Marcos José Tiraboschi(*)
Vander Rosifini Jr.(*)
RESUMO
Este trabalho procura descrever o comportamento e o
desempenho dos alunos que freqüentam os cursos oferecidos pela
Faculdade de Administração, Economia e Contabilidade da
Universidade de São Paulo campus de Ribeirão Preto. As análises
procuram descobrir e apontar quais são as variáveis que influenciam
no desempenho Universitário de cada aluno; as relações existentes
entre as diversas variáveis comportamentais, sociais e econômicas. Se
preocupa ainda em definir se o trabalho influi no desempenho escolar
dos alunos. Por final, procuramos traçar um perfil dos alunos de
Administração em relação ao seus desempenhos, seu trabalho e suas
atividades extracurriculares frente aos alunos dos cursos de Economia
e Contabilidade. Estes resultados propiciarão e ajudarão os docentes,
coordenadores e diretores da FEARP-USP a realizarem seus trabalhos
da melhor e mais produtiva forma.
(*) Graduandos do 8º semestre do Curso de Administração da Faculdade de
Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo -
Campus de Ribeirão Preto. E-mail: mjtira@uol.com.br e rosifini@zaz.com.br.
2
INTRODUÇÃO
Este trabalho apresenta um estudo realizado
dentro da Faculdade de Economia, Administração
e Contabilidade da Universidade de São
Paulo (campus Ribeirão Preto). Sua idealização
se deu como forma de um complemento a um
trabalho já apresentado neste seminário no ano
anterior, que abordava uma análise do perfil dos
alunos ingressantes nesta Faculdade (campus de
São Paulo), entre os períodos de 1994 a 1997. A
intenção foi, portanto, estender estes estudos já
realizados procurando descobrir e analisar as
relações existentes entre as diversas atividades
exercidas pelos alunos que freqüentam esses
cursos, tais como seu trabalho, seus estudos e
sua vida social, elaborando uma comparação do
perfil dos alunos do curso de Administração
frente aos de Economia e Contabilidade.
Dentro deste contexto, o entendimento de tais
relações poderia auxiliar alunos e professores a
dirigirem seus estudos e os seus esforços buscando
caminhos que lhe proporcionariam maior
êxito em suas atividades dentro desta Faculdade.
Os docentes, em especial poderiam usufruir
desses dados para melhor direcionar seu método
didático, de maneira a desenvolver as deficiências
e aperfeiçoar as qualidades apresentadas
pelo alunos, conciliando da melhor forma possível
as atividades acadêmicas e extracurriculares
ganhando assim maior produtividade, qualidade
e excelência.
Para a realização do trabalho foi elaborado
um questionário onde os alunos respondiam
questões que abordavam diversos aspectos envolvendo
sua vida profissional, acadêmica e
social. Da compilação dessas respostas foram
realizadas algumas análises buscando descobrir
quais as variáveis que exercem maior influência
no desempenho escolar do aluno, as relações
entre as variáveis comportamentais, sociais e
econômicas e as características dos alunos que,
além de estudar, ainda trabalham.
OBJETIVO
Este estudo tem como objetivo analisar e
descobrir quais são as variáves que influenciam
no desempenho Universitário de cada aluno; as
relações existentes entre as diversas variáveis
comportamentais, sociais e econômicas e definir
se o trabalho influi no desempenho escolar das
pessoas traçando um perfil dos alunos de Administração
que trabalham em relação ao seu desempenho
frente aos alunos de Economia e
Contabilidade. Estes resultados propiciarão e
ajudarão os docentes, coordenadores e diretores
da FEARP-USP a realizarem seus trabalhos da
melhor e mais produtiva forma.
A PESQUISA
O método utilizado foi uma pesquisa dirigida
aos alunos em forma de questões com respostas
pré-determinadas. Os questionários, constituídos
por 20 perguntas, foram distribuídos na própria
faculdade de maneira aleatória para tornar a
pesquisa o mais real possível. Dos 6l2 alunos
matriculados para estudarem no primeiro semestre
do ano de l998, desprezamos todos os
alunos ingressantes por não serem aptos a responderem
algumas questões relevantes a seus
desempenhos. Somado a estes, desconsideramos
também os alunos que estavam no seu último
ano de formação acadêmica, por se tratar de
pessoas altamente envolvidas com estágios e
trabalhos de graduação, o que poderia de certa
maneira distorcer os resultados encontrados.
