esse período apresentou um grande avanço
nos Programas de Pós-Graduação no Brasil, com
crescimento do número de matrículas, diversificação
de áreas atendidas, expansão em todas as
regiões e aperfeiçoamento da qualidade da produção
científica do país. A USP estruturou seus
cursos de pós-graduação de duas formas: a pósgraduação
stricto sensu e a lato sensu. Os cursos
stricto sensu, de natureza mais acadêmica, voltados
para a geração de conhecimento, e formação
de pesquisadores, outorgam os graus de mestre e
doutor, enquanto os cursos lato sensu, de natureza
prática, visam principalmente o aperfeiçoamento
técnico-profissional em uma área do saber,
conferindo certificados de especialização.
Na FEA-USP, o Programa de Pós-Graduação
em Administração sofreu marcante reformulação
em 1975, e ao longo desses últimos anos, seus
coordenadores, professores e alunos têm participado
de sua construção. Há mais de dez anos o
Curso é procurado, em média, por 320 candidatos
que disputam 40 vagas anuais. O atual processo
de seleção é classificatório em função da
avaliação de "Curriculum Vitae", e desempenho
nos testes de Raciocínio Lógico e Quantitativo;
Inglês; Noções Básicas de Administração e Redação.
Em 1996, atendendo à demanda, o Departamento
de Administração da FEA-USP criou um
núcleo de Programas de Educação Continuada
em Administração para Executivos. Assim é que
foram instalados os cursos MBA (Master of
Business Administration) em Marketing, Finanças,
Recursos Humanos, e também o Curso de
Capacitação Gerencial.
O processo de seleção dos MBAs é orientado
pela análise de "Curriculum Vitae" e entrevistas,
enquanto o acesso ao Curso de Capacitação Gerencial
é feito pela aplicação de testes sobre Raciocínio
Lógico e Quantitativo; Conhecimentos
Gerais, Redação, e avaliação de “Curriculum
Vitae”.
O Programa de Capacitação Gerencial oferece
35 vagas por semestre, e sua procura tem
sido crescente - de 110 candidatos em junho/96,
atingiu 300 inscritos em janeiro de 1998.
Buscando traçar um perfil comparativo entre
os demandantes para esses dois tipos de formação,
analisou-se os dados dos candidatos aos
3
cursos de Mestrado da FEA-USP e de Capacitação
Gerencial da FIA-FEA/USP. Reforçando o
que já foi dito, o primeiro é curso stricto sensu
voltado para a formação de mestres, com ênfase
na docência e pesquisa, e o segundo um curso
lato sensu que objetiva formar executivos com
capacidade gerencial de alto nível.
Proposta e Trajetória
O fenômeno da multiplicação dos Cursos de
Graduação verificado nos anos das décadas de
70 e 80 criou um enorme contingente de profissionais
que, nestes últimos dez anos, têm procurado
cursos de Aperfeiçoamento, Especialização
e Pós-Graduação. O extraordinário aumento
dessa procura não só é explicado pela expansão
do 3º Grau, como pela baixa qualidade de cursos
oriundos desse "boom", bem como pelas difíceis
condições de empregabilidade constatadas nestes
últimos anos, fazendo com que os graduados
voltem "aos bancos escolares". Em função dessa
crescente demanda observa-se uma forte expansão
da oferta de cursos desses gêneros. Multiplicam-
se Programas e Cursos aos graduados do 3º
Grau, evidenciando-se a necessária atenção à
qualidade dessa oferta.
As dimensões atingidas por esse mercado
exigem resultados de pesquisas empírico-teóricas
que possam orientar os demandantes desses
serviços educacionais, bem como subsidiar os
planos administrativos-pedagógicos das instituições
ofertantes. Neste contexto o propósito deste
estudo é apresentar, contrastar e discutir as características
demográficas e profissionais de
candidatos aos cursos de Pós-Graduação. Mais
especificamente buscar-se-ão similaridades e
diferenças entre os perfis sócio-acadêmicos de
candidatos a um Curso de Mestrado - Programa
de Pós-Graduação em Administração da
FEA/USP - e candidatos a um Curso de Pós-
Graduação lato sensu - Capacitação Gerencial.
Os resultados desta investigação foram obtidos
através de análises de 358 questionários
respondidos pelos candidatos ao Curso de Mestrado,
e por 298 ao Curso de Capacitação Gerencial,
todos coletados quando das inscrições aos
respectivos processos de seleção, no segundo
semestre de 1997. Foram avaliadas as seguintes
dimensões:
· idade l anos de formação
· estado civil l origem escolar
· sexo l complementação de estudos
· área de graduação l experiência profissional
ANÁLISE DOS RESULTADOS
Em atenção aos propósitos do estudo são
apresentados os principais resultados
comparativos entre os dois grupos avaliados, de
acordo com três categorias: dados pessoais,
formação acadêmica e experiência profissional.
