Sandro Márcio da Silva(*)
Cláudia Santos(**)
RESUMO
O avanço tecnológico trouxe consigo fortes mudanças nas relações
trabalhistas. Muitos postos de trabalho estão sendo extintos em
virtude disso, e os novos postos gerados não conseguem suprir esta
falta. O reflexo disto nas Instituições de Ensino é imediato. O desafio é
acompanhar o dinamismo do conhecimento humano, estar em sintonia
com ele. Buscar por novas experiências é, não só um desafio, mas uma
exigência dos novos tempos.
O Ensino a Distância é uma invenção antiga mas que está sendo
aplicada com bastante entusiasmo em diversas partes do mundo. Ela se
encaixa entre as experiências educacionais que procuram formas mais
adequadas de difusão do conhecimento. Naturalmente esta abordagem
possui vantagens e desvantagens como qualquer outra. Mas muitos
acreditam que é a resposta para o futuro da Educação. Talvez uma alternativa
para atenuar o problema da Educação (ou melhor a escassez
dela) neste país de proporções continentais.
(*) Mestre e doutorando do Programa de Pós-Graduação em Administração da
Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São
Paulo. Sua pesquisa de mestrado abordou os Aspectos Culturais do Uso da
Internet na Atividade de Pesquisa Acadêmica na Escola Politécnica da USP. No
programa de doutorado, o autor tem investido na relação entre a cultura
organizacional e o desenvolvimento de inovações em organizações do setor de
telecomunicações. E-mail: smdsilva@usp.br.
(**) Bacharel em Ciência da Computação pelo Instituto de Matemática e Estatística da
Universidade de São Paulo. Atualmente exerce o cargo de Administradora de
Redes na Fundação Instituto de Administração. E-mail: csantos@fia.feasp.usp.br
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INTRODUÇÃO
Muito se tem dito sobre o avanço do conhecimento
e dos vários reflexos deste crescimento
sobre as pessoas. O avanço tecnológico oferece
melhores condições de vida, mais rapidez, melhor
qualidade, menor custo e mais alternativas.
Porém, à medida que avançam os “jeitos de fazer”,
o trabalhador é mais “bem utilizado” e o
trabalho antes realizado por muitos, agora é facilmente
realizado por uma pequena equipe. Um
dos resultados disto é que as relações do trabalho
se encontram cada vez mais comprometidas do
ponto de vista do trabalhador. Serviços de melhor
qualidade e mais bem remunerados requerem
cada vez menos pessoas para a sua realização;
logo, há cada vez menos vagas e a quantidade
de novos postos de trabalho gerados não
tem sido capaz de compensar os postos extintos.
O reflexo destas mudanças na escola é imediato.
Tendo como função precípua preparar os
alunos para "ocupar um lugar ao sol, as escolas
vêem-se premidas a reorganizar os cursos que
cuidam desta preparação. Não basta porém rever
o conteúdo. O aluno é um cliente exigente e que
tem sentido na pele as novas demandas do mercado
de trabalho. A relação entre alunos formados
pelas escolas anualmente versus a quantidade
de vagas e postos de trabalho gerados no
mesmo período não deixa dúvidas de que não
tem espaço para todo mundo. A mudança no
ambiente externo e suas conseqüências no âmbito
organizacional têm levado as organizações a
buscarem empregados com novas competências.
Remontando aos tempos de Platão, ou lembrando-
se das epístolas de São Paulo, o ensino a
distância, como tantos outros conceitos “modernos”,
também é uma invenção antiga e, já naqueles
tempos, servia para difundir conhecimento.
Talvez a vida não fosse tão complexa e
dinâmica. A diferença é que provavelmente o
volume do conhecimento não era assim tão
grande, não crescia a velocidade com que cresce
atualmente e talvez não precisasse atingir tantas
pessoas ao mesmo tempo.
Salvo melhor juízo, não nos parece que o país
sofra de "falta de educação" (educação formal).
Ao nosso ver o problema está mais para a falta
de novos postos de trabalho. Tal fato pode ser
constatado quando lembramos de casos como os
de engenheiros formados atuando como recepcionistas
de automóveis em concessionárias
autorizadas. O que chama a atenção é o “desperdício
de cabeças" num momento em que se fala
tanto de falta de gente com ensino básico.
Mas partindo do pressuposto que o país vai
crescer, vai gerar novos postos de trabalho e vai
precisar de pessoas mais capacitadas, o Ensino a
distância parece ser uma alternativa útil para
atenuar o problema de educação para tantas pessoas
ao mesmo tempo num país de dimensões
continentais como o Brasil.
O Que tem Mudado na Relação Empresa x
Clientes
Como mostram Davis & Botkin (1994), o
mercado consumidor tem valorizado produtos
mais “inteligentes”, que percebem o ambiente e
reagem de forma específica a um dado conjunto
de elementos deste ambiente. De raquetes de
tênis que mudam de cor quando tocam a bola até
sistemas de atendimento de hotel que armazenam
os pedidos mais específicos de seus clientes
para sugeri-los na sua próxima estadia, os produtos
têm agregado cada vez mais sensores e
“tomadores de decisão”. Numa relação simbiótica,
consumidor e produto/serviço vão aprendendo
um com o outro à medida que se relacionam.
As molas propulsoras destas mudanças não
são outras senão o movimento de globalização e
a implementação /desenvolvimento de novas
tecnologias numa intensidade sem precedentes.
