Gilberto Teixeira (Prof. Doutor FEA/USP)
I - INTRODUÇÃO
O objetivo deste texto é apresentar de forma resumida os conceitos principais do processo de avaliação de currículos. O assunto é bastante complexo e tem sido objeto de grande volume de pesquisas com vasta referência bibliográfica.
Nos meios acadêmicos do ensino universitário brasileiro, só recentemente (1991) começou a aparecer uma preocupação com esse processo que vem sendo abordado sob o enfoque de Qualidade Total (TQM - Total Quality Management).
Em todos os trabalhos publicados a respeito não tem havido qualquer referência a vasta literatura a experiência existente a respeito nos Estados Unidos, França, e Inglaterra. Os autores, contaminados pelo modismo da TQM parecem ter descoberto que só agora é necessária uma metodologia de avaliação de currículos.
II - AVALIAÇÃO E PLANEJAMENTO CURRICULAR
A avaliação do currículo integra-se no processo de Planejamento Curricular (implantação e/ou reforma de currículo).
Isso significa que ao ser decidida a realização de um planejamento curricular (seja para implantar ou reformar um currículo) não pode deixar de existir o Plano de Avaliação do Currículo - como forma de obter o “feedback” para comparar o desejado com o realizado.
A cada etapa do Planejamento Curricular corresponde um tipo específico de decisão e um correspondente tipo apropriado de avaliação.
a) Avaliação Diagnóstica
A Avaliação Diagnóstica - corresponde à etapa de previsão sobre os fundamentos e necessidades que o currículo deve satisfazer.
O resultado da Avaliação Diagnóstica deve ser um julgamento das necessidades que o currículo deve satisfazer.
Fontes para levantamento das necessidades:
· Teoria - diz respeito ao que deve ser o Currículo e ao que pode ser, tanto do ponto de vista do aluno quanto da sociedade.
· Fatual - diz respeito ao que é a Educação, tanto do ponto de vista institucional como do legal.
b) Avaliação “Ex-Ante”
A Avaliação “Ex-Ante” - corresponde à etapa de decisão sobre a possibilidade de execução do plano. O resultado da Avaliação “Ex-Ante” determina se o plano pode ou não ser executado.
c) Avaliação “In-Processu”
A Avaliação “In-Processu” - corresponde à etapa de execução do plano.
A Avaliação “In-Processu”- tem como finalidade precípua provar o “feedback” constante.
Propósitos essenciais da Avaliação “In- Processu”:
· Detectar ou antecipar desvios e sucessos no esquema de procedimentos ou na implementação do plano.
· Prover informações para as decisões programadas previamente.
· Manter o registro dos procedimentos à medida em que vão ocorrendo.
d) Avaliação “Ex-Post”
A Avaliação “Ex-Post” - corresponde à etapa de avaliação dos resultados finais em função dos objetivos.
Diz respeito à satisfatoriedade ou não dos resultados do processo curricular.
O propósito da Avaliação “Ex-Post” é medir e interpretar resultados ao final da execução de um projeto para decidir se o mesmo deve ser continuado, eliminado ou modificado.
O aspecto essencial desse tipo de avaliação (“Ex-Post”) é a comparação dos resultados alcançados com os objetivos propostos.
III - METODOLOGIA DA AVALIAÇÃO
A dinâmica metodológica de qualquer dos tipos de avaliação inclui três fases principais:
· Delinear - consiste basicamente em identificar, descrever e especificar o que vai ser avaliado e que decisões devem ser tomados e por quem.
· Obter - consiste em coletar, organizar, analisar e interpretar as informações utilizando técnicas e instrumentos apropriados.
· Prover - consiste em preparar as informações e transmiti-las para as pessoas envolvidas no processo decisório.
IV - PLANO DE AVALIAÇÃO
O plano global da avaliação de currículos consiste na integração das três fases da avaliação (delinear, obter, prover) correspondentes aos quatro tipos de avaliação (diagnóstica, “ex-ante”, “in-processu” e “ex-post”) os quais se relacionam com as quatro etapas do modelo em estudo (reflexão, decisão, execução e avaliação).
A primeira parte desse plano se expressa através de questionamentos correspondentes a cada fase da avaliação e de acordo com o tipo de avaliação enfocado.
A segunda parte desse plano se detalha de modo mais operacional, na tentativa de propor questões mais específicas para delimitar o campo alvo da avaliação. Isto será feito de acordo com cada tipo de avaliação, apresentando-se possíveis fontes de informações, assim como técnicas de instrumentos apropriados para responder tais questões.