Dados Pessoais
Idade dos candidatos
Os candidatos ao programa de Mestrado
apresentam idade média de 30,55 anos, inferior
aos candidatos ao curso de Capacitação
Gerencial que apresentam média próxima a 34
anos. Mais de 50% dos candidatos ao Mestrado
apresentam idades inferiores a 30 anos, enquanto
mais de 50% dos candidatos ao Capacitação
Gerencial tinham, na época dos exames, até 35
anos. São ainda elevadas as idades dos
candidatos ao Pós-Graduação. Todavia a
escassez de empregos, aliada às crescentes
exigências quanto à qualificação dos
profissionais empregados, por certo, irão
provocar, a curto prazo, uma diminuição na
idade média dos graduados que buscam
instituições para continuação de seus estudos.
A Tabela 1, mostra a distribuição etária dos
dois conjuntos:
4
Faixa etária Mestrado Capacitação
Gerencial
20 a 25 anos 23% 7%
26 a 30 anos 33% 34%
31 a 35 anos 18% 30%
36 a 40 anos 12% 19%
41 a 50 anos 13% 10%
51 a 60 anos 1% 0%
Tabela 1
Estado Civil dos Candidatos
Os candidatos ao Mestrado são em sua
maioria solteiros (60,06%) e sem dependentes
(63,46%), enquanto metade dos candidatos ao
curso de Capacitação Gerencial são casados e
também sem dependentes (60,08%). Analisandose
a distribuição etária e estado civil dos
candidatos pode-se concluir, à semelhança de
resultados de pesquisas comportamentais, que os
jovens universitários estão casando mais tarde, e
também adiando o nascimento de filhos. O
Gráfico 1 exibe as porcentagens dos estados
civis dos candidatos.
Estado civil
0% 20% 40% 60% 80%
Capac.
Gerencial
Mestrado outros
casado
solteiro
Gráfico 1
Sexo dos candidatos
Ambos os grupos apresentam maioria
masculina, embora ela seja mais relevante para o
curso de Capacitação Gerencial - 75,55% - do
que para o de Mestrado: 63,13%. Indicadores
sobre a dinâmica do mercado profissional
sugerem alterações futuras nas proporções de
homens e mulheres que procuram cursos de Pós-
Graduação. A crescente participação das
mulheres no "mundo do trabalho empresarial"
implicará, a curto prazo, alterações nas
porcentagens reveladas por este estudo. O
Gráfico 2 mostra os resultados percentuais
quanto ao sexo dos candidatos.
5
Sexo
0%
20%
40%
60%
80%
Capac. Gerencial Mestrado
feminino
masculino
Gráfico 2
Formação Acadêmica
Área de Graduação
A formação acadêmica entre os dois grupos é
diferenciada quanto à área de conhecimento do
curso de graduação concluído. Os candidatos ao
Mestrado são, em sua maioria, advindos da área
de Humanas (65,77%), sendo que 41,37% deles
têm formação em Administração; 31,85% vêm
da área de Exatas e apenas 2,38% da área de
Biológicas. Já os candidatos ao curso de
Capacitação Gerencial são, em sua maioria,
oriundos da área de Exatas (54,38%); seguido
pela área de Humanas (41,61%), sendo 21,53%
formados em Administração; e 4,01% da área de
Biológicas. Os resultados atestam que os cursos
de Pós-Graduação em Administração (Mestrado
ou Especialização) devem adotar currículos
extremamente amplos e ecléticos, já que
recebem alunos de todas as áreas do
conhecimento, e de diversas subáreas. Enquanto
os Programas de Pós-Graduação de Economia,
Engenharia, Medicina... recebem candidatos
graduados nas respectivas modalidades,
contrariamente, como demonstram os resultados,
o Curso de Administração é procurado por mais
de 50% de candidatos formados em outros
Cursos.
A expressiva proporção de candidatos,
oriundos de cursos de Exatas, que procuram o
Programa de Capacitação Gerencial é explicada
pelos profissionais da Engenharia, que,
assumindo posições de chefia, buscam no
referido Curso conhecimentos e aperfeiçoamento
de práticas gerenciais.
O Gráfico 3 mostra a distribuição dos
candidatos, considerando-se a área de
conhecimento do curso de graduação.
Tempo entre a Conclusão do Graduação e a
Inscrição no Pós-Graduação
Os resultados indicam que o curso de pósgraduação
é procurado após 7,5 anos, em média,
da data da conclusão do curso de graduação.
