Eduardo P. G. de Vasconcellos(*)
Fauze Najib Mattar(**)
RESUMO
Com a finalidade de aprimorar seus cursos, a FEA - Faculdade de
Economia, Administração e Contabilidade da USP - realizou um estudo
junto a alunos, docentes, ex-alunos e empresários sobre os aspectos a
serem aprimorados. O presente trabalho mostra os resultados obtidos
sobre o curso de graduação em Administração com base nas opiniões
dos alunos e ex-alunos. Inicialmente, uma revisão da literatura sobre
avaliação do ensino é realizada. A seguir, o método usado é discutido.
Os resultados obtidos e as conclusões encerram o texto.
(*) Doutor em Administração pela FEA/USP. Professor Titular do Departamento de
Administração da FEA/USP. Presidente da FIA/FEA/USP e Pesquisador Sênior
do PACTO-Programa de Administração em Ciência e Tecnologia da
FIA/FEA/USP. E-mail: epgdvasc@usp.br.
(**) Bacharel, Mestre, Doutor e Livre Docente em Administração pela FEA/USP.
Professor da FEA/USP e ex-professor de outras instituições de ensino superior.
Coordenador do Programa de Educação Continuada em Administração para
Executivos USP-DA/FEA/FIA. E-mail: fauze@usp.br
2
Importância da Avaliação
A avaliação de instituições universitárias é um
tema que tem provocado cada vez mais interesse
da comunidade acadêmica, das autoridades governamentais
ligadas à educação e aoensino, dos
pesquisadores e das entidades de pesquisa e extensão,
principalmente após 1980. Inúmeros encontros
e seminários sobre avaliação têm sido
patrocinados por órgãos ligados ao Ministério da
Educação, tais como a Secretaria de Ensino Superior
(SESU). Apesar de não existirem parâmetros
bem-definidos e precisos, muitas
experiências têm sido desenvolvidas em
universidades do Brasil, como a Universidade
Federal de Santa Catarina, a Universidade de São
Paulo, entre outras.
São vários os problemas pertinentes ao
processo de avaliação, começando pelo
significado de avaliação, seus princípios, critérios
e fins. Segundo Ferreira: “s. f. 1. Ato ou efeito de
avaliar. 2. Apreciação, análise. 3. Valor
determinado pelos avaliadores.” (1979: 164).
A avaliação de uma instituição universitária
deve levar em conta três segmentos: ensino,
pesquisa e extensão. A avaliação da universidade
na concepção de Isaura Belloni é composta por
alguns critérios importantes ligados a várias
atividades-fins e aos meios para atingir a
avaliação. Ou seja:
a) “Professor: desempenho no ensino: avaliação
do conteúdo desenvolvido, dos procedimentos
adotados, dos materiais de ensino
produzidos, etc.; desempenho em pesquisa,
produção científica, artística, cultural, etc.;
desempenho na extensão; outros aspectos.
b) Ensino: conteúdo dos currículos e programas;
perfis profissionais face à perspectiva
de desenvolvimento científico e tecnológico
e às necessidades sociais; outros aspectos.
c) Pesquisa: relevância científico-técnica e
político-social dos projetos ou linhas de
pesquisa em desenvolvimento; congruência/
complexidade/continuidade entre as atividades
de pesquisa versus pesquisa para
justificativa de regime de trabalho; outros
aspectos.
d) Extensão: relevância científico-técnica, e
política-social das atividades desenvolvidas;
congruência/complementaridade/continuidade
entre as atividades desenvolvidas versus
‘extensão paliativa-criativa’; outros aspectos.
e) Infra-estrutura de ensino, pesquisa e extensão:
1) Recursos humanos — dimensão e funções
do corpo técnico; desempenho.
2) Espaços físicos, equipamentos e materiais
técnicos e científicos (laboratórios,
estações experimentais, geração e processamento
de informações, acervo bibliográfico,
etc.).
f) Administração:
Recursos humanos — instâncias decisórias:
definição de funções e especificidades/
duplicações, etc.; centralização/
descentralização: agilidade de decisão,
transparências: desempenho” (1989: 66 e
67). (Amorim, 1992: 33 e 34).
Tejedor e Blanco destacam as razões que têm
despertado interesse pela avaliação do ensino
superior:
a) “A competitividade econômica: a educação
superior é uma peça chave para enfrentar o
futuro, como fonte de crescimento econômico,
de desenvolvimento tecnológico e, em
conseqüência, de melhora da competitividade.
b) A exigência de qualidade, por parte dos cidadãos,
em todos os processos produtivos e
serviços. A isto se pode vincular o elevado
gasto total, público e privado da educação
que provoca na sociedade uma maior preocupação
pela qualidade dos serviços que fornecem
as universidades.
3
c) A crescente exigência de qualidade por parte
dos empregadores em relação ao nível de
formação recebida por aqueles que buscam
emprego obriga as universidades a elevar
seus níveis de qualidade de formação oferecida.
d) Na Europa, em particular na Espanha e Portugal,
num momento em que se inicia um período
de relativa estabilidade, tanto financeira
como do corpo discente, parece oportuno
preocupar-se com a melhoria de qualidade
das instituições universitárias, incluindo a
melhora da gestão.
e) As leis que consagram a autonomia universitária,
que possibilitam que, na universidade,
as decisões fossem tomadas por seus próprios
membros. Implicam, em contrapartida, uma
adequada prestação de contas.” (1997: 10).