À medida em que os mercados são abertos pelas
transnacionais, cresce a concorrência entre as
organizações, e a tecnologia tem sido o ponto
central da estratégia tanto dos que buscam a
diferenciação dos produtos quanto a redução de
seus preços através da melhoria dos processos
produtivos.
Outras demandas sociais ganham força e estimulam
reflexões no interior das organizações.
No entendimento de Burns & Brooks (1997) tem
havido mudanças significativas na estrutura familiar,
na forma de trabalho, na vida urbana, na
mobilidade da população, na importância e representatividade
das minorias e nos valores morais.
Verdades inabaláveis têm sido reconsideradas
com maior freqüência. Tais mudanças tem
3
“levado os indivíduos a se tornarem perdidos,
isolados e alienados”.
Os Reflexos destas Mudanças nas Organizações
Uma das conseqüências deste cenário é o
aumento da influência do ambiente sobre a organização
(Evered, 1981, p.8). É cada vez mais
importante acompanhar as tendências da tecnologia,
das mudanças na legislação dos países e as
mudanças sociais. Atitudes como, maior interação
e compromisso com os fornecedores, maior
participação dos clientes no desenvolvimento de
produtos e a ampliação da cooperação com universidades
e centros de pesquisa enquanto fontes
de conhecimento tem papel cada vez mais estratégico.
O desenvolvimento de produtos mais “inteligentes”,
mais customizados e mais adequados às
mutantes demandas, passa a ser vital. Dado que a
sobrevivência da organização é razão direta do
sucesso de sua relação com o seu mercado, os
novos tempos têm despertado crescentes preocupações.
O modo como a empresa transforma
dados em conhecimento tem sido revisto, desde
a seleção dos dados a serem colecionados até a
forma como estes são gestados no bojo da empresa,
vindo a se concretizar em produtos e serviços
que "se desenvolvam" à medida que são
utilizados. É a administração deste processo que
vai garantir à organização flexibilidade e melhor
utilização de seus recursos (Davis & Botkin,
1994).
A mudança na gestão deste conhecimento
não implica apenas na aquisição e implementacão
de novas tecnologias. Apesar de ser a
parte concreta do processo, a que consome os
maiores recursos financeiros e o maior tempo do
processo, não é a parte técnica a maior responsável
por perdas normalmente significativas de
recursos investidos (Zwicker, 1995). Questões
como quem implementa a nova tecnologia,
tempo disponível à sua implementação, a dinâmica
do processo de implantação, a existência e
a qualidade de informações, e a participação/
envolvimento dos sujeitos implicados na
mudança (Almeida, 1995, p.186) são decisivos
no sucesso de uma nova proposta.
Se a organização não tiver competência para
mudar a si própria, dificilmente conseguirá
acompanhar as mudanças do ambiente.
E o Que as Escolas de Administração têm com
Isto?
“É de pequeno que se torce o pepino”, diz o
dito popular. O primeiro contato das pessoas
com este mundo maravilhoso ocorre na escola. É
normalmente neste espaço que vão ocorrer as
primeiras discussões e os primeiros posicionamentos
mais maduros e consistentes acerca do
“problema”, bem como as primeiras opiniões
sobre a situação. Houve tempos mais estáveis,
em economias agrícolas e sob a égide da igreja,
em que as informações necessárias à sobrevivência
do sujeito eram adquiridas dos 7 aos 14 anos.
Na economia industrial o aprendizado, administrado
pelo governo, afetava indivíduos de 5 a 22
anos. Na economia do conhecimento porém, o
rápido ritmo de mudança levou ao fim de um
horizonte previsível e delimitado de formação. O
conhecimento acumulado pela humanidade
cresce a taxas cada vez maiores (Burns &
Brooks, 1997; Davis & Botkin, 1994); logo, o
que um aluno aprende no início de um curso
pode facilmente estar obsoleto ao fim do mesmo.
A falta de atenção ao movimento dinâmico do
contexto e às idiossincrasias do corpo de aprendizes
tem levado ao comprometimento da relevância
dos conteúdos ministrados no decorrer
dos cursos.
O que se conclui destes impasses é que o processo
de aprendizagem tem hora para começar
mas perde de vista seu fim. O ato de aprender
tende a acompanhar o “cidadão” até o último de
seus dias. A fim de que a empresa continue
competitiva e que o empregado continue “empregável’,
é preciso continuar estudando (Davis
& Botkin, 1994).
O Que se tem Recomendado às Escolas
Para Burns & Brooks (1997), todos os curricula,
em todas as instâncias, precisam ser revistos.
Segundo os autores, os problemas a serem
resolvidos têm demandado menos “o que’s” e
mais “como’s” e “porque’s”, para que se torne
4
mais efetiva a sua participação no processo de
tomada de decisão e para que esta decisão incorpore
mais pontos de vistas diferentes e aumente
sua chance de acerto. Dado que não é mais possível
se falar em fim do processo de aprendizado,
torna-se de fundamental importância ensinar
a aprender, ajudando o aprendiz na construção
do seu estilo e do seu caminho na busca do
que lhe interessa.
Burns & Brooks sugerem ainda, entre outras
coisas, que os cursos proporcionem e estimulem
a troca de informações com outros países. A
comparação com pontos de vista oriundos de
culturas diversas reforça e permite reflexão mais
balizada acerca dos próprios padrões e pontos de
vista. O provincialismo, em tempos de globalização,
pode levar a uma relação como a que
existe entre a tribo de índios e a sociedade civilizada.
