EDUCAÇÃO NA SOCIEDADE DE INFORMAÇÃO
Os Professores, a Empregabilidade e a Sociedade da Informação
Joni de Almeida Amorim
Departamento de Semicondutores, Instrumentos e Fotônica
Universidade Estadual de Campinas
Resumo
A disciplina, a obediência e o respeito restrito às regras estabelecidas perdem relevância face às novas exigências colocadas pelo desenvolvimento tecnológico e social. O novo paradigma se caracteriza por aproximar as competências desejáveis ao pleno desenvolvimento humano daquelas necessárias à inserção dos indivíduos no processo produtivo. Os educadores devem portanto buscar desenvolver as competências básicas tanto para o exercício da cidadania como para o desempenho de atividades profissionais. Este artigo apresenta uma proposta de uma primeira disciplina em educação a distância tendo como foco primordial a Internet. Esta disciplina é sugerida para o primeiro semestre dos cursos de graduação em Licenciatura e Pedagogia ou como uma disciplina de extensão universitária para professores já em atividade. Um detalhamento maior dos tópicos sugeridos também tornaria esta disciplina de interesse para cursos de pós-graduação que preparem futuros professores universitários. A proposta aqui apresentada se baseia principalmente no "Livro Verde" do Ministério da Ciência e Tecnologia e nos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ministério da Educação.
Palavras-chave: Educação a Distância - Empregabilidade - Formação de Professores - Internet - Parâmetros Curriculares Nacionais - Sociedade da Informação
1. Introdução
A disciplina, a obediência e o respeito restrito às regras estabelecidas perdem relevância face às novas exigências colocadas pelo desenvolvimento tecnológico e social. O novo paradigma se caracteriza por aproximar as competências desejáveis ao pleno desenvolvimento humano daquelas necessárias à inserção dos indivíduos no processo produtivo. Os educadores devem portanto buscar desenvolver as competências básicas tanto para o exercício da cidadania como para o desempenho de atividades profissionais. Estas competências básicas são: a capacidade de abstração; o desenvolvimento do pensamento sistêmico (ao contrário da compreensão parcial e fragmentada dos fenômenos); a criatividade; a curiosidade; a capacidade de se pensar em múltiplas alternativas para um mesmo problema (o desenvolvimento do pensamento divergente); a capacidade de se a trabalhar em equipe; a disposição para procurar e aceitar críticas; a disposição para o risco; o desenvolvimento do pensamento crítico; a capacidade de buscar conhecimento; e o desenvolvimento de capacidades de comunicação (ME, 1999).
"Um reposicionamento dos Parâmetros Curriculares Nacionais deve ser considerado". "No nível de graduação, alguns currículos estão irremediavelmente obsoletos..."."Os cursos de formação de professores como as licenciaturas necessitam de injeção energética, mas muito ponderada, de uso de tecnologias de informação e comunicação, para contemplar a formação de professores familiarizados com o uso dessas novas tecnologias " (MCT, 2000).
Há portanto a necessidade de se investir na formação de docentes com o intuito de se gerar mudanças na seleção e no tratamento dos conteúdos a serem ensinados nas escolas brasileiras tendo-se como foco a incorporação da informática num momento em que se percebe a crescente presença da ciência e da tecnologia nas atividades produtivas e nas relações sociais.
O software educacional "deve atender aos objetivos específicos da disciplina e guardar coerência com a natureza da matéria examinada" (S. S. SETTE, M. A. AGUIAR e J. S. A. SETTE, 1997) devendo ser utilizado, portanto, pelo professor da disciplina em consideração como uma ferramenta pedagógica que impulsione a qualidade da aprendizagem em consonância com objetivos determinados.
Neste contexto, este artigo apresenta uma proposta de uma primeira disciplina em educação a distância tendo como foco primordial a Internet. Esta disciplina é sugerida para o primeiro semestre dos cursos de graduação em Licenciatura e Pedagogia ou como uma disciplina de extensão universitária para professores já em atividade. Um detalhamento maior dos tópicos sugeridos também tornaria esta disciplina de interesse para cursos de pós-graduação que preparem futuros professores universitários. A proposta aqui apresentada se baseia principalmente no "Livro Verde" do Ministério da Ciência e Tecnologia e nos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ministério da Educação.