“A exigência de um sistema de avaliação
institucional é uma clara expressão da crescente
atenção da dimensão extrínseca da qualidade de
uma universidade em crise: a sociedade não
parece disposta a seguir aceitando que as
universidades se auto-justifiquem e desejam
conhecer como as atividades se desenvolvem”
(1997: 10).
Avaliar uma universidade exige uma
metodologia diferente da usada em uma empresa
privada, pois as metas a serem alcançadas por
estas instituições não são semelhantes. “Achar
que uma universidade pode ser uma empresa
eficiente como a Volkswagen é ridículo. Não é
possível se ter um profissional técnico superior
com a mesma medida de eficiência de uma
empresa privada.” Calixto (Amorim, 1992: 57).
Os dados obtidos com a avaliação devem
refletir o passado e o presente da instituição,
permitindo elaborar metas para o futuro. Ao final
da avaliação espera-se que as seguintes perguntas
estejam respondidas:
§ Como a instituição está atualmente?
§ Onde se quer chegar?
§ Quais mudanças devem ser feitas?
A avaliação é o primeiro passo para o
diagnóstico da instituição. Inicialmente faz-se
necessário levantar quais são as expectativas
daqueles que participam do processo e daqueles
que demandam os resultados do processo: o
corpo docente, corpo discente, os antigos alunos,
os contratantes. Estas fornecerão subsídios para a
elaboração dos indicadores de desempenho.
O passo seguinte é apurar e mensurar os
dados referentes a esses indicadores. Para esses
indicadores serem úteis é necessário compará-los
com uma instituição similar (referencial) ou outra
considerada por sua excelência (benchmarking).
A partir deste momento pode-se, então,
estabelecer metas para a instituição. A grande
dificuldade que se faz presente nesta etapa é a
falta de parâmetros comparativos existente ou a
fixação de parâmetros tão elevados que não
inviabilizem quaisquer comparações.
É muito importante destacar que a avaliação
da universidade deve ser algo que nasça dentro
dela mesma e que possua os seguintes objetivos:
o autoconhecimento e a tomada de decisão com a
finalidade de aperfeiçoar seu funcionamento e
seus resultados (Belloni, 1996).
O processo de avaliação só será aceito pela
comunidade universitária se o mesmo for transparente,
e seus critérios amplamente discutidos e
legitimados: “...a avaliação precisa ser uma conseqüência
natural do desejo que tem a comunidade
acadêmica em realizar, permanentemente,
estudos críticos de suas condições materiais e
humanas; de refletir o conjunto de atividades
pedagógicas, científicas e culturais que fazem
parte do projeto educativo da universidade”
(Amorim, 1992: 6).
Segundo Durham: “A avaliação não é um processo
técnico e neutro: ela favorece alguns pontos
e prejudica outros, e por isso suscita apoios entusiásticos
e rejeições fortes; ela implica uma revolução
profunda na maneira de entender o papel
dessas instituições, do Estado na gestão das instituições
públicas, e o próprio papel do setor
privado, mecanismos alternativos de financiamento,
o papel da competição e do “mercado”
acadêmico, a questão da isonomia e assim por
diante.” (1990: 14). A mesma opinião é manifestada
por Amorim (1992: 6) “...a avaliação da
universidade não pode acontecer de maneira dis4
sociada dos interesses e dos valores sociais e
econômicos vigentes.”
Quando se pretende avaliar alguma coisa é
importante utilizar-se de indicadores de desempenho.
Estes são dados empíricos, tanto qualitativos
como quantitativos, que descrevem o funcionamento
e o modo como a instituição atinge seus
objetivos. E para isso é necessário implantar um
sistema de informações e controle para obtenção
de indicadores confiáveis.
A prática da avaliação institucional pode se
desenvolver em função de dois enfoque básicos:
um centrado na importância contável e de fiscalização
(o Estado avaliador), e outro centrado nos
processos organizacionais do processo de ensino.
O primeiro faz referência a aspectos de eficiência
e fatores econômicos (otimização dos recursos
disponíveis) e se orienta em direção ao controle
por parte das instituições governamentais.
Proposta de uma Metodologia para Avaliação
do Ensino da Administração
No início da década dos 90, a FEA/USP-Administração
realizou um estudo com a finalidade de
avaliar seus cursos de Administração, Economia
e Contabilidade. Este trabalho fez parte de um
projeto denominado Repensando a FEA/USPAdministração,
cujo objetivo era realizar um
amplo diagnóstico e implantar mudanças para
adaptar os cursos da FEA/USP-Administração à
realidade da virada do século. O modelo utilizado
para a avaliação realizada encontra-se na Figura
1.
Figura 1 - Modelo Utilizado para Avaliar o Curso de Graduação em Administração da FEA/USP
Os dados foram coletados junto a alunos de
graduação, alunos de pós-graduação,
professores, ex-alunos e empresários, todos
obviamente por suas respectivas experiências
com a FEA/USP-Administração.