Foram excluídos também os alunos provenientes
de outros cursos dentro da Universidade e os
alunos matriculados em caráter especial. Portanto,
de uma população aproximada de 300
alunos da FEARP matriculados no segundo,
terceiro e quarto anos, foram coletados 131
questionários que foram tabulados de acordo
com o número das respostas.
Apresentamos agora os resultados obtidos em
cada questão do questionário, bem como suas
comparações e peculiaridades.
Questão 1 - Número USP
A Questão 1 referia-se apenas ao código USP
dos alunos que responderam à Pesquisa. Este
dado foi coletado na intenção apenas de ser um
meio para se validar que a pesquisa foi realmente
aplicada a alunos pertencentes à FEARPUSP.
3
Questão 2 - Sexo
Esta questão foi inserida neste questionário
para se avaliar se determinado sexo apresenta
alguma característica que o diferencia em seus
rendimentos e atividades curriculares e profissionais.
Verificou-se que a maioria dos 131 entrevistados,
cerca de 61% eram homens, enquanto
os outros 39% eram mulheres, podemos
concluir, então, que mais homens estudam na
faculdade.
Questão 3 - Idade
A variável idade, assim como a variável
sexo, serviu de parâmetro para avaliar a influência
da idade da pessoa frente a suas atividades.
Na amostra estudada, encontrou-se pessoas com
idade média de 21,7 anos, com um desvio padrão
relativamente pequeno de 2,9 anos. Essa
amostra foi composta por uma grande maioria
de jovens com freqüência principal entre os 20 e
25 anos.
Questão 4 - Residência
Essa questão abordou a convivência da pessoa
com a família ou com amigos. As respostas
possíveis investigavam se o aluno residia com
seus pais (ou família) em Ribeirão Preto, em
república ou moradia estudantil ou se viajava
todos os dias.
Pessoas que moram com os familiares
tendem a ter um relacionamento mais assíduo
com a família e também a gastar menos tempo
com atividades domésticas. Pessoas que viajam
todos os dias podem sofrer de cansaço por
excessivas viagens, ou até ter seu tempo
disponível bastante reduzido caso a distância de
sua cidade seja grande. Por fim, pessoas que
moram em moradias ou repúblicas tendem a ser
mais independentes, gastando um maior tempo
com tarefas domésticas. Foi verificado que cerca
de 50% dos alunos residem com suas famílias
em Ribeirão Preto, outras 44% residem em
repúblicas ou moradias e, por fim, 6% viajam
todos os dias para suas cidades.
Sexo
0
20
40
60
80
100
Masculino
Feminino
4
Questão 5 - Freqüência Semanal com que sai
para se Divertir
Esta questão procurou explorar o lado social
da pessoa, tentando encontrar alguma possível
influência em suas atividades e seus estudos. O
resultado é que a grande maioria das pessoas
costuma sair entre duas a três vezes por semana.
Questão 6 - Ano de Ingressão
Para se descobrir o desempenho dos alunos
necessitamos saber a quantos anos ele estuda na
faculdade para estimar o número de reprovações
por período de tempo. Outro fator que pode ser
analisado por essa variável é o nível de
desempenho dos alunos nos diversos anos de
funcionamento da faculdade desde sua criação.
Vale ressaltar que os alunos que ingressaram em
1998 não foram incluídos na pesquisa pois não
possuem dados para avaliarmos o seu
desempenho. A maioria dos alunos pesquisados
ingressaram nos anos de 1995, 1996 e 1997, o
que representam hoje o segundo, terceiro e
quarto anos.
Questão 7 - Curso
Essa variável avaliou a influência do Curso
que a pessoa faz em seu desempenho na
realização de suas atividades, principalmente em
seu trabalho. Cerca de 67 casos foram de
estudantes de Administração, 30 casos de
Estudantes de Economia e outros 34 casos de
Estudantes de Ciências Contábeis, mesmo com
uma distribuição aleatória para as pessoas que
estavam nas dependências da Faculdade em um
dia de aula normal para todos os cursos.