2. A Sociedade da Informação no Brasil
No que tange à alfabetização digital, as oportunidades de aquisição das noções básicas de informática indispensáveis para o acesso à rede e seus serviços são insuficientes diante da Sociedade da Informação que está se formando no Brasil.
Educar em uma Sociedade da Informação é muito mais do que treinar pessoas no uso das novas tecnologias; trata-se de formar os indivíduos para "aprender a aprender" de forma a prepará-los para a contínua e acelerada transformação da base tecnológica.
A convergência da base tecnológica que o Brasil e o mundo experimentam neste momento decorre do fato de se poder representar e processar qualquer tipo de informação de uma única forma, a digital. A educação via Internet se adequa a esta convergência, seja através do oferecimento de educação e treinamento com materiais instrucionais totalmente dirigidos à Internet seja como apoio aos tradicionais cursos presenciais. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, parece bastante viável oferecer a curto prazo uma educação via Internet eventualmente acessível em qualquer localidade; o intuito básico seria o de oferecer a todos os brasileiros "conectados" a chance de aprender sem que tenham de abandonar as suas comunidades.
O Programa Sociedade da Informação no Brasil (http://SocInfo.org.br) tem como parte de seus objetivos democratizar o acesso da população às tecnologias da informação e contribuir para o incremento da competitividade do país no mercado global. Uma de suas linhas de ação é a "Educação na Sociedade da Informação", a qual tem como diretrizes básicas o apoio aos esquemas de aprendizado, de educação continuada e à distância baseados na Internet e em redes e a implementação de reformas curriculares visando ao uso de tecnologias de informação e educação em atividades pedagógicas e educacionais em todos os níveis da educação formal (MCT, 2000).
Este artigo apresenta uma proposta de uma primeira disciplina em educação a distância tendo como foco primordial a Internet.
3. A empregabilidade na Sociedade da Informação
O uso crescente de computadores no trabalho e o alto crescimento das ocupações altamente relacionadas ao uso de informática fez com que o treinamento em computação se tornasse prioritário na formação educacional de qualquer pessoa. Uma exposição precoce às tecnologias de informação é hoje vista como fundamental para a preparação de uma força de trabalho integrada à realidade da era da informação. MEARES e SARGENT (1999) discutem aspectos fundamentais relativos à força de trabalho na era da informação.
O que é um trabalhador da era da informação? Os trabalhadores da era da informação são os cientistas de computação, o que inclui os administradores de bancos de dados, os especialistas em suporte à computação, e todos aqueles que lidam diretamente com computadores; os trabalhadores da era da informação são também os engenheiros de computação, os analistas de sistema e os programadores de computadores. Mas os trabalhadores da era da informação também são os responsáveis pela inserção de dados em bancos de dados, profissionais de saúde que operam computadores dedicados ao diagnóstico de doenças, cientistas que utilizam a Internet e os computadores em suas pesquisas, professores que utilizam as novas tecnologias para ensinar, fazendeiros que utilizam recursos de sensoriamento remoto para prever as condições do tempo e recursos estatísticos para determinar o momento ideal da venda de seus produtos, etc. Enfim: os trabalhadores da era da informação são todos aqueles que utilizam os recursos da informática em seu trabalho.
Dentro em breve, a Internet pode se tornar um sistema globalizado e universal de baixo custo para entrega instantânea de todos os tipos de informação para aqueles que estiverem conectados. A possibilidade de personalização do conteúdo informativo e o seu acesso rápido e simplificado trazem novos paradigmas à educação a distância ao mesmo tempo em que afeta as demais formas de educação.
Isto implica em dizer que, conforme as novas tecnologias se integram ao dia a dia de nossa sociedade, todos os trabalhadores se tornarão trabalhadores da era da informação. Surge daí a questão: como educar em um momento em que o conhecimento adquirido torna-se menos importante que a capacidade de aprender e em que aumenta significativamente a necessidade de profissionais preparados para atuar na era da informação?
Três atitudes principais podem ser sugeridas: melhorar a imagem dos profissionais das áreas técnicas para que os jovens se sintam mais atraídos por estas carreiras; oferecer maiores informações sobre carreiras técnicas para os estudantes, seus pais e seus professores; enfatizar a importância do ensino de disciplinas matemáticas e científicas no nível pré-universitário (MEARES e ARGENT, 1999).