Em todas as pesquisas, com exceção à
realizada com os empresários, foi utilizado o
método da comunicação através de questionários
auto-preenchidos. Com os alunos de graduação e
de pós-graduação, os questionários foram
distribuídos e recolhidos nas dependências da
FEA/USP-Administração, por um aplicador que
percorreu todas as salas de aula. Na pesquisa
junto ao corpo docente, os questionários foram
distribuídos nos escaninhos e colocados nas salas
de professores aos quais era solicitado o retorno
em determinado prazo (em documento do Diretor
da escola que acompanhava o questionário). Na
pesquisa junto aos ex-alunos os questionários
foram distribuídos e retornados pelo correio.
No sentido de se ter a contribuição dos
empresários, um seminário de uma tarde foi
realizado durante o qual 5 gerentes puderam
comentar sobre o perfil desejado do
Fontes de
informações
· Alunos
· Docentes
· Ex-alunos
· Empresários
Avaliação do curso
· Capacidade dos
docentes
· Programa do curso
· Infraestrutura física
· Apoio
administrativo
Resultados
· Pontos positivos e
negativos
· Subsídios para
aprimoramentos
5
administrador em função das mudanças em curso
nos cenários nacional e internacional.
Em todas as pesquisas, os questionários foram
distribuídos visando alcançar toda a população de
pesquisa. Porém, como o retorno das respostas
dependia da boa vontade dos participantes, as
amostras resultantes não foram probabilísticas.
Neste trabalho serão apresentados os
resultados mais relevantes obtidos na avaliação
do curso de graduação em Administração da
FEA/USP junto aos alunos e aos ex-alunos de
graduação. Os pesquisados dessas duas populações
foram os seguintes:
Alunos de graduação: 120
Ex-alunos: 371
Os resultados das pesquisas foram discutidos
nos Conselhos dos Departamentos (as pesquisas
englobavam os três departamentos da FEA/USP:
Economia, Administração e Contabilidade), na
Congregação e nas Comissões de Graduação e
Pós-Graduação, com o objetivo de usar os resultados
para melhorar os programas em andamento.
Um amplo seminário foi realizado com a participação
de alunos e docentes, onde os resultados
foram discutidos.
Objetivos
O objetivo principal das pesquisas realizadas
foi o de colher subsídios junto aos públicos que
têm ou tiveram vivência com o curso de
graduação em Administração da FEA/USP para
possibilitar à Diretoria que efetuasse reformulações
que o adequasse à realidade ambiental acadêmica
e empresarial.
Para alcançar esse objetivo principal,
inúmeros foram os aspectos pesquisados, dentre
os quais são destacados (sem identificar a quais
populações foram aplicados):
§ Razões para escolha do curso;
§ Fatores que influenciaram a escolha do
curso;
§ Prestígio da FEA/USP-Administração com o
curso de graduação em Administração;
§ Avaliação da infra-estrutura;
§ Avaliação do curso;
§ Razões para evasões;
§ Perfil de conhecimentos adequados para o
Administrador;
§ Sugestões para inclusões / exclusões / alterações
de disciplinas;
§ Importância de ter cursado a FEA/USP-Administração
para a carreira profissional.
Resultados
Avaliação realizada pelos alunos de graduação
Razões para escolha do curso de Administração
A Tabela 1, aponta as razões de escolha do
curso de Administração na percepção dos alunos
de graduação. A análise dessa tabela mostra que
a perspectiva profissional (77,5%), o amplo mercado
de trabalho (57,4%) e a vocação (36,9%)
foram os principais motivos para a escolha do
curso de Administração. Motivos como vestibular
menos concorrido, curso menos complexo que os
tradicionais, curso em evidência na época da
escolha, orientação de pais/parentes/amigos,
dentre outros, foram totalmente descartados como
motivos para escolha do curso. Percebe-se que os
motivos de escolha predominantes dizem respeito
a preocupações com o futuro profissional.
6
Tabela 1 - Razões para Escolha do Curso de Administração
Grau de Influência ( em % de
respostas)
Razões Nenhuma
+ Pouca
Moderada Muita +
Total
Vocação 25,4 37,8 36,9
Orientação dos pais/ parentes/ amigos 63,2 23,9 16,9
Negócios da família 76,9 10,8 12,3
Amplo mercado de trabalho 10,8 31,8 57,4
Perspectiva profissional 0,3 19,2 77,5
Necessidade de diploma para progredir na área em que
trabalha
74,4 15,5 10,1
Vestibular menos concorrido 98,6 0,7 0,7
Curso complementar a algum outro realizado 93 3,1 3,9
Curso em evidência na época da escolha 71,5 20,8 7,7
Curso menos complexo que os tradicionais (medicina,
engenharia)
78,4 16,9 4,5
Dar continuidade a um planejamento acadêmico préestabelecido
83,6 9,4 7
Fatores de Escolha do Curso
A Tabela 2 mostra os fatores que mais influenciaram a escolha do curso de Administração da FEA/USP.