Este aparente longo tempo pode ser explicado
por duas características típicas do mercado
profissional dos administradores. Por um lado
tem-se as dificuldades de colocação em cargos
de chefias para os recém formados, e por outro a
indispensável aquisição de experiências em um
campo de trabalho eminentemente prático.
O expressivo número de engenheiros, que
buscam programas dessa natureza, também
explica a “demora” do retorno à universidade, já
que tais profissionais migram, nos primeiros
anos após o graduação, para áreas
administrativas das organizações, e após alguns
anos retornam à escola em busca de
conhecimentos/conteúdos sobre Administração.
6
Área de graduação
0% 20% 40% 60% 80%
Mestrado
Capac.
Gerencial
Administração
Humanas
Exatas
Biológicas
Gráfico 3
A média do tempo de formação diverge entre
os grupos em menos de um ano. Os candidatos
ao Mestrado apresentam média de 7,28 anos de
formados, variando o ano de formatura de 1965
a 1998, sendo que a maior parte (53,93%) se
graduou entre 1993 e 1998. Os candidatos ao
Capacitação Gerencial apresentam média de 8,08
anos de formados, variando o término do
graduação entre 1970 e 1997, sendo que sua
maioria (50,73%) se formou entre 1992 e 1997.
Os resultados confirmam comentários feitos
anteriormente quanto ao "longo período"
decorrido entre o término do graduação e a
matrícula no pós-graduação. A diferença pode
ser visualizada no Gráfico 4.
Anos de Formado -
média
0
2
4
6
8
10
Capac. Gerencial Mestrado
Gráfico 4
7
Graduação Particular X Pública
Quando se analisa a origem escolar dos
candidatos se constata que a expressiva maioria
graduou-se em escolas particulares - 69,47% e
76,03%, respectivamente, dos candidatos ao
Mestrado e ao Capacitação Gerencial. Tais
proporções se assemelham ao número de vagas
ofertadas pelas redes pública e privada de ensino
superior, em São Paulo - aproximadamente 75%
das vagas para o 3º grau são oferecidas por
Instituições particulares. O Gráfico 5 ilustra os
níveis dessas proporções.
0% 20% 40% 60% 80%
Pública
Particular
Graduação
Mestrado
Capac. Gerencial
Gráfico 5
Formação Acadêmica Complementar
A complementação dos estudos após o graduação
é bastante similar entre os dois grupos,
quando se analisa a continuação dos mesmos. A
maioria não realizou estudos formais complementares,
como Especialização ou Mestrado.
Apenas 36,6% dos candidatos ao Mestrado, e
28,1% dos candidatos ao Capacitação Gerencial
participaram de congressos e seminários.
Os cursos de extensão (de curta duração) foram
os mais freqüentados - por 44,97% dos candidatos
ao Mestrado, e 49,64% dos candidatos
ao Capacitação Gerencial. Quanto aos cursos de
especialização, em diferentes áreas, foram feitos
por 33,8% dos candidatos ao Mestrado e 19,71%
dos candidatos ao Capacitação Gerencial.
Não são expressivas as taxas de candidatos
que informaram publicações de artigos, textos,
livros, etc.
Os dados que compõem a formação acadêmica
complementar dos candidatos são mostrados
no Gráfico 6.
8
Formação complementar
0%
20%
40%
60%
especialização
extensão
ouvinte
prêmio
publicação
Capac.
Gerencial
Mestrado
Gráfico 6
Experiência Profissional dos Candidatos
Confirmando resultados anteriores que indicam
distinção entre os públicos a um programa
de pós-graduação stricto sensu, e a um programa
lato sensu, nota-se que são diferentes os tempos
médios de trabalho dos candidatos aos dois cursos.
Se compararmos os tempos médios de trabalho
com os períodos entre a conclusão do graduação
e inscrição no pós-graduação podemos
concluir que os candidatos a tais Programas ingressaram
no mercado de trabalho, ao final de
suas graduações, com idade entre 22 a 26 anos.
As diferenças são mostradas no Gráfico 7.
Média de anos em organização
0
4
8
12
Capac. Gerencial Mestrado
Gráfico 7
9
Dedicação ao Curso
Como já evidenciado, quando da apresentação
dos indicadores da formação complementar
dos candidatos, suas "vidas acadêmicas" podem
ser consideradas razoáveis. Enquanto os candidatos
ao Mestrado mostram maiores experiências
acadêmicas, os pretendentes ao Curso de
Especialização apresentam maiores experiências
profissionais.
De acordo com as distinções já apontadas,
também são diferentes as médias de horas que
cada grupo se propôs a dedicar ao curso pretendido.