MEARES e SARGENT (1999) citam a americana Barbara MacPhee: "O principal erro por nós cometido enquanto nação foi o de tornar ciência e matemática um clube de elite. Competência em matemática e ciência deveria ser fundamental para todo estudante, e não apenas para aqueles com os melhores desempenhos ".
Apesar dos progressos na educação científica pré-universitária nos anos recentes, certos problemas ainda estão por ser resolvidos: o conteúdo das disciplinas do ensino pré-universitário estão muito distantes da realidade daqueles que se tornarão futuros cientistas; o currículo está sobrecarregado de informações fatuais ao invés de enfatizar aplicações de conhecimentos e o desenvolvimento de habilidades; há pouca ênfase às conexões entre ciência e as novas tecnologias; o currículo guarda pouca relação com as necessidades e interesses dos alunos. A ênfase deveria ser a de se desenvolver as idéias básicas da ciência de forma clara e simples; em consonância com métodos alternativos de ensino, as avaliações de desempenho dos alunos deveriam focar as habilidades dos estudantes de entender e interpretar informações (GILL, 1999).
Os educadores, mesmo aqueles das disciplinas não científicas, devem estimular tanto quanto possível o interesse por matemática e ciências como forma de estimular seus educandos a adquirir a base necessária para melhor entender as novas tecnologias. Inter-relações entre o tópico em estudo e as ciências que servem de base para o entendimento das novas tecnologias devem ser uma prioridade.
Como passos fundamentais para se estimular a aprendizagem de matemática e ciências, MEARES e SARGENT (1999) sugerem que empresas interfiram de forma vigorosa nas políticas educacionais locais de forma a defender a importância de um currículo rigoroso em matemática e física, além de outras disciplinas científicas; sugerem também que se aumente a qualidade do corpo docente em matemática e ciências das escolas; também se sugere que se aumente o contato de professores com as novas tecnologias e as ciências, expondo-os também aos trabalhos desenvolvidos nas áreas de alta tecnologia. Em conjunto, tais atitudes preparariam melhor os educadores para que possam estimular seus alunos a se tornarem trabalhadores da era da informação.
Esta proposta de um primeiro curso em educação a distância busca incluir como tópicos assuntos que preparem os educadores adequadamente em termos das novas tecnologias educacionais de forma a torná-los educadores mais bem preparados para a Sociedade da Informação no Brasil (MCT, 2000).
4. Uma proposta de disciplina
Uma primeira disciplina em educação a distância deveria ter por foco primordial a Internet pelas razões já expostas. Esta disciplina é sugerida especialmente para o primeiro semestre dos cursos de graduação em Licenciatura e Pedagogia com o intuito de iniciar estes futuros educadores o mais rapidamente possível no novo paradigma de aprendizagem da Sociedade da Informação no Brasil (MCT, 2000).
O uso constante da Internet pode proporcionar uma individualização do processo educativo caso os alunos sejam estimulados a utilizá-la como fonte de pesquisas. O professor responsável pela disciplina deve assumir o papel de mediador, permitindo que os alunos construam por si mesmos o conhecimento através do uso constante da Internet durante todo o desenvolvimento desta disciplina. Sugere-se que o professor prepare um material instrucional na forma de um tutorial com os tópicos apresentados, o qual sirva de referência para a disciplina. Este tutorial, o qual poderia incluir até mesmo vídeos e animações, deveria ser disponibilizado na Internet já no início do desenvolvimento da disciplina para servir de guia aos alunos durante o seu processo de aprendizagem.
Algumas das questões importantes relativas à criação deste tutorial são: a criação de uma tabela bastante detalhada do conteúdo; um mecanismo de busca por palavras para que o leitor possa se referir de imediato ao assunto de seu interesse; a criação de uma hierarquia que explicite quais são os assuntos principais; a criação de um sumário que dê ao usuário uma visão global de tudo que será abordado no tutorial. A idéia é a de desenvolver uma hierarquia de páginas que pareça natural e bem estruturada ao usuário e que não interfira negativamente na aprendizagem ao confundir este mesmo usuário.
No caso de um curso não presencial, sugere-se que o professor interaja com os alunos utilizando e-mails, chats, videoconferência, etc.