7
Tabela 2 - Fatores que Influenciaram a Escolha do Curso de Administração da
FEA/USP
Em % de respostas
< - mais importante menos importante ->
Fator 1 2 3 4 5
Prestígio da FEA/USP-Administração 26,3 31,8 25,5 8,2 8,2
Prestígio da USP 65,8 18,8 7,7 6,0 1,7
Por ser gratuito 34,5 23,8 21,3 10,6 9,8
Localização 12,2 8,5 25,6 17,1 36,6
USP possui boa infra-estrutura 15,6 14,0 25,2 23,7 21,5
FEA/USP - Administração possui infraestrutura
16,2 13,2 27,9 25,0 17,6
Qualidade do corpo docente 12,3 19,2 26,0 27,4 15,1
Experiência profissional dos docentes 8,5 13,6 33,9 27,1 16,9
Imagem dos formandos pela FEA/USPAdministração
15,8 8,8 28,1 21,0 26,3
Influência de outras pessoas 12,1 10,3 27,6 22,4 27,6
Ambiente (contatos/amigos na
FEA/USP-Administração)
16,1 16,1 16,1 14,3 37,5
Em ordem de importância, os fatores que mais
influenciaram a escolha da FEA/USP-Administração
foram: o prestígio da USP(84,3% de 1 e
2), o fato de o curso ser gratuito (58,3% de 1 e 2)
e o prestígio da FEA/USP-Administração (58,1%
de 1 e 2). Deve ser salientado que foram
considerados como menos importantes:
localização (53,7% entre 4 e 5), ambiente da
FEA/USP-Administração (51,8% entre 4 e 5),
influência de outras pessoas (50,0 entre 4 e 5),
infra-estrutura da USP (45,2% entre 4 e 5) e
experiência profissional dos docentes (44,0%
entre 4 e 5).
O Prestígio da FEA/USP-Administração Entre
seus Alunos
Na Tabela 3, estão os resultados da avaliação
do prestígio do curso FEA/USP-Administração
entre seus alunos.
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Tabela 3 - Prestígio da FEA/USP-Administração
Entre os Alunos de Graduação
Em % de respostas
Discordo
fortemente
+ Discordo
Neutro Concordo +
Concordo
fortemente
A FEA/USP-Administração é a melhor escola do país
nesta área
20,8 26,2 53,1
Os professores da FEA/USP-Administração são bem preparados
13,8 38,5 47,7
A didática dos professores é adequada 31 46,5 22,5
As instalações do prédio são adequadas 6,9 13,8 79,2
A biblioteca atende às necessidades 9,2 13,1 77,7
Há um perfeito entrosamento entre as disciplinas 45 33,3 21,7
Para cada disciplina lecionada, percebo claramente seu
papel no contexto do curso
49,6 31 19,4
O currículo atende as necessidades 28,7 41,1 30,2
À medida em que se avança no curso se tem uma imagem
mais positiva da FEA/USP-Administração
24 40,3 35,7
Os conhecimentos adquiridos na FEA/USP-Administração
dão-me segurança em relação ao futuro profissional
28,7 38,8 32,6
Os sistemas de avaliação utilizados são satisfatórios 27,9 41,1 31
Orgulho-me de estudar na FEA/USP-Administração 6,2 17,7 76,2
O tamanho das turmas é o ideal 37,7 17,7 44,6
Antevejo amplas possibilidades de uso dos conhecimentos
adquiridos no curso
7 34,4 58,6
Da análise dessa Tabela pode ser observado
que a FEA/USP-Administração tem muito
prestígio entre seus alunos. Salienta-se as
elevadas avaliações para orgulho de estudar na
FEA/USP-Administração (76,2%), as instalações
são adequadas (79,2%), a biblioteca atende às
necessidades ((77,7%), antevê amplas
possibilidades de uso dos conhecimentos
adquiridos no curso, dentre outras. No entanto,
alguns aspectos negativos foram apontados: não
perceber claramente o papel de cada disciplina
lecionada no contexto do curso (49,6%) e que o
tamanho das turma não é ideal (37,7%).
Avaliação da Infra-estrutura da FEA/USPAdministração
Na Tabela 4, estão os resultados da avaliação
da infra-estrutura da FEA/USP-Administração.
8
Tabela 4 - Avaliação da Infra-Estrutura da FEA/USPAdministração
pelos Alunos de Graduação
Péssimo Ruim Regular Bom Ótimo
Biblioteca 0,80% 0,80% 14,60% 62,30% 21,50%
Dep. de Livros e Publicações 0,00% 3,90% 40,90% 49,60% 5,50%
Xerox 9,20% 34,60% 40,00% 15,40% 0,80%
Seção de alunos 2,40% 12,70% 44,40% 37,30% 3,20%
Seção de estágios 0,90% 5,30% 28,30% 58,40% 7,10%
Laboratório de micros 3,10% 11,70% 36,70% 45,30% 3,10%
Lanchonete (antes da reforma) 60,00% 31,50% 8,50% 0,00% 0,00%
Livraria 1,50% 10,80% 39,20% 43,80% 4,60%
Salas de aula 0,00% 4,70% 24,40% 57,50% 13,40%
Centro acadêmico 10,30% 25,40% 45,20% 19,00% 0,00%
Recursos audiovisuais 1,50% 12,30% 33,80% 44,60% 7,70%
Limpeza do prédio 0,00% 0,00% 14,60% 56,20% 29,20%
Como pode ser observado nessa Tabela, de
forma geral, a estrutura foi bem-avaliada, com
exceção da lanchonete e do Centro Acadêmico. A
biblioteca foi a unidade que apresentou melhor
avaliação (83,8% de bom e ótimo); foram
também bem-avaliados: limpeza do prédio
(85,4% de bom e ótimo), salas de aula (70,9% de
bom e ótimo), seção de estágios (65,5% de bom e
ótimo) e recursos audiovisuais (52,3 de bom e
ótimo).