Valores, traços e culturas, por mais importantes
e defendidos que venham a ser, sucumbirão
junto a tribo.
Forte preocupação é manifestada por Burns &
Brooks no que se refere ao tempo gasto entre
uma mudança no ambiente empresarial e o momento
em que esta mudança passa a ser discutida
em sala de aula. Uma alternativa seria o uso da
tecnologia como ferramenta de ensino. Ela pode
afetar positivamente com novas metodologias de
interação e transmissão de conhecimentos com
alunos (internet), como fonte de informações
(bibliotecas eletrônicas, trabalhos em grupo e
repositório de materiais de aula) e como atalho
às fontes de geração de conhecimento através do
contato com pesquisadores e centros de pesquisa
(WWW).
A aplicação de novas tecnologias, porém, está
fortemente associada ao conhecimento que se
tem sobre como as pessoas aprendem. Pessoas
aprendem mais em grupo ou mais sozinhas;
umas aprendem mais lendo, outras mais fazendo.
Fato é que várias áreas de conhecimento
(psicologia, pedagogia, sociologia, antropologia,
etc.) têm contribuições importantes sobre o processo
de aprendizagem das pessoas e grupos.
Considerações sobre o Aprendizado
Segundo Schneider (1994), há duas correntes
principais de explicação para o processo de
aprendizagem:
§ As pessoas aprendem fazendo (psicologia) e;
§ As pessoas aprendem quando tem um objetivo
instrucional (ciência da educação).
O ambiente de aprendizagem deve ser levado
em consideração nos dois casos. Algumas coisas
podem ser aprendidas sem que tenham que ter
sido feitas. Mas seria difícil, por exemplo, optar
por voar num avião cujo piloto sabe-se que leu
todos os manuais sobre o avião e sobre o vôo,
sem que tenha passado por tantas horas antes de
pilotar o avião em que você está. Mas será que o
treino em um simulador de vôo seria suficiente ?
E se ele treinou em um avião e está pilotando um
outro, diferente, maior, etc ? Logo, o objetivo do
aprendizado define os objetivos e o conjunto de
métodos e técnicas para atingir tais objetivos.
O Aluno se Transformando em Empregado
A empresa demanda novos empregados e é o
empregado quem é responsável pelo seu caminho
até que ele entre em uma organização e se
adapte (ou não) às suas demandas de treinamento
e desenvolvimento (se houverem).
O grau de complexidade e de interatividade
dos fatores componentes do ambiente onde as
organizações estão imersas tem aumentado sobremaneira.
Os processos racionais de percepção,
apreensão e resposta aos estímulos do ambiente
já não têm atendido com a rapidez e eficiência
demandada em tempos de estabilidade
econômica.
Decorre daí que começam a ganhar valor habilidades
e características até então desprezadas
pelo meio empresarial como a emoção e a intuição.
Ocorre que estes dois atributos têm crescido
em reconhecimento e importância face ao seu
potencial de contribuição na escolha mais
adequada dos cursos de ação dentro da
organização.
Outra conseqüência disto é a reflexão que se
tem feito necessária nos ambientes de trabalho.
As pessoas têm (quando tem opção) refletido um
pouco mais sobre a possibilidade de realização
pessoal e qualidade de vida no trabalho na empresa
com a qual estão negociando. Um dos
pontos importantes, portanto, para o sucesso da
organização é poder contar, no seu quadro de
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colaboradores, com empregados “que definiram
suas missões” (Cooper, 1976) e que sabem onde
querem chegar, podendo refletir desta maneira se
estar naquela empresa vai contribuir ou não para
que ela, enquanto pessoa, atinja seus objetivos e
em que medida tais objetivos estão em consonância
com os objetivos da organização. É a
existência ou não desta “intersecção” de objetivos
que vai contribuir decisivamente no interesse
do empregado na construção de uma carreira.
A Universidade Fazendo o Dever de Casa
Uma das grandes discussões atualmente em
voga é o grau de relevância do que está sendo
ensinado nas escolas e a adequação dos métodos
de troca de conhecimento entre professores e
alunos.
Segundo Chickering (1977), a grande discussão
é a questão dos paradigmas referentes tanto
ao conteúdo do que é ensinado quanto ao como
este conteúdo é transmitido/trocado com os alunos.
As mudanças no ambiente político, econômico
e social tem alterado sobremaneira as regras
da concorrência e isto reflete diretamente
tanto nos produtos ou serviços que a empresa
oferece (qualidade, preço, pós-venda, etc) quanto
no como estes produtos/serviços são industrializados,
uma vez que é a sua somatória que vai
definir o sucesso ou não de uma organização no
mercado.
A proposta de Checkering (1977) é que o paradigma
precisa deixar de ser o de aprender para
o ensinar, o que implicaria numa relação mais
interacionista e dialética entre quem ensina e
quem aprende, levando a mudanças na metodologia
de atuação de professores e pesquisadores,
afetando fulcralmente os papéis de cada um. O
“aprendiz” teria mais responsabilidade sobre o
processo e o professor voltaria a ser um “aprendedor’.
O Que é Ensino a Distância?