No caso de uma abordagem presencial, sugere-se que o professor realize todas as aulas em um laboratório de computação com o intuito de expor exemplos da Internet e demonstrar pessoalmente o uso da infra-estrutura computacional disponível, como câmaras digitais, gravadores de CD e DVD, softwares, etc.
Em ambos os casos, sugere-se que o professor melhore o tutorial com a ajuda de seus alunos, estimulando-os a escrever novamente partes do texto que lhe pareçam obscuras ou pouco detalhadas. Os alunos poderiam contribuir copiando os textos de interesse acessando o tutorial pela Internet e remetendo-os por e-mail ao professor após alterá-los. Tanto quanto possível, os alunos devem contribuir para a melhoria do tutorial alterando e/ou gerando todo tipo de conteúdo. Os alunos devem ver o próprio tutorial como uma oportunidade de experiência prática nas técnicas ensinadas. Os alunos devem ser estimulados a formar grupos de discussão sobre temas variados, a buscar informações na própria Internet sobre os assuntos de interesse e a interagir utilizando todos os meios possíveis.
A ênfase, portanto, deve ser a de estimular os alunos a buscarem por si mesmos na Internet informações sobre os tópicos fundamentais sugeridos pelo professor ao mesmo tempo em que utilizam todos os recursos tecnológicos disponíveis para documentar e potencializar sua aprendizagem.
Sugere-se ainda que o professor responsável gere um banco de dados sobre o curso que inclua, inclusive, todas as mensagens trocadas durante a realização da disciplina para que professores e alunos de semestres posteriores se beneficiem das estatísticas geradas. Espera-se com isso um aumentando da qualidade da disciplina conforme a mesma é oferecida ao longo dos anos. Espera-se também que o tutorial evolua a cada semestre de oferecimento da disciplina, de forma a eliminar ou incluir novos tópicos com base inclusive nas sugestões de alunos.
Os tópicos aqui sugeridos não são exaustivos. Representam apenas uma sugestão de temas a serem desenvolvidos em um curso de um semestre com 4 horas semanais de dedicação. É tarefa do professor responsável por esta disciplina introdutória adequar os tópicos que compõem o material instrucional à realidade de seus alunos.
5. Desenvolvimento da disciplina em tópicos
(1) Introdução
a quem se destina a disciplina; objetivos fundamentais a serem alcançados; como os alunos devem agir durante a realização do curso; material instrucional: o tutorial desta disciplina disponível na Internet; tutoriais semelhantes disponíveis na Internet; a proposta de melhoria contínua do material instrucional na forma de tutorial; como contribuir para a melhoria contínua do tutorial; estatísticas sobre o oferecimento anterior desta disciplina.
(2) Introdução a educação a distância:
o que é a educação a distância; história da educação a distância; educação a distância e sua regulamentação; vantagens e desvantagens da educação a distância; diferenças entre cursos presenciais, semi-presenciais e não-presenciais; a educação a distância como mecanismo complementar, substitutivo ou integrante; meios de instrução mais comuns: textos, áudios, vídeos, CD-ROMs, etc.; sincronismo e assincronismo; o que é a Internet; a Internet como meio de instrução; principais portais de acesso gratuito relativos a educação; exemplos de cursos a distância que não utilizam Internet; exemplos de cursos a distância que utilizam a Internet; vantagens e desvantagens do uso da Internet em cursos a distância; o que é a globalização; a globalização e a educação a distância; estatísticas sobre educação a distância no Brasil e no mundo.
(3) Glossário de termos fundamentais ao desenvolvimento desta disciplina:
termos fundamentais em computação: software, hardware, etc.; termos fundamentais em Internet: largura de banda, portais, etc.; termos fundamentais em educação a distância: aprendizagem eletrônica, ensino mediado por computador, etc.; endereços de portais da Internet com tutorias e/ou glossários relativos a computação, Internet e educação a distância.
(4) Buscas pela Internet e as bibliotecas virtuais:
formas possíveis de acesso à Internet; o que são softwares de navegação para Internet; o que são hipertextos e o que é hipermídia; o que é download e que é upload; relações entre a qualidade de conexão à Internet e a qualidade de cursos online; o que são palavras-chave; o que são sites de busca; o que são bibliotecas virtuais; como utilizar a Internet para a busca de documentação.