Razões de Desistência / Evasão
Perguntados se conheciam alguém que havia
desistido do curso, 43% dos alunos responderam
afirmativamente. A estes, foi perguntado se sabiam
as causas das desistências. As respostas
estão apresentadas na Tabela 5.
Tabela 5 - Motivos da Desistência
% %
Financeiros 5,4
Trabalho 3,6
Falta de tempo 1,8
Curso 14,3
Reprovado em várias disciplinas 1,8
Curso não atendeu às expectativas 5,4
Erro na escolha 25,0
Mudou de curso 5,4
Interesse maior por outra área 14,3
Não-identificação profissional 1,8
Falta de vocação 3,6
Não gostar da área 33,9
Outros 20,9
10
Os resultados da Tabela 5 mostram que a
causa mais freqüente foi não gostar (33,9%),
seguida de erro na escolha do curso (25,5%), e
de, razões ligadas ao curso (14,3%) e, finalmente,
razões financeiras (5,4%). As razões de desistências
não estão, portanto, relacionadas com problemas
do curso em si e sim, principalmente, com
escolha errada da carreira, da ausência de vocação
ou por não gostar da área.
Avaliação Realizada pelos Ex-Alunos de Graduação
Tempo decorrido entre a conclusão do curso e
a obtenção de emprego.
Na Tabela 6, está o período de tempo
decorrido para que o ex-aluno tenha conseguido
emprego ou novo emprego, após concluir o curso
de graduação.
Tabela 6 - Tempo Decorrido entre a Conclusão
do Curso e a Obtenção de Emprego
Período de tempo %
Imediatamente 61,7
Até 3 meses 20,0
Até 6 meses 11,7
Mais de 6 meses 6,7
Pela observação da Tabela 6, verifica-se que a
maioria dos ex-alunos (81,7%) conseguiu empregar-
se até 3 meses após a conclusão do curso e
apenas 6,7% o conseguiu em mais de 6 meses.
Este fato leva à conclusão de que os alunos da
FEA/USP-Administração não têm problemas de
empregabilidade no mercado de trabalho para
administradores, apesar da grande proliferação
desses cursos no país.
Exigências e Habilidades Requeridas pelo
Cargo Atual
Na Tabela 7, estão os resultados das
exigências e habilidades requeridas para o cargo
ocupado pelo ex-aluno quando respondeu ao
questionário.
A análise dessas respostas permite verificar
que boa parte das habilidades/características
exigidas que obtiveram grande avaliação, dizem
mais respeito àquelas intrínsecas ao próprio
indivíduo do que àquelas que o curso de
Administração deve proporcionar. Esse fato leva
à conclusão de que a vocação é fator importante
na admissão para o curso, o que, infelizmente,
não é levado em consideração no processo de
seleção. No entanto, também pode ser observado
que um número grande de
características/exigências podem ser fornecidas
pelo curso. Dentre elas podem ser destacadas:
pensamento crítico, independência; habilidade
para raciocínio numérico; aptidão para definir
prazos, normas e procedimentos; visão
estratégica de longo prazo; conhecimentos
técnicos especializados; habilidade para redigir;
capacidade de leitura e concentração; habilidade
para resolver conflitos; cultura geral; e habilidade
para coordenar grupos de trabalho.
11
Tabela 7 - Exigências e Habilidades Exigidas pelo Cargo Ocupado pelo
Ex-Aluno por Ocasião da Pesquisa
Exigências avaliadas Nenhuma
+
pouca
Moderada Bastante
+
total
Sociabilidade, relacionamento com outras pessoas 2,0% 7,3% 90,7%
Persistência, determinação e perseverança 2,9% 11,0% 86,0%
Pensamento crítico, independência 3,2% 11,6% 85,2%
Domínio de língua estrangeira 33,9% 13,1% 84,2%
Habilidade para raciocínio numérico 5,8% 14,2% 80,0%
Aptidão para definir prazos, normas e procedimentos
para atividades a serem realizadas
7,2% 14,8% 78,0%
Capacidade de persuasão, convencimento 4,9% 17,5% 77,6%
Capacidade para realizar tarefas de organização, programação
e planejamento
7,8% 15,4% 76,8%
Iniciativa, espírito empreendedor 7,8% 17,1% 75,1%
Visão estratégica de longo prazo 8,7% 17,4% 73,8%
Conhecimentos técnicos especializados 5,9% 22,3% 71,8%
Capacidade de liderança 12,8% 15,7% 71,4%
Habilidade para redigir 7,6% 20,4% 70,0%
Capacidade de leitura e concentração 7,3% 23,6% 69,1%
Habilidades para resolver conflitos 11,6% 19,4% 69,0%
Autoridade, capacidade de se impor 9,9% 21,8% 68,3%
Cultura geral 5,8% 26,0% 68,2%
Atenção a detalhes e minúcias 8,2% 24,8% 67,0%
Habilidade para fazer contatos e manter rede de relações
com pessoas influentes/relevantes para sua organização
15,4% 18,6% 66,0%
Habilidade para coordenar grupos de trabalho e delegar
funções
16,8% 18,8% 64,3%
Senso de mercado, tino comercial 21,6% 19,2% 59,2%
Habilidade para falar em público, apresentar trabalhos 16,9% 26,1% 56,3%
Adaptação a rotinas estabelecidas 12,9% 36,8% 50,3%
Sólida formação científica 19,3% 34,6% 46,0%
Habilidade para raciocínio lógico 0,9% 25,5% 40,6%
Maior capacidade para resolver problemas técnicos do
que para tomar decisões administrativas
24,9% 40,0% 35,1%
Avaliação do Curso
Na Tabela 8, encontram-se os resultados da avaliação do curso FEA/USP-Administração pelos seus exalunos.