Segundo Nunes, o primeiro passo na definição
do que seria ensino a distância foi diferenciá-
lo do ensino presencial (professor e alunos
no mesmo espaço ao mesmo tempo). Segundo o
autor, o ensino a distância seria "um auto-estudo
de um grande número de alunos a partir de
material organizado, acompanhado e supervisionado
por um grupo de professores que se
dispõem a partilhar um conjunto de conhecimento,
habilidades e atitudes. Isto é feito através
de corpo específico de métodos instrucionais e
através de meios de comunicação capazes de
vencer grandes distâncias". São salientados
portanto, a separação física entre professores e
alunos (o que o distingue do ensino presencial);
uma influência da organização educacional (que
é diferente da educação individual); uso de técnicas
de comunicação através dos quais alunos e
professores são unidos, possibilidade de encontros
ocasionais com propósitos didáticos e de
socialização e a participação de uma forma industrializada
de educação.
Outro papel salientado por Wagner (1995)
remete à importância do ensino a distância como
uma das componentes capazes de catalisar a
mudança organizacional à medida que, guardada
suas restrições, mantém as pessoas em exercício
intelectual e, portanto, mais predispostas a
encarar os desafios como oportunidades. Além
disto, concretiza uma outra oportunidade de
contato das pessoas com novas tecnologias.
A Quem Serve o Ensino a Distância?
Segundo Nunes, o ensino a distância é capaz
de ajudar no ensino de grupos com necessidades
várias:
§ população estudantil relativamente dispersa
decorrente de posição geográfica, condições
de emprego, incapacidade física, etc.;
§ população estudantil predominantemente
adulta justificando o caráter mais
andragógico do processo. Resulta daí uma
importância de se valorizar a experiência
individual. Se for o caso de público que não
estuda há muito tempo é importante que os
módulos tentem ajudar a aprender a estudar;
§ cursos que pretendem ser auto-instrucionais
mediante uso de materiais para o estudo
independente. Estes cursos podem ser autosuficientes
e constituir-se em guia para o
estudo de um conjunto de outros textos, fo6
mentando a capacidade de observação e crítica
e o pluralismo de idéias, aspectos especialmente
valiosos nos estudos universitários;
§ cursos pré-produzidos que utilizam, de
forma predominante, textos produzidos, mas
combinando-os com uma ampla variedade
de outros meios e recursos, compondo os
kit’s de aprendizagem (fitas de vídeo, fitas k-
7, vídeo textos, comunicações via rádio e TV
e equipamentos portáteis para testes);
§ comunicações massivas, ou seja, utilização
em escala de material desenvolvido;
§ estudo individualizado, sendo este um caminho
importante ao privilegiar o timing peculiar
a cada indivíduo;
§ forma mediadora de conversação guiada,
aspecto importante principalmente considerando-
se a separação física entre professor e
aluno. O avanço da Internet e da WWW tem
fomentado alternativas instrucionais mais
atraentes pelo seu baixo custo (considerando
que já exista uma infra-estrutura mínima
para o entabulamento do contato), facilidade
de comunicação independentemente de
tempo e espaço, riqueza gráfica da ferramenta
(o computador pode incorporar imagem,
som e outras formas de informação que
facilitam tanto a explicação quanto o teste do
aprendizado). Outro recurso decorrente do
desenvolvimento das tecnologias de comunicação
e informática tem sido a melhoria
contínua das videoconferências.
§ tendência a adotar estruturas curriculares
flexíveis, atendendo às demandas, ritmo e
opções específicas de cada indivíduo.
Segundo Schneider (1994) o aprendiz deve
estar em postura ativa e deve saber claramente os
objetivos da aprendizagem. O curso, por sua vez,
deve estar de acordo com as condições do aprendiz
e seu conteúdo deve ser relevante. Deve haver
uma interação contínua do aprendiz com os
demais elementos do sistema (outros alunos,
tutores, etc).
Algumas Considerações Tecnológicas do Ensino
a distância
Nas palavras do Oregon State System of
Higher Education “Existe uma nova parcela de
estudantes que não estão orientados ao campus
no sentido tradicional. Estes estudantes irão
aprender primordialmente em seu próprio ritmo
e na maior parte do tempo, através de recursos
de telecomunicação interativa e de computadores,
nos mais variados lugares – seus locais de
trabalho, seus lares, em um colégio da comunidade,
ou em qualquer outro lugar apropriado
para eles. Novas estratégias educacionais e
condições serão necessárias para atender estes
estudantes e fornecer uma experiência social,
interpessoal e evolucionária de aprendizagem
apropriada às suas necessidades e situações”.
Os meios tradicionais de difusão do conhecimento
não conseguem mais atender às necessidades
dos tempos modernos. Atualmente não é
possível parar de estudar, precisamos continuar
aprendendo, seja porque a tecnologia muda a
cada segundo, seja por causa da globalização ou
porque simplesmente não conseguimos acompanhar
nossos filhos que conseguem entender
melhor e mais rápido aqueles aparelhinhos que
deviam ser de uso doméstico. A realidade é que
da mesma forma que a tecnologia veio para facilitar
nossas vidas, ela nos exige mais e mais qualificações.