(5) Temas atuais da educação:
o que são temas transversais em educação; as novas tecnologias como tema transversal; o que são os parâmetros e diretrizes curriculares; a regulamentação da profissão e o papel do educador na sociedade; a construção do conhecimento; o paradigma do "aprender a aprender"; o desenvolvimento da criatividade; o professor mediador, a aprendizagem autodidata e os cursos a distância; o papel do educador em cursos a distância; a realidade virtual enquanto ambiente de aprendizagem; o desenvolvimento de metodologias pedagógicas eficientes para educação a distância; o desenvolvimento de ferramentas adequadas para o estudo individual ou em grupo através do uso de novas tecnologias; outros temas atuais da educação no Brasil e no mundo
(6) O impacto dos computadores na educação:
a capacidade de processamento numérico (previsão meteorológica, etc.); a capacidade de processamento simbólico/lógico (editoração de textos, sistemas especialistas, etc.); a capacidade de interação multimídia (interação via imagens, sons, etc.); a capacidade de controle e comando de ações concretas no mundo real (satélites, robôs, etc.); a capacidade de interligação de computadores e pessoas em locais distantes alterando a relação espaço/temporal entre educadores e educandos; formas de utilização destas capacidades no ensino baseado em Internet (desenvolvimento colaborativo de projetos e de materiais instrucionais por professores dispersos geograficamente; o compartilhamento de recursos de ensino entre instituições; etc.).
(7) O Brasil e a exclusão digital:
o que é o Projeto Sociedade da Informação no Brasil; o que é uma sociedade do conhecimento; o que é uma sociedade digital; o que é a exclusão digital; a exclusão digital e o domínio de línguas estrangeiras; diferença entre alfabetização tecnológica e fluência tecnológica; o que é empregabilidade; globalização e empregabilidade; estatísticas sobre empregabilidade; estatísticas sobre educação a distância via Internet e exclusão digital; as profissões fundamentais na sociedade da informação.
(8) Meios de comunicação:
meios de comunicação tradicionais: telefone, carta, etc.; meios de comunicação relacionados às tecnologias digitais: e-mail, chat, videoconferência, etc.; vantagens e desvantagens dos meios digitais de comunicação em educação a distância; como utilizar e-mails: criação de conta, anexação de arquivos, etc.; como utilizar outros meios digitais de comunicação.
(9) Softwares fundamentais para criação e manutenção de páginas na Internet:
linguagens de programação e ferramentas CASE (Engenharia de Software Auxiliada por Computador); os editores de texto e os editores de páginas da Internet; formatações de conteúdo adequadas à Internet; os editores de HTML, XML, JAVA, etc. mais utilizados; os diferentes tipos de conteúdo: textos, vídeos, animações, etc.; como utilizar os ambientes computacionais para geração de conteúdo; vantagens e desvantagens de ambientes computacionais para geração de conteúdo; como desenvolver ambientes computacionais para geração de conteúdo; os formatos dos conteúdos e o uso de softwares de navegação para Internet; aplicativos para upload; manutenção de cursos e páginas de Internet; problemas comuns à geração de conteúdos; os bancos de dados e os problemas comuns ao armazenamento de conteúdos; problemas comuns à disponibilização de conteúdos; acesso e segurança.
(10) Sistemas de gerenciamento para educação online:
o que são os ambientes de gerenciamento para educação online; vantagens e desvantagens; como utilizar.
(11) Definindo o público e suas características de aprendizagem:
possíveis faixas etárias; possíveis ocupações; as diferentes necessidades de cada grupo; a psicologia e a pedagogia e sua relação com a educação a distância; como adequar o mesmo conteúdo didático a diferentes públicos; a personalização do conteúdo e a personalização da interface de acesso ao conteúdo; como utilizar estatísticas para se perceber as melhores práticas de ensino para cada público.
(12) Criação de cursos para educação online:
definindo o público alvo; definindo o conteúdo; adequação da formatação do conteúdo à infra-estrutura disponível ao público alvo; considerando-se as possibilidades de personalização do conteúdo pela divisão do curso online em tópicos independentes; o uso de testes precursores a cada tópico do curso online como forma de se identificar quais assuntos já são de domínio do aluno; a preparação para a provável necessidade de atualização do conteúdo dos cursos; a flexibilidade dos cursos online: como manter um curso online atualizado e relevante; acompanhamento do aprendizado e avaliação contínua de desempenho; formas de se incentivar o estudo; estímulo à interação entre alunos de um mesmo curso online: e-mails, chats, etc.; formas de avaliação da qualidade do curso; a aprendizagem linear e os livros impressos tradicionais; os "links", a Internet e a aprendizagem não linear; como integrar as novas tecnologias à realidade do aluno.