Residência
0
20
40
60
80
Família
Moradia/
República
Viajam todos
os dias
Curso
0
20
40
60
80
Administração
Economia
Contábeis
5
Questão 8 - Horas de Estudo por dia Fora da
Faculdade
Aqui buscou-se determinar o impacto do
estudo fora da faculdade no desempenho real
dos alunos. Pudemos observar que a maioria das
pessoas que responderam a pesquisa estudam de
duas a quatro horas diárias disciplinas
diretamente relacionadas com sua formação
acadêmica.
Questão 9 - Faz Algum Curso de Idioma
Essa variável procurou entender as
conseqüências que outros conhecimentos
buscados fora da faculdade exercem sobre o
desempenho dos alunos. No caso específico de
línguas estrangeiras, podemos encontrar uma
íntima ligação com o desempenho, visto que
várias das bibliografias adotadas são em outra
língua. Verificamos que a maioria das pessoas
ou não cursam ou cursam apenas um curso de
idioma.
Questão 10 - Freqüência de Práticas
Esportivas
No sentido de avaliar a influência de
atividades extracurriculares, procurou se
estabelecer relações entre a realização de
práticas esportivas a outras variáveis estudadas.
Apuramos que grande parte dos que
responderam o questionário ou não praticam
(47%) , ou praticam de uma a duas vezes por
semana (34%), os outros, com outras
freqüências.
Questão 11 - Tipo de Trabalho
Neste ponto do questionário a intenção foi
descobrir a porcentagem de alunos da Faculdade
que trabalham e qual o tipo de trabalho em que
estão envolvidos: estágio, emprego ou negócio
próprio. As distribuições encontradas foram as
seguintes: 38% não trabalham, 31% fazem
estágio, 25% são empregados e os 6% restantes
têm seu próprio negócio.
Questão 12 - Porque Trabalha
Qual é a carga de responsabilidade que
possuem as pessoas que trabalham? Esse fator
também deve pesar quando se analisa o perfil de
desempenho dos alunos. As distribuições
encontradas foram: 48,8% dos alunos trabalham
por necessidade, 41,5% trabalham por
aprendizado e os 9,7% restantes porque têm
tempo disponível .
Tipo de Trabalho
0
20
40
60
Não trabalha
Estágio
Empregados
Negócio próprio
6
Questão 13 - Período de Trabalho ou Estágio
O período de trabalho, juntamente com
outras variáveis influem diretamente no nível de
tempo disponível que a pessoa possui para se
dedicar aos estudos. O objetivo dessa questão foi
o de avaliar o impacto dessas conseqüências no
desempenho dos alunos. As distribuições
encontradas foram que 53,8% trabalham por
meio período, enquanto 46,2% trabalham em
período integral.
Questão 14 - O trabalho / estágio interfere em
seu desempenho escolar...
Como a própria pessoa vê a contribuição de
trabalhar no seu desempenho escolar foi o
objetivo dessa questão. Encontramos que 36%
acham que o trabalho interfere positivamente em
seus estudos, 34% acham que o trabalho não
interfere e 30% acham que o trabalho age de
forma negativa em seu desempenho escolar.
Obs.: As questões 12, 13 e 14 foram
respondidas apenas por quem não respondeu que
trabalhava na questão de número 11.
Período de Trabalho
30
35
40
45
Meio período
Período integral
Porque Trabalha
0
10
20
30
40
50
Necessidade
Aprendizado
Tempo
disponível
7
Questão 15 - Foi reprovado em alguma
matéria?
Essa questão será usada no cálculo do
desempenho, discutida posteriormente,
juntamente com a questão que informa o ano de
ingresso do aluno na faculdade. O valor absoluto
dessa variável não interessa, portanto, para
nenhuma outra análise, sem se estabelecer o
período de tempo relevante.
Questão 16 - Em quantos anos gostaria de se
formar?
Esta questão avaliou qual a expectativa do
aluno em relação ao tempo em que deseja
permanecer na faculdade. Essa expectativa
influirá no desempenho, uma vez que se o aluno
pretender se formar em mais anos, tenderá a se
dedicar de forma mais amena a seus estudos,
cursando um menor número de matérias por
semestre. Aproximadamente 76,3%
responderam que pretendem se formar em cinco
anos. Outros 14% pretendem se formar em seis
anos. O restante escolheu outras opções.
Questão 17 - Em quantos anos acredita que
vai se formar?
Esta questão buscou avaliar, em relação ao
desempenho anterior, em quantos anos o aluno
deverá se formar. Se tiver reprovado em uma ou
mais matérias, provavelmente irá se formar em
mais anos.