Demonstrando elevados níveis de conscientização
e realismo de todos os candidatos
quanto aos diferentes padrões de exigências dos
Cursos, os resultados indicaram que, em média,
os candidatos ao Mestrado pretendem dedicar 32
horas semanais ao Programa, enquanto os candidatos
interessados no Curso de Capacitação revelaram
dispor, em média, de 12 horas para trabalhos
extra-classe. O Gráfico 8 apresenta os
valores.
Média de horas de dedicação
0,00
10,00
20,00
30,00
40,00
Capac. Gerencial Mestrado
Gráfico 8
CONCLUSÕES E SUGESTÕES
Os resultados indicam que podem ser
considerados distintos os públicos que buscam
um Curso de Mestrado em Administração e
aqueles que pretendem um Curso de
Especialização. Sendo mais discriminativas as
variáveis e características:
§ idade;
§ estado civil;
§ área de estudos da graduação;
§ natureza jurídica da Faculdade onde cursou a
graduação;
§ experiências acadêmicas;
§ experiências profissionais;
§ horas extra-classe que se pretende dedicar ao
curso.
O gráfico 9, ilustra algumas diferenças e
similaridades entre os dois grupos investigados.
10
Comparação entre variáveis
100% 75% 50% 25% 0% 25% 50% 75% 100%
pretende dedicar pelo menos 20 horas/semana
pretende dedicar até 10 horas/semana
trabalha há mais de 5 anos
trabalha há 5 anos ou menos
com curso de especialização
com curso de extensão
graduados em escola pública
graduados em escola particular
graduação em Administração
graduação em Engenharia
graduação em Exatas
solteiro
idade entre 40 - 50 anos
idade entre 30 - 35 anos
idade entre 25 - 30 anos
idade entre 20 - 25 anos
sexo feminino
sexo masculino
Mestrado Especialização
Gráfico 9
Os candidatos ao Curso de Mestrado são, em
sua maioria, mais jovens, solteiros, com
predominante formação em humanidades.
Apresentam razoável nível de "vida acadêmica",
e pretendem dedicar boa jornada de horas às
atividades extra-classe. Buscam aprofundar
conhecimentos e aperfeiçoar habilidades para o
exercício do magistério e pesquisa sobre
Administração.
A consideração dessas características sugere
às Coordenações dos PPGAs e aos seus
professores, iniciativas para elevação dos
padrões de exigência e de qualidade a partir das
avaliações para o ingresso, e também dos
conteúdos das disciplinas que compõem o Curso
de Mestrado.
Os candidatos aos Cursos de Especialização
em Administração, em sua maioria, apresentam
idade média superior aos interessados pelo
Mestrado. São casados e não têm dependentes.
Estão há mais tempo trabalhando e, portanto,
trazem mais experiências de "vida profissional".
A graduação mais freqüente é dada pelos cursos
da área de Exatas - particularmente Engenharia.
Devido ao fato de estarem ocupando posições
intermediárias na hierarquia de comando das
empresas onde trabalham, são muito exigidos,
não sobrando muito tempo para dedicação aos
estudos.
A concepção de Cursos de Especialização em
Administração deve levar em consideração tais
características através do delineamento de
Programas mais extensos, possibilitando
11
condições de tempo para o aluno dedicar-se ao
programa, bem como intensificar, e diversificar a
carga horária dedicada às disciplinas de
humanidades como relacionamento interpessoal,
sociologia, psicologia, comportamento humano,
administração de recursos humanos, etc.
Conforme já explicado, o "mundo do pósgraduação"
experimentou um extraordinário
crescimento em um curto período de tempo.
Muitas de suas práticas estão ainda sendo
orientadas pelo improviso e intuição.
Investigações avaliativas sobre tais cursos
precisam ser empreendidas visando a melhoria
da qualidade administrativa-pedagógica desses
programas. Os cursos de Pós-Graduação (lato ou
stricto sensu) chegaram para ficar.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BAYMA, Fátima. Inovando na pós-graduação: a
experiência do MBA/EAESP. Revista
Brasileira de Administração Contemporânea
- ANPAD. Rio de Janeiro, v. 1, n. 3. pp. 193-
202, set. 1995.
INÁCIO FILHO, Geraldo. A Monografia na
Universidade. Campinas: Papirus Editora,
1995.
MARTINS, Gilberto de Andrade. Epistemologia
da pesquisa em Administração. Tese de livre
docência apresentada a Faculdade de
Economia, Administração e Contabilidade da
USP. São Paulo: S. N., 1994. 110 p.
Pesquisa na Internet:
www.feausp.usp.br/cursos/pos-graduacao -
19/05/98 22:06
www.usp.br/prpg/hitof.html - 19/05/98 20:51
www.ufba.br/-npgadm/anpadmem.htm -
19/05/98 20:32