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Tabela 8 - Avaliação do Curso FEA/USP-Administração pelos Ex-Alunos
Aspectos avaliados Discordância Concordância
Total Muita Pouca Pouca Muita Total
Escolheria novamente o mesmo curso na
FEA/USP-Administração
7,5% 4,0% 3,2% 8,9% 28,6% 47,7%
O prestígio da FEA/USP-Administração era
muito bom na época em que graduou
0,3% 0,8% 2,4% 6,9% 49,6% 38,9%
Deveria ter havido mais disciplinas optativas
especializantes
2,4% 5,9% 10,7% 17,7% 30,0% 33,2%
Deveria ter havido mais disciplinas integrativas 1,3% 2,4% 5,9% 19,4% 39,8% 31,2%
Não teve dificuldades em conseguir ocupação
adequada no mercado de trabalho
4,4% 3,8% 9,0% 17,8% 35,8% 29,2%
A qualidade do ensino das diversas disciplinas foi
muito variável
0,3% 4,3% 7,5% 19,3% 42,6% 26,0%
A biblioteca foi adequada às necessidades de
estudo
3,0% 3,6% 8,5% 24,0% 43,7% 17,2%
Faltaram atividades práticas 1,6% 7,5% 11,1% 28,3% 34,8% 16,7%
Considera-se bem sucedido profissionalmente 3,5% 5,9% 7,8% 24,5% 42,6% 15,6%
O prestígio atual da FEA/USP-Administração é
igual ou melhor do que aquele da época em que
graduou
2,7% 6,6% 16,4% 26,2% 33,1% 15,0%
Desbalanceamento entre teoria e prática, com
ênfase na teoria
2,2% 7,1% 11,1% 30,4% 35,3% 13,9%
Escolheria outro curso de graduação, diferente
daquele concluído na FEA/USP-Administração
50,9% 13,7% 7,8% 8,6% 5,4% 13,7%
Teve bom desempenho 0,5% 1,9% 7,6% 29,3% 48,1% 12,5%
Um bom aluno formado pela FEA/USP-Administração
é melhor do que um bom aluno de qualquer
outra faculdade
11,7% 12,1% 14,2% 25,0% 25,0% 11,8%
Foi grande freqüentador da biblioteca 6,7% 10,2% 15,0% 38,6% 21,7% 7,8%
O curso correspondeu às expectativas 1,3% 4,3% 5,4% 27,2% 54,4% 7,3%
As bibliografias recomendadas nas diversas disciplinas
cursadas foram adequadas
0,5% 4,3% 6,7% 33,9 48,8% 5,1%
Os professores mostraram-se tecnicamente competentes
1,1% 6,2% 17,8% 29,9% 40,4% 4,6%
As instalações e recursos didáticos da FEA/USPAdministração
foram adequados à formação
profissional
3,0% 9,2% 14,0% 33,4% 36,4% 4,0%
Minha classe tinha alunos demais 23,9% 21,2% 16,1% 21,2% 14,0% 3,5%
Escolheria novamente o mesmo curso, mas em
outra instituição
63,6% 15,9% 8,1% 7,3% 1,9% 3,2%
Os professores mostraram-se didaticamente competentes
2,7% 5,4% 16,9% 41,6% 31,6% 1,9%
A avaliação dos ex-alunos aponta para
inúmeros pontos positivos como: escolheria o
mesmo curso na FEA; a imagem de elevado
prestígio da escola; não teve dificuldades de
13
conseguir ocupação adequada; não escolheria
outro curso de graduação diferente do concluído
na FEA, e nem em outra instituição o mesmo
curso; por outro lado, o resultado aponta para
alguns pontos a serem melhorados como: maior
número de disciplinas optativas especializantes,
maior número de disciplinas integrativas, maior
balanceamento entre teoria e prática; e melhoria
na didática dos professores.
Importância de ter Cursado a FEA/USP-Administração
na Carreira Profissional do Ex-
Aluno
A Tabela 9, mostra as respostas dos ex-alunos
quanto à importância do curso FEA/USP-Administração
para a carreira profissional.