A Globalização e a Internet tornaram
possível o maior movimento de compartilhamento
de informações e experiências já visto
pela humanidade, e a palavra chave deste movimento
é ACESSIBILIDADE. As Instituições de
ensino não podem ficar aquém deste movimento
e perder a oportunidade de se tornarem realmente
centros difusores de conhecimento, tornando
o ensino algo mais acessível, mais ágil e
sintonizado com o “mundo real”. Programas
especiais de Ensino que se utilizam, por exemplo,
da Internet como canal de distribuição, estão
sendo adotados por várias Universidades no
mundo. São os programas de Ensino ou Aprendizagem
a Distância. Necessariamente nenhum
dos participantes destes programas precisa estar
fisicamente no campus da Universidade para
participar dos cursos, pois todo um ambiente de
trabalho é disponibilizado aos alunos para lhes
7
permitir pleno aproveitamento dos recursos oferecidos.
Uma outra definição, que enfoca a grande influência
tecnológica, do Ensino a Distância é a
da Wisconsin University (Extension, Continuing
Education Extension, Distance Education
Subgroup), “Ensino a Distância é uma experiência
planejada de ensino e aprendizagem que
usa uma ampla gama de tecnologias para alcançar
estudantes a distância e é desenvolvida para
encorajar a interação com os participantes e
atestar o seu aprendizado”.
O Ensino a Distância expande o sistema de
ensino e aprendizado, não ficando a aprendizagem
restrita ao espaço físico-temporal. Por
exemplo, um renomado cirurgião cardio-vascular
poderia demonstrar uma delicada técnica
cirúrgica para médicos localizados em diversas
partes do globo, em tempo real, com uma economia
de recursos evidente. Estes “alunos remotos”
teriam acesso ao seu instrutor através de
vídeoconferência. A imagem do cirurgião e o
som de suas palavras viajariam em tempo real
por um canal apropriado de distribuição chegando
até seu alunos, onde quer que estivessem.
Naturalmente a maior aliada do Ensino a Distância
é a tecnologia e o meio utilizado mais comumente
para alcançar estes “estudantes remotos”
tem sido a Internet. As tecnologias mais
usadas para disseminar conhecimento são descritas
por Gottschalk (1995) como:
Voz - Ferramentas de Áudio incluem tecnologias
interativas de telefone, audioconferência e
rádio de ondas curtas.
Vídeo - Ferramentas de Vídeo permitem utilizar
slides, animações, video-tapes, além de filmes
em tempo real combinados com audioconferência.
Dados - O termo “dados” é usado para designar
as informações trocadas entre computadores,
desde simples arquivos texto até complexos bancos
de dados. As aplicações de computadores
para ensino a distância são variadas e incluem:
§ Assistência – Uso do computador como uma
máquina de ensinar que contém material de
estudo individual;
§ Gerenciamento – Uso do computador para
organizar o processo de ensino e acompanhar
o registro e o progresso dos estudantes;
§ Educação Mediada – Descreve as aplicações
computacionais que facilitam a entrega de
informação, como por exemplo, o correio
eletrônico, o fax, a conferência eletrônica em
tempo real e as aplicações usadas na Internet
(download, páginas eletrônicas, etc...).
Impressão - É fundamental permitir a impressão
dos materiais disponíveis nos cursos de
ensino a distância. Formatos de arquivo padrão
auxiliam a realizar esta tarefa.
A escolha da tecnologia não deve ser o foco
central quando falamos em Ensino a distância.
Ela é apenas o recurso utilizado para distribuir a
informação. Educadores devem ter em mente as
necessidades dos estudantes, os requisitos de
conteúdo programático, os desafios enfrentados
pelos professores, antes de escolher os sistemas
de distribuição. Como cada sistema possui uma
finalidade específica acaba-se por misturar os
diversos sistemas. Por exemplo:
§ Um sistema para Impressão de material se
faz muito útil no sentido de prover a maior
parte do conteúdo do curso como, textos básicos,
artigos, resenhas, etc...;
§ Áudio ou Vídeo interativo em tempo real, na
forma de conferência, permitirá aos alunos
um contato mais direto tanto com seu instrutor
quanto com seus colegas de curso, o
que oferece uma oportunidade para os alunos
tirarem dúvidas e interagirem entre si, e para
o instrutor motivá-los;
§ Correio Eletrônico pode ser usado para enviar
mensagens, recebimento de feedback
por parte dos alunos, e outros;
§ Fitas de Vídeo podem ser usadas para apresentar
leituras orientadas para os alunos;
§ Fax pode ser usado para distribuir atribuições,
anúncios, receber feedback, etc.. Devemos
esclarecer que é possível enviar e receber
fax através de um computador, sendo
este sistema totalmente compatível com as
máquinas de fax convencionais.
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A tecnologia por um lado é uma facilitadora
do processo de distribuição do conhecimento
mas por outro lado torna-se um empecilho considerável
para que este mesmo processo funcione.
A pouca ou nenhuma familiaridade com o
computador e suas ferramentas por parte dos
alunos, a diferença do modelo e capacidade dos
computadores utilizados por eles, a capacidade
do provedor de acesso à Internet, podem ser
citados como obstáculos para a plena e correta
utilização dos recursos oferecidos pelo Ensino a
distância. Muitas pessoas tem dificuldade para
enviar e receber correios eletrônicos ou mesmo
transferir um arquivo de dados para sua máquina
via Internet; outras possuem uma conexão com a
Internet muito lenta o que dificulta sua interação
com o ambiente de ensino, e assim por diante.