(13) A questão dos custos:
os custos e os benefícios das diversas conexões possíveis à Internet; os custos de software; o uso de softwares gratuitos em educação; os custos de hardware; TCO ("Total Cost of Ownership"): o custo total da manutenção de uma infra-estrutura computacional; ASP ("Application Service Providers"): a hospedagem de aplicativos, os provedores de serviços aplicativos e o pagamento de taxas para a utilização de aplicativos; a reutilização de cursos online; soluções efetivas em termos de custos para a educação a distância e para a educação semi-presencial: a questão da viabilidade econômica.
(14) Gerenciamento da qualidade em serviços de educação via Internet:
o que é qualidade; o que é qualidade em serviços de educação; como gerenciar a qualidade em serviços de educação via Internet; custos e qualidade; softwares para o gerenciamento da qualidade em serviços de educação via Internet; sistemas de informação para o gerenciamento educacional: o que são; sistemas de informação para o gerenciamento educacional: como utilizar; projetos de grande porte mediados por computador: como gerenciar equipes de desenvolvimento.
(15) Os negócios relativos à educação sem fronteiras e à aprendizagem para toda a vida:
os segmentos de mercado para a aprendizagem eletrônica; características e exemplos de treinamento corporativo; descobrindo novos mercados para o treinamento a distância; como lucrar produzindo cursos; como terceirizar a produção de cursos; o comércio eletrônico e potencial de lucro na exportação de cursos; marketing: como divulgar cursos; as universidades virtuais; a questão dos direitos autorias e a reutilização de conteúdos de outros autores.
(16) Interação homem/máquina:
o que é uma interface; o que é uma interface personalizável; o que é uma interface inteligente; o que são agentes; vantagens e desvantagens; como pode a interação se tornar mais explícita e eficiente; como as interfaces podem oferecer melhor suporte para os planos, objetivos e tarefas de seus usuários; como a informação pode ser oferecida de forma mais eficiente; como tornar mais fácil o "design" e a implementação de interfaces de qualidade; a ergonomia da infra-estrutura computacional e a efetividade da educação mediada por computador.
(17) Sistemas de tutoria inteligente e educação a distância:
o que são; como utilizar; vantagens e desvantagens; como desenvolvê-los.
(18) Tendências em educação a distância:
as prioridades governamentais brasileiras e mundiais no momento; projetos da UNESCO e da OECD; os principais endereços de portais da Internet que tratam de tendências em educação a distância no Brasil e no mundo; os principais periódicos em educação a distância no Brasil e no mundo; os principais eventos em educação a distância no Brasil e no mundo; a situação atual e as tendências no Brasil e no mundo.
(19) A educação a distância na área de habilitação do futuro educador:
principais portais da Internet relativos a cada área do saber; principais tutoriais específicos à área de habilitação do educador disponíveis na Internet; como se atualizar utilizando a Internet; estatísticas sobre a educação a distância em cada área; aspectos pedagógicos específicos para cada área; aspectos computacionais (hardware, software, etc.) específicos para cada área.
(20) Revisão e debate sobre os temas fundamentais abordados no curso:
apresentação de um resumo de todas as atividades desenvolvidas pelos alunos individualmente e/ou em grupo; pesquisa de opinião entre os alunos com o objetivo de identificar possíveis melhorias nesta disciplina introdutória; debate sobre temas fundamentais a serem incluídos no próximo oferecimento da disciplina.
6. Considerações finais
Deve-se buscar não apenas o fim do "analfabetismo" tecnológico no Brasil, mas sim a "fluência" em tecnologias de informação e comunicação. Os cidadãos integrados à Sociedade da Informação no Brasil devem ser capazes de reformular conhecimentos e expressar-se criativa e apropriadamente, assim como devem ser capazes de produzir e gerar informação em vez de meramente compreendê-la. A complexidade da vida moderna e dos sistemas computacionais traz importância crítica à educação. Os educadores e, em especial, os educadores especializados em educação a distância via Internet, tem um papel fundamental a cumprir neste contexto.