Questão 18 - Grau de Envolvimento em
atividades ligadas à Faculdade (pesquisas,
laboratórios, projetos, artigos, etc.)
Seu objetivo foi avaliar se a participação em
eventos extracurriculares dentro da faculdade
interferem no desempenho escolar e se são
correlacionadas com quaisquer outras
características dos alunos. Verificamos uma
evolução crescente do alto envolvimento para o
não-envolvimento. O resultado foi que a maioria
dos alunos não tem ou tem um baixo
envolvimento com tais atividades. Essas duas
categorias representam aproximadamente 69%
do total.
Questão 19 - Grau de Envolvimento com
Centro Acadêmico e Atlética
O objetivo dessa questão foi o de avaliar a
influência do envolvimento dos alunos com
atividades extracurriculares dentro da escola em
atividades não relacionadas ao estudo, mas sim,
relacionadas à vida acadêmica e ao convívio
estudantil. Cerca de 60% das pessoas
responderam que não possuem tal envolvimento,
enquanto as pessoas que possuem, se envolvem
de forma muito intensa.
Questão 20 - Como avaliaria o grau de
dificuldade do curso?
A avaliação do aluno frente ao grau de
dificuldade que encontra em seu curso é
Influência do trabalho no
desempenho escolar
0
10
20
30
40
Positivamente
Não interfere
Negativamente
8
importante para se traçar o perfil da pessoa.
Certos tipos de pessoas, pelo que fazem em seu
dia a dia, tendem a achar o curso mais ou menos
difícil. O objetivo é encontrar quais são essas
características. Dos alunos que responderam o
questionário, 14,9% acham a dificuldade do
curso muito elevada; 43,3% acham de
dificuldade apenas alta; 36,6% acham o grau de
dificuldade médio e, por fim, 5,2% acham o
nível de dificuldade baixo.
ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS
Após o agrupamento de todos os dados obtidos
através da pesquisa realizada entre alguns
alunos, buscou-se através de algumas ferramentas
estatísticas a interpretação que melhor viesse
de encontro com os objetivos estabelecidos para
esse trabalho. Para tal, a princípio, foi realizada
uma análise discriminante para encontrar quais
as variáveis, dentre as propostas, que mais
agiam sobre o desempenho escolar dos alunos.
Obtidos esses resultados utilizamos das propriedades
de uma análise fatorial para procurar correlações
relevantes entre variáveis, grupos, ou
fatores que indicariam quais variáveis que estão
sendo analisadas são mais correlacionadas, reduzindo
o número de variáveis em poucos fatores,
e interpretando cada fator de acordo com o
significado de cada variável. Concluída essa
etapa buscou-se traçar os perfis dos alunos que
além de estudar ainda trabalham. Neste sentido
foi aplicada uma análise de cluster visando
agrupar elementos que pelas características pesquisadas,
serão os mais semelhantes dentro de
um grupo, e mais diferentes comparados aos
outros grupos. Cada grupo foi considerado independente
do outro, ad-hoc.
§ Variáveis que influenciam no desempenho
Universitário
Dadas as questões mencionadas, cada conjunto
de respostas de cada pergunta constituiu
uma variável. Dessas variáveis procuraremos
descobrir quais delas influenciam o desempenho
Universitário.
A variável desempenho trata-se da divisão do
número de matérias em que o aluno foi reprovado
pelo número de anos que ele freqüenta a
Universidade. Dessa forma obteremos quantas
matérias o aluno reprova por ano. O mais correto
seria se utilizar das médias ponderadas de
cada aluno para medir seu desempenho, porém
tais dados não puderam ser disponibilizados.
Para realizar essa análise nos utilizamos da
Análise Discriminante do Software estatístico
SPSS. A análise discriminante é bastante útil
para identificar, por meio de uma função discriminante,
o valor de uma variável dependente em
função de várias independentes.
Como variável dependente utilizamos o desempenho
escolar. Foi realizada a média do
desempenho de todos os alunos e estes foram
distribuídos em duas categorias:
§ Abaixo da Média;
§ Acima da Média.
Grau de dificuldade do curso
0
20
40
60
Muito elevada
Alta
Média
Baixa
9
Como variáveis independentes foram utilizadas
as respostas das questões 2 à 11, 16 e 18 à
20. Com o resultado dessas variáveis tentaremos
determinar se o desempenho do aluno é abaixo
ou acima da média.