Estes são os desafios tecnólogicos enfrentados
pelas Instituições que promovem programas de
Ensino a distância. Há outros desafios não tão
relacionados à tecnologia, mais sim com os mecanismos
de aprendizado.
Algumas ferramentas muito utilizadas pelo
Ensino a distância são:
§ Mirabilis ICQ (freeware): Fabricado pela
Mirabilis
(www.icq.com/icqhomepage.html), este
software é muito utilizado, até mesmo por
empresas. Ele permite Chat, transferência de
arquivos, envio de mensagens, etc.. O único
requisito é conexão com Internet e uma
conta de correio eletrônico;
§ CU-SeeMe (possui versão para avaliação):
Fabricado pela White Pine
(www.wpine.com/Products/CU-SeeMe/). Os
usuários desse sistema devem ter como requisito
básico conexão com a Internet. Este
software também permite Chat, transferência
de arquivos, envio de mensagens e
videoconferência. O uso de câmeras de
vídeo ou microfones é opcional, mas
bastante útil para se estabelecer uma sessão
de vídeoconferência;
§ NetMeeting (freeWare): Este software para
videoconferência é fabricado pela Microsoft
(www.microsoft.com). Sua funcionalidade é
similar ao Cu-SeeMe mas com algumas
restrições;
§ Netscape Communicator (freeWare): Fabricado
pela Netscape (www.netscape.com),
este Navegador permite acesso completo a
documentos publicados na Internet, além de
possuir software para uso de Correio
Eletrônico, criação de documentos para a
Internet, Chat, etc...;
§ Internet Explorer (freeWare): Fabricado pela
Microsoft, este Navegador possui a maior
parte das funcionalidades do Netscape.
Além das ferramentas para comunicação, as
Instituições interessadas em promover programas
de Ensino a distância devem prover um
ambiente de trabalho que suporte logisticamente
os estudantes. Se a espinha dorsal escolhida para
seu canal de distribuição for a Internet, uma rede
de computadores conectada a ela, com alguns
serviços como: servidores de arquivos, servidores
de correio eletrônico, servidores de audio/
vídeoconferência, etc..., será essencial; neste
caso, a instituição forneceria todos os serviços.
Uma outra opção é a terceirização de serviços,
como o aluguel de um canal de satélite ou
mesmo de um sistema de vídeoconferência
proprietário como o Picture Tel. Se a Instituição
já possui uma boa infra-estrutura de Rede de
computadores vale a pena investir e fornecer ela
mesma estes serviços, mesmo porque seus alunos
regulares poderão utilizá-los como recursos
adicionais em seu aprendizado. Algumas Universidades
que já implementaram programas de
Educação a distância publicaram na Internet
alguns artigos tratando do planejamento logístico,
entre elas esta a Universidade de Maryland
(www.umuc.edu/ide/modlmenu.html).
Vantagens e Desvantagens do Ensino a
distância
Em um artigo de Grimes, G. (1993) ele lista
as seguintes motivações e benefícios do Ensino a
distância:
§ Compartilhamento de recursos: O aprendizado
a distância torna possível que os recursos
educacionais de uma escola sejam usados
por alunos matriculados em outras escolas;
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§ Melhoria do acesso a Educadores e Cursos:
O aprendizado a distância possibilita a estudantes
de um dado local o acesso a Educadores
e cursos oferecidos por muitas e diferentes
escolas;
§ Acesso facilitado à Educação: Torna-se
possível aos alunos acesso à instrução em
mais de um local;
§ Melhoria do currículo: Através do compartilhamento
de recursos e melhoria do acesso,
a educação a distância permite a pequenos
colégios e escolas oferecer mais cursos, e
grandes escolas podem aumentar seus cursos;
§ Aumento da Qualidade da Educação: O
Ensino a distância deve ser considerado sob
o ponto de vista do seu potencial de expandir
a missão e os objetivos de uma organização
ou Instituição, assim como de se aproveitar
das vantagens da localização remota, como
obtenção de dados in loco, recursos fora do
Campus e outros.
Uma das maiores desvantagens do Ensino a
distância é a lacuna deixada pela ausência de
interação face-a-face do educador com seus alunos
e vice-versa. A facilidade que temos para
tirar dúvidas em uma sala de aula, a motivação
que um elogio do professor nos causa, ou simplesmente
estudar em grupo já não é mais possível.
Naturalmente os programas de Ensino a
distância tentam contornar isso, usando sessões
de Chat ou vídeoconferência para tirar dúvidas,
ou Bulletin Boards para prover a interação entre
os alunos. Mas muitos estudantes sentem necessidade
desse lado mais pessoal do ensino.
O reconhecimento de programas deste tipo
também é uma preocupação. Como garantir o
mínimo de qualidade a estes programas? Quem
se responsabilizaria? Nos Estados Unidos existe
um processo chamado ACCREDITATION, uma
espécie de certificação, que oferece reconhecimento
público às Instituições que obedecem a
certos padrões. A certificação garante que a Instituição
é qualificada tanto financeiramente,
quanto do ponto de vista educacional, tendo seu
programa de estudos aprovado, instrutores qualificados,
recursos adequados e políticas de admissão.
Nos Estados Unidos existe a Accrediting
Commission of the Distance Education and
Training Council que serve de fonte única de
reconhecimento nacional a este tipo de Instituição.
Somente são aceitos programas até o nível
de mestrado.