A construção e distribuição de pacotes tecnológicos para o apoio ao ensino a distância de baixo custo e em grande escala voltados à realidade brasileira, com vistas a permitir a todos os educadores o acesso a estas tecnologias educacionais, mais uma vez traz a necessidade da introdução de disciplinas relativas à educação a distância nos currículos dos cursos de formação de professores. O presente artigo busca contribuir para o debate em torno da formação de professores sugerindo uma primeira disciplina em educação a distância tendo como foco primordial a Internet.
7.Referências bibliográficas
1. ALMEIDA, M. G. M. Formação de Professores na Modalidade de Educação a Distância: Análise Inicial de um Percurso, VII Congresso Internacional de Educação a Distância, http://www.abed.org.br, Agosto, 2000
2. FLEMMING, D. M. e LUZ, E. F. e COELHO, C. Desenvolvimento de Material Didático para Educação a Distância no Contexto da Educação Matemática VII Congresso Internacional de Educação a Distância, http://www.abed.org.br, Agosto, 2000
3. FROSSARD, V. C. Há Informação Relevante na Internet para o Ensino Fundamental no Brasil?, III Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação, Rio de Janeiro, 10 a 12 de setembro, 1997
5. JACKSON, G. e KARKI, V. Computer Software Development: An Export Industry for Developing Countries, disponível em Janeiro de 2001 no endereço http://www.TechKnowLogia.org, TechKnowLogia, Julho/Agosto, 2000
6. KUSUNOKI, F. e SUGIMOTO, M. e HASHIZUME, H. Towards the Integration of Physical and Virtual Worlds for Supporting Group Learning, Digital Cities, Lecture Notes in Computer Science, Volume 1765, Springer, 2000
7. LA INSIGNIA, ONU quer ajudar países pobres a diminuir a Exclusão Digital, Folha de São Paulo, 20 de Junho, 2000
8. MCT Sociedade da Informação no Brasil - Livro Verde, MCT - Ministério da Ciência e Tecnologia, Governo Federal do Brasil, Brasília, Setembro, 2000
9. ME Parâmetros Curriculares Nacionais - Ensino Médio, ME - Ministério da Educação, Governo Federal do Brasil, Brasília, 1999
10. MEARES, C. A. e SARGENT, J. F. The Digital Work Force: Building Infotech Skills at the Speed of Innovation, Technology Administration, Office of Technology Policy, U. S. Department of Commerce, Junho, 1999
11. OLIVEIRA, E. H. T. e SCAPIN, R. H. e VICENTINI, W. B. Proposta de um Ambiente Hipermídia Integrado para o Desenvolvimento de Cursos a Distância, VII Congresso Internacional de Educação a Distância, http://www.abed.org.br, Agosto, 2000
12. PETERSON, R. W. e MAROSTICA, M. A. e CALLAHAN, L. M. Helping Investors Climb the e-Learning Curve - The Next Internet Investment Opportunity, U.S. Bancorp Piper Jaffray Inc., disponível em Dezembro de 2000 no endereço http://www.piperjaffray.com, Novembro, 1999
13. SETTE, S. S. e AGUIAR, M. A. e SETTE, J. S. A., Licenciatura em Informática - Uma Questão em Aberto, Revista Brasileira de Informática na Educação, http://www.inf.ufsc.br/sbc-ie/revista, n° 1, Setembro, 1997
14. SHNEIDERMAN, B. Designing the User Interface - Strategies for Effective Human-Computer Interaction, Addison-Wesley, 1998
15. SMOLENSKI, M. The Digital Divide and American Society - A Report on the Digital Divide and Its Social and Economic Implications for our Nation and Its Citizens, http://gartner4.gartnerweb.com/public/static, Outubro, 2000
16. URDAN, T. A. e WEGGEN, C. C. Corporate e-Learning: Exploring a New Frontier, Equity Research, WR Hambrecht + Co, Março, 2000
17. VOLI, E. Internet e a Nova Convergência, Jornal Gazeta Mercantil, Ano LXXX, n° 22013, 1°/Fevereiro, 2001
Data de publicação no site: 09/09/2010
IMPRIMIR TEXTO
|