A função discriminante obtida como solução
para o modelo apresenta um agrupamento das
questões de número 10, 16, 7 e 8. A questão 16 é
a que melhor explica o modelo e diz respeito à
pretensão do aluno em se formar em tantos anos.
Pela função discriminante, em quanto mais anos
o aluno pretender se formar, mais o resultado da
função o aproxima do grupo "abaixo da média''.
Já a questão 8, diz respeito ao número de horas
de estudo por dia fora da faculdade e, quanto
mais horas a pessoa estuda mais próxima se
encontra do grupo “ acima da média ”. A questão
l0 refere-se ao número de horas dedicadas às
práticas esportivas. Pessoas que dedicam muito
tempo a essas atividades aproximam seus resultados
ao do grupo "abaixo da média". Esse resultado
talvez seja porque o número excessivo
de horas de esporte prejudique o número de
horas de estudo. Por fim, a questão 7 refere-se
ao curso que os alunos cursam. Alunos de Administração
tendem a ter um melhor desempenho
que alunos de Economia que, por sua vez,
tendem a ter um resultado melhor que os alunos
de Ciências Contábeis.
O nível de explicação dessa função discriminante
alcançou 71,8% que pode ser considerado
um resultado satisfatório visto que trata-se da
análise do comportamento das pessoas, o que
torna a explicação bastante difícil.
§ Relações entre diversas variáveis comportamentais,
sociais e econômicas
Nesta parte do trabalho o objetivo principal é
determinar quais variáveis são mais correlacionadas.
Para tanto nos utilizaremos de uma análise
fatorial, que agrupa várias variáveis em alguns
poucos fatores, tornando mais simples o
uso delas em outras ferramentas estatísticas. Em
nosso caso específico, porém, não utilizaremos a
análise fatorial para determinar tais fatores, mas
sim, determinar as relações mais próximas que
ocorrem entre as variáveis.
Para realizar tal análise utilizamos as questões
2 à 11, 16 à 20 e o desempenho. Encontramos
então uma solução formada por seis fatores,
com os quais conseguimos uma explicação de
cerca de 64%. Temos então a composição dos
seis fatores, sendo que cada um deles será apresentado
e discutido a seguir:
1. o primeiro fator engloba as questões 16 e 17
e também a variável desempenho. Podemos
concluir que o desempenho do aluno está
altamente relacionado ao tempo em que ele
pretende se formar. Talvez esperando se
formar em tempo maior que o normal, não
se preocupe tanto em cursar ou passar em
todas as matérias;
2. no segundo fator estão contidas as questões
3, 6 e 11, que relaciona a idade ao ano de
ingressão e ao tipo de trabalho. Pessoas mais
velhas tendem a ter emprego ou negócio
próprio e entraram antes na faculdade. Já
pessoas mais jovens entraram a pouco tempo
na faculdade e tendem a não trabalhar ou fazer
estágio. Tratam-se de relações razoavelmente
lógicas;
3. o terceiro fator agrupa as questões 8, 18 e
19. Relaciona o tempo despendido em
atividades extracurriculares (pesquisas,
centro acadêmico, etc.) ao número de horas
de estudo. Pessoas que tem alto grau de
envolvimento com tais atividades tendem a
estudar menos e vice-versa. Como vimos
também na análise discriminante, essas
pessoas que tem alto grau de
desenvolvimento com tais atividades tendem
a ter um menor desempenho, por ter menos
horas de estudo.
4. o quarto fator agrupa as questões 5 e 9, que
relacionam positivamente a prática de cursos
de idiomas com a freqüência com que a pessoa
sai para se divertir. A principio não
existe relação direta entre essas duas questões
mas, podemos supor uma relação com
uma terceira variável que seria o nível de
renda. Ambas as atividades requerem recursos
financeiros para serem executadas, dessa
forma, pode ser que a relação suposta seja
válida;
5. o quinto fator agrupa as questões 2, 4 e 7,
que relacionam o sexo, a dificuldade do
curso e o próprio curso. Pessoas que cursam
10
administração tendem a achar o curso mais
fácil e, oposta a essa afirmação, pessoas que
cursam ciências contábeis tendem a achar o
curso mais difícil. Relacionando á variável
sexo, temos que, pelos dados colhidos, as
mulheres preferem cursos de administração
ao de economia, e preferem o de economia
ao de ciências contábeis. Pessoas do sexo
feminino também tendem a achar o curso
mais difícil;
6. o sexto e último fator relaciona
inversamente a questão 4 à questão l0,
levando-nos a crer que pessoas que moram
em Ribeirão Preto com a família tendem a
praticar mais horas de esporte, e pessoas que
moram em república ou viajam todos os dias
tendem a praticar menos. Talvez a relação
possa ser de tempo disponível de cada uma
das categorias, porém é uma suposição
muito vaga para servir de relação.