Outra desvantagem já mencionada tem sido
as dificuldades em se lidar com a tecnologia. Os
programas de Ensino a distância não têm condições
de oferecer suporte tecnológico para seus
alunos, isso seria muito dispendioso. Esperamos
que a popularização do uso de computadores e
da Internet acabe por sanar esta desvantagem.
Como hoje tornou-se muito simples operar um
microondas, no futuro o computador não passará
de mais um elétrodoméstico. Atualmente sessões
de videoconferência com som e imagem via
Internet tem uma qualidade muito ruim, apenas
os sistemas proprietários oferecem o mínimo de
qualidade e velocidade necessários. Mas sabemos
que os obstáculos tecnológicos são vencidos
pela própria tecnologia, em bem pouco
tempo transmissões de vídeo, voz e dados serão
mais eficientes e economicamente viáveis do que
hoje.
Um outro ponto relevante nesta discussão se
refere a como disponibilizar um acervo de referências
bibliográficas atualizado e completo para
os “alunos virtuais”. A Internet por muito tempo
foi vista como uma grande biblioteca, uma fonte
de conhecimento, mas sempre teremos o problema
de encontrar esse conhecimento. A Biblioteca
do Campus já possui uma série de mecanismos
que facilitam as pesquisas dos alunos
regulares. Como disponibilizar isso de maneira
que não se torne tão dispendioso e moroso que
não compense o esforço? A Instituição pode
sempre fornecer os livros, textos básicos, fitas de
vídeo com as aulas, mas para auxiliar os estudantes
a escreverem um artigo de pesquisa esse
material pode ser insuficiente.
Exemplos de Ensino a distância
Como já foi dito, inúmeras Universidades
estão oferecendo programas de Ensino a
distância para graduação, pós-graduação e
extensão universitária, nas mais variadas áreas
do conhecimento. Podemos citar algumas que
oferecem programas na área de Administração:
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§ Business One, oferecido pelo College of
Business da Oregon State University
(www.bus.orst.edu/distance) – Este programa
oferece especialização em Administração
de Negócios (com pré-requisito para
admissão) e para alunos que já fazem parte
do programa de Ensino a distância da Oregon
State University, algumas disciplinas na
área de Administração de Negócios. Sua
certificação é dada pela American Assembly
of Collegiate Schools of Business. Os recursos
disponibilizados são canais via satélite
de distribuição, a Internet com todos seus recursos,
Vídeo-Tapes e CD-ROM’s;
§ MBA Program, oferecido pela California
State University Dominguez Hills
(www.csudh.edu/tvmba) – Neste programa
as aulas são dadas por canal público de televisão
e os alunos podem interagir através de
telefone ou correio eletrônico. Alguns conhecimentos
da área de Administração são
pré-requisitos para este programa. A Entidade
certificadora é a Association of
Collegiate Business Schools and Programs.
§ CyberCampus, oferecido pela Golden Gate
University (cybercampus.ggu.edu) – Este
programa oferece diferentes graduações nas
várias áreas de Administração, como, Administração
Pública, Hospitalar, etc... Os recursos
utilizados são o correio eletrônico, telefone,
aulas feitas em páginas eletrônicas, e
um sistema de Conferência Assícrono, ou
seja, a participação simultânea não é necessária.
Este programa exige ao menos um (1)
exame supervisionado, o aluno escolhe um
supervisor de acordo com o padrão divulgado
pelo CyberCampus e depois o submete
para aprovação. O Western Association of
Schools and Colleges certifica este programa.
§ International Masters of Business
Administration, oferecido pela Athena
University (www.athena.edu/mbainfo.html)
– Os recursos disponibilizados são interações
em tempo real através de conferências,
páginas eletrônicas e correio eletrônico.
Conta com um convênio com Groupe Ecole
Supérieure de Commerce e Virtual Online
University. A Instituição que a certifica é a
ESC-PAU.
Um exemplo bastante interessante de Educação
a distância é o programa Space Studies
Masters Degree Program da University of North
Dakota (www.space.edu). Este programa permite
que estudantes consigam diploma de mestre
em estudos espaciais. O SPACE.EDU utiliza-se
de diversos recursos da Internet (correio eletrônico,
páginas eletrônicas, etc..), discussões via
Chat, aulas em video tape, videoconferência e
exames on-line.
Muitas Instituições utilizavam-se de supervisores
locais para aplicar os exames. A inclusão
de exames on-line pela SPACE.EDU fez seu
programa mais flexível e conveniente para seus
alunos. A diferença é que os exames são elaborados
de forma a prever a utilização de consulta
à bibliografia.
A maioria dos participantes fica entre os 30 e
40 anos, e muitos possuem diploma de graduação
e já estão bem colocados em seus campos de
trabalho.
O Ensino a Distância no Brasil
No Brasil, o rádio e o Instituto Universal Brasileiro
(cursos por correspondência) foram as
primeiras e marcantes experiências de ensino a
distância. Em outro tempo e em outro contexto
tiveram papel reconhecido no processo educacional
do país, o que não foi suficiente, porém,
para definir sua continuidade.