Tabela 9 - Importância que o curso de Administração da FEA/USP Significou para a
Carreira Profissional do Ex-Aluno
Discordância Concordância
Total Muita Pouca Pouca Muita Total
O curso da FEA/USP-Administração o preparou
para o mercado de trabalho como profissional
generalista
0,8% 2,4% 5,4% 21,1% 49,3% 20,9%
O curso proporcionou condições para realização
profissional
2,7% 4,6% 7,0% 28,6% 45,8% 11,3%
O trabalho atual exige muito mais conhecimentos, e
que foram aprendidos na prática
0,5% 6,0% 5,7% 17,2% 40,3% 30,2%
O curso proporcionou condições para aprender a
realidade da empresa e do ambiente
2,7% 7,5% 9,7% 29,6% 37,9% 12,6%
Atualmente é um especialista na área onde atua 7,1% 6,6% 7,9% 21,0% 32,0% 25,4%
Os conhecimentos possuídos são devidos mais à
experiência prática do que adquiridos na FEA/USPAdministração
2,4% 8,6% 12,4% 30,2% 31,8% 14,6%
Uso, no dia-a-dia profissional muito do aprendido na
FEA/USP-Administração
4,0% 10,5 11,1% 36,4% 30,7% 7,3%
A visão da empresa, apresentada no curso, estava
muito distante da realidade do dia-a-dia
5,4% 15,9% 17,5% 31,0% 20,8% 9,4%
O curso o treinou para ser profissional preparado
para resolver problemas de uma área específica de
atuação
9,7% 21,8% 19,4% 29,6% 15,1% 4,3%
A realidade ensinada na FEA/USP-Administração
nada teve a ver com a realidade brasileira enfrentada
pelas organizações
12,9% 28,8% 21,6% 19,1% 12,1% 5,4%
A carreira teria sido a mesma, mesmo tendo feito
outro curso de graduação
19,9% 28,6% 15,0% 18,8% 10,4% 7,4%
14
A análise desses dados deixa claro que o curso
foi muito importante para a realização profissional,
por outro lado, precisa ser continuamente
melhor adaptado à realidade das empresas. Deve
ser ressaltado que pelo menos metade dos respondentes
fizeram curso há mais de dez anos e,
portanto, avaliaram um curso bastante diferente
daquele ministrado na ocasião da pesquisa, entretanto,
essas críticas devem ser consideradas na
busca de um aprimoramento cada vez maior.
Formação do Administrador Segundo os Ex-
Alunos
A Tabela 10, indica as opiniões dos ex-alunos
sobre o perfil desejado para os futuros profissionais
em Administração.
Tabela 10 - Caracterização do Formado em Administração, Segundo os Ex-Alunos
Grau de importância (em %)
Elementos do perfil desejado avaliados Nenhuma Pouca Moderada Bastante Total
Capacidade de interpretação da teoria, para melhor
aplicá-la na prática
- 1,9 16,9 55,4 25,8
Conhecimentos significativos sobre gestão de
tecnologia e competitividade
0,3 2,2 16,8 54,3 26,5
Criatividade e habilidade em técnicas comerciais 0,3 2,2 14,7 52,0 30,8
Conhecimento significativo da economia brasileira
e internacional
0,3 0,8 15,1 49,2 34,6
Domínio na utilização de softwares aplicativos - 3,8 23,9 49,2 23,1
Conhecimento da realidade brasileira para avaliar
e gerenciar problemas de natureza sócio-política
0,3 1,1 4,9 47,6 46,2
Domínio do processo de planejamento estratégico
participativo, desenvolvendo o poder de negociação
0,3 0,3 4,1 46,5 48,9
Conhecimentos significativos sobre alianças estratégicas
0,5 5,9 31,9 46,5 15,1
Capacidade de raciocínio abstrato, para assimilação
da realidade empresarial
1,1 5,4 28,3 45,8 19,4
Conhecimentos significativos sobre internacionalização
de empresas
0,8 4,9 31,7 45,5 17,1
Conhecimentos significativos sobre joint-ventures 0,5 9,8 38,5 42,5 8,7
Proficiência em línguas estrangeiras - 0,8 6,2 40,5 52,5
Formação com mais fundamentos das ciências
humanas que tenham relação com conceitos
como cooperativismo, sindicalização e relações
no trabalho
1,9 12,7 35,5 40,4 9,5
Formação com ênfase em recursos humanos 0,8 7,9 31,9 40,3 19,1
O perfil do profissional recém formado deve ter
cunho essencialmente generalista
1,4 9,5 35,9 39,5 13,8
Formação com ênfase na sociologia e filosofia,
como meio para a compreensão da realidade
2,2 16,8 45,0 30,1 6,0
15
Dentre as características mais valorizadas
observadas na Tabela 10, podem ser citadas:
capacidade de interpretação da teoria, para
melhor aplicá-la na prática; conhecimentos
significativos sobre gestão de tecnologia e
competitividade; criatividade e habilidade em
técnicas comerciais; conhecimento significativo
da economia brasileira e internacional; domínio
na utilização de softwares aplicativos;
conhecimento da realidade brasileira para avaliar
e gerenciar problemas de natureza sócio-política;
domínio do processo de planejamento estratégico
participativo, desenvolvendo o poder de
negociação; conhecimentos significativos sobre
alianças estratégicas; capacidade de raciocínio
abstrato, para assimilação da realidade
empresarial; conhecimentos significativos sobre
internacionalização de empresas; conhecimentos
significativos sobre joint-ventures; e proficiência
em línguas estrangeiras.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A experiência da FEA mostrou o potencial da
avaliação para aprimorar o processo de aprendizado,
entretanto, algumas limitações do método
usado devem ser apontadas.