Com essas análises conseguimos, portanto,
estabelecer algumas relações de correlação entre
algumas das diversas variáveis pesquisadas.
§ Perfil das pessoas que trabalham
Outro objetivo de pesquisa deste trabalho é
avaliar o perfil das pessoas que trabalham em
relação ao curso que fazem e ao desempenho
conseguido. Para tal análise foram selecionadas
apenas as pessoas que responderam que trabalham
na questão de número 11. As pessoas que
trabalham somam 81 casos que foram computados
para análise.
Para descobrir quais eram os perfis em comum
dos alunos utilizamos uma análise de
cluster para identificar grupos de casos semelhantes.
As variáveis escolhidas foram as questões
7, 11, 12, 13, 14 e a variável desempenho.
O primeiro passo foi definir quantos clusters,
ou grupos de casos seria o ideal. Após várias
tentativas, definimos como o número ideal seria
o de 3 clusters. Efetuada a análise, o Software
forneceu dados onde, para cada variável, era
informado o centro de cada Cluster. Com os
centros dos clusters para cada uma das variáveis
utilizadas na análise podemos traçar o perfil
geral de cada um dos grupos:
1. Alunos de desempenho médio, que são empregados,
trabalham por necessidade, em período
integral, vêem influência negativa do
trabalho e cursam o curso de Economia;
2. Alunos de desempenho melhor, que trabalham
por aprendizado, em geral, em meio
período, não vêem influência do trabalho em
seu desempenho e cursam Administração;
3. Alunos de desempenho menor, trabalham
em estágio ou emprego em períodos variáveis,
que vêem influência positiva do trabalho
em seu desempenho e cursam Ciências
Contábeis;
4. A análise de cluster identificou 25 alunos no
grupo 1; 36 alunos no grupo 2 e, por fim, 17
alunos no grupo 3. Com isso conseguimos
definir, da melhor maneira possível, grupos
semelhantes de alunos da faculdade que trabalham.
CONCLUSÃO
Os alunos que freqüentam o segundo, terceiro
e quarto anos dos cursos oferecidos na
FEARP-USP apresentam como características
principais serem em sua maioria do sexo masculino,
jovens com uma média de idade de 21,7
anos, residentes com seus familiares ou em repúblicas/
moradias em Ribeirão Preto e que procuram
se divertir de duas a três vezes por semana
– fator associado também a uma característica
peculiar da cidade em possuir grande
número de jovens estudantes e Universitários.
Foi observada, também, uma maior freqüência
diária dos alunos de Administração de Empresas,
que foram encontrados em maior número e
com maior facilidade durante a coleta dos dados
pesquisados. Grande parte dos alunos entrevistados
possuem a prática diária de estudar de
duas a quatro horas assuntos e disciplinas diretamente
envolvidos com suas atividades acadêmicas,
número que pode ser considerado relativamente
bom pelo fato de que grande parte dos
alunos, além de estudar, trabalham ou fazem
algum tipo de estágio. No que tange às atividades
extracurriculares exercidas pelos alunos
percebemos que, muitas vezes, essas, por
tomarem certo tempo dos alunos, não são reali11
zadas com muita freqüência como é o caso de
cursos de idiomas, práticas esportivas e envolvimentos
com atividades de Centro Acadêmico e
Atlética. Os alunos entrevistados que trabalham,
cerca de 62 % do total, em sua maior parte faz
estágio ou já estão empregados e a grande
maioria o faz por necessidade financeira ou por
adquirir conhecimentos que auxiliarão o seu
aprendizado acadêmico. Cerca de 54 % trabalham
por meio período e acreditam que o trabalho
ou não interfere ou interfere positivamente
no seu desempenho escolar. Por terem essas
características, são alunos que apresentam um
baixo envolvimento em atividades ligadas à
Faculdade como desenvolvimento de pesquisas,
participação em laboratórios, projetos ou
elaboração de artigos. A maioria dos alunos
entrevistados apresentam expectativa de se
formarem nos cincos anos iniciais propostos
pela Faculdade. O interessante aqui foi que,
mesmo os alunos que já foram reprovados em
algumas matérias, acreditam que também vão se
formar em cinco anos. Há também aqueles que
já se planejaram e mesmo sem ter sido
reprovado em nenhuma matéria pretendem fazer
o curso em mais anos. Quanto ao grau de
dificuldade encontrado pelo aluno frente a seu
curso, a grande maioria dos entrevistados vêem
o curso com um grau de dificuldade alto e
médio.