O documento intitulado “Educação a distância
(...): porque e para quem ?” chama a atenção
para a grande massa de analfabetos e de relativamente
analfabetos (pessoas que estão aquém
do nível de estudo esperado em função de sua
idade). Chama a atenção que a resolução do
problema não se resume a novos prédios, mas a
um novo sistema que permita a entrada e participação
de um sem número de brasileiros mantidos
marginalizados no processo, tendo por principal
função democratizar o ensino. Seriam
atendidos aqui as pessoas impedidas de estudar
em função de sua jornada de trabalho, as pessoas
que não podem se afastar de seu posto de trabalho
e as situadas nos mais distantes rincões do
país. Espera-se aqui um aprendiz mais maduro e
portanto mais responsável, dotado de autodisciplina
capaz de permitir que ele administre seu
11
conhecimento na ausência de quaisquer mecanismos
de controle.
Nunes chama a atenção para as experiências
do Brasil nesta área. Além da UnB, pioneira na
educação a distância no Brasil na década dos 70,
com um sistema baseado na Open University
inglesa, diversas outras fundações e organizações
têm se utilizado da telecomunicação para
integrar suas equipes. Exemplo marcante é a
Televisão Educativa do Ceará, em 1993 com
102.170 alunos.
Alguns pontos comprometeram a massificação
do ensino a distância no país. Destacam-se:
§ a falta de continuidade dos projetos;
§ a falta de critérios para avaliação dos programas;
§ a dificuldade em sistematizar o que já foi
construído;
§ a inexistência de estruturas mais institucionalizadas;
§ a distância entre os programas e a realidade
de seu público;
§ pequeno grau de formação técnica das pessoas
que administram o processo, o que leva
à inadequação dos currículos;
§ restrita divulgação dos projetos, entre outros.
NOTAS FINAIS
As escolas, como as empresas e as pessoas,
têm sido fortemente estimuladas a repensar o seu
papel e a sua maneira de cumpri-lo. Uma mudança
de paradigma, longe de ser um processo
tranqüilo, gera incertezas e instabilidades. As
pessoas, das maiores às menores, têm que abrir
mão do pássaro que está na mão para alcançar os
dois outros que estão voando. Há uma heterogeneidade
muito grande quanto ao assunto. Muitas
estão discutindo e tentando se preparar enquanto
outras nem sequer se deram conta do mundo em
que estão. O provão tem estimulado a discussão
e forçado escolas a rever práticas e intenções.
De qualquer forma muitas coisas estão sendo
feitas. Vale acompanhar as alternativas criadas e
avaliar o que é mais adequado.
O Brasil tem nas mãos recursos e alternativas
ainda mal-aproveitados e a educação tem uma
forte contribuição a dar no sentido de abrir espaços
para outras pessoas mostrarem a qualidade
do que podem fazer. Mas é preciso querer.
A despeito de algumas iniciativas e do seu
enorme potencial, a educação a distância ainda
não é claramente assumida como alternativa no
processo educativo do Brasil. A falta de uma
infra-estrutura, incluindo-se aí a falta de computadores
nas escolas e a dificuldade de acesso
dos alunos de forma geral dificultam a customização
e a contemplação das peculiaridades de
cada público. Rádio e correio já deram sua contribuição
no seu tempo. O país porém precisa
atualizar seus parâmetros e disponibilizar recursos
que permitam as pessoas acessar o crescente
volume de informações a partir de suas casas e
de seus lares.
Em nossa opinião a discussão passa pelo
pouco interesse canalizado para a questão educacional
no país. Tecnicamente já não há mais
limitações. Falta agora vontade e determinação
para discutir o rumo e acompanhar o desempenho
das instituições. A dificuldade porém não é
pequena. Os próprios professores e escolas precisarão
se adaptar à essa nova tecnologia de ensino.
É preciso desenvolver uma estrutura condizente
de apoio. Tem sido mais fácil conseguir
um prédio novo do que dar manutenção, apoio
técnico e promover o up-grade das máquinas
existentes. Naturalmente, como parte de nosso
comportamento, parece que vamos esperar isto
dar certo nos outros países para só futuramente,
investirmos no desenvolvimento da autonomia
nacional também nesta área.
Tomando como exemplo os programas desenvolvidos
pelas Universidades Americanas
temos a impressão que as vantagens advindas
compensam as dificuldades encontradas no desenvolvimento
destes projetos. Aspectos tecnológicos,
educacionais, sociais são facilmente
encontrados, mas não parecem intimidar estas
Instituições. Não existem fórmulas prontas, tudo
é muito recente, muito experimental. Mas, felizmente,
existe uma tentativa clara no sentido de
promover programas de Ensino a distância, seja
qual for a abordagem adotada por eles. Esse
comprometimento com novas experiências em
Educação é o que parece faltar neste país. Falta
12
dar o primeiro passo, os outros naturalmente
virão.
GLOSSÁRIO
Audioconferência - é uma tecnologia parecida
com um telefone viva-voz, que permite comunicação
entre dois ou mais participantes. O sinal é
recebido e enviado pelo computador.
Bulletin Boards - São áreas onde podemos deixar
mensagens ou arquivos de dados. Normalmente
são usadas como quadro de avisos.
Chat - Conhecido como bate-papo aqui no Brasil,
o Chat permite, através da linguagem escrita,
que várias pessoas troquem informações. Cada
participante possui uma área, ou quadro branco,
onde pode escrever suas mensagens.
Download - Transferência de dados através de
páginas eletrônicas.
FreeWare - software distribuído gratuitamente
sem restrição de uso.
Videoconferência - permite o uso de imagem,
som e texto para se estabelecer comunicação
entre dois (ponto a ponto) ou mais participantes
(multiponto).
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