Inicialmente, deve ser lembrado que as
respostas a questionários possuem alto grau de
subjetividade pelo diferente entendimento das
pessoas em relação às escalas. Além disso,
embora os alunos tenham muito a contribuir em
termos de críticas e sugestões, em muitos casos
eles não têm o conhecimento e a experiência
necessárias. Esta foi a vantagem da inclusão de
ex-alunos, docentes e empresários no processo.
No caso dos ex-alunos ficou patente o enorme
potencial de contribuição, geralmente não aproveitado
em processos de avaliação. Uma limitação
do uso de ex-alunos é o fato de que eles cursaram
a Faculdade em épocas diferentes, portanto
responderam sobre cursos e conteúdos, docentes
diferentes.
Um ponto fraco da metodologia usada é a
ausência de docentes externos à Universidade no
processo de avaliação. Estes docentes poderão
dar contribuição significativa se selecionados
corretamente.
Um aspecto facilitador foi a existência de
procedimentos de avaliação de docentes, pelos
alunos, implantado na FEA há mais de 15 anos.
Isso cria uma cultura habituada a processo de
avaliação.
O processo de avaliação mostrou a didática
como ponto a ser aperfeiçoado pelos docentes, na
opinião dos alunos.
Em resumo, a avaliação do ensino superior
possui os seguintes objetivos básicos:
§ auto conhecimento;
§ aperfeiçoamento da instituição avaliada;
§ e auxílio para gestão e a tomada de decisão.
Refletindo um pouco sobre esse termo,
percebemos alguns aspectos interessantes:
1. Avaliar não é um processo onde impera a
imparcialidade;
2. Para se avaliar é necessário decompor o todo
em partes que possam ser mensuráveis, ou
seja, comparáveis com padrões preestabelecidos;
3. Se a avaliação corresponde a algo valorado
pelos avaliadores, ela difere conforme quem a
avalia: corpo docente, corpo discente, os antigos
alunos, os contratantes. Cada um irá
dar ênfase diferente aos aspectos julgados,
principalmente em razão de sua vivência e
necessidades. Ou seja, um aspecto positivo
ou importante para um poderá ser negativo
ou irrelevante para outro;
4. Além disso, valorar é algo dinâmico. Este ato
admite novas interpretações quando feito ou
mesmo analisado em momentos diferentes.
Portanto, há necessidade de se avaliar periodicamente
para acompanhar a evolução dos
fatores avaliados.
Com referência às avaliações efetuadas
pelos alunos e ex-alunos do curso de graduação
da FEA/USP-Administração podem ser
16
apontadas as seguintes conclusões: o curso é
bem-avaliado de uma forma geral; os alunos e
ex-alunos têm uma imagem boa do curso; o
curso facilita a colocação no mercado de
trabalho; caso tivessem que cursar novamente o
fariam na FEA/USP.
No entanto diversas foram as críticas e
sugestões de alunos e ex-alunos que mereceram e
que ainda estão merecendo a atenção dos
dirigentes do curso. Algumas ações já foram
realizadas no sentido de obter melhorias e outras
ainda estão sendo. Dentre as ações realizadas
têm-se as seguintes:
§ Reforma total do prédio n°. 1 (principal e
mais antigo; a FEA possui 5 prédios) onde as
aulas do curso de graduação são realizadas.
Na data da redação do presente artigo havia
sido concluída a reforma de 50% do prédio,
estando prevista a conclusão do restante para
agosto/98.
§ Foi criada uma campanha denominada "SOS
Biblioteca", onde foram arrecadados recursos
financeiros e materiais para a biblioteca da
FEA/USP-Administração. Os recursos vieram
das Fundações conveniadas com a
FEA/USP-Administração: FIA, FIPE e
FIPECAFI, de ex-alunos, de alunos, de professores
e de empresas e empresários. Atualmente
a biblioteca tem recursos mais do que
suficientes para atender à demanda de aquisição
de livros e periódicos. Além disso, recursos
foram obtidos junto à FAPESP para
dotar a biblioteca de sistema de
condicionamento de ar, informatização total,
aquisição de inúmeras bases de dados e a
construção de sala e aquisição de sistema
para emissão/recepção de videoconferências e
ensino a distância. A biblioteca da FEA e
todas as salas de professores estão
interligadas, através de cabos de fibras
óticas, ao computador central da USP, e
através desse, ao mundo, o que hoje permite a
comunicação imediata e rápida com qualquer
biblioteca do mundo e outras facilidades (e
mails, Internet etc.).
§ programa do curso de graduação passou por
reformulações. Procura-se implantar um sistema
de reformulações contínuas em função
da grande dinâmica das mudanças na área de
Administração.
§ Com recursos provenientes da FIA - Fundação
Instituto de Administração, entidade conveniada
com o Departamento de Administração
da FEA/USP, as salas de todos os professores
em RTC - Regime de Turno Completo
e em RDIDP - Regime de Dedicação
Integral à Docência e à Pesquisa foram dotados
de computadores.
De forma geral, a avaliação deve ser vista
como um instrumento importante para gerar
idéias de aprimoramento mas nunca como uma
verdade absoluta devido às limitações das
metodologias existentes que são viáveis de serem
implementadas, entretanto, se bem-interpretadas,
tornam-se de grande importância para o autoconhecimento,
aprimoramento institucional,
auxiliando a gestão e a tomada de decisão
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17
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