No que tange ao perfil dos alunos do curso de
Administração de Empresas em comparação aos
outros cursos, encontramos alguns dados
interessantes. Estes alunos estão mais preocupados
com sua formação Acadêmica quando comparado
aos dos cursos de Economia e Contabilidade.
Isto se dá pelo fato de a maioria dos
alunos de Administração pretenderem se formar
em cinco anos, procurando para isso dedicar-se
com maior afinco a seus estudos evitando uma
possível reprovação. Sendo assim, os alunos de
Administração tendem a ter um melhor
desempenho do que os alunos de Economia, que
tendem a ter um resultado melhor que os de
Contabilidade. Podemos concluir que o
desempenho do aluno está altamente relacionado
ao tempo em que ele pretende se formar. Talvez
esperando se formar em tempo maior que o
normal, não se preocupe tanto em cursar ou
passar em todas as matérias, característica mais
encontrada nos alunos de Economia e
Contabilidade. Outra curiosidade é que as
pessoas que cursam administração tendem a
achar o curso mais fácil e, oposta a essa
afirmação, pessoas que cursam ciências
contábeis tendem a achar o curso mais difícil.
Relacionando à variável sexo, temos que, pelos
dados colhidos, as mulheres preferem cursos de
administração ao de economia, e preferem o de
economia ao de ciências contábeis. Pessoas do
sexo feminino também tendem a achar o curso
mais difícil. No caso dos alunos que trabalham,
encontramos três perfis distintos. Um com uma
incidência de alunos de desempenho médio, são
empregados, trabalham por necessidade em
período integral, vêem seu trabalho como uma
influência negativa e cursam Economia. Outro
grupo apresenta um perfil com desempenho
menor, trabalham em estágio ou emprego em
períodos variáveis, e vêem uma influência
positiva do trabalho em seu desempenho.
Cursam Ciências Contábeis. Já os alunos de
Administração apresentam um desempenho
melhor comparado com os dois anteriores,
trabalham por aprendizado, em geral em meio
período, e não vêem influência do seu trabalho
em seu desempenho Acadêmico.
Como os resultados apresentados foram baseados
em dados que não mediram os desempenhos
dos alunos comparando suas médias alcançadas
ao longo dos anos de Faculdade, por motivos
anteriormente explicados, vale ressaltar,
que os resultados apresentados apenas refletem
uma questão de preferência no que tange ao
tempo de formação Acadêmica e a dedicação de
cada aluno em cada curso. Concluímos com
nosso modelo que, os alunos mais preocupados
em concluir seus cursos em cinco anos, são também
os que menos são reprovados e que apresentam
um desempenho melhor e uma maior
dedicação.
BIBLIOGRAFIA
IKEDA, Ana Akemi, CAMPOMAR, Marcos
Cortez, OLIVEIRA, Tânia Modesto Veludo
de. “ Alunos de Administração da FEA/USP:
Características e Tendências” – Artigo apresentado
no Seminário em Administração
(SEMEAD) em sua segunda edição –
FEA/USP. 1997
12
STEVENSON, William J. “Estatística Aplicada
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Paulo - KOTLER, Philip “Administração de
Marketing” – São Paulo, Editora Atlas –
1996
JOHNSON, R. A. “ Applied Multivariate
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MONTGOMERY, D. C. & Peck, E. A. “
Design and Analysis of Experiments” – John
Wiley – 1992
SPSS BASE 7.5 Applications Guide – SPSS
Inc. – 1997
HAIR Jr. et al. “ Multivariate Data Analysis
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1995